abr072014

Meu corpo feminino, minhas regras! Ou meu corpo é casa da mãe Joana?

Imagem de Adelir, publicada nas redes sociais, dias antes da cesárea forçada.

Imagem de Adelir, publicada nas redes sociais, dias antes da cesárea forçada.

Nós, mulheres, ainda estamos consternadas com o que aconteceu com a gestante Adelir de Goes que foi arrastada por policiais para o hospital para fazer uma cesárea que não queria  em Torres-RS. Basicamente, diante da recusa da paciente em seguir a orientação da médica, que era a de fazer uma cesárea imediatamente, a médica procurou a Justiça e esta deu a ordem para que a gestante fosse levada para o hospital contra a sua vontade. Alegou-se que ela tinha 42 semanas quando a ultrassonografia acusava 40 semanas e o fato do bebê está podálico, ou seja, sentado. Nenhuma dessas condições inviabiliza o parto normal e tampouco obriga a uma cesárea de emergência. A grávida podia esperar mais. O fato é: uma mulher está grávida e decidiu assinar um termo de responsabilidade e ir embora. Não concordou com a recomendação daquela médica, estava em condições de saúde para sair do hospital, com pleno funcionamento de suas faculdades mentais, consicente, adulta, maior de idade e foi procurar outra assistência. Acabou. Ninguém poderia forçá-la a voltar e ser operada. Lembrando que ela assinou o termo de responsabilidade!

A monstruosidade deste ato mostra a violência obstétrica que existe e é considerada aceitável pelos procedimentos médicos. Uma mulher saudável é forçada a fazer uma cesariana todos os dias! Mas neste caso, a mulher assinou um termo de responsabilidade e escolheu seu caminho. Mas para a soberba médica, isso não podia terminar assim. E foi então que aconteceu a violência pelas mãos da Justiça (?).

Muitos perguntam: e a vida da criança? Eu respondo: a vida da criança é responsabilidade dos pais. Esta gestante estava inclusive acompanhada do pai da criança. Ela deveria responder por isso, caso acontecesse alguma coisa. Ela que recebesse punicões cabíveis CASO a criança morresse. Ela foi punida ANTES de cometer NENHUM crime. Qual lei amparou a decisão da juíza? Tem lei que obrigue a seguir uma RECOMENDAÇÃO médica? Uma recomendação médica é, e nada mais é, que uma recomendação. Temos o direito a buscar outro tratamento ou outra opinião

Infelizmente, não achei nenhuma divulgação sobre o apgar da criança. Cirurgia de emergência com apgar 8/9 ou 9/10 não é emergência….correto? A vida da criança como fica se a mãe tivesse morrido na cirurgia? Ela foi forçada e retirada de sua casa. Essa violência poderia ter consequências graves para mãe e bebê! E ainda pergunto: e a vida da mãe se a médica estivesse errada? Juridicamente, a mãe também tem direitos de ter sua saúde e integridade físicas preservadas.  Se a justificativa é salvar a criança, a despeito do que queremos, somos apenas uma embalagem sem cérebro, sem vontades e sem direitos!

Quanto mais eu penso, mais preocupação tenho com o caso de Torres. O corpo da mulher sempre pode ser violado! Não há respeito pelas mulheres. Somos estupradas porque provocamos, temos nossos filhos arrancados de nossas barrigas porque somos incapazes? Sempre há justificativa para violar o nosso corpo! Todas estamos sob risco! O que somos? Um saco onde se coloca e tira o que quiser, na hora que quiser? São tantos absurdos! A médica quis determinar como ela ia parir. Ela não se negou a parir! Só não quis parir ali.

Mas o que importa é que o bebê está bem, não é? Não! Não é isso que importa! A mãe está mal. E essa violência vai doer na alma para sempre. Essa criança veio ao mundo num ato violento. Isso não se apaga. Houve violação de direitos. Amanhã somos nós sendo violentados. Nada está bem.

Outro ponto: amanhã, segundo essa lógica maluca do poder do médico sobre as decisões dos pais , se um filho tem câncer grave e os pais decidem não operar com aquele médico naquela hora que ele julga ser necessário, a polícia vai lá e arranca o filho dos pais e aquele médico, que eles não confiam, opera seu filho. Não é uma cena de terror? Foi isso que fizeram com a grávida, operada à força porque discordou da recomendação daquela médica e foi embora para sua casa procurar outra assistência, conforme era o seu desejo.

