Monthly Archives: maio 2007

Metas do Dia da Terra: antes tarde do que nunca

Há tempos estou “devendo” para o blog a definição das minhas metas para ajudar a melhorar um pouco a situação caótica em que está esse nosso pedacinho do universo… A Ana e a Eva não só já publicaram as metas delas: elas já fizeram um post com o acompanhamento proposto. Palmas pra elas, né, gente?

Quando a idéia foi proposta pela turma do Faça a sua parte, do qual sou colaboradora, já comecei a pensar no assunto, e tive dificuldades para definir uma ou duas metas atingíveis e mensuráveis. Então comecei a xeretar os posts sobre atitudes eco-conscientes e, depois de lançada a idéia das metas a serem cumpridas ao longo do ano, também comecei a buscar inspiração nas idéias alheias (vocês podem encontrar os links para os artigos sobre atitudes eco-conscientes e metas para o Dia da Terra na coluna direita do Faça a sua parte). Muitas coisas eu já faço, então não fazia sentido eu “roubar” e definir como meta alguma coisa que já estava implantada. Outras eu até gostaria de tentar, mas não tinha certeza de que conseguiria cumpri-las (mas podem servir de inspiração e ficar na fila de metas futuras).

Depois de pensar um bocado, consegui definir duas metas, e, confesso, fiquei bem contente com elas.

1) Reduzir o consumo de água, desligando a água do chuveiro enquanto me ensabôo. Na minha adolescência, gastei muita água, pois tomava loooooooooooongos banhos de chuveiro. Ah, se eu tivesse, naquela época, a consciência de hoje. Como não posso consertar os erros passados, então tento compensar no presente. Até que a coisa não é tão difícil assim. Com a chegada do inverno (que, no Rio, não é tão rigoroso assim – mas eu vou mudar para o interior de SP, e aí o bicho vai pegar), fica um pouco mais difícil. Tem dias em que desligo o chuveiro tranqüilamente. Nos dias em que não consigo, deixo beeeeeeeeem pouquinha água ligada, e vou me ensaboando e enxagüando ao mesmo tempo. E sempre que desligo a água enquanto me ensabôo penso que desperdicei muita água sem motivo nessa vida. Ai, ai.

2) Reduzir o consumo de carne, substituindo, inicialmente, esses produtos, na hora do jantar, três vezes por semana. Quem quiser, pode sugerir receitinhas vegetarianas gostosas, rápidas e fáceis de preparar para me inspirar. Porque eu não sou muito criativa na cozinha (essa área definitivamente não é o meu forte), e essa meta é um tiquinho mais difícil para mim. Outro dia, fiz hamburguer de soja pela primeira vez, e até que achei bem gostoso! Só não prometo que vá me converter 100% ao vegetarianismo, porque a comida da casa depende um pouco do que os outros gostam de comer também. E a turma aqui adora um churrasquinho.

Ah, e estou cada vez mais “radical” (uau!) no mandamento “não levarás sacolas de plástico para casa desnecessariamente”. A galera do mercadinho e da padaria aqui perto de casa já nem estranha mais: eles nem pegam sacola para pôr as minhas compras. O pessoal do supermercado ainda acha estranho, mas eu sempre aviso logo que não vou precisar das “benditas” sacolinhas. Estou bem habituada a levar as minhas próprias sacolas para as compras, e de vez em quando levo até quando vou comprar outras coisas, como roupas e livros. Ainda não vi ninguém ser inspirado pela minha atitude, mas um dia ainda vou ter essa felicidade, eu sei!

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Texto de Silvia D. Schiros

A IGREJA, O ABORTO, ETC

Este texto deve estar sendo postado alguns dias depois da partida do Papa.
Não tem importância, os temas e as polêmicas levantadas continuam vivos e atuais.

Talvez a maior polêmica que fica como saldo seja a posição declarada de Bento XVI de condenação ao aborto.

