Autismo: 10 perguntas para Simone Zelner, Mãe.

simonegabi10 perguntas são pouco para conseguir resumir a luta de Simone Zelner, 35 anos, Nutricionista formada com especialização em Saúde Coletiva que sempre sonhou ser mãe e desde menina sabia que teria pelo menos um menino e que ele se chamaria Gabriel (Do hebraico “força de Deus), nunca se viu mãe de menina…engravidou, fez todos os planos, seu filho nasceu lindo e saudável, mas com cerca de um ano e meio ele não parecia se desenvolver normalmente. Não se considera uma guerreira, acredita que faz apenas que faz o que qualquer mãe que tem um filho com necessidades especiais faria :) Se considera sim privilegiada, por poder proporcionar atendimento especializado ao seu filho e aprender com ele todos os dias.

1- Quando você começou a perceber que seu filho talvez pudesse ser especial?
Gabriel nasceu e nos primeiros meses de vida parecia se desenvolver normalmente, começou a adquirir a linguagem na época certa, mas pronunciava as palavras e até frases de uma maneira “estranha” sempre meio cantada e arrastada. Tinha um vocabulário limitado com um repertório de umas 5 palavras, que sempre eram substituídas a medida que ia adquirindo outras. Com cerca de 18 meses todas as palavras sumiram, passou a se isolar, não dar atenção todas as vezes que era chamado, surgiram manias como enfileirar brinquedos e girar incansavelmente ao redor de si mesmo, perdeu o interesse em se relacionar com outras crianças – procurava mais os adultos, enfim começamos a achar que tinha problemas de audição. Procuramos um neurologista, que descartou autismo, porém meu instinto de mãe dizia que isso não podia ser normal, os poucos períodos de psicologia na faculdade me deram algum embasamento para que eu achasse que era autismo, e por isso insisti com vários (inúmeros) médicos.


2- Você disse que seu menino desenvolveu bem quando bebê. Ouve uma regressão?

Algumas teorias sobre as causas do autismo apontam para isso, mas particularmente não acho que seja 100% certo. Para pais de “primeira viagem” tudo o que seu bebê faz é lindo, conosco não foi diferente, porém hoje, olhando para trás percebemos que Gábi já demonstrava algumas características desde que nasceu. Na maternidade, o sistema era de alojamento semiconjunto, em alguns momentos o bebê era levado para o berçário para ser trocado. Meu filho era sempre o último a voltar entre todos os bebês, pois era o menos chorão. As enfermeiras aprontavam e traziam os que eram mais agitados e os que choravam mais primeiro e deixavam os mais tranqüilos por último. Outro detalhe, desde bem novinho tinha um “apego por objetos não convencionais”- eu achava lindo que com 6 meses ele andasse agarrado com uma nécessaire alaranjada. Quando sentadinho batia incansavelmente seu pezinho gordinho (tipo pão bisnaguinha) contra o bebê conforto. Nunca segurou um biscoito e se segurava, a última coisa que fazia era levá-lo até a boca. Eram sinais que na época passaram desapercebidos, as alegrias eram maiores e não chamariam a atenção de nenhum pai ou mãe coruja, mas foram mostras bem sutis que ele nos deu desde bem cedo. Com o passar do tempo, as diferenças começaram a ficar mais marcantes e notórias, como acontece agora, aos 7 anos: fica muito mais claro que ele tem dificuldades, afinal ver um meninão de quase 1,35cm pulando, gritandinho e abanando suas mãozinhas sai um pouco dos padrões aos quais estamos acostumados.

3- O diagnóstico de autismo infantil foi rápido?

O diagnóstico de fato, com laudo, veio quando Gabriel já estava com mais de 4 anos de idade, vários neurologistas, milhões de exames e rios de lágrimas depois. Não existe exame que diga se seu filho tem autismo, todos (laboratoriais, de imagem, de visão, audição, testes genéticos…) servem apenas para descartar possíveis causas físicas que possam explicar ou justificar os comportamentos e o atraso no desenvolvimento neuropsicomotor. Durante muito tempo ouvia que meu filho tinha “pautas autistas”… algumas características de autismo, mas não tinha autismo propriamente dito. Cheguei a ouvir que “seu filho não pode ter autismo! Veja só: ele está olhando nos seus olhos e lhe abraçando” Esse é o pior período, uma época de “luto” onde tive a impressão que meu filho estava ali, mas que a sua essência, sua alegria, o seu EU estava indo embora.