O engraçado é que parto normal não pode fazer, mas cesárea eletiva por causa de dia bonitinho, por causa da agenda do médico,mesmo com risco de prematuridade, pode! Muito importante lembrar que se fosse o contrário e ela quisesse fazer uma cesárea eletiva e desnecessária, sem indicação clínica, não ia ter uma médica ou juíza pra mandar alguém lá abrir as pernas dela e fazer um parto normal á força porque ela não tinha indicação de cesárea. Iam fazer a cirurgia sorrindo mesmo sem evidências mêdicas para isso. Bebês nascem de 36 semanas no dia 12/12/12 por capricho e tá tudo bem. Cadê o Estado para intervir? Inclusive, uma coisa básica e incompreensível pra mim é este conceito de pós datismo na gravidez: se a ultrassonografia é imprecisa e tem variação de 2 SEMANAS para mais ou menos, que porcaria é essa de pós-datismo, se 42 semanas podem ser 40 ou 44? Como se pode operar mulheres com 38 semanas se pode ser 36? Bebê prematuro pode, maduro não pode? Não tem lógica nenhuma! Em que evidência os médicos se baseiam afinal?

Vi um link dizendo MPF abriu inquérito pra investigar a cesárea forçada mas logo em seguida o link sumiu. Tem que investigar mesmo. Não interessa se a cesárea foi ou não necessária. A questão é que a grávida decidiu e assinou um termo de responsabilidade e não queria parir ali. Obrigá-la a isso foi violação de direito. Além dessa violação, o pai também não pôde assistir o parto, o que é um direito adquirido das famílias! Mais uma violação de direito.

Os médicos estão falando: Houve falha ética. Pra mim, houve mais que isso, houve falha técnica, arrogância e disputa de poder médico sobre a reles mortal que o questiona. E a gestante foi punida por isso. Punida pela médica. E isso diz respeito a todos nós. Abriu-se um precedente jurídico grave que afeta nosso direito civil a tomar decisões sobre nossas vidas. Precisamos debater este caso exaustivamente e cobrar das autoridades uma responsabilidade quando às violações de direitos cometidas, tanto pela médica, quanto pela Juíza que deve responder sobre que base ela trabalhou para proferir sua sentença de violência contra uma cidadã.

 

fev202014

O questionável sucesso da Galinha Pintadinha

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Esta semana, o canal da Galinha Pintadinha foi parabenizado pelo You Tube por ter alcançado a incrível marca de  1 bilhão de visualizações! 1 BILHÃO!

Eu li muitos comentários em debates acalorados em canais que analisaram como preocupante o teor da homenagem: “Parabéns, Galinha Pintadinha por deixar as crianças quietinhas 1 bilhão de vezes”. E fiquei refletindo sobre este feito: 1 bilhão é muita coisa. Muita coisa! Se, manter as crianças quietas é um objetivo alcançado com êxito, isso significa que a Galinha Pintadinha é feita para atender uma demanda dos pais? Além de ser um personagem que visa licenciamentos de produtos?

O que me incomoda na Galinha Pintandinha é que o divertimento infantil não é o objetivo final, principal e único. O objetivo é “sossegar” crianças atendendo a uma necessidade dos pais. Ora, claro que um canal como o You Tube, jamais citaria tal feito, sob este argumento, se ele não fosse agradar a maioria. Eles sabem o que fazem. E não dão ponto sem nó, como diz um bom e velho ditado.

E além de atender a uma demanda dos pais, também usa as crianças para vender muitos produtos de qualidade questionável e sem compromisso com desenvolvimento e respeito à infância. E é aí que  acho que cabe uma reflexão importante: no mínimo , tem crianças pequenas demais , tempo demais e  1 bilhão de vezes demais vendo televisão ou vídeo.  Coisa que todos os estudos apontam como prejudicial ao desenvolvimento da criança. Então, o problema não é exatamente a Galinha Pintadinha, mas as consequências do “consumo” deste tipo de entretenimento de forma exagerada. 

Muitas mães e pais alegaram que precisam deixar os filhos entretidos em alguns momentos para que eles possam exercer outras funções e que apesar disso, seus filhos são normais e não tem nenhum tipo de prejuízo no seu desenvolvimento. Contudo, é importante ressaltar que o prejuízo, segundo estudos , não é claramente perceptível. Tampouco imediato. O excesso de tv inibe e traz prejuízos ao desenvolvimento cerebral que se conclui até o sexto ano de vida. Como medir isso dentro de nossas casas, sem uma análise mais profunda? Não acredito que possamos, nós pais e mães, afirmar que não houve prejuízos.

Este marco alcançado é impressionante e preocupante, dado que a Galinha Pintadinha foi provavelmente criada por gente que não entende de Infância e sim, de marketing e demandas de mercado. E a frase de comemoração do You Tube foi a genuína expressão da verdade desse produto: nossa sociedade demanda por crianças quietas. Daí o sucesso da Galinha Pintadinha e da ritalina, por exemplo. Exagero comparar as duas, claro. Mas são ingredientes de uma mesma sopa de realidade social.

