set232014

O que os políticos entendem por “defender a família”?

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O que é “defender a familia”?

Seria propor jornadas de trabalho que permitam aos pais estar mais com os filhos?

Seria implantar creches para que as mães tenham onde deixar seus filhos para trabalhar?

Seria incentivar as empresas a assumirem mais o trabalho “home office” de forma que as pessoas não necessitem perder tanto tempo se locomovendo, tendo mais tempo de disposição para conviver com a familia?

Seria construir e equipar mais escolas ?

Pagar melhor aos professores?

Melhorar os hospitais?

Aumentar a segurança publica ?

Reformar praças e espaços públicos de convivência?

Defender a familia, para os políticos não é nada disso. Não é nada disso.

É só um discurso de preconceito, intolerância e demagogia pseudo-religiosa.

set192014

Consumismo: infância encolhida

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Fico tão triste quando vejo crianças reféns do consumo , da vaidade e da tecnologia , principalmente antes dos 10 anos.

É uma perda tão grande essa escravidão precoce.

A infância é tao preciosa e tão curta.

Quando nossa sociedade vai se dar conta do absurdo que fazemos às crianças , que estamos lhes roubando a melhor fase da vida?

Que levar as crianças para o mundo adulto, para o consumo , para a vaidade é tirar seu tempo de brincar e sua cabeça fresca, enchendo-as já na infãncia com as pressões do mundo adulto.

Ter, parecer, estar….

Precisamos preservar a infância.

jul162014

Novos produtos, novas possibilidades!

Bolsas em patchwork

A confecção de nossos produtos sempre gerou muitos retalhos e a gente sempre ficava pensando em como reaproveitar estes retalhos.

Além do reaproveitamento, nossa preocupação era em criar algo que tivesse utilidade.

Contudo, não bastava reaproveitar e ser útil, tinha que ser bonito.

Daí, veio a ideia de fazer produtos utilizando a técnica de patchwork!

Sendo assim, viemos apresentar nossa novidade:

Bolsas em patchwork com desenhos exclusivos!!

São 6 bolsas em 2 tamanhos com cores e combinações de tecidos diferentes.

Um trabalho caprichado e totalmente artesanal!

Visite nossa loja e escolha o seu modelo!

 

http://www.futurodopresente.iluria.com/patchwork-ct-854e9

 

 

 

jul012014

O Sal da Terra

Essa música é muito inspiradora
e tem tudo a ver com o nosso modo de pensar.
Falo desse chão da nossa casa, vem que tá na hora de arrumar!
Vamos precisar de todo mundo, para construir a vida nova
e quem não é tolo, pode ver!
escadapiano

 

.Anda!
Quero te dizer nenhum segredo
Falo nesse chão, da nossa casa
Vem que tá na hora de arrumar

Tempo!
Quero viver mais duzentos anos
Quero não ferir meu semelhante
Nem por isso quero me ferir

Vamos precisar de todo mundo
Prá banir do mundo a opressão
Para construir a vida nova
Vamos precisar de muito amor
A felicidade mora ao lado
E quem não é tolo pode ver…

A paz na Terra, amor
O pé na terra
A paz na Terra, amor
O sal da…

Terra!
És o mais bonito dos planetas
Tão te maltratando por dinheiro
Tu que és a nave nossa irmã

Canta!
Leva tua vida em harmonia
E nos alimenta com seus frutos
Tu que és do homem, a maçã…

Vamos precisar de todo mundo
Um mais um é sempre mais que dois
Prá melhor juntar as nossas forças
É só repartir melhor o pão
Recriar o paraíso agora
Para merecer quem vem depois…

Deixa nascer, o amor
Deixa fluir, o amor
Deixa crescer, o amor
Deixa viver, o amor
O sal da terra

-Beto Guedes-

 

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[imagem: Valparaíso, Chile - arte é de Jean-Baptiste- autoria da foto desconhecida]

mai282014

Passeio: Ron Mueck e o centro do Rio

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Estivemos na exposição do Ron Mueck no MAM  que está no Rio até dia 01 de Junho. E recebemos um carinhoso convite para contar sobre esta visita no blog Viajar é tudo de Bom da Nossa amiga Flávia Peixoto!

Não deixe de ir lá no blog dar uma conferida neste delicioso passeio!

http://www.viajaretudodebom.com.br/2014/05/28/exposicao-do-ron-mueck-no-mam-rio-de-janeiro/

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mai202014

Livro: A História do Tatu

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Este livro é uma gracinha.

