No “post” datado de 14/08, nossa “blogueira-mãe” Ana Cláudia desabafa num texto veemente que começa com a pergunta:
QUANDO VAMOS REAGIR?
E termina com outra pergunta: O QUE FALTA?
Entre uma pergunta e outra ela discorre sobre os desmandos de nossos governantes, homens públicos etc e sobre nossa passividade (ou impassividade) diante de tudo.
Eu não tenho a pretensão de dar uma resposta definitiva às indagações, mas, tão somente, a MINHA resposta.
FALTA muito!
Com muita frequência ultimamente, tenho me deparado com textos, alguns assinados por nomes conhecidos da mídia, outros por anônimos ou “blogueiros” como nós, falando sobre um mesmo tema: A (BAIXA) QUALIDADE DA NOSSA CIDADANIA.
Talvez esteja aí a resposta. Somos um povo que se orgulha de sua jovialidade, alegria, pacifismo, hospitalidade etc etc etc. No entanto, ainda não fomos capazes de nos envergonhar de nossa alienação social, nosso baixíssimo espírito comunitário, nosso elevadíssimo grau de corrupção refletido em nossas ações do dia-a-dia.
Não estou falando daquilo que nós convencionamos chamar de corrupção e que atribuímos tão somente aos nossos homens públicos – os desvios, as propinas, o nepotismo etc. Falo da “pequena” corrupção que nós preferimos chamar de “jeitinho” ou “esperteza”, e que praticamos desabridamente, sem vergonha e sem culpa.
Falo também da alienação que nos faz olhar-sem-ver toda a degradação social que se descortina diante de nossos olhos, na sujeira, na depredação dos bens coletivos, no crescimento sem controle da “cidade paralela” – das favelas, dos camelôs, dos flanelinhas…
Falo da falta de reação e de indignação diante de coisas obviamente canalhas como, por exemplo, um Programa de Despoluição da Baía de Guanabara que já consumiu “uma baía e meia” de recursos em mais de uma década sem apresentar NENHUM resultado prático.
Falo da nossa indiferença a qualquer coisa que não seja circunscrita a nosso nucleozinho familiar, como, por exemplo, a sistemática não-participação em reuniões de condomínio, associações de moradores etc.
Falo do nosso discurso-chavão sobre a honestidade (falta de) dos políticos que NÓS, reiteradamente “colocamos lá”.
Falo de nossa “cegueira sócio-política” que faz com que candidamente acreditemos que grandes eventos como passeata das diretas-já; derrocada do Collor; eleição do Lula etc, foram DE FATO protagonizados pelo POVO!
Falo de nossa ojeriza a discutir sobre ESSAS COISAS, preferindo, ao invés, discorrer sobre a crise do Flamengo, a vitória “fajuta” da Beija-Flor ou a “puta” da novela das oito.
Falo de nossa (previsível e óbvia) “explosão de indignação” diante do próximo HORROR ou ESCÂNDALO que, seguramente está a caminho.
Enfim, falo de nossa CULPA, por tudo o que estamos sofrendo e que ainda vamos sofrer.
O que falta? Sinceramente, não sei. Talvez uma máquina do tempo para que algum de nós volte lá ao comecinho de 1500 e espalhe ao longo das praias uma série de placas escrito:
Caminho Marítimo para as Índias, apontando para a Argentina!
Leia o post “Quando vamos reagir?“
__________________________________________________________________________________ Texto de Ivo Fontan



















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