E a reclamação maior dos pais que se sentiram atingidos pelas críticas dos ativistas e estudiosos ao uso deste entretenimento infantil, se concentrou no que eles consideram um exagero de interpretação da frase. E isso é muito comum: a militância sempre “erra a mão” ou sempre exagera na reação. Afinal, existem coisas mais importantes. E na minha opinião, quem não milita por alguma causa, sempre vai achar que a militância erra a mão. E isso é o que se deve esperar dos militantes: que sejam contundentes, que  leiam nas entrelinhas, que vejam as nuances que a maioria não quer ver vê. As militâncias precisam ir aos extremos para promover mudanças. Ou a gente acha que mudança se faz sendo meio termo? rs… Não tem jeito. A militância sempre vai exigir pro mais, não pro meio. Com o suco de caixa foi assim, todo mundo achava exagero. Hoje, vemos que o suco de caixa é um dos maiores engodos da história da alimentação infantil. 

Eu levanto os braços aos céus por não existir Galinha Pintadinha na época dos meus filhos…rs… e agora agradeço por não ter tv a cabo….rs… ô paz! Como a relação dos meus filhos com o consumo mudou! É impressionante como os canais pagos abusam da publicidade infantil. E outra coisa importante : as pessoas que se sentiram injustiçadas, com os questionamentos dos ativistas e dos profissionais que defendem a infância, devem analisar que talvez eles sejam  alguns poucos que tenham usado a Galinha Pintadinha como entretenimento de seus filhos de forma limitada. São uma minoria e não refletem a realidade preocupante por trás deste 1 bilhão de   visualizacoes.  E aí, eu digo que a indignação da militância é genuína porque reflete a realidade do mercado atendido pela Galinha Pintadinha. Mercado esse que mostrou ser imenso e que vai muito além , muito além, desta pequeníssima parcela na qual estamos aqui inseridos. E aí eu pergunto, sinceramente, quem está fazendo mimimi: a militância ou meia dúzia de pais mordidos com o questionamento da militância ante os fatos inegáveis do que representa a Galinha Pintadinha?

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pequenosgestos

 

fev112014

Fotos dos filhos. Dá prá compartilhar tudo?

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Com o início das aulas é muito comum ver os pais, principalmente as mães, compartilhando fotos dos filhos no primeiro dia de aula nas redes sociais. Mas será que é certo ou será que podemos compartilhar as fotos dos nossos pequenos sem preocupação?

Eu sou ‘cri-cri’ e evito ao máximo postar fotos dos meus filhos de uniforme, por exemplo. Quando posto, procuro sempre colocar uma tarja ou desfocar o nome e o logotipo da escola. Também evito postar foto dos meus filhos de sunga ou descompanhados. Pelados nunca! E prefiro sempre as fotos onde há sempre mais gente com eles, principalmente adultos. Isso porque depois que a foto é divulgada na rede, não temos mais nenhum controle sobre ela. Nenhum.

A partir do momento que ela foi publicada, qualquer pessoa pode copiar e fazer uso dessa imagem sem pedir a nossa permissão. Claro que, éticamente, a pessoa não pode. Mas na prática, as pessoas copiam e usam mesmo assim. E depois, reverter os danos é muito mais difícil já que é impossível conseguir retirar a imagem de circulação. Não há como.

Quem garante que a foto do nosso filho de sunga ou nossa filha de biquini não será usada para algum site pedófilo? Quem garante que a foto do nosso filho ou filha de uniforme não os identifica na escola onde estudam para alguém mal intencionado? Sim, temos que pensar nisso, afinal, como saber nas mãos de quem essas imagens podem parar? E se alguém resolve fazer uma piadinha ou deboche com a foto? Já vi e continuo vendo , todos os dias, fotos de adultos e também de crianças sendo ridicularizadas na rede. Como uma criança vai crescer com este fardo de ter sido alvo de piadas na rede mundial de computadores? Daqui há 50 anos esta foto poderá continuar circulando!

Eu adoro postar fotos e compartilhar momentos com familiares e amigos. Mas tenho alguns critérios. Penso no risco já que, a partir do momento que a foto caiu na rede, como falamos,  perdemos o controle sobre ela e sobre quem vê e sobre o uso que podem fazer dela. E também pelo fato de que eles crescerão com fotos que talvez nao gostem que tenha sido compartilhada. E hoje, como meus filhos já estão maiores, me avisam sempre quando não querem que poste uma determinada foto. E eu respeito e converso com eles sobre isso.

Tenho amigas, com filhos adolescentes, que estão proibidas de postar, comentar ou marcar os filhos nas fotos. Só quando eles autorizam. Claro que com meus filhos, vai haver uma alguma “negociação”, afinal, se eu estou na foto ou é uma foto coletiva , eles têm que entender que tem outras pessoas na foto que podem desejar compartilhar aquele momento.

