Monthly Archives: junho 2007

Cinco Pedrinhas

Há poucos dias, em um intervalo de uma de minhas aulas de laboratório, olhando para um almofariz cheio de pedrinhas de mármore (usadas em nossas experiências como carbonato de cálcio), lembrei-me de um antigo jogo da minha infância e, quase sem sentir lá estava eu tentando recuperar a antiga destreza, jogando uma pedrinha para cima enquanto capturava a outra, depois duas, depois três…

Identificaram? Era o “jogo das cinco pedrinhas”. Absorto nas minhas reminiscências custei a perceber que era observado atentamente por uma curiosa. Era uma das minhas alunas-monitoras, que, com expressão surpresa tentava entender o que eu fazia.

Surpreso também fiquei eu ao constatar que aquela menina de uns quinze ou dezesseis anos nunca tinha visto nem ouvido falar daquele joguinho.

Ensinei-lhe as regras básicas e, enquanto ela meio fascinada e totalmente atabalhoada tentava aparar as pedrinhas, fiquei pensando e lembrando de outros jogos e brincadeiras da minha infância.

A sirene de início da aula interrompeu minhas divagações e encerrou abruptamente aquela primeira experiência lúdica de minha monitora. A próxima turma acabava de adentrar o laboratório.

Olhando aquelas meninas e meninos em alegre rebuliço guardando suas mochilas (com seus celulares, ipods e, possivelmente camisinhas) nos escaninhos para se dirigir às bancadas de ladrilhos onde os esperavam os tubos de ensaio, provetas e pipetas para uma nova aula de química, passou-me pela cabeça uma idéia maluca que, felizmente assim como veio passou, me livrando quase certamente de um inquérito administrativo ou um encaminhamento psiquiátrico!

Pensei, seriamente, em não dar uma aula de química naquele dia, mas sim dividir a turma em dois e promover um tremendo “pique-bandeira” naquele laboratório. Seguido de um “pera, uva ou maçã”. Logo depois uma rodada de “espadinha”…

Eles nem desconfiaram, mas teriam se divertido um bocado!

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Texto de Ivo Fontan

Bom senso e caldo de galinha não faz mal a ninguém.

Outro dia passeando na internet me deparei com um blog que falava mal da vida americana. O blog detonava o jeito de comer, de se vestir, do tamanho dos carros, das cidades, entre outras coisas do povo daqui.

Um excesso de ódio sem igual, ele (o escritor do blog) destilava raiva por todas as letras. Aí eu me perguntei: quanto tempo esta criatura viveu aqui para falar tão mal do american way? 1 mês.

Eu não acreditei quando lí. O cara só viveu aqui um mês e se achou no direito de criticar com uma tal ferocidade que até assustava. É como se um americano fosse ao Brasil, ficasse pouco tempo, e saísse de lá reclamando do excesso de jogos praticados nas praias cariocas, do carnaval, do excesso de montanhas, etc, ou seja não tem a mínima idéia do que está falando.

Que fique claro que não estou aqui levantando a bandeira da defesa do americano, até porque como todo o povo ele tem defeitos..

Cheguei a conclusão que ele estava passando da medida. Era um excesso de comentários desnecessários. Mas quem não comete excessos? Quem nunca o fez que atire a primeira pedra. Ou seria primeira letra?

Comemos demais, bebemos demais, brigamos demais, dormimos demais, trabalhamos muito, vemos muita televisão, , usamos muito o computador, ou o telefone, gastamos muita água, muito dinheiro, lemos pouco, usamos muito papel higiênico, muita pilha alcalina, quase não falamos com os amigos, com os pais, criticamos a vida do vizinho, não vamos a academia, deixamos nossos filhos de castigo, etc, etc, ou tudo ao inverso.

Sempre em excesso.

Chegamos mesmo até nos viciar em alguns hábitos. Como eu já disse no começo do texto eu também os cometo. Mas agora estou tentando encontrar o bom senso.

Êta palavra boa e conforme o dicionário Michaelis s.m. (lat sensu) é a faculdade de julgar, de raciocinar; entendimento. Portanto bom senso é encontrar o equilíbrio.