Além de muito colorido, tem ilustrações bem infantis e criativas com um texto curto , fácil de ler e em forma de rimas!

Eu adoro rimas porque é uma forma de inserir a criança no universo da poesia. A rima também é muito intrigante pois pode levar a uma série de brincadeiras de estimulam o raciocínio e ajudam a aumentar o vocabulário das crianças. E a história também é bacana. Trata-se de um Tatu que deseja cantar e que, mesmo não recebendo apoio de ninguém, não desiste do seu sonho.

Ótimo para ser lido com crianças e para crianças pré-alfabetizadas ou em alfabetização pois une texto curto com muitas ilustrações.

Vai fundo!

A História do Tatu – Editora Ática

abr242014

Fim do abuso da #publicidadeinfantil !

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Dia 04 de abril, o Conselho Nacional dos Direitos da Criança e do Adolescente – Conanda, publicou no D.O.U a Resolução 163 que afirma que a publicidade para crianças é abusiva.

Essa resolução é uma conquista história da sociedade civil! Finalmente um órgão que defende os direitos das crianças, se posicionou oficialmente e definitivamente sobre o tema. Muitas entidades já lutam há vários anos e os pais entraram oficialmente nesta luta em 2012 para que hajam regras claras e específicas para este tipo de publicidade. Só temos a comemorar pois significa um grande passo contra a publicidade infantil.  

Sou totalmente contra a publicidade infantil. Não vejo benefícios e não tenho tv paga em casa. Desde que cortamos este serviço, pude ver o quanto meus filhos eram influenciados. Mesmo com limites, mesmo com conversa, mesmo com acompanhamento dos pais. Aqui, ninguém sentiu falta dos canais pagos e a tv fica a maior parte do tempo desligada. Já se vão 2 anos de uma significativa mudança de comportamento. A ausência de publicidade infantil trará enormes benefícios à sociedade como um todo. E o discurso daqueles que a defendem é o discurso do medo, o discursos da falácia da censura e do fim da liberdade de expressão. Primeiro, que regulamentação não é censura. Regulamentação é um conjunto de regras e limites. Neste caso, regras e limites para que a infância seja protegida. E liberdade de expressão é para cidadãos, para sindicatos, para a imprensa. A publicidade é uma linguagem  mercadológica, ou seja, comercial, e como tal, precisa de regras. E que no caso da publicidade infantil, coloca as crianças no meio de uma grande e multimilionária estratégia de mercado como eixo central de uma política de criação de demandas, desejos e conceitos mercantilistas. Não precisamos ter medo de perder isso. Acredito que nenhuma criança vai sentir falta de propaganda nos intervalos de seus programas preferidos. Vamos deixar acontecer. Se não der certo, lutemos para que volte. Relaxem e pensem nisso. Sem medo. Vamos pagar prá ver. O que temos a perder? Algumas centenas de comerciais abusivos e mentirosos que influenciam e enganam as crianças, incentivam o consumismo, deturpam seus valores, adultizam e erotizam precocemente? Isso não é exatamente uma perda. ;)

Claro que o Conar e as associações de classe da publicidade não querem seguir e aceitar a Resolução do Conanda alegando que o Conar já faz a autorregulamentação publicitária necessária. O que eles não falam é que o Conar defende os interesses das empresas e confiar no Conar é o mesmo que confiar na raposa para tomar conta do galinheiro. As análises das denúncias demoram, as punições não são efetivas e a autorregulamentação não tem força de lei. Recentemente , inclusive, várias entidades se manifestaram contra uma campanha do Conar que ridiculariza os cidadãos que denunciam. Ou seja, a última coisa que ele faz é defender a infância já que a infância é seu público alvo. Maurício de Sousa, garoto propaganda e defensor da publicidade infantil, já se manifesta nas redes sociais e continua visitando Brasília para usar toda a sua influência para derrubar a Resolução. Ele fez isso com a lei que propunha controle sobre a publicidade de alimentos de baixo valor nutricional em SP, visitando o governador e falando inclusive na mesma reunião sobre o parque da Mônica que ele pretendia construir no interior do Estado de SP. Sim, ele fez isso! Ele é um grande interessado já que tem mais de 3.000 licenciamentos de sua marca e fatura muito com produtos para o mercado infantil. Inclusive, semana passada, ele chegou no fundo do poço de seu ativismo pro-publicidade infantil, postando em seu perfil do twitter a foto de uma menina, menor de idade, supostamente pedindo a manutenção da publicidade infantil. Vejam bem: a menina segurava um cartaz defendendo a propaganda infantil. Tem coisa mais surreal e difícil de acreditar? Mas o Maurício não imaginou que as pessoas estão críticas o suficiente para perceber o absurdo de tudo aquilo e levou centenas de ‘coelhadas’. Fez uma retratação meio torta, com um texto pouco objetivo e tirou a foto da menina do seu perfil. Mas o mal já estava feito e a menina foi exposta em rede social nacional. Um absurdo vindo de um homem que alega que defende as crianças, vendendo Miojo e Vedacit com licenciamento da Mônica. A Turma da Mônica é um ótimo (mau) exemplo de como os personagens infantis são utilizados pela publicidade para transformar as crianças em consumidores.