Acho um assunto muito interessante pois as redes sociais são algo muito novo para todos: adultos, crianças, governos, sociedade. Estamos criando, ou exercendo, uma nova forma de comunicação e relacionamento que exigirá de todos nós,  novos “códigos de conduta” que serão construídos com o tempo e uso. Mas já pode gerar muitas reflexões.

Eu tb já cometi falhas. Pensando neste mesmo texto,  me lembrei que recentemente esqueci de pedir autorizacao de outras pessoas e postei uma foto na praia, coletiva, que aparecia somente a minha cabeça e a maioria das pessoas do peito prá cima. Como eu não gosto postar minha de biquini deveria ter pedido autorização das outras pessoas que estão na foto, mesmo que elas não estejam aparecendo de corpo inteiro. Ou pelo menos, não marcá-las (identificá-las) sem autorização. Errei e entendo que isso é um aprendizado também para mim.

Certa vez, num evento, uma palestrante contou uma situação muito preocupante: uma jovem deitada dentro de um carro, aparentemente inconsciente e com os amigos tirando fotos dela dizendo que iam postar no facebook. Devemos começar a ensinar nossos filhos que uma câmera na mão, quase todo mundo têm hoje em dia. Mas isso não nos dá o direito de tirar fotos das pessoas e ficar expondo-as sem autorização. Nosso direito continua terminando onde começa o direito do outro. Também devemos ensinar a nossos filhos a se preservar deste tipo de situação e mostrar para eles que este tipo de coisa acontece e pode ser muito difícil de lidar com a repercussão que uma imagem pode ganhar pela divulgação na internet.

Por isso tudo, sempre que recebo uma imagem pelas redes sociais ridicularizando ou debochando de alguém, eu nunca repasso. Principalmente, se for de crianças. Penso e me coloco no lugar daquela pessoa. Este é ainda um excelente balizador para nossas condutas: não façamos com o outro, o que não gostaríamos que fizessem com a gente.

Vejam a quantas reflexões a postagem de fotos na internet nos levam.

Você pensa ou já pensou nestas questões?

 

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jan282014

Livro Infantil: O Mundo dos Dinossauros

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Este livro é simplesmente o máximo para crianças  na faixa dos 5/6 anos que gostam de quebra-cabeças e de dinossauros como meus filhos.

São 5 quebra-cabeças de 48 peças com os nomes de todos eles.
As crianças aprendem, se distraem, botam a cabeça para funcionar e a gente ainda pode participar.

Além disso, tem pequenos textos descritivos, o que também é ótimo para crianças que estão começando a ler.

Como eu adoro livros interativos, aqui faz sucesso com todo mundo.

E ainda acho um excelente presente para darmos em festas de aniversário, nas festas da escola, etc. Comprei por 28 reais mas já encontrei até por 22,00 na internet. E existem também outras séries de animais, como o ANIMAIS DO MUNDO,  que também compramos.

Recomendo muito.

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jan162014

O melhor abraço do mundo

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Este texto foi escrito em Março de 2008. Meus filhos tinham 3 e 4 nos. Hoje, resolvi publicar aqui. Não publiquei antes porque era uma coisa tão pessoal que decidi guardar para mim por algum tempo. Passados quase 5 anos, quero contar este momento pois passei por uma experiência inédita na minha iniciada carreira de mãe, até então: passei o dia fora de casa, longe das crianças. Vejam, não que eu tenha ficado em casa este tempo todo…mas passar o dia todo, saindo de manhã e voltando á noite, foi a primeira vez. E não foi tão fácil, nem tão difícil como eu imaginei…rs…

Mas o que me marcou foi o abraço que recebi quando cheguei em casa. Não só pelos acontecimentos envolvidos, mas é importante dizer que eu não trouxe nada para eles. Nenhum presente, nenhum “agrado” para recompensá-los pela minha ausência. Aliás, eu nunca trouxe nada porque sempre achei importante que eles não vinculem minhas saídas e posteriormente, até viagens a trabalho, com a obrigatoriedade de receber presentes. Sempre tive a preocupação que eles quisessem me ver antes de ver alguma bolsa. ;)

Mas voltando ao abraço: nunca, desde que eles nasceram, eu havia recebido um abraço assim, tão forte, tão intenso. O caçula correu, gritou mããããããããããããe e deu um abraço longo, apertado, feliz! Normal, afinal, ele nunca havia sentido TANTA saudade da mãe…

Primeiro porque nunca fiquei tanto tempo fora e segundo porque agora ele compreende melhor as coisas, está crescendo. O mais velho já estava dormindo e acordou choramingando e se sentiu tão feliz ao me ver que chorou um choro aliviado que eu também nunca havia sentido nele. Me abraçou, se acalmou e voltou a dormir.