Está difícil, mas é um ótimo exercício de controle, vamos dizer que é uma Yoga mental.

No meu dia a dia estou buscando este objetivo. Depois de sair do meu país e viver em outra cultura tão diferente da nossa é que pude aprender a respeitar determinadas atitudes, ou seja já diminuí meu excesso de brasilianismo (isto existe?). 1 ponto para mim! Uhuuuuuuu!

Mas a luta continua.

Descobri também outra conquista. Consegui diminuir o tamanho do texto que escrevi. Mais uma estrelinha dourada no meu caderninho da vida.

Quem quer se juntar a mim?


Texto de Cristiane A. Fetter

Assistência jurídica para vítimas de violência

O Movimento Gabriela Sou da Paz em parceria com o escritório de advocacia
MCP-advogados associados está recebendo e prestando assistência jurídica
as pessoas que tenham sido vítimas da violência com o objetivo de preservar
e garantir seus direitos.
Caso você seja vítima ou familiar e queira participar, houve uma reunião no
dia 27/06/07 ( quarta-feira ) às 11:00hs, mas você pode ligar para os telefones abaixo e saber informações para se unir ao grupo:

(21) 2532.30.73 – Dr. Cacau de Brito – Advogado
(21) 9984.96.77 – Carlos Santiago – Pai da Gabriela

LOCAL: Rua do México 119-10º andar – centro – Rio de Janeiro -RJ.

Conhecendo o Rio: SERRAMAR, uma estrada no paraíso!

A postagem da Ana Cláudia sobre o Museu Casa do Pontal me deu o ensejo de fazer uma coisa que eu tenho muita vontade: Dar dicas sobre coisas belas que existem no nosso estado.

Meus textos, normalmente cáusticos e críticos, podem dar a impressão (falsa) de que eu tenho uma visão muito negativa das coisas. Nem tanto. Eu sou um apaixonado pelas belezas naturais do nosso país e, em particular, do nosso estado (por isso fico tão irado com políticos e governantes canalhas que fazem tudo para destruir essas belezas).

Vou, a partir deste texto, começar a compartilhar com vocês as coisas maravilhosas que já vi por este Rio a fora.

Na verdade, já comecei no comentário que fiz na referida postagem da Ana.

Quero falar agora de uma “estradinha”, recentemente asfaltada, que liga o distrito de Lumiar (Nova Friburgo) a Casimiro de Abreu, ligando a região serrana à dos lagos (por isso SERRAMAR)

São pouco mais de 30Km de uma estradinha sinuosa, atravessando uma das mais belas regiões do estado. O rio Macaé-de-Cima acompanha quase todo o traçado. É um rio daqueles cheios de corredeiras e cachoeiras. Em vários pontos há acesso para banhos inesquecíveis. As paisagens são belíssimas, o ar é puro e a natureza exuberante. Com sorte avistamos quatis, siriemas e outros animais pelas margens.

Lá na parte de baixo, quase chegando a Casimiro, há o acesso a Barra do Sana e Arraial do Sana, dois lugarejos bem simples e deliciosos, com pousadinhas e restaurantes, geralmente administrados por remenescentes dos hippies da década de 60. O lugar já foi, assim como Visconde de Mauá, um dos points dessa galera.

Vale muito a pena, sobretudo para quem tem filhos pequenos.

Eu curti muito o lugar com os meus quando crianças.

Eles lembram até hoje!

Fotos de Arraial do Sana.


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Texto de Ivo Fontan

Não gostou? Desliga! Simples assim? – Parte 2

Relembrando as premissas com as quais encerramos a primeira parte:

- A televisão de penetração maciça, no Brasil, é a TV aberta, comercial e com predominância das chamadas redes – quatro ou cinco grandes conglomerados de emissoras que “distribuem” uma programação, em grande parte comum, por todo o país.

- Sendo comercial a TV norteia sua programação em função da maior captação possível de telespectadores (audiência)

- As programações das TVs, quase que totalmente, são produzidas nos grandes centros – principais cidades do país – por pessoas (técnicos, artistas e profissionais em geral) pertencentes a grupos sociais típicos desses grandes centros.