Mas a culpa sempre recai nos ombros dos pais. Somente dos pais?  Temos também a omissão das escolas que incentivam todas essas datas comerciais. Temos também a sociedade que empurra as crianças a serem cada dia adultas mais cedo. Os pais conseguem ser mais fortes que tantos apelos o tempo inteiro? Por que os pais são os únicos, se todos, inclusive eles, recebem influências do meio? Bato sempre nesta tecla: as crianças são responsabilidade de todos: uma criança mal formada, traz problemas para toda a sociedade e não só para o meio familiar. Criar crianças consumistas e com valores deturpados só traz benefícios para as empresas e transformar crianças em consumistas desde cedo, as influencia pelo resto da vida e ainda permite que o mercado as utilizem como ferramentas de influência de consumo dentro das famílias.

Quando entrei em contato com a causa que questionava a publicidade dirigida às crianças, percebi dentro da minha casa, com meus filhos, que essa luta era minha também e fazia todo o sentido! Hoje, 7 anos depois, conseguimos colocar os pais nas mesas de debates. Conseguimos fazer valer a defesa da infância, conseguimos tirar o sorriso debochado do rosto dos dinossauros de colarinho branco das ABAP’s e ABrinq’s da vida que iam às audiências debochar dos que defendiam a infância e sequer se davam o trabalho de debater, apenas repetindo os mesmos discursos. Era revoltante. Foi revoltante ver o Maurício de Sousa ir lá defender seus interesses ou responder ao Instituto Alana que não se metesse nos negócios de suas empresas. Foi revoltante ver como funcionava o jogo de interesses na Câmara dos Deputados e Congresso Nacional! Hoje, nossa alma está lavada. Sabemos que a luta continua. Mas agora sabemos que estamos sendo ouvidos. Um grande viva a todos os envolvidos! Valeu Instituto Alana ! Orgulho de ser Infancia Livre de Consumismo !

Agora é de suma importância que essa Resolução seja respaldada e respeitada pois ela vem do principal órgão do setor. Temos que ficar de olho contra ações de empresas e associações de classe que usarão de toda a sua influência para que políticos intercedam contra a medida. E já tem político mexendo os pauzinhos para defender os empresários. Essa Resolução é muito importante e vem de um órgão muito importante. O Conanda – Conselho Nacional dos Direitos da Criança e do Adolescente  é a  instância máxima de formulação, deliberação e controle das políticas públicas para a infância e a adolescência na esfera federal foi criado pela Lei n. 8.242, de 12 de outubro de 1991 e é o órgão responsável por tornar efetivo os direitos, princípios e diretrizes contidos no Estatuto da Criança e do Adolescente, Lei n. 8.069, de 13 de julho de 1990, conta, em sua composição, com 28 conselheiros, sendo 14 representantes do Governo Federal, indicados pelos ministros e 14 representantes de entidades da sociedade civil organizada de âmbito nacional e de atendimento dos direitos da criança e do adolescente, eleitos a cada dois anos. A Coordenação Geral do Conanda fica na Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República, no Setor Comercial Sul – B, Quadra 9, Lote C, Edifício Parque Cidade Corporate, Torre “A”, 8º andar, em Brasília, Distrito Federal. CEP: 70308-200.

Telefone: 61. 2025.3525 E-mail conanda@sedh.gov.br

E uma citação muito interessante para a nossa reflexão.