Não quero e nem vou entrar no mérito, até porque acho que é assunto por demais sério para que se fique dando “palpites”, e eu não estou qualificado para tal.
Só quero externar minha estranheza quanto às reações de várias pessoas e segmentos sociais contra as posições da Igreja. Aliás, não só com relação a este mas também muitos outros temas em que a Igreja mantém posições que são consideradas “contrárias à modernidade e à realidade do mundo de hoje”.

Não entendo porque as posições da Igreja Católica incomodam tanta gente. O que queriam? uma Igreja “modernosa”, aberta a todas as tendências da sociedade moderna?
Sabem o que aconteceria se a Igreja “absorvesse” todas essas tais tendências? Ela não seria mais referência para ninguém. Ela não teria mais o respeito de ninguém.
Sabem do que mais? Sabem porque a Igreja Católica (suas posições “polêmicas”) é tão contestada no Brasil? Simplesmente porque é a religião da maioria. Ela não é mais ortodoxa e tradicional e nem apresenta posições mais retrógradas do que as outras grandes religiões monoteístas (comparem com o Islã e o Judaísmo). Acontece que as tais posições retrógradas destas outras não “mexem conosco” enquanto nação.

(Aliás, quem acha que a Igreja de Roma é retrógrada deveria dar uma passadinha por alguns templos ditos “evangélicos”, de denominações neo-pentecostais, e ouvir um pouquinho do que lá é pregado).

Onde quero chegar é no seguinte ponto: As posições da Igreja não devem ser senão um “balizamento” para os fiéis. Seguir ao pé-da-letra as orientações ou não é problema de cada um. Os cânones não são Leis Civis que submetam seus seguidores a “penalidades” fora do âmbito estritamente religioso.

Muito mais grave, para a sociedade, do que esta ou outra posição da Igreja quanto à conduta dos fiéis é o comportamento dos governantes e legisladores, estes sim, responsáveis pelos atos que regulam nossa vida no dia-a-dia e que, na maioria das vezes são movidos por razões que nada têm de moral, ética, religiosidade…
Deixem a Igreja em paz! Ela está “na dela”. Seu papel é mesmo esse. Ela age como uma espécie de “freio social”.

Quando eu estudava FÍSICA, achava engraçados os problemas de mecânica que eram enunciados com o seguinte pressuposto: “Considere o atrito ZERO”. Ora, todos sabemos que, nas condições “terráqueas” o atrito zero é uma abstração. Esta força age sobre TODOS os corpos que se movimentam aqui neste nosso mundinho. Sem ela não haveria FREIO. Todo movimento terminaria numa bela “esborrachada”!

A Igreja nada mais é que o ATRITO SOCIAL. Sem ela a permissividade (no pior dos sentidos) determinaria quase todo o comportamento do homem em sociedade.
Lembrem-se de que a Igreja também condenava (e condena ainda, com a mesma veemência), a dissolução do matrimônio. Hoje o divórcio é uma realidade entre nós!
Vamos deixar a Igreja fazer seu papel e vamos nos preocupar mais com nossos POLÍTICOS, estes sim, um PERIGO para nossa sobrevivência!

E, afinal de contas, para o FUTURO DE NOSSOS FILHOS, conta muito mais os valores morais e éticos que passemos para eles, no dia-a-dia, do que qualquer “orientação eclesiástica”, né não?
Obs: Ter sido batizado, feito primeira comunhão, frequentado missas e “papado” hóstias na infância e juventude não me impediu de ter minhas próprias idéias, feito minhas escolhas, ter me casado com uma mulher (maravilhosa!) divorciada e construir uma família abençoada. Sequer me impediu de ser agnóstico, com muita convicção!
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IVO FONTAN