Sendo verdadeiras (e até que me provem o contrário o são) essas premissas, uma enorme quantidade de questionamentos são pertinentes, como: O mesmo programa que é visto por uma família de classe média de uma grande cidade, cujos componentes possuem alto grau de escolaridade, cultura e informação, é visto pelos moradores das favelas dessa mesma cidade, pelos habitantes de uma pequena vila rural a centenas ou milhares de quilômetros dos grandes centros e ainda pela população miserável de um município perdido nos grotões (muitas vezes através de um único aparelho situado na praça do vilarejo). Cabem as perguntas? Os idealizadores, produtores, diretores, etc. desses programas estão cientes e levam em conta essa realidade? Cada um desses telespectadores “recebe” da mesma forma, ou, pelo menos, da forma concebida pelos realizadores, o que está assistindo?

Ainda com base nas premissas: A aferição da audiência pressupõe a pesquisa. Para isso, empresas especializadas desenvolvem técnicas e metodologias. Se a audiência é o que determina o “valor” do espaço publicitário, ou seja, quanto maior a audiência maior o potencial de venda do produto anunciado, é lícito deduzir que as tais pesquisas são realizadas entre “consumidores” em potencial. Ora, qual o verdadeiro tamanho da massa populacional não-consumidora? lembrando que aí não se incluem apenas aqueles que não possuem poder aquisitivo, mas também os que não se enquadram no “perfil de consumidor” dos produtos que a TV veicula. Eles também assistem TV!

Quanto à geração dos programas, talvez esteja aí a mais rica fonte de teses envolvendo a influência da televisão. Com destaque especial para os programas chamados genericamente de “shows” e para as novelas, por serem os que alcançam maior audiência nas grades de programação, cabe a indagação: Até que ponto uma produção televisiva retrata e, consequentemente, transmite e dissemina realidades, códigos, valores, linguagem etc inerentes aos grupos sociais de seus realizadores ou autores?

Aqui cabe uma pequena viagem no tempo. Voltemos, não muito longe, à época pré-televisiva ou mesmo à dos primórdios da TV. Como evoluía culturalmente um grupo social? Como se tomava conhecimento de “novidades”, em todos os setores da atividade humana? Como se assimilavam novos valores, comportamentos etc? É claro que a velocidade dessa evolução era proporcional ao acesso do grupo a informações, isso equivale a dizer que, nos grandes centros se dava de forma mais significativa do que nas pequenas ou mais afastadas comunidades. “Tudo no seu devido tempo”, diziam, sabiamente, nossos avós. As novidades chegavam via meios de comunicação (rádio, imprensa escrita, telefone), cinema etc. As próprias pessoas promoviam “trocas” através, por exemplo, de relatos e impressões de viagens. Enfim: sem saudosismo, podemos dizer que havia tempo para se absorver e assimilar as novidades.

A televisão mudou radicalmente essa realidade. É ela a principal responsável pela quebra das barreiras geográficas no caminho da informação. É ela (e não, ainda, a internet!) que, ignorando distâncias, leva os fatos, em tempo real, a qualquer lugar. O quanto isso é ruim? O quanto isso é bom?

Na realidade, mais do que veicular informações em tempo muito curto, a TV adquiriu um papel ainda mais preocupante: ela tornou-se de certa forma “avalista da realidade”, isto é, os fatos tornam-se reais se e porque “deu na TV” (aqui está outro diferencial importante da TV em relação à internet). Consequentemente, as coisas que não aparecem na TV são desimportantes ou simplesmente não existem!?

Muito se tem que pesquisar, observar e debater ainda para se chegar às respostas de, pelo menos, parte dessas perguntas. Não tenho dúvidas, entretanto, de que estão enganados os defensores da tese de que a TV é “meramente” um instrumento de entretenimento, fabuloso pelo seu alcance e penetração, e essencialmente “democrático” pela existência de um seletor de canais e um botão de desligar!

