Fórum Criança e Consumo – Dia 1:Honrar a Infância

Como todos sabem, estivemos no 3º Fórum Internacional Criança e Consumo promovido pelo Instituto Alana , que aconteceu de 16 a 18 de março em SP através de uma PAM –  parceria de apoio mútuo (modalidade que acabo de inventar…rs) com o blog Desabafo de Mãe (http://blogdodesabafodemae.blogspot.com/ ) e da ANEP Brasil – Associação Nacional para Educação Pré Natal (http://anepbrasil.wordpress.com/ ) estarei esta semana em SP.
Estar presente neste evento é muito importante para nós por ser uma bandeira que sempre defendemos: criança não pode ser tratada como mero potencial consumidor.
Criança tem que ser respeitada.


A realização de eventos como este são importantes para conscientizar. Afinal, não mudaremos a realidade sem participação, e críticas sem participação, não protagonizam mudanças. Por isso, é importante aceitarmos o convite para debater, pensar e trocar impressões a respeito do tema Publicidade Infantil que é um desrespeito ao universo da criança.
SÓ EXISTE O PRESENTE – PRESENTE DO PASSADO, PRESENTE DO PRESENTE, PRESENTE DO FUTURO. (SANTO AGOSTINHO)
Uma nova história sempre pode ser construída quando uma criança nasce. Não podemos simplesmente ignorar e desprezar essa magia e esse leque imenso de possibilidades incríveis que são as crianças.
As crianças brasileiras ficam em torno de 5 horas na frente da TV, mais do que na escola em horário regular. Isso é muito tempo de exposição da criança à mídia e a exposição excessiva gera hiperatividade, distúrbios de saúde e violência na infância. Um bom exemplo, é o fumo. Ele não aumenta a chance de câncer? A exposição da criança à violência aumenta os casos de violência na infância e a violência tira a criança do convívio social. Além disso, a privação ao direito de imaginar está impedindo que as crianças consigam se ver no futuro e continuar a repetir o modelo atual de mídia que atinge as crianças – promoção de consumo a qualquer custo – , será um grande desastre.
O mundo adulto é a maior dificuldade pois repetimos conceitos prejudiciais já instituídos no mundo em que vivemos. Depressão e os modelos inatingíveis de beleza (e magreza), por exemplo, estão aí para todos verem todos os dias na tela da TV. No mundo corporativo, por exemplo, é comum tratar os profissionais como executivos. O que são os executivos? São aqueles que matam. Nada mais que um reflexo da realidade competitiva do atual mercado de trabalho: um executando o outro. E as crianças repetem os nossos modelos.
No caso dos alimentos, a coisa fica mais séria de forma comprovada através de estudos. Alimentos dominam a publicidade voltada para crianças e a maioria esmagadora desses alimentos não são recomendados para as crianças.
MARKETING CRIA VONTADE DE CONSUMIR – CRIA DEMANDA


A cultura geral do consumo prega a capacidade e a vontade de consumir como sendo uma ESCOLHA e, sendo assim, isso é uma coisa boa para a sua vida pois ter direito à escolha é sinônimo de boa vida. E isso é estendido á infância como sendo um direito da criança.
Mas é realmente uma escolha?

Os adultos têm o dever de contestar. Que criança queremos ter?
A mídia dentro do programa infantil, muitas vezes, não permite à criança diferenciar o marketing em si do programa que ela está assistindo. E a associação de um produto ou alimento ao seu herói ou personagem de TV favorito, é imediata. As embalagens feitas para atrair as crianças e a associação de alimentos com poucos nutrientes a brinquedos, também são armadilhas que afetam a preferência da criança e elas importunam os pais para conseguir o que querem.

A publicidade sabe disso.

A imagem é poderosa e a TV aberta é gratuita e de fácil acesso, está dentro da casa da gente. Sem contar que os responsáveis pelas crianças também são influenciados pela mídia.
Crianças levam hábitos adquiridos durante a infância até a idade adulta, assim como o peso excessivo é levado ao mundo adulto. A obesidade será uma das principais causas de morte no futuro.
Mais de 20 países tem política de marketing de alimentos para crianças mas o conteúdo deixa a desejar, não são claras e são contestáveis, o que realmente as impede de serem eficazes no seu propósito.
O que deve conter essas políticas?