O VALOR DO ELOGIO – PARTE 2

Posso concluir que a maioria dos médicos brasileiros, ou pelo menos muitos que conhecemos, MERECEM e DEVEM receber elogios. Aqueles profissionais que estão sempre buscando mais informação, mais conhecimento para tratar melhor seus pacientes, aqueles que buscam criar uma ponte entre o que o paciente sente fisicamente e o que ele sente na alma, aqueles que trazem um pouco de tranqüilidade a quem o procura, aqueles que tentam diminuir as dores que estas pessoas carregam.
====Às vezes somente um pouco de “boa” conversa já elimina 50% dos problemas de quem o visita, este profissional entende que tudo está interligado. Ele também entende que retornará para casa mais tranqüilo, com mais energia para dedicar a família ou a ele mesmo e muito mais disposição para reiniciar tudo no dia seguinte. Acompanho bem de perto a carreira da minha dentista e sei o quanto é difícil tratar das dores, medos, incompreensões e cobranças de seus pacientes. Vejo seu esforço em compreender e também ser compreendida, em melhorar e crescer dentro de sua área.
====Percebo o valor do Elogio em meu filho. Quando ele faz uma coisa que sabe que está certa, ele aguarda a minha aprovação, ou seja, o meu elogio pela execução correta de alguma atividade ou simplesmente por ter feito algo “engraçadinho”. Eu sei que isto vai ajudar muito em seu futuro fazendo com que ele diferencie o que é bom e o que não é. Vai reforçar sua auto-estima em tentar realizar tarefas e claro executá-las bem, mas estas são pequenas divagações de uma mãe exilada nos Estados Unidos.
====Vamos olhar em volta e investir no bem estar de quem nos rodeia. Vamos usar do mesmo sistema que utilizamos com as plantas, um pouquinho de água, um pouquinho de adubo, um solzinho, tira do vento, poda um pouquinho, e na primavera ela virá trazer a alegria de muitas flores. O Brasil como todos sabem é um campo difícil de ser plantado, é muito pedregoso e tem pouca irrigação, por isto quando uma planta resolve crescer neste solo merece ser bem tratada e ser muito elogiada.
====É importante quebrarmos algumas barreiras que existem dentro de nós. Às vezes com a vida atribulada que levamos não conseguimos encontrar espaço para avaliar o que acontece ao nosso redor e abrir nossa mente para entender que da mesma forma que gostamos de ser reconhecidos pelos outros o inverso também acontece. Vamos jogar a vergonha ou até mesmo o orgulho para lado e elogiar aqueles que fazem parte de nossas vidas. O carteiro, o cada da feira, aquele caixa do banco, o atendente do telemarketing, nosso animal de estimação, o encanador, pais, cônjuges, filhos, agregados entre outros.Ou como dizia José Datrino – GENTILEZA GERA GENTILEZA – mais conhecido como Profeta Gentileza (http://www.riocomgentileza.com.br/).
====Vamos reconhecer o valor do elogio e investir nesse pequeno gesto que tão bem fará ao nosso hoje e principalmente ao nosso futuro.

Segundo a wikipedia: Elogio é o enaltecimento de uma qualidade ou virtude de algo ou de alguém. Deriva de duas palavras da língua grega: ευ – que significa ‘bom” ou “bem” – e λογος – que significa palavra, fase, fala, etc. Um elogio serve também como uma ferramenta educacional utilizada para motivar outras pessoas, aumentando sua auto-estima ou corrigindo um defeito.
Texto de Cristiane A. Fetter

O VALOR DO ELOGIO – PARTE 1

Quero iniciar este comentário com uma experiencia que tive aqui nos EUA. Logo quando cheguei precisei ir ao dentista e claro procurei um que fosse brasileiro, já que o meu inglês só dava para um hotdog, good morning e olha lá. Levei um choque tão grande que em primeiro lugar fiquei revoltada, depois chocada.

Estava acostumada a ser atendida de uma forma bem diferente no Brasil. Os médicos com quem eu me consultava sempre eram atenciosos, preocupados em pesquisar bem o meu histórico familiar, e o meu histórico pessoal. Apesar de ter plano de saúde eles me atendiam e demonstravam que eu não era apenas mais um número. Quero deixar claro que nunca me enganei achando que era amiga, mas sim um “cliente” deste profissional, mas aí é que está o pulo do gato. Este profissional conseguia me transmitir segurança, empatia, conhecimento e preocupação. Conseguiam também reter na memória detalhes pessoais meus, demonstrando assim que eram tão humanos quanto eu, só que tinham se especializado em uma área de trabalho diferente da minha.