4- Quais são as dificuldades que uma criança com autismo apresenta?
Pessoas com autismo (gosto de dizer assim e não autistas, afinal elas não são a síndrome que têm) apresentam dificuldades de socialização, imaginação e comunicação o que leva a graves problemas de comportamento. Por isso é comum acharem que seu filho é mal educado por dar “pitis” em locais públicos, mas imaginem uma criança que não fala, que não sabe mostrar o que quer ou o que a está fazendo mal a ela? Sua única saída é o choro…são como os bebês que choram para dizer que estão com fome, dor, sede…medo! Outra grande dificuldade são as alterações sensoriais que apresentam: sons altos, locais muito movimentados, o toque de outras pessoas, uso de sapatos, certas texturas de roupas, cortar as unhas e cabelos, pode ser muitas vezes doloroso para eles.

5- Crianças/pessoas com autismo gênios dos cálculos e da matemática?
Existem muitos mitos sobre o autismo, um deles é de que todos são gênios, fazem cálculos complicadíssimos rapidamente ou que decoram listas telefônicas e fazem contagem de cartas e palitos de dente com exatidão. O filme “Rain Man” mostrou esse lado, que realmente pode existir, porém nem todas as pessoas com autismo são assim, muitas delas apresentam um déficit cognitivo associado, a ausência da fala em muitos casos é um sinal de que existe algum déficit.
6- Existem locais específicos para tratamento especializado de crianças com autismo?
Sim, no geral pessoas com autismo precisam de uma maneira específica para desenvolver suas habilidades e conseguirem o máximo do seu potencial de aprendizado. As terapias comportamentais são as que apresentaram maior resultado no caso do meu filho, ele é atendido dentro da metodologia TEACCH (Treatment and Education of Autistic and related Communication Handicapped Children), que consiste no ensino estruturado. Pessoas com autismo são muito visuais, portanto entendem e aprendem com maior facilidade quando recebem orientação visual, se sentem mais seguras e sabem o que é esperado delas, essas referências visuais lhes dão previsibilidade. Mas existem outras técnicas e linhas de tratamento.
7- Se o seu filho não fala, como ele se comunica com você? Como saber o que ele precisa?
Comunicação não é só fala, são sinais, gestos, expressões corporais. Existe uma forma de comunicação alternativa que foi criada para as pessoas com autismo: é o PECS (Picture Exchenge Comuncation System) que é o uso de cartões de referência para a solicitação daquilo o que ele deseja ou precisa. É um método simples, barato e eu diria universal, pois através dessa troca, meu filho pode pedir qualquer coisa para qualquer pessoa e ela com certeza entenderá, pois as referências apresentam desenhos e a palavra escrita, assim como pode pedir através de rótulos, revistas, gravuras. Falei anteriormente que a falta da comunicação gera sérios problemas de comportamento (birras e pitis) desde que Gabriel começou a utilizar o PECS, está muito mais tranquilo e menos ansioso, pois sabe que não precisa se jogar no chão ou gritar para conseguir aquilo que precisa. O Método lhe deu mais autonomia já que não precisa de uma pessoa que saiba “fazer a leitura” do seu comportamento para entender suas necessidades.

8- Existe muito preconceito com as pessoas com autismo?
Sem dúvida, o autismo ainda é uma síndrome pouco conhecida e não existe nenhum estigma físico que denuncie que uma criança tem o problema. Tudo o que não é conhecido gera preconceito. Não são raras as vezes que passam por crianças mimadas e nós passamos por pais relapsos e permissivos demais. Não é fácil controlar uma criança que não entende bem algum pedido ou comando verbal, que não tem medo do perigo ou noção de certo ou errado, no geral eles são muito agitados e hiperativos e seus maneirismos característicos acabam gerando receio, muitas pessoas têm medo de que eles se tornem agressivos e acabam tirando outras crianças e perto com medo de que possam se machucar. Há muita dificuldade em circular por locais públicos, os “olhares” de reprovação estão por todos os lados! Transporte público, shoppings, restaurantes, parques… Por isso é que precisamos de maior visibilidade, espaços como esse que a Ana está cedendo e em outras mídias, que tragam a informação à sociedade e reproduzam esse conhecimento.