“Dia após dia nega-se às crianças o direito de ser crianças. Os fatos, que zombam desse direito, ostentam seus ensinamentos na vida cotidiana. O mundo trata os meninos ricos como se fossem dinheiro, para que se acostumem a atuar como o dinheiro atua. O mundo trata os meninos pobres como se fossem lixo, para que se transformem em lixo. E os do meio, os que não são nem ricos nem pobres, conserva-os atados à mesa do televisor, para que aceitem desde cedo, como destino, a vida prisioneira. Muita magia e muita sorte têm as crianças que conseguem ser crianças.” - Eduardo Galeano

 

Conheça a Resolução na íntegra:

RESOLUÇÃO 163 CONANDA, DE 13-3-2014
(DO-U DE 4-4-2014)

PUBLICIDADE – Normas

Conanda define princípios aplicados à publicidade dirigida a crianças e adolescentes

O CONSELHO NACIONAL DOS DIREITOS DA CRIANÇA E DO ADOLESCENTE – CONANDA, no uso de suas atribuições estabelecidas na Lei n° 8.242, de 12 de outubro de 1991 e no Decreto n° 5.089, de 20 de maio de 2004 e no seu Regimento Interno,
Considerando o estabelecido no art. 227 da Constituição Federal;
Considerando o disposto nos arts. 2º, 3º, 4º e 86 da Lei n° 8.069, de 13 de julho de 1990;
Considerando o disposto no § 2º do art. 37, da Lei nº 8.078, de 11 de setembro de 1990;
Considerando o Plano Decenal dos Direitos Humanos de Crianças e Adolescentes, especialmente o objetivo estratégico 3.8 – “Aperfeiçoar instrumentos de proteção e defesa de crianças e adolescentes para enfrentamento das ameaças ou violações de direitos facilitadas pelas Tecnologias de Informação e Comunicação”, resolve:

Art. 1º Esta Resolução dispõe sobre a abusividade do direcionamento de publicidade e de comunicação mercadológica à criança e ao adolescente, em conformidade com a política nacional de atendimento da criança e do adolescente prevista nos arts. 86 e 87, incisos I, III, V, da Lei n° 8.069, de 13 de julho de 1990.

§ 1º Por ‘comunicação mercadológica’ entende-se toda e qualquer atividade de comunicação comercial, inclusive publicidade, para a divulgação de produtos, serviços, marcas e empresas independentemente do suporte, da mídia ou do meio utilizado.

§ 2º A comunicação mercadológica abrange, dentre outras ferramentas, anúncios impressos, comerciais televisivos, spots de rádio, banners e páginas na internet, embalagens, promoções, merchandising, ações por meio de shows e apresentações e disposição dos produtos nos pontos de vendas.

Art. 2º Considera-se abusiva, em razão da política nacional de atendimento da criança e do adolescente, a prática do direcionamento de publicidade e de comunicação mercadológica à criança, com a intenção de persuadi-la para o consumo de qualquer produto ou serviço e utilizando-se, dentre outros, dos seguintes aspectos:

I – linguagem infantil, efeitos especiais e excesso de cores;
II – trilhas sonoras de músicas infantis ou cantadas por vozes de criança;
III – representação de criança;
IV – pessoas ou celebridades com apelo ao público infantil;
V – personagens ou apresentadores infantis;
VI – desenho animado ou de animação;
VII – bonecos ou similares;
VIII – promoção com distribuição de prêmios ou de brindes colecionáveis ou com apelos ao público infantil; e
IX – promoção com competições ou jogos com apelo ao público infantil.

§ 1º O disposto no caput se aplica à publicidade e à comunicação mercadológica realizada, dentre outros meios e lugares, em eventos, espaços públicos, páginas de internet, canais televisivos, em qualquer horário, por meio de qualquer suporte ou mídia, seja de produtos ou serviços relacionados à infância ou relacionados ao público adolescente e adulto.

§ 2º Considera-se abusiva a publicidade e comunicação mercadológica no interior de creches e das instituições escolares da educação infantil e fundamental, inclusive em seus uniformes escolares ou materiais didáticos.

§ 3º As disposições neste artigo não se aplicam às campanhas de utilidade pública que não configurem estratégia publicitária referente a informações sobre boa alimentação, segurança, educação, saúde, entre outros itens relativos ao melhor desenvolvimento da criança no meio social.