Cheguei mesmo a ter ótimos relacionamentos de amizade com alguns destes profissionais, aliás, uma das minhas melhores amiga é minha dentista.

Sempre ouvimos falar que a medicina aqui nos Estados Unidos é de uma qualidade muito grande, que aqui tudo é muito moderno, as pesquisas são intensas em muitas áreas, que o governo daqui é um grande incentivador, entre outras coisas, mas ninguém falou do atendimento que o humano-médico daqui oferece. Primeiro você tem que ler e assinar muitos papéis com informações que possam isentar o médico de qualquer responsabilidade sobre dados que possivelmente não estejam contidas nestes formulários.

A premissa básica é de que este profissional vai fazer de tudo para se livrar de qualquer responsabilidade. Depois somos colocados em cubículos (é isto mesmo, pequenas salas onde não existem duas cadeiras ao mesmo tempo, se você está com um acompanhante ele não tem onde sentar, imagine então os dois pais levando o filho ao pediatra) então somos atendidos por enfermeiros/assistentes que são os responsáveis por levantar junto ao paciente todas as informações necessárias para o atendimento. Então ficamos sozinhos aguardando sua majestade o médico, pois para mim é assim que eles se sentem aqui, senhores absolutos da informação sobre saúde e com muito pouco tempo para dedicar a seus simples súditos que tiveram a ousadia de solicitar uma entrevista. São vários destes cubículos por consultório e a sensação que tive foi de fazer parte de uma linha de produção.

Quando finalmente sua majestade vem nos atender, já esperamos um tempo muito grande. Ele não se senta, sendo assim todo atendimento em pé, é como se ele não dispusesse de tempo para poder se sentar e conversar com o paciente de forma gentil. Os exames são sempre superficiais, nosso passado como um todo não interessa muito, perguntar as coisas a ele é quase uma ofensa e quando você demonstra alguma insatisfação ouve que está muito ansioso e que isto não vai ajudar no tratamento. Sem contar que se for necessário, por exemplo, pesar o paciente o médico sai dizendo que já volta, nisto o assistente/enfermeiro reaparece e faz o que for necessário e novamente você fica sozinho.

No começo eu achei que o médico teria ido pegar alguma coisa, ou sei lá consultar algo, mas não, ele entrou em outro “cubículo” e começa ou continua outro atendimento. É como se fosse um beija-flor. De repente o médico some e você percebe que ficou de 40 minutos a 1 hora dentro do cubículo e só depois de um tempo percebe que a consulta terminou ou então a enfermeira/assistente vem te avisar que acabou.

Como você se sentiria em uma situação destas? Chateado? Conformado? Achando que é pessoal, talvez pelo fato de você ser estrangeiro? Ou reclamaria? Foi isto que fiz, mas o “modus operandi” não mudou, fomos simplesmente encaminhados para outro médico que seria especialista no problema e lá tudo se repetiu. Saliento que isto não aconteceu só com os médicos americanos, mas também com os médicos brasileiros que clinicam aqui. Eles absorveram esta forma de trabalhar, pois claramente tem o intuito de ganhar dinheiro. Então baseada nesta informação, o que posso concluir dos profissionais americanos?

Continua

Texto de Cristiane A. Fetter

Nosso Blog no BLOG DO PLANETA !

O Alexandre Mansur ( Revista Época) falou que adorou nosso blog
E POSTOU HOJE UMA ENTREVISTA sobre o Blog O Futuro do Presente !

http://colunas.epoca.globo.com/planeta/?s=ana+claudia+bessa
(Se não conseguir visualizar, clique aqui)

Ao Alexandre Mansur só temos agradecimentos porque somos fãs também do Blog do Planeta.
Estamos muito honrados!