E esses foram meus abraços inéditos.
E que abraços…

Aí, pude sentir o que sentem as mães que precisam trabalhar fora de casa e ficam longe de seus filhos.
Será que todos os dias recebem este abraço?
Se recebem, entendi o que as faz enfrentar este dilema e seguir da maneira mais forte possível: Este abraço.
Isso é o que elas recebem, e nós, mães que ficamos em casa, não temos oportunidade de vivenciar. Vivenciamos outras coisas muito legais, mas não esse abraço. E um abraço desses no fim do dia, vamos combinar, faz TUDO valer á pena!

jan092014

Por um mundo feminino com menos princesas

princesas

Eu não tenho filhas. Tenho 2 meninos. Mas mesmos não as tendo, me incomoda muito sempre que vejo uma menina sendo incentivada a se sentir uma princesa porque o mundo do marketing  e dos brinquedos licenciados, assim decidiu e a maioria “comprou”, literalmente, a ideia.

Primeira coisa que me incomoda é o fato de que a vida de princesa, até faz parte do mundo real mas faz parte da vida de uma minoria absoluta de pessoas e de países. Definitivamente, não faz parte do mundo da maioria das pessoas. Qual a vantagem de incentivar uma menina a se sentir uma princesa? O que é uma princesa? Uma pessoa que tem tudo o que sonha e nem mesmo teve tempo de sonhar? Que tem súditos a seus pés? Que vive à espera um príncipe encantado? Que aprende a ser boa esposa? Que é prendada? Que vive à sombra de um homem? Que tem uma beleza perfeita e invejável? Onde, estas definições ou padrões são legais para que uma criança ou uma menina, se encaixe?

Tá, sou chata. É só uma brincadeira lúdica, ora bolas! Será que é? (Viu, sou chata! rs)

Agora, olhando por outro lado: a cor das princesas é predominante lilás ou rosa. Praticamente monocromática, sem opção, sem escolha. Isso é bom? É bom, ludicamente, acreditar num mundo irreal, sem direito a escolhas fora dos padrões pré-estabelecidos e sem opção, sem os tons de azul, verde, vermelho ou até preto?

Mais um lado: cadê os príncipes? Não há nenhum incentivo aos meninos para que sejam, nem ludicamente, príncipes (ainda bem!). Mas sempre penso que no futuro dos meus filhos, vai ter muita princesa para pouco príncipe. Ou quase nenhum. Como vai ser a relação entre meninas-princesas e meninos no futuro? Não sabemos.

Como mãe de meninos, sempre achei a vida deles mais divertida. Eles não se preocupam em estar arrumados, não se preocupam com unhas, cabelos e maquiagem, nao se preocupam em ser príncipes! A vida deles, as roupas, os brinquedos e seus quartos têm todas as cores e no caso dos meus, até rosa e lilás fazem parte de seus universos.

Por fim, o fato que me inspirou esta reflexão: eles são meninos-esportistas. Desde crianças, o que meus filhos mais recebem de incentivos (seja da família, seja da escola, seja dos presentes) se refere a jogos e esporte. Talvez isso explique porque os homens se tornam melhores competidores e mais competitivos no mercado de trabalho. Afinal, desde cedo, eles brincam de competir e não de cuidar de filhos e de casa (bonecas, panelinhas e vassouras). Talvez, eles tenham mais preparo para as oportunidades e iniciativa porque desde cedo seu mundo foi mais livre e mais colorido. Não consigo crer que não existam influências extremamente positivas numa vivência cheia de mais liberdade e opção.

Não que cuidar de casa e filhos seja menor, mas não deveria ser o tipo de brincadeira exclusivamente feminina. Assim como meninos não deveriam brincar só de jogos, esportes e carrinhos.

Li, há algum tempo, uma pesquisa dizendo que os homens se mostraram mais felizes do que as mulheres. Isso porque eles se sentem mais livres: não se preocupam com o cabelo que molha na piscina ou na praia, com os quilos a mais que aparecem numa roupa de banho, porque se preocupam pouco também com o tipo de roupa que vão vestir, com a opinião dos outros sobre o que vestiram , não precisam se maquiar, fazer unhas ou ir ao cabelereiro toda a semana. Isso define que, numa piscina, as mulheres não se jogam na água sem pensar em mais nada que não seja se divertir e se refrescar. Os homens sim. Esta situação é apenas um exemplo que mostra a gama de preocupações de uma mulher antes de ser , apenas, feliz. E estamos levando isso para as meninas já na infância. Uma lástima!