Art. 3º São princípios gerais a serem aplicados à publicidade e à comunicação mercadológica dirigida ao adolescente, além daqueles previstos na Constituição Federal, na Lei nº 8.069, de 13 de julho de 1990, Estatuto da Criança e do Adolescente, e na Lei nº 8.078, de 11 de setembro de 1990, Código de Defesa do Consumidor, os seguintes:

I – respeito à dignidade da pessoa humana, à intimidade, ao interesse social, às instituições e símbolos nacionais;
II – atenção e cuidado especial às características psicológicas do adolescente e sua condição de pessoa em desenvolvimento;
III – não permitir que a influência do anúncio leve o adolescente a constranger seus responsáveis ou a conduzi-los a uma posição socialmente inferior;
IV – não favorecer ou estimular qualquer espécie de ofensa ou discriminação de gênero, orientação sexual e identidade de gênero, racial, social, política, religiosa ou de nacionalidade;
V – não induzir, mesmo implicitamente, sentimento de inferioridade no adolescente, caso este não consuma determinado produto ou serviço;
VI – não induzir, favorecer, enaltecer ou estimular de qualquer forma atividades ilegais.
VII – não induzir, de forma alguma, a qualquer espécie de violência;
VIII – a qualquer forma de degradação do meio ambiente; e
IX – primar por uma apresentação verdadeira do produto ou serviço oferecido, esclarecendo sobre suas características e funcionamento, considerando especialmente as características peculiares do público-alvo a que se destina;

Art. 4º Esta Resolução entra em vigor na data de sua publicação.

 

abr072014

Meu corpo feminino, minhas regras! Ou meu corpo é casa da mãe Joana?

Imagem de Adelir, publicada nas redes sociais, dias antes da cesárea forçada.

Imagem de Adelir, publicada nas redes sociais, dias antes da cesárea forçada.

Nós, mulheres, ainda estamos consternadas com o que aconteceu com a gestante Adelir de Goes que foi arrastada por policiais para o hospital para fazer uma cesárea que não queria  em Torres-RS. Basicamente, diante da recusa da paciente em seguir a orientação da médica, que era a de fazer uma cesárea imediatamente, a médica procurou a Justiça e esta deu a ordem para que a gestante fosse levada para o hospital contra a sua vontade. Alegou-se que ela tinha 42 semanas quando a ultrassonografia acusava 40 semanas e o fato do bebê está podálico, ou seja, sentado. Nenhuma dessas condições inviabiliza o parto normal e tampouco obriga a uma cesárea de emergência. A grávida podia esperar mais. O fato é: uma mulher está grávida e decidiu assinar um termo de responsabilidade e ir embora. Não concordou com a recomendação daquela médica, estava em condições de saúde para sair do hospital, com pleno funcionamento de suas faculdades mentais, consicente, adulta, maior de idade e foi procurar outra assistência. Acabou. Ninguém poderia forçá-la a voltar e ser operada. Lembrando que ela assinou o termo de responsabilidade!

A monstruosidade deste ato mostra a violência obstétrica que existe e é considerada aceitável pelos procedimentos médicos. Uma mulher saudável é forçada a fazer uma cesariana todos os dias! Mas neste caso, a mulher assinou um termo de responsabilidade e escolheu seu caminho. Mas para a soberba médica, isso não podia terminar assim. E foi então que aconteceu a violência pelas mãos da Justiça (?).

Muitos perguntam: e a vida da criança? Eu respondo: a vida da criança é responsabilidade dos pais. Esta gestante estava inclusive acompanhada do pai da criança. Ela deveria responder por isso, caso acontecesse alguma coisa. Ela que recebesse punicões cabíveis CASO a criança morresse. Ela foi punida ANTES de cometer NENHUM crime. Qual lei amparou a decisão da juíza? Tem lei que obrigue a seguir uma RECOMENDAÇÃO médica? Uma recomendação médica é, e nada mais é, que uma recomendação. Temos o direito a buscar outro tratamento ou outra opinião

Infelizmente, não achei nenhuma divulgação sobre o apgar da criança. Cirurgia de emergência com apgar 8/9 ou 9/10 não é emergência….correto? A vida da criança como fica se a mãe tivesse morrido na cirurgia? Ela foi forçada e retirada de sua casa. Essa violência poderia ter consequências graves para mãe e bebê! E ainda pergunto: e a vida da mãe se a médica estivesse errada? Juridicamente, a mãe também tem direitos de ter sua saúde e integridade físicas preservadas.  Se a justificativa é salvar a criança, a despeito do que queremos, somos apenas uma embalagem sem cérebro, sem vontades e sem direitos!