E deixo aqui registrado também meus agradecimentos à todos que fazem o blog junto comigo :
dos colaboradores (grandes amigos de verdade!) aos que sempre nos visitam e prestigiam (Obrigada!).

Convido vocês a visitarem o blog, não só sobre O Futuro do Presente, mas todo o Blog do Planeta que é excelente.

O futuro da Ana Cláudia

20/05/2007

O Futuro do Presente, blog inspirador da Ana Cláudia Bessa, nasceu da sensação de revolta que essa química de alimentos sentiu diante da morte bárbara do menino João Hélio, no Rio de Janeiro. O blog é um ponto de encontro de pessoas comuns motivadas e empenhadas em propor soluções para os problemas da nossa sociedade. Boa parte disso passa por questões ambientais.

Segundo Ana Cláudia, sua fonte de inspiração são os filhos. “Nós, pais e mães, temos essa responsabilidade e esse compromisso”, diz. “Quando colocamos uma criança no mundo,temos de dar o melhor futuro que pudermos aos nossos filhos. Do direito de andar nas ruas com segurança, ao direito de usufruir das matas, das praias e ter ar puro para respirar e água limpa para beber.”

Época: Por que você decidiu criar o Futuro do Presente?
Ana Cláudia: Na época da morte hedionda do menino João Hélio, fiquei muito chocada porque já tinha esse medo: ser abordada por bandidos com 2 crianças menores de 3 anos no banco de trás presas a cintos de segurança. Eu participava de uma lista de discussão de mães na internet e depois de ler o texto do Paulo Coelho (cujo trecho citamos logo na apresentação do blog) não conseguia mais parar de pensar em como somos coniventes com todas as coisas que interferem no nosso futuro e como seria o futuro que hoje estamos deixando para nossos filhos. Tentei mobilizar essas mães mas não foi de interesse da maioria do grupo falar desses assuntos (o que me deixou bastante triste e frustrada) e fui “convidada” a sair do grupo e fazer algo por conta própria em outro lugar. Então saí. Eu já vinha pensando em fazer o blog.

Época: Mas seu blog vai além das questões de violência urbana.
Ana Cláudia: Não queria fazer algo somente sobre violência porque vejo a construção de um futuro melhor para nossos filhos como algo muito mais abrangente, como a questão do lixo, do consumo, da política, da educação…Uma amiga (hoje colaboradora) me ajudou com algumas dicas (porque eu não entendia quase nada de blog) e fui montando o mesmo me juntando a outros amigos que têm as mesmas preocupações que eu e assim O Futuro do Presente nasceu .

Época: O que você mais gostou de ter publicado no seu blog?
Ana Cláudia: Essa pergunta é muito difícil de responder. Gosto de tudo. Tenho achado meus amigos colaboradores sensacionais nos temas que abordam e espero que o blog colha bons frutos como, por exemplo, no caso do texto que fala do tratamento dado às sacolas plásticas nos Estados Unidos. Temos escrito para várias redes de supermercados e já recebemos resposta de duas redes prometendo avaliar nossa sugestão. Mas simbolicamente, vou citar a primeira postagem que é um texto do Charles Chaplin que termina dizendo: “Bom mesmo é ir à luta com determinação, abraçar a vida e viver com paixão, perder com classe e vencer com ousadia. O mundo pertence a quem se atreve. E a vida é muito curta para ser insignificante…”

Época: Como está a repercussão do seu blog?
Ana Cláudia: Eu tenho sentido uma resposta muito positiva e sempre recebemos sugestões e elogios. As visitações têm aumentado a cada dia mas ainda temos um longo caminho a trilhar e aprender. Ainda temos muito a melhorar. Procuramos sempre diversificar os temas e os enfoques. Atualmente temos, por exemplo, o texto Cortina de Fumaça que nos convida a pensar com seriedade e critério sobre assuntos diversos como política, reciclagem, aquecimento global. E o que dizemos não é uma verdade absoluta. São opiniões de cidadãos comuns, mães e pais, de áreas diversas. Nossa intenção é fazer as pessoas pensarem: o que eu estou fazendo? O que posso fazer? Como posso mudar? (Alexandre Mansur)

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CORTINA DE FUMAÇA – parte 2

Conforme prometi (ou ameaçei!) aí vai.