Acontece também outro fato: o mundo mundou e as mulheres hoje são atuantes no mercado. A maioria dos lares brasileiros é mantido por mulheres. O mundo de princesa não existe e os príncipes, muito menos. Talvez, esteja mais do que na hora de pensarmos em ter mais meninas atletas e menos princesas.

 

dez232013

Feliz Natal

campanhasonhosnata2013

dez202013

Funchicórea não é mágica

Recebi o e-mail abaixo falando da Funchicórea e acho importante refletirmos.

“Funchicórea: O pózinho parece ser tão mágico, mas olha só: o açúcar exacerbado de sua fórmula ‘queima’ as papilas gustativas sensíveis dos bebês e pode prejudicar a amamentação, pois o leite materno não é tão doce assim. A funchicórea contém a sacarina (ainda mais deletéria do que a sacarose, visto que é um produto 100% ARTIFICIAL, sintético) extraído do petróleo e que deixa resíduo amargo ao paladar, chega a ser 550 vezes mais doce que o açúcar! Imagine isso na boca do bebê e depois como ele pode estranhar ao mamar porque o leite materno não é tão doce assim. Além disso, é oferecido na chupeta. Isso pode prejudicar o sucesso da amamentação se for oferecido muito no início (sim, existem controvérsias e muitas de vocês vão até discordar). Outro fator angustiante é que ele NÃO É eliminado do organismo em associação ao ciclamato e existem evidências científicas de serem cancerígenos em ratos. A sacarina está proibida em mais de 70 países, inclusive os EUA. Por quê será? Até as empresas de refrigerantes estão trocando a sacarina pela sucralose, mesmo sendo mais cara.”

Esse produto é muito usado e recomendado por alguns médicos para acalmar crianças. Um pó doce que colocado na chupeta e levado à boca, é indicado contra cólicas e prisão de ventre.

Meus filhos não usaram chupeta e talvez por isso, eu nem tenha chegado perto da Funchicórea. Nunca vi a embalagem, nunca li a bula, nunca provei, aprovei ou desaprovei. Imagino que devam existir muitos fabricantes e muitas formulações similares entre si.

Mas esse e-mail me chamou atenção porque contém informações que nunca imaginei, pois sempre pensei que o produto fosse 100% fitoterápico [Fitoterápicos são medicamentos obtidos a partir de plantas medicinais. Eles são obtidos empregando-se exclusivamente derivados de droga vegetal (extrato, tintura, óleo, cera, exsudato, suco, e outros). Leia mais no site da Anvisa].

Fui pesquisar no bulário e encontrei a informação de que contém sacarina pura na formulação.

Sacarina é um adoçante 100% sintético, realmente várias vezes mais doce que o açúcar e não recomendado para consumo por crianças(exceto as diabéticas), muito menos, bebês.

Fora isso, é importante frisar que se é doce por causa da sacarina ou de qualquer outro produto, não faz bem à saúde do bebê. Não é natural nos alimentarmos de açúcar (ainda mais MUITO açúcar) com tão pouca idade.

Se é mais doce que o leite materno, deve sim, correr risco de afetar amamentação.

Mas independente das verdades ou não do texto, ficam lições importantes:

-não existe milagre, tudo tem o motivo (acalma a criança, como?)

-ler a bula de qualquer medicamento é sempre fundamental, mesmo do mais “inocente” dos produtos (o que tem aqui?);

-o pediatra pode até dizer que não tem problema mas:

a) sabendo a informação, a gente pode questionar mais e saber como ele se sai diante de questões técnicas importantes (o que ele dirá sobre a presença da sacarina pura no produto?);

b)diante do aval do médico (“a sacarina é pouquinha, não se preocupe…”) e do nosso entendimento, vale ver o que nos faz mais sentido (darei sacarina para meu bebê mesmo que o médico diga que pode?);

c)o médico pode estar errado (existem bons e maus médicos, competentes e incompetentes, responsáveis e irresponsáveis, preocupados e indiferentes, sérios e inconsequentes).

Ser mãe e pai, é um aprendizado constante.

Eu sempre ouvi falar tanto de funchicórea…estou boba com tudo isso.

Fico feliz de não ter dado aos meus meninos. Mas se eu estivesse dando, pararia hoje.

dez162013

Banco Imobiliário? Não! Banco Publicitário!

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Um dia, visitando amigos, tivemos a oportunidade de jogar a nova versão do Banco Imobiliário. Este jogo é antigo, eu jogava muito quando eu era criança. Só que o jogo moderno é bem diferente do antigo, muito chato e claramente desrespeita a infância. Isso porque o jogo é uma vitrine de propaganda das marcas e do incentivo ao consumismo. O Conselho Federal de Psicologia já afirmou em vários eventos que participei: a criança não tem discernimento para entender o que é publicidade, antes dos 12 anos. Até esta idade, ela entende a publicidade como uma fantasia e até uma realidade, dependendo do contexto e a inclui como parte de conteúdo que ela está absorvendo.