Quanto mais eu penso, mais preocupação tenho com o caso de Torres. O corpo da mulher sempre pode ser violado! Não há respeito pelas mulheres. Somos estupradas porque provocamos, temos nossos filhos arrancados de nossas barrigas porque somos incapazes? Sempre há justificativa para violar o nosso corpo! Todas estamos sob risco! O que somos? Um saco onde se coloca e tira o que quiser, na hora que quiser? São tantos absurdos! A médica quis determinar como ela ia parir. Ela não se negou a parir! Só não quis parir ali.

Mas o que importa é que o bebê está bem, não é? Não! Não é isso que importa! A mãe está mal. E essa violência vai doer na alma para sempre. Essa criança veio ao mundo num ato violento. Isso não se apaga. Houve violação de direitos. Amanhã somos nós sendo violentados. Nada está bem.

Outro ponto: amanhã, segundo essa lógica maluca do poder do médico sobre as decisões dos pais , se um filho tem câncer grave e os pais decidem não operar com aquele médico naquela hora que ele julga ser necessário, a polícia vai lá e arranca o filho dos pais e aquele médico, que eles não confiam, opera seu filho. Não é uma cena de terror? Foi isso que fizeram com a grávida, operada à força porque discordou da recomendação daquela médica e foi embora para sua casa procurar outra assistência, conforme era o seu desejo.

O engraçado é que parto normal não pode fazer, mas cesárea eletiva por causa de dia bonitinho, por causa da agenda do médico,mesmo com risco de prematuridade, pode! Muito importante lembrar que se fosse o contrário e ela quisesse fazer uma cesárea eletiva e desnecessária, sem indicação clínica, não ia ter uma médica ou juíza pra mandar alguém lá abrir as pernas dela e fazer um parto normal á força porque ela não tinha indicação de cesárea. Iam fazer a cirurgia sorrindo mesmo sem evidências mêdicas para isso. Bebês nascem de 36 semanas no dia 12/12/12 por capricho e tá tudo bem. Cadê o Estado para intervir? Inclusive, uma coisa básica e incompreensível pra mim é este conceito de pós datismo na gravidez: se a ultrassonografia é imprecisa e tem variação de 2 SEMANAS para mais ou menos, que porcaria é essa de pós-datismo, se 42 semanas podem ser 40 ou 44? Como se pode operar mulheres com 38 semanas se pode ser 36? Bebê prematuro pode, maduro não pode? Não tem lógica nenhuma! Em que evidência os médicos se baseiam afinal?

Vi um link dizendo MPF abriu inquérito pra investigar a cesárea forçada mas logo em seguida o link sumiu. Tem que investigar mesmo. Não interessa se a cesárea foi ou não necessária. A questão é que a grávida decidiu e assinou um termo de responsabilidade e não queria parir ali. Obrigá-la a isso foi violação de direito. Além dessa violação, o pai também não pôde assistir o parto, o que é um direito adquirido das famílias! Mais uma violação de direito.

Os médicos estão falando: Houve falha ética. Pra mim, houve mais que isso, houve falha técnica, arrogância e disputa de poder médico sobre a reles mortal que o questiona. E a gestante foi punida por isso. Punida pela médica. E isso diz respeito a todos nós. Abriu-se um precedente jurídico grave que afeta nosso direito civil a tomar decisões sobre nossas vidas. Precisamos debater este caso exaustivamente e cobrar das autoridades uma responsabilidade quando às violações de direitos cometidas, tanto pela médica, quanto pela Juíza que deve responder sobre que base ela trabalhou para proferir sua sentença de violência contra uma cidadã.

 

fev202014

O questionável sucesso da Galinha Pintadinha

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Esta semana, o canal da Galinha Pintadinha foi parabenizado pelo You Tube por ter alcançado a incrível marca de  1 bilhão de visualizações! 1 BILHÃO!

Eu li muitos comentários em debates acalorados em canais que analisaram como preocupante o teor da homenagem: “Parabéns, Galinha Pintadinha por deixar as crianças quietinhas 1 bilhão de vezes”. E fiquei refletindo sobre este feito: 1 bilhão é muita coisa. Muita coisa! Se, manter as crianças quietas é um objetivo alcançado com êxito, isso significa que a Galinha Pintadinha é feita para atender uma demanda dos pais? Além de ser um personagem que visa licenciamentos de produtos?

