Dia 22 de setembro foi o Dia Mundial sem Carro. Nós nos planejamos para ficar em casa e , se precisasse, sair por perto, sem carro (farmácia, padaria…). Contudo, por motivo de força maior, tivemos que sair. E ir longe.
Sair de ônibus, não daria, porque estamos a uns 500 metros do ponto. Na ida tudo bem, mas e a volta com as crianças cansadas mais a bolsa pesada…?
E se chovesse? Não dá.
Então, fomos de carro até a estação das barcas, onde deixamos o carro num estacionamento. Esse já é por si só um passeio lindo, já que estamos atravessando a Baía da Guanabara e vendo toda a beleza e exuberância do Rio de Janeiro.
Chegando ao centro, estamos na praça XV, local onde desembarcou a Família Real em 1808. Daí pra frente, o Rio é pura História.
Nosso plano era pegar o metrô até a Tijuca, contudo, como passar pelo Paço Imperial sem entrar? Entramos!
E ali encontramos um bistrô, salas de cinema…enfim…um centro cultural onde no passado foi a Casa da Moeda (e lá é possível ver as ruínas dos fornos), posteriormente residência da Familia Real até ela partir para o exílio e onde foi assinada a Lei Áurea pela Princesa Isabel. E as crianças correndo onde D. Pedro I pisou…rs
Saímos dali rumo ao metrô.
Mas como seguir sem entrar no Palácio Tiradentes atual Assembléia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (ALERJ). Lá uma exposição de fotos mostra a trajetória política da casa e é possível andar livremente por dentro das dependências do Palácio que já foi a sede do Congresso Nacional quando a capital ainda era o Rio de Janeiro.
Tiramos fotos e mais fotos daquela arquitetura belíssima, do plenário e das maquetes, que mostram que antes da construção do atual prédio, ali funcionava a Cadeia Pública de onde saiu em 21 de abril de 1792, condenado e caminhando pelas ruas do centro da cidade, Joaquim José da Silva Xavier, o Tiradentes, para ser enforcado no Largo da Lampadosa.
Saímos extasiados de tanta cultura e tudo isso de graça!
Dali fomos pela Rua da Assembléia, onde passou Tiradentes a caminho da forca, fazer um lanche porque a fome era de matar! Que piadinha infame…
E trocar fralda, fazer xixi e sentar um pouco porque ninguém é de ferro!
Depois, metrô até a Tijuca. Que as crianças adoraram! Andaram de trem pela primeira vez!
Na volta, pretendíamos pegar um ônibus até a estação das barcas mas um tiroteio começou em alguma proximidade de onde estávamos. Apenas ouvimos os tiros que deviam sair de algum morro ali perto (a Tijuca é cercada de morros). Resolvemos entrar no metrô (vai que descem o morro e começam a atear fogo em algum ônibus?). E entramos na mesma estação onde há 4 anos, Gabriela foi assassinada num tiroteio. Isso é o Rio de Janeiro…
E aí, outro trajeto de “trem” que as crianças curtiram mais ainda.

No centro, muito movimento, apesar de ser final de um dia de um sábado.
E voltamos para casa de barca, com as crianças dormindo, nós dois mortos e todos felizes porque fizemos um passeio maravilhoso. E embora tenhamos usado o carro, reduzimos nosso trajeto em 70%, usando estritamente o necessário.
Leia mais:
Ibope faz balanço do Dia Mundial Sem Carro
http://planetasustentavel.abril.com.br/noticia/conteudo_254982.shtml
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Texto de Ana Cláudia Bessa
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