Um  exemplo de como a coisa é feia e feita de forma sutil e subilimiar é aquele montinho de cartas que antigamente se chamava SORTE/REVÉS. Agora estas cartas levam o nome de NOTÍCIAS. E uma delas exemplifica direitinho a publicidade e o incentivo ao consumismo: A EMPRESA TAL (não vou citar as marcas) ACABA DE LANÇAR O PRODUTO TAL, CORRA E SEJA O PRIMEIRO A COMPRAR!

No jogo atual, as marcas desfilam na frente das crianças: o banco tal, o cartão de crédito tal, a marca tal, etc. Além do uso constante do cartão de crédito como única forma de pagamento. Neste quesito, é importantíssimo lembrar que o cartão de crédito é o princopal meio de endividamento do brasileiro. O uso indiscriminado contribui para que a pessoa gaste acima do seu limite financeiro. E também o desconhecimento das altas taxas de juros, ou seja, das reais consequências do uso em excesso dessa forma de pagamento.

Também foi interessante observar que o jogo ficou chato e moroso, visto que em toda transação, temos que usar a tal maquininha de cartão de crédito, o que demora, deixando o jogo parado e jogadores esperando o fim das transações. Fora isso, como o cartão de crédito registra os valores exatos, é raro ter uma transação com troco, por exemplo. E assim, o jogo perdeu um grande e interessante aprendizado que acontecia na versão antiga: a criança aprendia também a lidar com dinheiro e com troco, fazia contas, separava notas, trocava dinheiro por valores menores, via seu dinheiro esgotar e crescer de forma concreta. Isso, meus amigos, já era.

E a conclusão da experiência é que não jogamos por muito tempo. O jogo foi desinteressante e cansativo. Mas foi legal ter visto de perto porque eu tenho um BANCO IMOBILIÁRIO antigo e ele estava completo e guardadinho na casa da minha mãe. Fiquei muito motivada a mostra o jogo antigo para meus filhos. E , como eu já esperava, o jogo despertou muito mais o interesse dos meus filhos e eles jogaram muitas vezes mais e por mais tempo. E realmente foi muito legal perceber que o jogo antigo despertou neles o interesse pelo aprendizado de como lidar com o dinheiro. Eles agora querem fazer pagamentos, conferir trocos na padaria e no mercado, por exemplo.

É uma pena, realmente, que a maioria das crianças não vá ter acesso a versão antiga deste jogo e que o mercado de brinquedos esteja cada dia mais vendido à publicidade.  Cada dia existe menos preocupação e respeito ao desenvolvimento da infância, nem com os danos e implicações que o consumismo tem para a nossa sociedade. Nunca é muito lembrar que o consumismo está deturpando nossos valores, colocando o TER como fator mais importante do que o SER. O consumismo gera lixo em excesso, poluindo nosso planeta. O excesso de consumo gera o desgaste do meio ambiente e dos nossos recursos naturais. E pior, tudo isso por causa de produtos de qualidade ruim e que, muitas vezes, nem precisamos.

E fazer do consumo inconsciente, algo normal desde a infância, vai gerar um mundo cada dia pior e uma sociedade cada dia pior. Simples assim.

 

nov282013

Nós cancelamos a tv por assinatura!

mafaldatvNossa casa, há quase 1 ano, não tem mais canais pagos!

Cortamos a tv paga aqui por causa do excesso de propaganda. Sim, este foi o principal motivo. Além do abuso e desrespeito à infância, tem a óbvia questão do abuso contra o consumidor. Por que tanta propaganda na tv paga? Nós pagamos por conteúdo e não para ver propaganda. A propaganda é um recurso utilizado pelas concessões de televisão abertas (concessões públicas) que não cobram por conteúdo e precisam da publicidade para custear seu funcionamento. TV paga é paga, oras! E com a renda das assinaturas, deveriam cobrir os gastos de seus conteúdos, sem precisar de propaganda. Mas não é assim.  E piora muito com a proximidade de datas comerciais como o dia das crianças.

Como temos crianças em casa, os canais mais vistos eram os canais de programas infantis. E nestes programas, o apelo ao consumo é total e irrestrito numa idade em que eles ainda não têm maturidade para discernir sequer a diferença entre programação e propaganda. Tudo é a mesma fantasia! E a fantasia mexe com os desejos deles, com sua imaginação, com suas crenças. Já tive oportunidade de ver mais de 12 comerciais num mesmo intervalo. Uma amiga já reparou que os intervalos comerciais nos programas infantis são mais longos do que na programação normal. Olha que absurdo e  que abuso com nossas crianças!

