Chamou-me a atenção uma notícia publicada nos jornais de (30/05): O Projeto Agro-florestal do

Palmito Pupunha, que será implantado no município de Silva Jardim. São “florestas” de pupunheiras que serão plantadas com objetivo de gerar renda para pequenos agricultores e proteger áreas de risco ambiental. No projeto estão, além do Ministério do Desenvolvimento Agrário, instituições como UFRJ, Senac, Universidade Estácio de Sá e ESDI.
Grifei a parte da “proteção de áreas de risco ambiental” para chamar a atenção para o fato de que, finalmente o estado está superando uma falácia.
Por muitas e muitas décadas o estado do Rio viu suas florestas serem dizimadas, pela especulação imobiliária, extrativismo, pecuária ou mesmo puro vandalismo, sem falar nos ciclos do café e da cana, que iniciaram o processo. Enquanto a moto-serra, o machado e o fogo “comiam soltos”, os “ecologistas de plantão” sonhavam com utopias de retorno à Mata Atlântica da época do descobrimento! Sem levar em conta que “progresso”, “desenvolvimento” e “crescimento” tem um preço (e que a NATUREZA é parte indissociável deste preço), muito tempo foi perdido com essas utopias enquanto ações efetivas de minimização ou amortização deste preço deixaram de ser tomadas.
Um dos alvos preferenciais destes utópicos foi, durante muito tempo, a silvicultura. O termo DESERTO VERDE foi cunhado para “vender” a idéia de que projetos de silvicultura representavam O MESMO que a depredação pura e simples das florestas nativas. NÃO É. Estudos científicos, muitos levados a termo até mesmo por entidades de cunho ambientalista, já comprovaram que, mesmo em florestas homogêneas (silvicultura), ocorre o repovoamento de parte da fauna original.
A questão, que temos de encarar de frente, sem utopias, é que não é possível conciliar as necessidades do mundo de hoje com a exuberância da hiléia de um passado que não tem como voltar. Se queremos preservar o que ainda resta ( e, até mesmo, reconquistar um pouco do que foi perdido ), temos que ser realistas e, sobretudo, inteligentes. As floresta homogêneas, sob controle, com planejamento e integradas às demandas sociais e econômicas de cada região são parte desta solução. É muito mais fácil controlar, por exemplo, a obediência às leis que determinam percentuais de preservação e replantio de florestas nativas em uma área de silvicultura do que em centenas ou milhares de pequenas propriedades. Diminuem as possibilidades de fraudes e facilita a fiscalização.
Não vejo a hora de pegar meu carro e viajar para a região noroeste (a mais degradada do estado) e contemplar florestas de eucalipto, pupunhas, aroeiras, mamonas, pinheiros etc, áreas de fruticultura e olericultura, (e pastos também, por que não?), intercaladas com mata atlântica, onde hoje só se vê capoeirais, capim-gordura, pedra, erosão, formigueiros…E jovens sem perspectiva!
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Texto de Ivo Fontan
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