Antes fosse! Antes fosse!!

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Texto de Ivo Fontan

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Não gostou? Desliga! Simples assim? – Parte  1


http://futurodopresente.com.br/blog/index.php/2007/06/nao-gostou-desliga-simples-assim-parte-1/

Criança tem direito a que? – Parte 2

Como eu disse no poste anterior, coletei algumas chamadas de matérias no site da ONU, que demonstra que nem todas as crianças, ainda, têm direito de se beneficiarem dos princípios que regem a Declaração. Será que pensar que um dia todas as crianças estarão livres das crueldades do mundo é uma utopia???

Seguem as notícias:

-Um bilhão de crianças vivem em domicílio sem esgoto;
-Bactéria da meningite mata 2 crianças por hora na América Latina;
-Na áfrica morrem 2 bebês por minuto;
-No Amazonas, 12% das crianças não têm água;
-Sem saneamento, 150 milhões de crianças deixam de ir à aula;
-Uma em cada quatro pessoas menores de 15 anos vive em condições de extrema pobreza no sudeste da Europa e nas ex-repúblicas soviéticas;
-Mais de 200 milhões de crianças trabalham em condições perigosas;
-Violência contra criança é praticada por conhecidos (pais, empregados, colegas de escola, professores);
-Violência contra criança atinge todas as classes;
-Falta de esgoto e de água potável mata uma criança a cada 20 segundos, afirma a ONU;
-Pelo menos 275 mil crianças sofrem abuso;
-Aleitamento materno exclusivo até o sexto mês, recomendado pela ONU, é benefício de apenas uma em cada dez crianças;
-Só em junho, 35 crianças foram mortas em Gaza;
-Conflito tira 315 mil crianças do Líbano e as que ficam no país são obrigadas a dormir em parques, escolas e mesquitas;
-Guerras mataram 2 mil crianças em dez anos;
-Crianças são um terço dos mortos no Líbano;
-Zona rural tem o dobro de crianças sem escola;
-Mundo tem mais trabalho infantil que desemprego;
-40% dos desabrigados na Indonésia são crianças;
-Indústrias Farmacêuticas ignoram crianças com HIV;
-Só 5% das crianças com HIV têm tratamento;
-Semi-árido: 6% das crianças são desnutridas;
-Facções ainda recrutam soldados mirins no Congo;
-Crianças são 20% das vítimas de explosivos;
-300 mil crianças podem morrer de fome na África;
-Haiti tem 19% dos óbitos de crianças de toda América Latina;
-Água impura mata 5.700 crianças por dia;
-Situação da água pode piorar muito até 2020;
-Falta água potável para 1,1 bilhão no mundo;
-18% das crianças não têm nem o primário;
-Tráfico infantil ameaça vítimas nas Filipinas;
-20% das crianças do Maláui são subnutridas;
-Apenas 15% das crianças do Peru são registradas;
-Falta de esgoto mata 1 criança a cada 19s;
-4 mil bebês islâmicos morrem todos os anos por doença ou desnutrição;
-Trabalho infantil atinge 5 milhões no Brasil;
-Aids deixa 1,5 milhão de órfãos na Ásia;
-Catástrofes naturais afetam mais as crianças;
-Trabalho infantil atinge 245 milhões no mundo
-Violência afeta 100 mi de crianças na AL;
-AL tem 40 milhões de crianças sem registro;
-1/5 das crianças não tem acesso à água limpa;
-Faltam comida aos bebês e cuidados às grávidas;
-Desnutrição de indígenas é problema na AL;
-Fome mata tanto quanto as tragédias naturais;
-Exclusão atinge mais de 1 bilhão de crianças;
-Relatório do UNICEF sobre situação da infância mostra que uma em cada seis crianças passa fome e uma em cada sete não tem acesso à saúde no mundo;
-Pobreza, guerra e Aids ameaçam infância;

Diante de tantos números absurdos e más notícias fica difícil enxergar uma luz no fim do túnel. Mas seria irresponsabilidade da minha parte não falar aqui que muito está sendo feito pelas crianças. A implantação da educação de qualidade, queda nos índices de mortalidade infantil, queda do analfabetismo, mobilização da população contra a fome, campanhas de conscientização sobre o aleitamento materno, combate à pobreza, a luta contra o tráfico infantil, combate ao trabalho infantil, projetos contra a violência infantil, já começam a se transformar em realidade.

