Vou fazer um aborto hoje.
Posted on 18 junho 2010
Provavelmente nunca cometeria um.
Provavelmente?
Sim,provavelmente, porque apontar o dedo é fácil.
Criminalizar o aborto não impede que ele aconteça. E provavelmente você mesmo poderá comprovar isso se parar para pensar e chegar a conclusão que conhece uma ou mais mulheres que fizeram aborto. Eu conheço. Mais de uma. E nenhuma delas se sente feliz com essa decisão. E acredito que todos conhecem pelo menos uma mulher que já tenha feito um. Não é uma decisão fácil nem de se tomar, nem de se conviver. E independente do motivo que leve uma mulher a este extremo, temos que entender que tratar o aborto como crime faz apenas com que ele aconteça na clandestinidade sem as menores condições de segurança e saúde para a mulher que é a única que paga o pato da gravidez indesejada, de fato.
E elas podem morrer pelo fato de terem que fazer isso em clínicas clandestinas. Criminalizar o aborto impede que essas mulheres recebam ajuda profissional adequada, ajuda psicológica ou até financeira que podem, sim, não só salvar sua vida, como ainda tem a chance de ajudar a evitar que o aborto aconteça.
Se a gravidez acontece no corpo dela e se ela vai assumir isso (porque é certo que se ela está abortando é porque está sozinha de alguma forma) , porque ela não tem o direito de decidir sobre isso?
Se ela está decidindo errado, o problema é dela. Inclusive, é ela que terá que se entender com sua própria consciência. Afinal, não é algo que se supera.
Eu sou contra o aborto no meu corpo, mas tenho o direito de ser contra ou a favor com relação ao corpo de outras mulheres?
Como eu disse, eu já fui absolutamente contra o aborto.
Mas hoje sou a favor das mulheres.
Criminalizar o aborto condena mulheres à morte, só mulheres.
Cria verdadeiros matadouros, médicos inescrupulosos, desrespeito, dor, sofrimento.
Criminalizar o aborto, cria o crime e mata mulheres.
Nós precisamos de saídas, de ajuda, de apoio, não de marginalização.
Sem contar que as mulheres ricas, fazem seus abortos em clínicas limpas, com saúde e respeito. Porque o dinheiro compra o direito á dignidade. As pobres ou mesmo aquelas que não tão pobres, não podem pagar por caras clínicas, morrem e quando não morrem, colocam filhos no mundo que não desejavam, muitas os abandonam em vida e ainda são abandonadas pelo Estado que não provê o que é seu dever: educação e saúde básicos! E temos aí, um dos fatores para a sociedade injusta que temos hoje.
Chega de hipocrisia!
Ninguém toma a decisão de abortar como se fosse pegar um cinema: ah, legal, hoje eu vou fazer um aborto.
Criminalizar não evitará abortos.
Além do mais, o “respeito” à vida justifica uma vida indigna?
O Projeto de Lei nº 478, de 2007, conhecido Estatuto do Nascituro, trata-se de um projeto do deputado Luis Bassuma (PT-BA, atualmente no PV) e do Miguel Martini (PHS-MG). O Bassuma foi expulso do PT por suas posições contrárias ao programa do partido, porque ele é um dos mais ferozes representantes dos fundamentalistas radicais conservadores. Contrário ao aborto em qualquer caso, trabalha pra conseguir mudar a legislação atual, que já é insuficiente. A CPI que vai investigar o aborto, as ações criminais contra mulheres que abortaram (como no caso do MS), tudo isso tem por trás o Bassuma e sua turma.
O projeto de lei do estatuto do nascituro é absurdo, inclusive é ilegal e inconstitucional, mas isso não impediu que fosse aprovado na Comissão de Seguridade Social e Família da Câmara dos Deputados. Para ir pra plenária, precisa passar por mais duas comissões. O que eles querem é polemizar, pois sabem que o projeto fere a Constituição, mas a idéia é fazer mídia – lembrem-se que estamos em ano de eleição – e fortalecer os que se dizem “pró-vida” (a gente os chama de pró-morte, porque as mulheres continuam morrendo).
Sendo assim, mulheres, lembrem-se desse nomes ao votar, não votem neles!
