Autismo: 10 perguntas para Simone Zelner, Mãe.

simonegabi10 perguntas são pouco para conseguir resumir a luta de Simone Zelner, 35 anos, Nutricionista formada com especialização em Saúde Coletiva que sempre sonhou ser mãe e desde menina sabia que teria pelo menos um menino e que ele se chamaria Gabriel (Do hebraico “força de Deus), nunca se viu mãe de menina…engravidou, fez todos os planos, seu filho nasceu lindo e saudável, mas com cerca de um ano e meio ele não parecia se desenvolver normalmente. Não se considera uma guerreira, acredita que faz apenas que faz o que qualquer mãe que tem um filho com necessidades especiais faria :) Se considera sim privilegiada, por poder proporcionar atendimento especializado ao seu filho e aprender com ele todos os dias.

1- Quando você começou a perceber que seu filho talvez pudesse ser especial?
Gabriel nasceu e nos primeiros meses de vida parecia se desenvolver normalmente, começou a adquirir a linguagem na época certa, mas pronunciava as palavras e até frases de uma maneira “estranha” sempre meio cantada e arrastada. Tinha um vocabulário limitado com um repertório de umas 5 palavras, que sempre eram substituídas a medida que ia adquirindo outras. Com cerca de 18 meses todas as palavras sumiram, passou a se isolar, não dar atenção todas as vezes que era chamado, surgiram manias como enfileirar brinquedos e girar incansavelmente ao redor de si mesmo, perdeu o interesse em se relacionar com outras crianças – procurava mais os adultos, enfim começamos a achar que tinha problemas de audição. Procuramos um neurologista, que descartou autismo, porém meu instinto de mãe dizia que isso não podia ser normal, os poucos períodos de psicologia na faculdade me deram algum embasamento para que eu achasse que era autismo, e por isso insisti com vários (inúmeros) médicos.


2- Você disse que seu menino desenvolveu bem quando bebê. Ouve uma regressão?

Algumas teorias sobre as causas do autismo apontam para isso, mas particularmente não acho que seja 100% certo. Para pais de “primeira viagem” tudo o que seu bebê faz é lindo, conosco não foi diferente, porém hoje, olhando para trás percebemos que Gábi já demonstrava algumas características desde que nasceu. Na maternidade, o sistema era de alojamento semiconjunto, em alguns momentos o bebê era levado para o berçário para ser trocado. Meu filho era sempre o último a voltar entre todos os bebês, pois era o menos chorão. As enfermeiras aprontavam e traziam os que eram mais agitados e os que choravam mais primeiro e deixavam os mais tranqüilos por último. Outro detalhe, desde bem novinho tinha um “apego por objetos não convencionais”- eu achava lindo que com 6 meses ele andasse agarrado com uma nécessaire alaranjada. Quando sentadinho batia incansavelmente seu pezinho gordinho (tipo pão bisnaguinha) contra o bebê conforto. Nunca segurou um biscoito e se segurava, a última coisa que fazia era levá-lo até a boca. Eram sinais que na época passaram desapercebidos, as alegrias eram maiores e não chamariam a atenção de nenhum pai ou mãe coruja, mas foram mostras bem sutis que ele nos deu desde bem cedo. Com o passar do tempo, as diferenças começaram a ficar mais marcantes e notórias, como acontece agora, aos 7 anos: fica muito mais claro que ele tem dificuldades, afinal ver um meninão de quase 1,35cm pulando, gritandinho e abanando suas mãozinhas sai um pouco dos padrões aos quais estamos acostumados.

3- O diagnóstico de autismo infantil foi rápido?

O diagnóstico de fato, com laudo, veio quando Gabriel já estava com mais de 4 anos de idade, vários neurologistas, milhões de exames e rios de lágrimas depois. Não existe exame que diga se seu filho tem autismo, todos (laboratoriais, de imagem, de visão, audição, testes genéticos…) servem apenas para descartar possíveis causas físicas que possam explicar ou justificar os comportamentos e o atraso no desenvolvimento neuropsicomotor. Durante muito tempo ouvia que meu filho tinha “pautas autistas”… algumas características de autismo, mas não tinha autismo propriamente dito. Cheguei a ouvir que “seu filho não pode ter autismo! Veja só: ele está olhando nos seus olhos e lhe abraçando” Esse é o pior período, uma época de “luto” onde tive a impressão que meu filho estava ali, mas que a sua essência, sua alegria, o seu EU estava indo embora.