Claro, que pensei muito antes de tomar essa decisão e ela não foi uma decisão fácil. Bate sempre aquela insegurança sobre  se realmente estamos indo no caminho certo. Como será que as crianças vão reagir, como vai ser nos papos da escola, na conversa com os amigos sobre os desenhos e personagens do momento? É incrível como nos tornamos reféns de consumo, não é? Afinal, desde quando, uma familia é obrigada a ter tv paga?

Algumas pessoas argumentaram comigo que proibir não era um bom caminho pois o proibido pode acabar virando objeto de desejo. E eu concordo, “o tiro pode sair pela culatra” e você acaba aproximando mais seus filhos daquilo que você considera danoso para eles. Mas eu não proibí. Eu apenas decidi que, como adulta que sou,  este produto não é de meu interesse. Inclusive, para a educação dos meus filhos. Não foi proibição… Foi uma decisão tomada por quem tem o poder de consumo, discernimento e paga a fatura! ;)

Contudo, sempre quando a gente rema contra a maré, corre o risco de ser rotulada de radical, xiita, etc.  E quando se fala em radicalismo e proibição, cria-se uma barreira de entendimento. E a sensação que tenho é que a tv paga é considerada um produto “sine qua non”… Ou seja, todo mundo deve ter ou não está inserido no mundo real. Isso é muito maluco e aí me pergunto: isso também não é um radicalismo: ou você tem ou você será excluído socialmente?

E não é só isso. Sempre tem alguém que defende a liberdade dos filhos diante da tv sob a argumentação de que , ao privarmos nossos filhos de determinadas experiências, eles acabariam por não amadurecer como se deve. Ou ainda, estarão deixando de ter contato com as possibilidades para que mais tarde tenham subsídios para fazer escolhas . Para estes casos, tem um exemplo que gosto muito de usar: a maconha. Ou mesmo cerveja. Sei que eles terão contato um dia, mas nem por isso devo oferecer para que eles tenham amplitude de escolha. Tudo tem hora e estou percebendo que a publicidade agressiva está trazendo danos enormes a eles. Como falei, não sei se este é o caminho, mas tampouco acredito que seja dar escolhas,  deixar a liberdade de escolha para quem não tem condições de discernir. E pensando mais profundamente: estamos escolhendo o que queremos ou estamos tentando satisfazer a sociedade? Os desejos das crianças são reais ou construídos, em grande parte, por influência da mídia?

Claro que, como pais, queremos o melhor para nossos filhos.  E sendo assim, muito pais acreditam que apenas sua autoridade faz com que os filhos estudem mais,  fiquem mais calmos, obedientes e controlados com relação ao consumo de produtos infantis. Muitos pais assumem a responsabilidade somente para si, afirmando que seus pais nunca foram de dar nada nas datas comerciais como dia das crianças, por exemplo . Não sei se você vai compartilhar do meu sentimento, mas mesmo com a conversa com os filhos e o derradeiro “ponto final” funcionando, o excesso com que somos forçados a dá-lo é muito desgastante para todos. Acredito piamente que a publicidade excessiva dificulta enormemente o trabalho árduo de educação dos pais e muitos simplesmente desistem (porque é muito desgasnte mesmo e cada criança é diferente) ou porque eles mesmos não tem condições de estabelecer essa autoridade, por despreparo ou porque, eles mesmos estão tão inseridos no mercado de consumo que não percebem a influência danosa da mídia na infância. Na verdade, eu até conseguia convencê-los no papo mas era tanta propaganda que eles mesmos reclamavam… Diziam que era chato. Começamos a observar mais e como qualidade da programação também caiu, a gente resolveu tentar e os resultados surpreenderam.

E o mais interessante é que meus filhos não demonstraram sentir falta nenhuma dos canais pagos!! Pela minha experiência aqui, de quase um ano, a tv aberta simplesmente não existe para a infância. Meus filhos não assistem praticamente nada. E pouco se interessam pela tv aberta cujos programas são chatos e muito ruins.  Eles preferem ver esportes em geral e futebol. Senti que meus filhos agora estão desejando possuir o que realmente querem e os interessa, e com menos voracidade de consumo. Antes eles pediam as coisas por pedir porque eram massacrados com muita publicidade. Hoje, eles pensam no que realmente querem. Não sei se este é o caminho mas sinto uma grande e positiva mudança.

Temos opções para cobrir a ausência dos canais pagos como os serviços de filmes por assinatura, DVD’s, documentários e filmes no Youtube e os novos pacotes HD que permitem a gravação do programa e pular os comerciais.

Mas, o fato é que estas opções sem comercial, têm dias contados, como bem sabemos….