E o projeto está, agora, na Comissão de Finanças e Tributação. Precisamos escrever e nos manifestar para impedir o avanço deste projeto. escreva para os deputados e diga sua opinião, se manifeste. Isso é fundamental.
Eu já mandei minha mensagem:
Comunicamos o recebimento de sua mensagem, protocolada sob o número2EF2102232143.
Câmara dos Deputados
Palácio do Congresso Nacional – Praça dos Três Poderes
70160-900 – Brasília – DF
Disque Câmara - 0800 619 619 – Telefone: (61) 3216-0000
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Este post faz parte da blogagem coletiva e os trechos relativos ao projeto de lei foi escrito com ajuda do texto do grupo Luluzinhas .
Leia mais:
http://smiletic.com/2010/06/16/aborto-nao-e-uma-escolha-facil-mas-e-uma-escolha/
28 DE MAIO, DIA DE LUTO: O ESTATUTO DO NASCITURO ATENTA CONTRA A SAÚDE E A DIGNIDADE DAS MULHERES
6 responses to Vou fazer um aborto hoje.




@anaclaudiabessa



“E independente do motivo que leve uma mulher a este extremo, temos que entender que tratar o aborto como crime faz apenas com que ele aconteça na clandestinidade sem as menores condições de segurança e saúde para a mulher que é a única que paga o pato da gravidez indesejada, de fato.”
.
Ohh really? Descubra-se onde ocorre a clandestinidade, fechem-se tais lugares. Como assim a única? E o bebê?
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“Cria verdadeiros matadouros, médicos inescrupulosos, desrespeito, dor, sofrimento.”
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É mesmo? Combata-se tais lugares e pessoas, multe-se, feche-se, prendam os caras.
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“Sem contar que as mulheres ricas, fazem seus abortos em clínicas limpas, com saúde e respeito.”
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Prendam-nas. Se transgridem as leis e matam bebês, cadê a saúde e o respeito?
Hilton,
Ainda não vi você mencionar o pai da criança.
Cadê ele?
A mulher engravida sozinha?
Sabe porque? Porque é a mulher que carrega toda a responsabilidade.
Mulheres provém em mais de 50% dos lares brasileiros porque os homens abandonam suas famílias por motivos diversos.
Mas as mulheres não podem errar. cadeia, nelas!
Os homens podem e coitados, não tem nenhuma responsabilidade sobre o aborto. Um absurdo!
Agora, qual é a vantagem de ter a mulher presa quando, o Estado DEVERIA orientar essas mulheres?
Mas crime não prevê orientação pré-crime… e então, vamos lotar cadeias!
Essa é a solução?
Uma mulher pobre, morta em aborto clandestino, ou presa, que tenha outros filhos, ajuda quem?
Quem cuidará dos filhos que ela deixou?
Realmente, o debate sobre o aborto ainda tem muito a amadurecer.
Ana Cláudia,
essa é fácil. O pai da criança tem obrigação de cuidar dela, não só com dinheiro como também com a presença do sujeito.
Você tem razão nisso que levanta. Tendemos a jogar tudo pra cima da mulher nesse assunto. Embora eu tenha, numa linha do 1º comentário defendido a prisão do médico, multa, fechar etc
Se o pai(ou ex-futuro pai) foi incentivador do aborto ou nada fez pra evitá-lo, que prendam-no também.
O difícil foi pensar melhor no que teclei. Fiquei um tempão sem coragem de voltar aqui, embora há uns 5 meses tenha vontade de voltar. Continuo contra o aborto, exceto em casos de (aargh!)incesto e (aargh!)estupro.
Uma divisão é a solução que me ocorre. Gosto de um Estado gastando pouco, então pensei em que se use parte da verba pra orientar e a outra parte pra construir mais cadeias.
O ideal imo é o Brasil ser mais federalista, como nos EUA: cada estado decide por si.
“Essa é a solução?
Uma mulher pobre, morta em aborto clandestino, ou presa, que tenha outros filhos, ajuda quem?
Quem cuidará dos filhos que ela deixou?”
Orfanato.
Oi Ana,
Realmente pensamos parecido, na linha: meu direito acaba quando começa o direiro do outro.
Belo texto!
Hi….mas como é complicado falar isso quando entra religião no meio da história….né?
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