4- Quais são as dificuldades que uma criança com autismo apresenta?
Pessoas com autismo (gosto de dizer assim e não autistas, afinal elas não são a síndrome que têm) apresentam dificuldades de socialização, imaginação e comunicação o que leva a graves problemas de comportamento. Por isso é comum acharem que seu filho é mal educado por dar “pitis” em locais públicos, mas imaginem uma criança que não fala, que não sabe mostrar o que quer ou o que a está fazendo mal a ela? Sua única saída é o choro…são como os bebês que choram para dizer que estão com fome, dor, sede…medo! Outra grande dificuldade são as alterações sensoriais que apresentam: sons altos, locais muito movimentados, o toque de outras pessoas, uso de sapatos, certas texturas de roupas, cortar as unhas e cabelos, pode ser muitas vezes doloroso para eles.

5- Crianças/pessoas com autismo gênios dos cálculos e da matemática?
Existem muitos mitos sobre o autismo, um deles é de que todos são gênios, fazem cálculos complicadíssimos rapidamente ou que decoram listas telefônicas e fazem contagem de cartas e palitos de dente com exatidão. O filme “Rain Man” mostrou esse lado, que realmente pode existir, porém nem todas as pessoas com autismo são assim, muitas delas apresentam um déficit cognitivo associado, a ausência da fala em muitos casos é um sinal de que existe algum déficit.
6- Existem locais específicos para tratamento especializado de crianças com autismo?
Sim, no geral pessoas com autismo precisam de uma maneira específica para desenvolver suas habilidades e conseguirem o máximo do seu potencial de aprendizado. As terapias comportamentais são as que apresentaram maior resultado no caso do meu filho, ele é atendido dentro da metodologia TEACCH (Treatment and Education of Autistic and related Communication Handicapped Children), que consiste no ensino estruturado. Pessoas com autismo são muito visuais, portanto entendem e aprendem com maior facilidade quando recebem orientação visual, se sentem mais seguras e sabem o que é esperado delas, essas referências visuais lhes dão previsibilidade. Mas existem outras técnicas e linhas de tratamento.
7- Se o seu filho não fala, como ele se comunica com você? Como saber o que ele precisa?
Comunicação não é só fala, são sinais, gestos, expressões corporais. Existe uma forma de comunicação alternativa que foi criada para as pessoas com autismo: é o PECS (Picture Exchenge Comuncation System) que é o uso de cartões de referência para a solicitação daquilo o que ele deseja ou precisa. É um método simples, barato e eu diria universal, pois através dessa troca, meu filho pode pedir qualquer coisa para qualquer pessoa e ela com certeza entenderá, pois as referências apresentam desenhos e a palavra escrita, assim como pode pedir através de rótulos, revistas, gravuras. Falei anteriormente que a falta da comunicação gera sérios problemas de comportamento (birras e pitis) desde que Gabriel começou a utilizar o PECS, está muito mais tranquilo e menos ansioso, pois sabe que não precisa se jogar no chão ou gritar para conseguir aquilo que precisa. O Método lhe deu mais autonomia já que não precisa de uma pessoa que saiba “fazer a leitura” do seu comportamento para entender suas necessidades.

8- Existe muito preconceito com as pessoas com autismo?
Sem dúvida, o autismo ainda é uma síndrome pouco conhecida e não existe nenhum estigma físico que denuncie que uma criança tem o problema. Tudo o que não é conhecido gera preconceito. Não são raras as vezes que passam por crianças mimadas e nós passamos por pais relapsos e permissivos demais. Não é fácil controlar uma criança que não entende bem algum pedido ou comando verbal, que não tem medo do perigo ou noção de certo ou errado, no geral eles são muito agitados e hiperativos e seus maneirismos característicos acabam gerando receio, muitas pessoas têm medo de que eles se tornem agressivos e acabam tirando outras crianças e perto com medo de que possam se machucar. Há muita dificuldade em circular por locais públicos, os “olhares” de reprovação estão por todos os lados! Transporte público, shoppings, restaurantes, parques… Por isso é que precisamos de maior visibilidade, espaços como esse que a Ana está cedendo e em outras mídias, que tragam a informação à sociedade e reproduzam esse conhecimento.