O que me incomoda na Galinha Pintandinha é que o divertimento infantil não é o objetivo final, principal e único. O objetivo é “sossegar” crianças atendendo a uma necessidade dos pais. Ora, claro que um canal como o You Tube, jamais citaria tal feito, sob este argumento, se ele não fosse agradar a maioria. Eles sabem o que fazem. E não dão ponto sem nó, como diz um bom e velho ditado.

E além de atender a uma demanda dos pais, também usa as crianças para vender muitos produtos de qualidade questionável e sem compromisso com desenvolvimento e respeito à infância. E é aí que  acho que cabe uma reflexão importante: no mínimo , tem crianças pequenas demais , tempo demais e  1 bilhão de vezes demais vendo televisão ou vídeo.  Coisa que todos os estudos apontam como prejudicial ao desenvolvimento da criança. Então, o problema não é exatamente a Galinha Pintadinha, mas as consequências do “consumo” deste tipo de entretenimento de forma exagerada. 

Muitas mães e pais alegaram que precisam deixar os filhos entretidos em alguns momentos para que eles possam exercer outras funções e que apesar disso, seus filhos são normais e não tem nenhum tipo de prejuízo no seu desenvolvimento. Contudo, é importante ressaltar que o prejuízo, segundo estudos , não é claramente perceptível. Tampouco imediato. O excesso de tv inibe e traz prejuízos ao desenvolvimento cerebral que se conclui até o sexto ano de vida. Como medir isso dentro de nossas casas, sem uma análise mais profunda? Não acredito que possamos, nós pais e mães, afirmar que não houve prejuízos.

Este marco alcançado é impressionante e preocupante, dado que a Galinha Pintadinha foi provavelmente criada por gente que não entende de Infância e sim, de marketing e demandas de mercado. E a frase de comemoração do You Tube foi a genuína expressão da verdade desse produto: nossa sociedade demanda por crianças quietas. Daí o sucesso da Galinha Pintadinha e da ritalina, por exemplo. Exagero comparar as duas, claro. Mas são ingredientes de uma mesma sopa de realidade social.

E a reclamação maior dos pais que se sentiram atingidos pelas críticas dos ativistas e estudiosos ao uso deste entretenimento infantil, se concentrou no que eles consideram um exagero de interpretação da frase. E isso é muito comum: a militância sempre “erra a mão” ou sempre exagera na reação. Afinal, existem coisas mais importantes. E na minha opinião, quem não milita por alguma causa, sempre vai achar que a militância erra a mão. E isso é o que se deve esperar dos militantes: que sejam contundentes, que  leiam nas entrelinhas, que vejam as nuances que a maioria não quer ver vê. As militâncias precisam ir aos extremos para promover mudanças. Ou a gente acha que mudança se faz sendo meio termo? rs… Não tem jeito. A militância sempre vai exigir pro mais, não pro meio. Com o suco de caixa foi assim, todo mundo achava exagero. Hoje, vemos que o suco de caixa é um dos maiores engodos da história da alimentação infantil. 

Eu levanto os braços aos céus por não existir Galinha Pintadinha na época dos meus filhos…rs… e agora agradeço por não ter tv a cabo….rs… ô paz! Como a relação dos meus filhos com o consumo mudou! É impressionante como os canais pagos abusam da publicidade infantil. E outra coisa importante : as pessoas que se sentiram injustiçadas, com os questionamentos dos ativistas e dos profissionais que defendem a infância, devem analisar que talvez eles sejam  alguns poucos que tenham usado a Galinha Pintadinha como entretenimento de seus filhos de forma limitada. São uma minoria e não refletem a realidade preocupante por trás deste 1 bilhão de   visualizacoes.  E aí, eu digo que a indignação da militância é genuína porque reflete a realidade do mercado atendido pela Galinha Pintadinha. Mercado esse que mostrou ser imenso e que vai muito além , muito além, desta pequeníssima parcela na qual estamos aqui inseridos. E aí eu pergunto, sinceramente, quem está fazendo mimimi: a militância ou meia dúzia de pais mordidos com o questionamento da militância ante os fatos inegáveis do que representa a Galinha Pintadinha?

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pequenosgestos

 

fev112014

Fotos dos filhos. Dá prá compartilhar tudo?

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Com o início das aulas é muito comum ver os pais, principalmente as mães, compartilhando fotos dos filhos no primeiro dia de aula nas redes sociais. Mas será que é certo ou será que podemos compartilhar as fotos dos nossos pequenos sem preocupação?