Sempre me faço esta pergunta e gostaria que fizesse a você:

O que eu posso fazer para melhorar o presente de NOSSAS crianças?

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Texto de Renata Gonçalves

Não gostou? desliga! Simples assim? – Parte 1

Pode parecer, à primeira vista, que o tema que vou abordar nesta série de textos não tem muita relação com o propósito deste blog. Eu penso que tem e muito. Se tratamos de assuntos que dizem respeito ao futuro que pretendemos construir para nossos filhos, não podemos deixar de lado nada que faça parte integrante e relevante deste mundo. Sobretudo aquelas que tem influência direta na formação de nossa capacidade de ver e pensar o mundo. Neste rol, a TELEVISÃO ocupa um papel que não pode e não deve ser subestimado.

Muito tempo ainda transcorrerá até que a verdadeira importância da televisão como elemento de transformação social seja compreendida. Entre nós são pouco mais de cinco décadas (apenas) de existência, das quais somente as duas últimas de efetiva massificação, ou seja, “penetração” em, praticamente, todos os segmentos da sociedade.

“A televisão é integradora, instrumento de evolução e insubstituível como veículo de comunicação e informação”;

“A televisão é o principal instrumento de desagregação social e familiar. Perniciosa e disseminadora de comportamentos e opiniões inadequados para a maioria da população”;

“A televisão não passa de um grande e democrático meio de entretenimento. Não induz nem estimula comportamentos ou idéias incompatíveis com os verdadeiros valores de quem a assiste”

As três teses encontram defensores convictos em todos os níveis da sociedade. Não se duvide que, até mesmo a segunda encontra adeptos dentro da própria “comunidade televisiva”.

A questão, no entanto, é muito mais complexa do que qualquer das teses possa contemplar. Além de faltar, como dissemos no início, “tempo de observação” (e não há nada que se possa fazer para acelerar o tempo!) falta também fechar o foco e definir melhor o que chamamos de televisão. Estamos falando de programação? Falamos de linguagem? do preparo ou competência ( ou despreparo e incompetência ) das pessoas e/ou empresas que operam o veículo? É adequado o sistema de concessão de canais e sua exploração com fins comerciais? Ou falamos do aparelho em si, ou seja, defendemos uma ou outra tese com relação, simplesmente, à entrada indiscriminada de imagens, informações e opiniões, casa-a-dentro das pessoas via essa “maravilha tecnológica” cada vez mais acessível.

Definido o que estamos chamando de “televisão” é preciso ainda particularizar os “grupos” ou segmentos sociais alvo da análise, já que, em um país tão vasto e com os contrastes sócio-culturais como os encontrados no Brasil, falar em população como mero coletivo de cidadão, sem levar em conta as abissais diferenças que separam grupos (às vezes até geograficamente próximos) é garantia de erro em qualquer estudo de ordem sociológica.

Com essas considerações quero dizer que as três teses são defensáveis e reprováveis ao mesmo tempo! É uma questão de “misturar”e combinar parâmetros: o que estamos chamando de televisão e de população?

Vamos partir de três premissas:

- A televisão de penetração maciça, no Brasil, é a TV aberta, comercial e com predominância das chamadas redes – quatro ou cinco grandes conglomerados de emissoras que “distribuem” uma programação, em grande parte comum, por todo o país.

- Sendo comercial a TV norteia sua programação em função da maior captação possível de telespectadores (audiência)

- As programações das TVs, quase que totalmente, são produzidas nos grandes centros – principais cidades do país – por pessoas (técnicos, artistas e profissionais em geral) pertencentes a grupos sociais típicos desses grandes centros.