9- Seu filho frequenta escola especial? E a Inclusão Escolar?
Sim, meu filho freqüenta diariamente uma clinica especializada em atendimento para pessoas com autismo (carinhosamente chamamos de escola também), onde recebe todos os atendimentos integrados (fisioterapia, fonoaudiologia, pedagogia, musicoterapia, terapia ocupacional, etc) Esses atendimentos centralizados num único local facilitam muito, pois além de não termos que ficar procurando terapeutas que trabalhem com a mesma metodologia, sabemos que o atendimento será de acordo com as necessidades específicas dele, com maior ênfase nos pontos de maior necessidade. Até o mês passado estava frequentando em contra-turno uma classe regular, com a presença de uma acompanhante, não é uma tarefa simples, embora a escola não precise se nenhum diferencial em termos de estrutura física, é preciso que o currículo seja adaptado, que as atividades sejam estruturadas e pensadas de acordo com as necessidades que ele apresenta. As escolas o geral não estão preparadas para receber crianças com autismo e com as particularidades que lhes são características. Não se espera que nenhuma escola saiba trabalhar de pronto com uma criança com autismo, mas a vontade de aprender com ele é fundamental. É preciso muito empenho para que a acompanhante e o professor desempenhem cada um o seu papel, a acompanhante é uma facilitadora da relação professor-aluno. Nesse último trimestre ele não está mais frequentando a classe regular, pagar a clinica, as terapias adicionais, uma escola particular e uma acompanhante terapêutica, transporte…não é tarefa fácil!!! A inclusão Escolar acontece sim, mas não é nada fácil. Mas já estou empenhada para o próximo ano letivo!
10- O tratamento do seu filho é pago de alguma forma pelo Estado? Existem políticas públicas para atender pessoas com autismo e suas famílias?
Não, todo o tratamento especializado que meu filho recebe é integralmente particular. Mesmo vivendo numa capital, o atendimento para pessoas com autismo é bem restrito. São poucas escolas especiais para uma procura muito grande. Dentro da metodologia TEACCH, só existe a clinica que meu filho frequenta. Não existe políticas específicas que amparem as famílias e suas crianças, em alguns estados, como no Ceará, Rio de Janeiro e Paraíba, isso já é realidade pelo menos no papel, não sei como anda a execução desses direitos. Ainda há um longo caminho a ser percorrido nesse sentido e só a união das famílias que fará a diferença!
11- O que espera e quais as expectativas e como acha que será o futuro do seu filho?
O autismo é uma Síndrome onde o que mais existe, são as incertezas. Não há nenhuma criança com autismo que tenha um futuro certo, ou que se desenvolva da mesma maneira que outra. Sabemos que desde que estimuladas de forma correta, e com intervenção precoce, podem sim ter um bom futuro. Não por quanto tempo, ou até quando frequentar uma escola regular será válido, o fato é que na fase da sua vida está sendo bom, talvez não consiga se alfabetizar ou ser um grande “doutor”…mas quem pode me dar certeza?! Por essa razão, acredito que pensar no futuro só trás insegurança, incertezas e medos que talvez não se concretizem. Ou seja, é sofrer por antecipação. Hoje não penso muito além não, não me permito imaginar meu filho adulto, tenho procurado viver cada dia. Seu desenvolvimento é bem irregular, existem fases ótimas e produtivas, e outras em que parece que tudo está desandando, sei que ele está crescendo e amadurecendo também, por isso cada alegria e cada vitória supera os maus momentos, aqueles de irritação, gritos, agitação, manias, estereotipas (comportamentos de auto-estimulação com movimentos repetitivos do corpo ou de objetos)…meu filho é muito amoroso, abraça, beija, gosta de estar com outras crianças, me mostra todo dia que é feliz!!!!! Para ele não são necessárias roupas da moda ou de marca, brinquedos caros ou aqueles que viu na TV… apenas importa se amado :) Preciso mais do que isso?! O passado ficou para trás, o presente está aqui para ser vivido da melhor maneira e o futuro a Deus pertence!