9- Seu filho frequenta escola especial? E a Inclusão Escolar?
Sim, meu filho freqüenta diariamente uma clinica especializada em atendimento para pessoas com autismo (carinhosamente chamamos de escola também), onde recebe todos os atendimentos integrados (fisioterapia, fonoaudiologia, pedagogia, musicoterapia, terapia ocupacional, etc) Esses atendimentos centralizados num único local facilitam muito, pois além de não termos que ficar procurando terapeutas que trabalhem com a mesma metodologia, sabemos que o atendimento será de acordo com as necessidades específicas dele, com maior ênfase nos pontos de maior necessidade. Até o mês passado estava frequentando em contra-turno uma classe regular, com a presença de uma acompanhante, não é uma tarefa simples, embora a escola não precise se nenhum diferencial em termos de estrutura física, é preciso que o currículo seja adaptado, que as atividades sejam estruturadas e pensadas de acordo com as necessidades que ele apresenta. As escolas o geral não estão preparadas para receber crianças com autismo e com as particularidades que lhes são características. Não se espera que nenhuma escola saiba trabalhar de pronto com uma criança com autismo, mas a vontade de aprender com ele é fundamental. É preciso muito empenho para que a acompanhante e o professor desempenhem cada um o seu papel, a acompanhante é uma facilitadora da relação professor-aluno. Nesse último trimestre ele não está mais frequentando a classe regular, pagar a clinica, as terapias adicionais, uma escola particular e uma acompanhante terapêutica, transporte…não é tarefa fácil!!! A inclusão Escolar acontece sim, mas não é nada fácil. Mas já estou empenhada para o próximo ano letivo!
10- O tratamento do seu filho é pago de alguma forma pelo Estado? Existem políticas públicas para atender pessoas com autismo e suas famílias?
Não, todo o tratamento especializado que meu filho recebe é integralmente particular. Mesmo vivendo numa capital, o atendimento para pessoas com autismo é bem restrito. São poucas escolas especiais para uma procura muito grande. Dentro da metodologia TEACCH, só existe a clinica que meu filho frequenta. Não existe políticas específicas que amparem as famílias e suas crianças, em alguns estados, como no Ceará, Rio de Janeiro e Paraíba, isso já é realidade pelo menos no papel, não sei como anda a execução desses direitos. Ainda há um longo caminho a ser percorrido nesse sentido e só a união das famílias que fará a diferença!
11- O que espera e quais as expectativas e como acha que será o futuro do seu filho?
O autismo é uma Síndrome onde o que mais existe, são as incertezas. Não há nenhuma criança com autismo que tenha um futuro certo, ou que se desenvolva da mesma maneira que outra. Sabemos que desde que estimuladas de forma correta, e com intervenção precoce, podem sim ter um bom futuro. Não por quanto tempo, ou até quando frequentar uma escola regular será válido, o fato é que na fase da sua vida está sendo bom, talvez não consiga se alfabetizar ou ser um grande “doutor”…mas quem pode me dar certeza?! Por essa razão, acredito que pensar no futuro só trás insegurança, incertezas e medos que talvez não se concretizem. Ou seja, é sofrer por antecipação. Hoje não penso muito além não, não me permito imaginar meu filho adulto, tenho procurado viver cada dia. Seu desenvolvimento é bem irregular, existem fases ótimas e produtivas, e outras em que parece que tudo está desandando, sei que ele está crescendo e amadurecendo também, por isso cada alegria e cada vitória supera os maus momentos, aqueles de irritação, gritos, agitação, manias, estereotipas (comportamentos de auto-estimulação com movimentos repetitivos do corpo ou de objetos)…meu filho é muito amoroso, abraça, beija, gosta de estar com outras crianças, me mostra todo dia que é feliz!!!!! Para ele não são necessárias roupas da moda ou de marca, brinquedos caros ou aqueles que viu na TV… apenas importa se amado :) Preciso mais do que isso?! O passado ficou para trás, o presente está aqui para ser vivido da melhor maneira e o futuro a Deus pertence!