Vamos começar com RECICLAGEM.

Quem, em sã consciência, não é contra o absurdo desperdício de matérias primas e o descarte descontrolado de produtos de longo ciclo de degradabilidade na natureza?

Vamos falar do PET, que está na moda. No último ano, mais precisamente, durante as festas natalinas, o que mais se viu, país a fora, foram DECORAÇÕES de ruas, praças etc, à base de artefatos feitos de garrafas PET. Cada uma mais linda do que a outra! A minha cidade – Teresópolis – por exemplo, estava deslumbrante! milhares e milhares de garrafas que poderiam ter sido descartadas e estarem poluindo cursos dágua e provocando enchentes, tiveram destino muito mais nobre. Pergunto: Sabem onde estão hoje boa parte desses criativos e ambientalmente-corretos ornamentos?

NOS LIXÕES!

Trazida pelo neo-ambientalista AL GORE (?!), a “onda” da NEUTRALIZAÇÃO de carbono está correndo o mundo. Simplificando bastante, a idéia é “neutralizar”, a partir do plantio de árvores, qualquer atividade que “produza” emissão de GÁS CARBÔNICO. O troço chegou a um nível de insanidade tal que já se multiplicam pelo país “empresas” especializadas em neutralização. Isso vai desde um show de rock até uma viagem (por exemplo, a viagem do Al Gore ao país para divulgar a idéia foi “neutralizada”!).

Me recuso a levar isto a sério, mas só faço umas perguntas a quem leva: Quantas destas árvores plantadas vingam/vingaram/vingarão? Quem controla? Quem contabiliza?
O que significa plantar umas arvores aqui e acolá diante do que vou expor a seguir?

DESMATAMENTO – Vocês sabiam que somente na região de Sete Lagoas, Minas Gerais, operam MAIS DE VINTE SIDERÚRGICAS.

Sabe o que elas produzem? GUSA e AÇO para suprir as necessidades de nossa indústria.

Para fabricar desde o material de construção até todos os eletrodomésticos e bugigangas em geral (Dê uma olhadinha aí em torno de você e tente identificar onde está presente todo esse ferro e aço produzido. Comece pela sua garagem!).

Sabe como se produz esse ferro e aço? com CARVÃO.

Sabe de onde vem esse carvão?

Cerca de 20% vem das “florestas plantadas”, leia-se EUCALIPTOS, Os 80% restantes vem da madeira NATIVA.

Tudo LEGAL, com autorização e certificação dos ÓRGÃOS AMBIENTAIS.

A entrada de caminhões transportando esse carvão é ININTERRUPTA, 24 horas por dia!

O CERRADO do Brasil Central está sendo inacreditavelmente engolida por esta horrenda goela comedora de carvão. Tudo isso, repito, com autorização e certificação legal!

Enquanto isso as autoridades ambientais federais, estaduais e municipais, “perseguem” como verdadeiros criminosos, os “monstros ecológicos” que cortam um oiti ou uma goiabeira no quintal de sua casa!
A propósito disso, as autoridades ambientais (federais estaduais e municipais) da minha cidade empreendem uma verdadeira cruzada contra os moradores da zona periférica e distritos (casas, sítios e propriedades rurais), que costumam queimar lixo originário de varredura de folhas secas ou podas.

Alegam e acenam com leis que regem a atividade de QUEIMADAS, desconhecendo, por estupidez ou má fé, que queimada é SUPRESSÃO de vegetação mediante uso de fogo, e não a queima de folhas ou galhos mortos.
A um desses “cruzados” que aterrorizavam um pobre caseiro que queimava um monturo de folhas que não chegava a meio metro cúbico, perguntei: Acaso o prezado fiscal aqui chegou, tão prestimosamente atendendo a denúncias, A PÉ ou de BICICLETA? diante de sua resposta, de que tinha vindo na “viatura” do órgão (uma picape), fui obrigado a informá-lo de que no trajeto da sede do órgão até o local ele, infelizmente, havia jogado no ar, com a queima de seu combustível fóssil, umas duzentas ou trezentas vezes mais gás carbônico do que o “criminoso” caseiro com sua fogueirinha!