Leia +:

audiência pública estadual buscando benefícios para as pessoas com Autismo na Assembléia Legislativa do RJ (ALERJ) 17/11 das 10:00-12:00

Quem quiser conversar ou acompanhar a Simone e o Gábi, basta vistar o Blog do Gábi:

http://www.novoblogdogabi.blogspot.com

Autistas ganham centro de tratamento na rede pública do Rio

http://g1.globo.com/Noticias/Rio/0,,MUL1333036-5606,00-AUTISTAS+GANHAM+CENTRO+DE+TRATAMENTO+NA+REDE+PUBLICA+DO+RIO.html

TEACCH, seus princípios e objetivos.

http://www.cedapbrasil.com.br/portal/modules/mastop_publish/?tac=TEACCH_-_Princ%EDpios_e_objetivos

fotos dos paineis utilizados:

http://novoblogdogabi.blogspot.com/2009/11/calendario-e-paineis.html

O vídeo que tem uma eplicação em bacana de como é a comunicação alternativa:

http://novoblogdogabi.blogspot.com/search/label/4%C2%AA%20fase%20PECS

vídeo sobre diagnóstico precoce de autismo em bebês http://www.megaupload.com/?d=YAOL81II

Crianças Especiais e Excepcionais – P2

Conforme combinado, segue o artigo da Antonia Yamashita:

“Eu diria que ter uma criança com deficiência é como nascer de novo, pois você passa a fazer parte de um novo mundo. Um mundo onde somos minoria, onde só nós conhecemos, e, mesmo entre nós poucos adotam a causa. Poucos fazem questão de lutar em busca do nosso lugar.”

Hoje quando nasce uma criança os parentes e amigos se mobilizam até o hospital para conhecê-la e esperá-la junto à família. É uma verdadeira festa. Todos comemoram com muita alegria o nascimento daquele novo ser. Porém, quando alguma coisa não sai como o esperado e a criança vem com alguma deficiência tudo se transforma; começando com a visita dos amigos e parentes que nem chega a acontecer. Na verdade, a princípio nem há muito o que comemorar. Em geral, o nascimento de uma criança com deficiência traz consigo um misto de profunda tristeza, decepção, revolta, culpas, questionamentos sem respostas…, pois o pai, a mãe e a família toda espera sempre que nasça uma criança saudável.

É um momento decisivo para a família. São segundos que marcarão o futuro destas pessoas para sempre. São instantes de perdas irreparáveis. Rapidamente a família acorda de um sonho maravilhoso e tem que reestruturar uma realidade da qual ela não tem o menor domínio. É preciso que os laços familiares estejam bem estruturados para não desmoronarem diante deste acontecimento, pois fatalmente haverá uma alteração em todas as áreas de suas vidas. Sentimentalmente ocorre uma grande confusão diante do ocorrido, então, surgem as perguntas: Porquê comigo? Será castigo? Justo o meu filho! A área financeira também será abalada, pois o custo dos tratamentos de uma criança com deficiência é muito alto. No caso das famílias que possuem uma vida financeira mais frágil, a situação se torna ainda mais crítica.

Passado a fase inicial, é hora de levar a criança para casa. Muitos pais na verdade não tem ciência da real situação do bebê. A maioria dos hospitais não preparam os pais para enfrentar e aceitar a deficiência de seu filho. Em alguns casos, esta não será sequer notada durante os primeiros meses de vida, sendo percebida apenas durante seu desenvolvimento, e isso, a longo prazo. O relacionamento entre o casal, parte fundamental da família, também é afetado. A mãe geralmente é quem mais se dedica à criança. Muitas vezes entram em uma outra dimensão – num mundo de sofrimento e dor – e não conseguem sair, esquecendo da vida que sempre existiu. O pai é quem mais se afasta. Como mostram as pesquisas, a maioria acaba por abandonar a família; muitos por acharem que não tem condições de enfrentar a situação.

Com o passar do tempo e com a ajuda do cuidador, a criança vai ampliando seus contatos sociais, e aproxima-se o momento de conquistar outros espaços fora do seu meio familiar…. É o contato com a sociedade. Geralmente, esse primeiro contato se dá na ida para creche ou escolinha. A família enfrenta neste período a dificuldade da aceitação e convivência com a criança deficiente. Esse momento como não poderia deixar de ser, mexe muito com o sentimento da família. É preciso ser forte para buscar seu lugar em meio a uma sociedade completamente despreparada para lidar com o diferente. Toda família tem seu lugar na sociedade, com a liberdade de escolher onde seus filhos vão estudar, passear e morar; tudo de acordo com suas condições.