Eu sou ‘cri-cri’ e evito ao máximo postar fotos dos meus filhos de uniforme, por exemplo. Quando posto, procuro sempre colocar uma tarja ou desfocar o nome e o logotipo da escola. Também evito postar foto dos meus filhos de sunga ou descompanhados. Pelados nunca! E prefiro sempre as fotos onde há sempre mais gente com eles, principalmente adultos. Isso porque depois que a foto é divulgada na rede, não temos mais nenhum controle sobre ela. Nenhum.

A partir do momento que ela foi publicada, qualquer pessoa pode copiar e fazer uso dessa imagem sem pedir a nossa permissão. Claro que, éticamente, a pessoa não pode. Mas na prática, as pessoas copiam e usam mesmo assim. E depois, reverter os danos é muito mais difícil já que é impossível conseguir retirar a imagem de circulação. Não há como.

Quem garante que a foto do nosso filho de sunga ou nossa filha de biquini não será usada para algum site pedófilo? Quem garante que a foto do nosso filho ou filha de uniforme não os identifica na escola onde estudam para alguém mal intencionado? Sim, temos que pensar nisso, afinal, como saber nas mãos de quem essas imagens podem parar? E se alguém resolve fazer uma piadinha ou deboche com a foto? Já vi e continuo vendo , todos os dias, fotos de adultos e também de crianças sendo ridicularizadas na rede. Como uma criança vai crescer com este fardo de ter sido alvo de piadas na rede mundial de computadores? Daqui há 50 anos esta foto poderá continuar circulando!

Eu adoro postar fotos e compartilhar momentos com familiares e amigos. Mas tenho alguns critérios. Penso no risco já que, a partir do momento que a foto caiu na rede, como falamos,  perdemos o controle sobre ela e sobre quem vê e sobre o uso que podem fazer dela. E também pelo fato de que eles crescerão com fotos que talvez nao gostem que tenha sido compartilhada. E hoje, como meus filhos já estão maiores, me avisam sempre quando não querem que poste uma determinada foto. E eu respeito e converso com eles sobre isso.

Tenho amigas, com filhos adolescentes, que estão proibidas de postar, comentar ou marcar os filhos nas fotos. Só quando eles autorizam. Claro que com meus filhos, vai haver uma alguma “negociação”, afinal, se eu estou na foto ou é uma foto coletiva , eles têm que entender que tem outras pessoas na foto que podem desejar compartilhar aquele momento.

Acho um assunto muito interessante pois as redes sociais são algo muito novo para todos: adultos, crianças, governos, sociedade. Estamos criando, ou exercendo, uma nova forma de comunicação e relacionamento que exigirá de todos nós,  novos “códigos de conduta” que serão construídos com o tempo e uso. Mas já pode gerar muitas reflexões.

Eu tb já cometi falhas. Pensando neste mesmo texto,  me lembrei que recentemente esqueci de pedir autorizacao de outras pessoas e postei uma foto na praia, coletiva, que aparecia somente a minha cabeça e a maioria das pessoas do peito prá cima. Como eu não gosto postar minha de biquini deveria ter pedido autorização das outras pessoas que estão na foto, mesmo que elas não estejam aparecendo de corpo inteiro. Ou pelo menos, não marcá-las (identificá-las) sem autorização. Errei e entendo que isso é um aprendizado também para mim.

Certa vez, num evento, uma palestrante contou uma situação muito preocupante: uma jovem deitada dentro de um carro, aparentemente inconsciente e com os amigos tirando fotos dela dizendo que iam postar no facebook. Devemos começar a ensinar nossos filhos que uma câmera na mão, quase todo mundo têm hoje em dia. Mas isso não nos dá o direito de tirar fotos das pessoas e ficar expondo-as sem autorização. Nosso direito continua terminando onde começa o direito do outro. Também devemos ensinar a nossos filhos a se preservar deste tipo de situação e mostrar para eles que este tipo de coisa acontece e pode ser muito difícil de lidar com a repercussão que uma imagem pode ganhar pela divulgação na internet.

Por isso tudo, sempre que recebo uma imagem pelas redes sociais ridicularizando ou debochando de alguém, eu nunca repasso. Principalmente, se for de crianças. Penso e me coloco no lugar daquela pessoa. Este é ainda um excelente balizador para nossas condutas: não façamos com o outro, o que não gostaríamos que fizessem com a gente.

Vejam a quantas reflexões a postagem de fotos na internet nos levam.

Você pensa ou já pensou nestas questões?

 

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