Enquanto isso o presidente do País dá uma injeção de prestígio em sua ministra do Meio-Ambiente afirmando, com a “cara mais lavada” que: “Por mim o Ibama acabava”!

Gente, por favor, vamos olhar as coisas como tem que ser olhadas, entender como tem que ser entendidas, levar a sério o que é sério. Se dependermos “desses caras” que estão aí nos comandos, O APOCALIPSE VAI CHEGAR MESMO!
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IVO FONTAN

Notícia!!!

Pesquisadoras brasileiras conseguem produzir plástico que se degrada em apenas 45 dias

Mônica Pinto / AmbienteBrasil

Apesar dos esforços no campo da reciclagem, as garrafas PET continuam se constituindo em um problema ambiental sério. A boa notícia é que pesquisadoras do sul do Brasil conseguiram produzir um plástico a partir das garrafas PET que se degrada em apenas 45 dias.

http://noticias.ambientebrasil.com.br/exclusivas/2007/05/15/31153-exclusivo-pesquisadoras-brasileiras-conseguem-produzir-plastico-que-se-degrada-em-apenas-45-dias.html

CORTINA DE FUMAÇA – parte 1

Não sou especialista em Ciências Ambientais, mas não sou idiota.
Tenho uma capacidade razoavelmente boa de utilizar meus limitados conhecimentos, aliado à humildade de buscar as opiniões de quem sabe mais do que eu, para analisar as informações que me chegam e formar as minhas próprias opiniões. Não engrosso fileiras de histeria coletiva!

Como vocês sabem (se não sabem eu revelo agora), eu já estou por esse mundo há mais de meio século. Tempo suficiente para ter vivenciado uma meia dúzia de “ondas” de alerta de “catástrofe iminente” para o planeta.

Só para relembrar (ou informar aos que chegaram no mundo depois de mim):

- Na década de 60 o mundo estava prestes a ser destruído pela guerra nuclear entre as “superpotências”. O apocalipse era inevitável.
- Na década de 70 o termo POLUIÇÃO saiu do jargão técnico e entrou no vocabulário popular. Claro que era esse o novo apocalipse que se avizinhava.
- Ainda nos anos 70, o fim das reservas petrolíferas estava bem próximo, trazendo consigo o colapso da civilização humana.
- Há bem pouco tempo, vocês lembram, a “invasão” dos TRANSGÊNICOS ocupou o imaginário apocalíptico da humanidade.
- Agora não se toma um chopinho num bar sem se ocupar a maior parte do bate-papo com o tema AQUECIMENTO GLOBAL.

Não me entendam mal. TODOS estes temas foram (e continuam sendo) absolutamente reais e relevantes.
A auto-destruição nuclear continua sendo uma possibilidade de desfecho para a história do HOMEM na Terra;
O PETRÓLEO ainda continua sendo um dos pilares que, se desmoronar, leva consigo o que chamamos de CIVILIZAÇÃO;
a POLUIÇÃO é o principal efeito colateral da atividade humana;
A TRANSGENIA precisa sim, ser cuidadosamente estudada, compreendida e controlada;
O AQUECIMENTO GLOBAL pode sim ser o apocalipse que tanto tememos.

O grande problema é que todos estes temas, via-de-regra, não são “trabalhados”, sobretudo junto à população, de maneira real, clara e, me arrisco a afirmar, honesta!

Junto a fragmentos de informações verdadeiras, somos “entupidos” de outras,falaciosas, tendenciosas, alarmistas, equivocadas etc etc etc. com objetivos muitas vezes os mais mesquinhos que se possa (ou não se possa) imaginar.