Leia +:

audiência pública estadual buscando benefícios para as pessoas com Autismo na Assembléia Legislativa do RJ (ALERJ) 17/11 das 10:00-12:00

Quem quiser conversar ou acompanhar a Simone e o Gábi, basta vistar o Blog do Gábi:

http://www.novoblogdogabi.blogspot.com

Autistas ganham centro de tratamento na rede pública do Rio

http://g1.globo.com/Noticias/Rio/0,,MUL1333036-5606,00-AUTISTAS+GANHAM+CENTRO+DE+TRATAMENTO+NA+REDE+PUBLICA+DO+RIO.html

TEACCH, seus princípios e objetivos.

http://www.cedapbrasil.com.br/portal/modules/mastop_publish/?tac=TEACCH_-_Princ%EDpios_e_objetivos

fotos dos paineis utilizados:

http://novoblogdogabi.blogspot.com/2009/11/calendario-e-paineis.html

O vídeo que tem uma eplicação em bacana de como é a comunicação alternativa:

http://novoblogdogabi.blogspot.com/search/label/4%C2%AA%20fase%20PECS

vídeo sobre diagnóstico precoce de autismo em bebês http://www.megaupload.com/?d=YAOL81II

Consumismo Criminoso?

bartPara variar, esse assunto começou no Twitter.
Mencionei que achava um absurdo a propaganda que vi, num canal pago infantil, dos bonecos dos Simpsons, feitos para crianças. Afinal, se tem algo que não tem sentido, é achar que o desenho dos Simpsons seja direcionado às crianças. Só a Globo para achar que Simpsons é programa infantil e colocar na grade da manhã! E agora essa propaganda do boneco na TV paga. Aquilo é desenho de adulto. A não ser que queira seu filho imitando o Bart Simpson e arrotando como o pai dele.

Outro ponto mencionado é relativo à propaganda e produtos voltados para o público infantil como o famoso Mc Lanche Feliz e seus brinquedos. Não vou dizer que não compro, que não levo meus filhos e que eles nao gostam. Mas tem um limite enorme aqui em casa. É controlado mesmo. E eles nunca se acostumaram a ver um lanche nesta lanchonete como algo obrigatório ou essencial. É uma tranquilidade, passar na porta e ninguém falar nada. Temos que encontrar o equilíbrio na criação dos filhos, esse é o grande desafio. Mas eu conheço mais de uma criança que tem TODA coleção de brinquedos do McLanche. Uma vez, um casal amigo estava no McD de manhã, porque o filho queria um brinquedo recém lançado.

O problema é o incentivo subliminar ao consumismo que a atitude dos pais ainda vem respaldar no fato de não haver limites para propaganda infantil. Aí, no futuro, temos adultos depressivos, que não se sentem satisfeitos com nada que tem, sempre querem mais e não há satisfação. Porque a industria da publicidade quer é isso mesmo: que a gente queira novidades o tempo todo. Compre, compre, compre….

Fora isso, o consumismo tem consequências mais graves como relata  André Trigueiro em excelente entrevista à CBN onde ele comprova que Consumismo faz com que jovens cometam mais crimes.

Ouça a impressionante entrevista:

Não conseguiu, tente clicando aqui:
http://cbn.globoradio.globo.com/comentaristas/andre-trigueiro/2007/07/22/CONSUMISMO-FAZ-COM-QUE-JOVENS-COMETAM-MAIS-CRIMES.htm

E se pergunte a partir de agora se realmente a propaganda sem controle voltada para o público infantil, que não tem condições de discernir sobre o que é certo ou errado, bom ou ruim, deve continuar acontecendo livremente nos meios de comunicação, principalmente nos intervalos dos programas direcionados às crianças.

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Escola Infantil: 10 Perguntas para Renata Matteoni

p1050510pRenata Matteoni tem 34 anos e era advogada. Era porque depois que se tornou mãe abraçou a causa e parou de trabalhar pra cuidar de sua filha, que hoje está com 3 anos e meio, e não pretende voltar a atuar na área. Escreve em seu blog Pipocando (http://rematteoni.caixadepandora.com.br) sobre o que dá na telha, mas a maternidade e a preocupação com o futuro da humanidade estão, como em sua vida, entre os temas mais recorrentes. E foi capaz de mudar de endereço para morar perto da escola que considerou a melhor opção que poderia oferecer para a educação de sua filha!