A família na qual um dos membros possui alguma deficiência sente com mais intensidade as dificuldades nas coisas mais comuns e simples da vida como estudar, trabalhar, passear…. E acabam fazendo uma triste opção… Algumas famílias desistem dos locais comuns e optam por colocar seus filhos em escolas especiais, impedindo que ele cresça por outros meios; o da convivência em sociedade.

Na minha opinião tal ação dificulta ainda mais a inclusão. Ao impedir o contato entre as pessoas diferentes cria-se a ilusão de uma sociedade perfeita; entretanto ao levantarmos esta cortina enxergamos uma sociedade com bases e raízes tão frágeis, que talvez por medo do contato com a realidade, acaba se escondendo atrás de pré conceitos fundamentados na falta de informação e conhecimento.

Passados os acertos, entendimentos, desentendimentos…chegando a aceitação do inevitável, agora a família parte para uma nova conquista; a do seu lugar na sociedade; lugar que não existe. Ao mesmo tempo que se criam leis para melhorar a vida do deficiente, estas não são postas em prática e quando são apresentam-se de maneira incorreta e em pequenas partes. (literalmente em doses homeopáticas!!)

Apesar de todo desconforto que sentimos, ainda assim mesmo acredito que vale a pena; vale a pena continuar; pelo meu, pelo seu, e por todos os filhos e filhas que a vida poderá nos proporcionar …mas para isso é preciso darmos as mãos e mostrar a nossa importância no mundo; pois também nossos filhos tem o direito ao respeito, à ética, á dignidade e à cidadania.

É nesta sociedade que está inserida a família do deficiente.
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Texto cedido pela própria autora Antônia Yamashita

Crianças Especiais e Excepcionais – P1

Falamos de filhos, de seu futuro, do nosso futuro, preocupações e outras coisas, mas nunca abordamos as crianças especiais e/ou excepcionais e seus pais.

Fiquei pensando como se sentem estes pais, em relação a seus filhos que precisam de constante atenção.

Não deve ser fácil.
Mas de todos os casos que tive conhecimento, estes pais são orgulhosos em dizer e mostrar o quão poderosos são estas criaturas que vem para este mundo com tantas debilidades e conseguem sobreviver e viver assim.

Vidas delicadas sim, mas não menos importantes.

Sempre que estamos gerando uma vida nova, descartamos a possibilidade de que este novo fruto tenha alguma imperfeição, e agradecemos quando o vemos e ele está, digamos assim “direitinho”. Mas, e se ele nascesse com algum problema?

Ele é seu filho, ponto, e eu acredito que ele não veio para este mundo a toa. Veio para aprender e nos ensinar muitas coisas e mostrar também para os outros que o nosso mundo é feito de diferenças. Claro que é bonito de falar, mas difícil de vivenciar isto. Por tal razão resolvi abordar este tema. Acredito que também tenhamos que mostrar como é este mundo, que em muitos casos vive à margem de nossas vidas.

Temos que falar das escolas que aceitam pessoas com algum tipo de deficiência, das ruas e prédios planejados para os cadeirantes, dos ônibus e taxis também preparados para este fim, das ruas que deveriam ter acessos especiasi, ou quando os tem lá estão camelôs ou carros estacionados irregularmente, impedindo assim o livre trânsito destas pessoas.

E também não esquecer como se comportam suas famílias, como vivem, como passam, do que precisam, suas carências e principalmente de onde tiram forças para vencer cada dia.

Falando nisso, eu gostaria de comentar sobre uma pessoa, a Antonia Yamashita, que faz um trabalho muito incrível, direcionado para estas familias, e que tem um filho com paralisia cerebral. Uma mulher forte, e que mesmo com todas as dificuldades, encontrou energia para criar um projeto que pretende ajudar os pais e pessoas que sofrem com mesmas dificuldades, é o Projeto PAPE (Projeto de apoio aos Pais Especiais). Além de escrever um livro, ter este projeto junto com o marido ela escreve artigos para revistas e internet sobre o asunto, e um deles estará no nosso próximo post.

Vamos pensar mais sobre isso.
Vamos lutar mais sobre isso.
Vamos falar mais sobre isso.

Continua na segunda-feira
__________________________________________________________________________________ Cristiane A. Fetter