Vou ser mais claro. Vou explicar, dando dados e fatos concretos, do que estou falando.
Vou revelar alguns fatos envolvendo RECICLAGEM; SEQUESTRO/NEUTRALIZAÇÃO DE CARBONO; DESMATAMENTO e QUEIMADAS.
Na próxima postagem…

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IVO FONTAN

O QUE FAZER?

É público e notório que o presidente do Brasil, com toda a finesse que Deus lhe deu, tem promovido uma verdadeira fritura de sua ministra do Meio Ambiente.
Todo brasileiro preocupado com questões ambientais deve estar acompanhando a “queda-de-braço” travada entre o governo e o Ibama por causa do licenciamento das hidrelétricas no Rio Madeira, dentre outras.

Ontem assisti, entre constrangido e preocupado, à raivosa e grosseira manifestação do presidente sobre essa questão, inclusive dizento textualmente que “ou construímos hidrelétricas ou usinas nucleares”.
A afirmação me chocou, principalmente pelo tom grosseiro, totalmente inadequado a um chefe de estado. Mas…

Pondo de lado toda a minha reserva em relação ao Lula-presidente (e eu tenho mesmo, não escondo) eu parei para pensar sobre o assunto e fiquei, como dizem meus jovens alunos, bolado!
Descontando os termos e o tom, ele tem alguma razão. Como conciliar a demanda por energia, requerida por um país que precisa “crescer” (de acordo com os paradigmas capitalistas/globalizantes vigentes) com a necessária preservação ambiental?
Essa equação não fecha!

Crescer, no âmbito destes tais paradigmas, significa produzir-consumir, produzir-consumir, produzir-consumir…
Para isso a energia é o principal fator. Energia em abundância, barata e accessível.
Por mais que sonhemos e busquemos formas de geração de energia a um “preço ambiental” reduzido, SABEMOS que TODAS as alternativas até hoje apresentadas (eólica, solar, tidal – este é o nomezinho técnico para a energia maré-motriz – etc) não são viáveis senão para situações específicas, pontuais e de pequena escala.

O que fazer?

Podemos pura e simplesmente “dar uma banana” para o resto do mundo e buscarmos um caminho “sustentável” só nosso, cortando laços com o capitalismo global? Claro que não. É suicídio! Somos quase 200 milhões de seres que precisam comer, trabalhar, vestir, interagir… Não somos uma ilhota caribenha que possa se dar ao luxo de viver “desconectada” (mas nem tanto!) do resto do mundo, ou de boa parte dele, e mesmo assim sobreviver.
Em nossa escala qualquer “marola” econômica significa desastre, catástrofe, para dezenas de milhões de pessoas.
O que fazer?

Paramos de crescer (no sentido demográfico)? Como se faz isso sem tirania e despotismo (ou mesmo genocídio?) Paramos de consumir? Nem pensar, pois explodiríamos (ou implodiríamos, sei lá) o sistema produtivo, o que significa DESASTRE. Paramos de produzir? Nem pensar, pois desequilibraríamos a economia na direção da inflação sem controle e… DESASTRE.
O que fazer?
Precisamos muito, e cada vez mais, de energia. E aí? transitamos entre a queima de combustíveis fósseis, com o conhecido preço na forma de aquecimento global; a construção de hidrelétricas, com o preço do impacto ambiental que já sabemos; a construção de usinas nucleares, com o risco e o passivo idem idem?
O que fazer?

Não sei. Só sei que a solução para esta equação, se houver, só poderá ser dada com muita, muita, muita conversa, muita serenidade, muita inteligência, muita tolerância, muito bom senso, muita entrega, muita união, muito respeito e, sobretudo, muita humildade para reconhecermos que nenhum de nós, nenhum grupo, nenhuma classe, nenhuma entidade, i s o l a d a m e n t e, terá a resposta.

Temos todos que sentar à mesma mesa e nos ouvirmos, TODOS. Inclusive o IBAMA. Não será deixando a Dilma esfacelar o IBAMA que chegaremos a lugar algum!

Leia o Manifesto abaixo

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IVO FONTAN