1. Como foi sua busca? Visitou muitas escolas?
Foi rápida. Visitei quatro escolas. Três num mesmo dia, e uma – a que escolhi – em outro dia. E a que escolhi já conhecia um pouco. Acho que, ainda que inconscientemente, a escola já estava escolhida, e a visita às outras foi mesmo só pra ter certeza de que tinha que ser aquela.
2. Então você já tinha algo em mente quando começou a procurar?

Tinha uma idéia do que queria numa escola pra minha filha, e a escola que já conhecia e por que no final das contas acabei optando era uma espécie de modelo. Eu já tinha uma admiração pela forma como eles trabalham, mas nunca tinha feito uma visita mesmo, só tinha assistido a palestras e conhecia mães de crianças de lá. Então, depois de visitar as outras escolas marquei a visita com a diretora e foi só a confirmação – pra meu marido também – de que era ali mesmo que a Pipoca tinha que começar sua vida de “estudante”.

3. Quais os critérios que pautaram a escolha?

Posso tentar resumi-los com o seguinte: quero uma escola que respeite o tempo de ser criança da minha filha e que pense no ser humano de forma integral na hora de educar. E que procure educar mentes mais livres. A gente acha que vive com muita liberdade hoje, mas estamos ligeiramente enganados. Porque são, na verdade, tão poucas as escolhas que realmente fazemos de coração. Quero uma educação diferente da que eu recebi, quero minimizar os efeitos da intelectualização precoce a que as crianças estão sujeitas em geral e a Pipoca, em especial, por ter o exemplo em casa de uma mãe que escreve e lê muito. Quero que ela tenha professores afetuosos e preocupados com seu bem estar emocional acima de tudo. Quero que os professores a conheçam e a tratem de acordo, e que não tratem os alunos como se todos fossem iguais. Não quero que minha filha cresça como gado. Quero que ela tenha prazer em aprender e não seja obrigada a decorar as coisas. Isso pode não parecer, mas foi um resumo porque quero muito mais! O que vou falar é meio clichê, mas os pais hoje escolhem o jardim da infância pensando no vestibular, e pensando de uma forma equivocada a meu ver. O respeito pela infância e pela individualidade só pode gerar adultos mais felizes, mais capazes de fazer escolhas conscientes e de encarar os desafios da vida. E isso tudo vai repercurcutir na vida de estudante e profissional deles no futuro…

4. E o que pesou contra as outras escolas visitadas?

Numa delas tudo! rs Crianças ensandencidas correndo por um pátio de grama sintética e cimento, ou em salas de aula escuras, algumas assistindo TV! Crianças tristes, eu achei. As outras não me causaram nenhuma impressão terrível, uma delas inclusive me pareceu até asséptica de tão perfeita e limpa. Mas acho que faltava alma em ambas, não transmitiam a impressão de que havia uma comunidade ali, inclusive numa delas a dona me disse que a participação dos pais era ínfima, até em reunião semestral o quorum era baixo. Como minha filha pode crescer com crianças cujos pais pensam de forma tão diferente da minha quando se trata de filho? Isso nada tem a ver com diversidade (muito pelo contrário, acho diversidade muito importante nas escolas e acredito lá não haveria), mas afinidade de pensamento, de filosofia de vida, especialmente quanto à criação e educação dos filhos…isso considero importante.

5. E a escola escolhida correspondeu às expectativas?

Posso dizer que até o momento sim! inclusive na adaptação eu fiquei com vontade de ser aluninha de lá! Tarde demais, infelizmente.