Proteção à saúde da criança. Ponto. E não podemos pensar nisso somente para o futuro, porque na realidade o futuro nunca chega. Precisamos defender a criança, agora, no presente, através de uma sociedade civil organizada onde a legislação seja apoiada por profissionais (como pediatras, pedagogos, psicólogos, professores, etc.) que entendam e respeitem a infância.
A Lei de Proteção aos animais antecede as leis de proteção às Crianças e, no passado, muitos advogados usavam as leis de proteção aos animais para defender as crianças.
1883 – Congresso internacional de Proteção à Criança (Paris)
1924 – Declaração de Genebra
1959 – Declaração dos Direitos da Criança
1989 – Convenção dos Direitos das Crianças (ONU)


A Lei Brasileira representa um grande avanço pois o ECA – Estatuto da Criança e do Adolescente derruba por terra o argumento normalmente usado como: “melhor interesse da criança”, pois define que a criança tem que ter prioridade absoluta.
O respeito aos direitos das crianças é uma questão social. A TV Cultura, após denúncia, parou de veicular publicidade em sua programação infantil e viu-se diante de um enorme rombo em seu orçamento e isso os levou a buscar outras alternativas.
É importante incentivar estudos para nos basear em fatos concretos e não em “achismos” ou preferências. Ressaltar pontos positivos da mídia e regulamentar pontos negativos. Merchandising social, por exemplo, é positivo quando promove inclusão de crianças com Síndrome de Down como personagem de novela, pois sucinta debates e permite objetivar discussões a respeito de um tema importante para o desenvolvimento de uma sociedade sadia.
O diálogo na família também é importante e as crianças são aptas a entender os argumentos em prol do planeta pois esta é uma questão atual em seu universo e vem de encontro direto ao consumo consciente.
A escola ainda ignora a mídia como assunto e não se vê conversas dentro do ambiente escolar sobre propaganda, marketing e companhia. Os pais e a escola devem incentivar a criança a construir a brincadeira ao invés de serem meras espectadoras (através de rádio comunitária, montagens teatrais, elaboração de jornais, etc) passando-as a atores ao invés de platéia. Transformando-as em seres auto-crítico (“isso eu não quero assistir.”).
Compartilhar responsabilidades entre escolas, pais, empresas e sociedade é fundamental para avançarmos e respeitarmos a infância.

Palestrantes:
Ilan Brenman [Abertura] Mestre e Doutor pela Faculdade de Educação da Universidade de São Paulo (USP), bacharel em psicologia pela Pontifícia Universidade de São Paulo (PUC-SP), autor de mais 25 livros (muitos premiados). Atualmente, é considerado um dos mais importantes e renomados contadores de história do país.
Corinna Hawkes [Palestrante] É atualmente professora convidada do Departamento de Nutrição da Escola de Saúde Pública da Universidade de São Paulo e pesquisadora visitante do Centro de Políticas de Alimentação da City University, em Londres. Foi presidente do Grupo de Especialistas em Marketing de Alimentos para Crianças, da OMS.

Guilherme Canela [Palestrante] Bacharel em Relações Internacionais pela Universidade de Brasília (UnB) e mestre em Ciência Política pela Universidade de São Paulo (USP). Coordena a área de Comunicação e Informação do Escritório da Unesco no Brasil.

Cenise Monte Vicente[Palestrante] Mestre em Psicologia Social, foi coordenadora executiva da Comissão Teotônio Vilela de Direitos Humanos, Secretária Municipal de Promoção Social de Campinas e co-autora de vários livros. É consultora em direitos da criança e em responsabilidade social.

Inês Vitorino Sampaio [Mediadora] Graduada em Ciências Sociais pela Universidade Federal do Ceará (UFC). Mestre em Sociologia pela UFC e doutora em Ciências Sociais pela Universidade Estadual de Campinas (Unicamp). É professora do Mestrado em Comunicação da UFC e autora do livro “Televisão, publicidade e infância”.

Outros links:
Encontro internacional discute marketing infantil – Conferência Internacional de Marketing Infantil reúne publicitários, pesquisadores, empresários, representantes da área de marketing para discutir o cenário da publicidade infanto-juvenil


Tv Cultura – Instituto Alana notifica canal educativo por considerar inadequada publicidade dirigida às crianças

Convido as amigas blogueiras abaixo a postar suas opiniões sobre o assunto e convido-as a convidarem também blogueiras amigas para postarem :

Lucia Malla http://www.interney.net/blogs/malla/

Lúcia Freitas  http://www.ladybugbrazil.com/

Thaís Saíto  http://blogvidaverde.blogspot.com/

Nosso debate – publicidade Infantil, proibir ou não:

Parte 1: http://futurodopresente.com.br/blog/index.php/2010/03/forum-crianca-e-consumo-dia-1honrar-a-infancia/

Parte 2: http://futurodopresente.com.br/blog/index.php/2010/03/publicidade-infantil-proibir-ou-nao-parte-ii/

Parte 3:  http://futurodopresente.com.br/blog/index.php/2010/03/3217/

Mais posts :

Fórum Criança e Consumo:

http://futurodopresente.com.br/blog/index.php/2010/04/forum-crianca-e-consumo-dia2parte3/

http://futurodopresente.com.br/blog/index.php/2010/04/criancas-como-cidadaos-ou-criancas-como-consumidores/

http://futurodopresente.com.br/blog/index.php/2010/04/forumcriancaeconsumodia2refletiroconsumo/

http://futurodopresente.com.br/blog/index.php/2010/03/forum-crianca-e-consumo-dia-1-continuacao/

http://futurodopresente.com.br/blog/index.php/2010/03/forum-crianca-e-consumo-dia-1honrar-a-infancia/

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