Continua na próxima postagem

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Texto de Ivo Fontan

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Não gostou? Desliga! Simples assim? – Parte  2 http://futurodopresente.com.br/blog/index.php/2007/06/nao-gostou-desliga-simples-assim-parte-2/

Criança tem Direito a quê? – Parte 1

Tive a inspiração de escrever este texto no dia mundial das crianças, que é comemorado no dia 1 de junho, quando postei um texto contando a origem da criação deste dia. Como eu disse, após a 2ª Guerra Mundial, muitos países da Europa, do Ocidente Médio e a China ficaram destruídos e o povo sofria as conseqüências desse massacre. A fome e a pobreza reinavam. As crianças abandonavam as escolas e eram submetidas a formas desumanas de trabalho.
O Dia Mundial das Crianças foi proposto à ONU, em 1950, pela Federação Democrática das Mulheres e somente no ano de 1959 os Estados membros das Nações Unidas reconheceram os direitos da criança, passando-os para o papel. Então, finalmente, foi proclamada em novembro do mesmo ano, pela Unicef, a Declaração Universal dos Direitos da Criança.

Encontrei várias mensagens lindas para as “nossas” crianças – e acho que elas merecem sim e muito mais – mas vi que muitas dessas mensagens se esqueceram de lembrar das “outras” crianças. Referi-me às nossas crianças, pois quando falamos em criança, pensamos de imediato no nosso filho, no nosso irmão, nos nossos sobrinhos, nos nossos primos, nos nossos netos, enfim, de alguém próximo. Nos esquecemos das “outras”, as que estão marginalizadas e excluídas da sociedade. Preferiria usar somente o termo nossas, sem fazer distinções.

A maioria de vocês deve conhecer, ou já passou o olho, nos dez princípios que constitui essa declaração. São princípios que reconhece a todas as crianças – independente de raça, cor, religião, origem nacional ou classe social – proteção e cuidados especiais para garantir o desenvolvimento sadio e normal e em condições de liberdade e dignidade; direito ao afeto, amor e proteção; alimentação, saúde e educação adequadas; proteção a qualquer tipo de negligência, crueldade e exploração; direito a um ambiente de compreensão, de tolerância, de amizade entre os povos, de paz e de fraternidade universal.

Com o objetivo de fazer as pessoas refletirem, farei um paralelo da Declaração Universal dos Direitos da Criança com a realidade de muitas que não tem acesso à alimentação, à educação, à saúde de qualidade, e são submetidas à discriminação e às situações de maus tratos.

Coletei algumas chamadas de matérias no site da ONU, que demonstra que nem todas as crianças, ainda, têm direito de se beneficiarem dos princípios que regem a Declaração. Será que pensar que um dia todas as crianças estarão livres das crueldades do mundo é uma utopia???

Continua na próxima postagem.

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Texto de Renata Gonçalves

Porque não tratamos nossos esgotos?

São muitos e terríveis os “efeitos colaterais” do chamado desenvolvimento. Alguns mais óbvios outros menos, alguns mais alarmantes, alguns mais urgentes. Enfim, todos sabemos quem são eles e (aleluia!) parece que o mundo está despertando e dando a devida atenção para eles.

Há um, entretanto, que já não deveria mais fazer parte do rol de problemas. Me refiro aos efluentes (esgotos) urbanos, um dos efeitos mais visíveis e imediatos (e mais mal-cheirosos!) da civilização.

Eu costumo viajar bastante pelo país e sou testemunha do estado deplorável em que deixamos todo e qualquer curso d’água que se aventure a atravessar um aglomerado urbano. Das cloacas fétidas em que se transformaram os grandes Tietê e Pinheiros, ao atravessar a megalópole paulista, até os mais simplórios córregos que recebem os esgotos das pequenas e médias cidades. Para não falarmos no mar (Ah, a moribunda Baía de Guanabara!), sobretudo em pequenas enseadas e baías das orlas urbanizadas.

Me deixa perplexo a nossa passividade (enquanto população) em conviver com isso. Sobretudo porque as tecnologias necessárias para que os esgotos deixem de ser problema já existem há muito tempo.