As crianças são felizes lá, as professoras afetuosas. Nem tudo é perfeito, já esperava encontrar algumas questões, mas me surpreendi com a a rotina da escola, é tudo bem organizado e a rotina muito respeitada, as coisas andam e funcionam muito bem para as crianças. E isso é o mais importante pra mim.
Porém…já observei alguns pontos fracos, vou comentá-los. Aprendi já há algum tempo que objetividade e praticidade não são características facilmente encontráveis em pessoas e instituições alternativas. Não combina, não funciona. E é meio por aí. Já percebi algumas dificuldades na administração financeira, os funcionários contratados são pouquíssmos, pois os próprios professores são responsáveis por determinados asuntos e pais voluntariamente ocupam cargos nas áreas administrativa e financeira, por exemplo. Tenho a impressão de que falta alguem que assuma o papel de administrador, com pulso firme, e estabeleça uma hierarquia na administração da escola. Sabe aquele lugar onde todo mundo trabalha e dá opinião e ninguem consegue decidir nada? Pois é, essa é a sensação que tive. Numa palestra que assisti ouvi sobre a importância de se encontrar em equilíbrio entre autoritarismo (vertical) e a participação de todos (horizontal), são dois extremos. O segredo deve ser mesmo o equilíbrio, o difícil é encontrá-lo.
Tem também aquele perigo do rigor de uma filosofia, do xiitismo. O grande problema é que, quando se acredita muito em algo, quando se idealiza algum pensamento ou pensador, há o risco de perder a capacidade de questionar e no caso a educação livre que se almeja pode virar mais uma prisão, e uma tortura para as crianças. Não estou sentindo isso lá, felizmente. A professora da Pipoca é um doce e muito equilibrada, a escola também não me pareceu radical.
Uma coisa interessante que observei, e que é um ponto fraco e forte ao mesmo tempo: os eventos não primam pela organização, rola muita improvisação, mas são sempre repletos de vida: a participação da comunidade é realmente um grande diferencial, e torna tudo muito mais emocionante. Aqui vale a expressão “feito com amor”.

6. Resumindo, o que você mais gostou na escola?
O mais importante mesmo, como comentei acima, é que na rotina das crianças tudo funciona muito bem. Não tem esse lance de anotar na agenda quantas vezes fez xixi e cocô, por exemplo, parece que a atenção é toda concentrada na a criança de uma outra forma, ela é encarada como um ser único, sua personalidade e seu estado emocional. E achei também bacana a preocupação que percebi com as mães e as familias também. O amor com que as professoras trabalham, o empenho e a dedicação também são dignos de nota. O espaço físico ao ar livre não é ideal, mas tem terra, mangueira, árvores, flores, uma horta vai ser plantada pelas crianças num novo espaço que foi criado, há brinquedos maravilhosos de madeira, e coisas como pernas de pau e corda de pular. Os espaço interno é maravilhoso. As salinhas são muito acolhedoras, parecem casinhas. As professoras falam baixo e cantam muito para as crianças. Elas aprendem a contar colocando a mesa, por exemplo. Tem jeito melhor de aprender?

7. Como funciona a adaptação lá?
Funciona de forma muito livre, mas procura-se um bom senso entre professor e pais. As mães podem ficar quanto tempo for preciso na adaptação, mas se não adaptar a diretora manda a criança voltar pra casa e voltar depois. Um parênteses: percebi que está havendo uma flexibilização em certas posturas que sei que a escola adotava até pouco tempo, uma abertura pra atender a necessidade da comunidade e da própria escola, que precisa crescer pra sobreviver. Nesse ano foi implementado o período integral, das 8 até as 16 horas, pra crianças acima de 3 anos. A escola passou também a aceitar crianças que ainda vão completar 2 anos esse ano, no maternal, mas essas pequenas só podem ficar um período, manhã ou tarde. Crianças como a Pipoca, com 3, deixaram de começar no maternal e passaram a ser jardim, de forma que no jardim há crianças de 3 a 5, 6 anos. No início até estranhei um pouco, mas agora estou achando interessante as crianças vivenciarem a escola dessa forma, acho até positivo para a adaptação dos menores, pois os maiores são de certa forma um exemplo. E acompanhar a própria vivência da professora, de encarar os desafios advindos de administrar uma turma de idades tão diferentes. E na escola os desafios e as ações adotadas pela professora são compartilhadas e discutidas com os pais – aqueles que comparecem às reuniões, claro.
Mas, voltando à adaptação, fiquei poucos dias lá. Por menos de semana fiquei durante toda a manhã, a Pipoca falando comigo só quando me via, em nenhum momento perguntou por mim ou pediu pra me ver. Num belo dia precisei ir ao dentista e conversei com a Pipoca, ela concordou, eu fui e voltei. Depois teve Carnaval e recesso, e ela faltou mais alguns dias porque adoeceu, então no primeiro dia em que ela retornou também fiquei lá um pouco. Depois passei alguns dias chegando um pouco antes de horário da aula acabar e pronto. Mas tem mães do maternal que estão lá até hoje, mais de um mês.

8. Como é a relação custo x benefício?
Em comparação com o que vi e que já ouvi falar, é excelente. A mensalidade é a menor entre as escolas que visitei. Na mensalidade está incluída uma taxa de material e não temos que levar nada extra além das frutas da semana – cada semana um aluninho da turma é reponsável por levar cinco tipos de frutas diferentes para a turma.