Os técnicos em saneamento não me deixam mentir. Temos tecnologia para TRATAR ESGOTOS em qualquer condição, nível e escala! Pelo mundo todo encontramos exemplos (até mesmo alguns aqui no Brasil) de sistemas de tratamento efetivos e eficientes que, além de garantirem o retorno das águas razoavelmente limpas ao ciclo natural, ainda geram subprodutos economicamente (e ambientalmente) interessantes, como compostos fertilizantes.

Por que então o tratamento não é uma prática largamente utilizada? Porque temos que conviver com a degradação dos nossos belos e generosos rios (e baías etc)?

Vocês sabem o que é o Piscinão de Ramos? é uma enorme piscina pública abastecida com água límpida obtida sabem de onde? Da vizinha Baía de Guanabara! Por que para isso o tratamento é viável? Porque era interessante para os políticos “agradar” aquela comunidade em troca de votos!

Este é o verdadeiro problema. A construção de estações de tratamento é decisão POLÍTICA, e não TÉCNICA. Um piscinão se constrói em meses, a tempo de quem o construiu angariar o benefício do voto. Um sistema de tratamento na escala de uma cidade é ação de longo prazo, que não se concretiza dentro de um mandato. Por isso ninguém começa. Quando começa, como no caso do “Programa de Despoluição da Baía de Guanabara”, que já passa de uma década, o que vemos é um festival de desvios e superfaturamento vergonhoso. Resultado que é bom nada!

Por que será que nunca vi nenhuma manifestação pública EXIGINDO tratamento de esgotos?

Por que não nos mobilizamos a vamos prá rua “abraçar” a baía, o Tietê?

Porque não lotamos as Assembléias Legislativas e Câmaras Municipais cobrando de nossos representantes ações nesse sentido?

Por que não “infernizamos” a vida dos prefeitos e secretários?

Por que?

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Texto de Ivo Fontan

BIOCOMBUSTÍVEIS

Embora não sejam nenhuma novidade, os chamados biocombustíveis surgem no cenário energético contemporâneo como um caminho (ou talvez, como muitos consideram, o caminho) para o grande dilema geração de energia x preservação.
Meus modestos conhecimentos de química e minha também modesta capacidade de pensar, tornam claro para mim que, obviamente, a obtenção de energia a partir da queima de matéria prima vegetal, desde que cultivada para esta finalidade, a priori, não representa acréscimo na taxa de CO2 atmosférico, ao contrário da queima dos fósseis, cujo carbono já, há muito, não faz parte do ciclo deste elemento na biosfera – está “estabilizado”.
Por este aspecto, vivas ao álcool e aos “biodieseis” (se o plural não é esse acabei de inventar).
Tenho, porém muitas dúvidas quanto ao fato de nosso país estar caminhando na direção de ser o ou um dos maiores produtores de biocombustíveis do planeta. Vejamos:
- Em que medida a agricultura (de produção de alimentos) será impactada com o aumento das áreas destinadas às espécies geradoras dos biocombustíveis (cana, oleaginosas etc). Essa questão é tão complicada que eu já li trabalhos de dois pesquisadores (sérios) que chegam a conclusões opostas: Um garante que as áreas atuais são suficientes desde que agreguem desenvolvimento tecnológico; outro conclui que as áreas hoje plantadas deverão ser du ou triplicadas!?
- Estrategicamente é bom para o Brasil produzir e exportar álcool in natura? Que me responda quem souber: O álcool etílico não é, assim como o petróleo e o gás, uma substância que dá origem a uma “árvore” de subprodutos através de um conjunto de processos que poderíamos chamar de ÁLCOOL-QUÍMICA?

Neste caso, não estaríamos cometendo a imprudência de fornecer a matéria prima para outros países que a processariam e nos enviariam de volta os derivados cheios de “valor agregado”? Vide o nosso minério!
Tenho muitas outras dúvidas, mas vou deixar estas no ar.
Peço a quem tiver qualquer informação que acrescente algum esclarecimento que se manifeste.
E leiam o texto a seguir que é de autor não revelado, mas tenho certeza de que é sério e verdadeiro.
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IVO FONTAN