9. Você pretende atuar na comunidade?
Estamos conhecendo a escola, a comunidade, como as coisas funcionam. Já participamos de reunião de pais novos, reunião da turma, reunião individual com a professora, assisti duas palestras, bazar e devo começar a participar de um grupo de estudos, que será aberto para pais e amigos. Não cheguei a ir em nenhum mutirão – houveram dois, um para construção de um brinquedo e outro para jardinagem depois de uma obra que aconteceu. Ou seja, ainda não coloquei a mão na massa…rs

10. Você gostaria de deixar uma mensagem para os pais?
Em primeiro lugar acho que não existe escola ideal, cada família deve procurar uma que se adeque melhor a sua filosofia e estilo de vida.
Mas vejo e ouço hoje tantas insanidades quando se fala de jardim da infância que me assusto. Do tipo: “a escola bilingüe X tem a Cultura Inglesa, a Y o Britania, e a Cultura é muito melhor, de jeito nenhum quero que minha filha (de QUATRO anos) tenha um ensino pior de inglês, afinal inglês hoje não é mais diferencial, é essencial”. Ouvi isso ontem à noite, de uma mãe.
Eu, Renata – isso é uma opinião muito minha -, não vejo necessidade de uma criança tão pequena aprender inglês, não vejo o menor problema em ter o inglês introduzido no currículo depois da alfabetização. É fato que criança pequena aprende outros idiomas com mais facilidade que um adulto, mas isso é mais forte quando ela vive em outro país e em outra cultura. Não estou desmerecendo o aprendizado que a criança vai adquirir ouvindo e falando inglês durante a tarde inteira todos os dias da semana, mas não acredito que a que começa a aprender depois vá ficar prá trás. No final das contas, acaba servindo pra pai e mãe exibirem o filho pra amigos e familiares. O diferencial não é inglês ou outros idiomas, mas a educação da criança para o pensamento livre e para que ela seja capaz de fazer escolhas e como você mesma, Ana, falou, enfrentar os muitos desafios que o futuro trará, que não fazemos idéia de quais serão. Esses, pra mim, serão os homens e mulheres bem-sucedidos.
Sobre essa coisa da escola bilingüe, ainda, uma amiga me contou outro dia que anos atrás tirou o filho de uma escola super conhecida no Rio porque a escola estava implementando o ensino bilingüe e num belo dia o menino de 5 anos chegou em casa dizendo pra mãe que queria muuuuito aprender inglês. A escola usando a criança pra vender seu “produto”. Tem coisa mais covarde?
Mas já me extendi muito. Resumo da ópera: o que considero mutio importante e quero colocar é: pais, não escolham a escola de seu filho pensando no vestibular ou no futuro profissional que vocês idealizam para ele. Ou que seus amigos, a TV e a publicidade levam você a idealizar. Lembrem-se de respeitar a infância e não se deixar pressionar pelo filho dos amigos que está na escola trilingüe onde os filhos dos pais mais “poderosos” estudam. Seu filho merece mais que isso, e a humanidade e o planeta no futuro agradecerão.

Parto Domiciliar – 10 perguntas para Dydy

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Dielly Miranda de Souza, mais conhecida como Dydy, é Enfermeira obstetra, uma pessoa que admiro profundamente e convidei-a para falar sobre sua experiência com seus dois partos domiciliares que motivaram seu caminho dentro da obstetrícia, ajudando outras mulheres a viverem seus partos de maneira intensa, romântica e segura.

-Como foi a decisão por seu primeiro parto domiciliar?

Tinha 21 anos e havia acabado de me formar na faculdade de enfermagem, quando engravidei. Não tinha pensando em ter um parto domiciliar, mas queria muito parir com uma colega enfermeira. Quando encontrei a Helô, ela pediu que eu pensasse sobre esta possibilidade e eu sequer hesitei “Em casa? Tá bom.”

-Mas qual seria a grande diferença entre um parto domiciliar e um parto hospitalar humanizado?

Por mais humanizado que seja um parto hospitalar, não podemos esquecer que ele acontece dentro de uma instituição e que tem rotinas a serem seguidas. Muitas maternidades que se dizem humanizadas, não são.

Existem alguns detalhes básicos para serem considerados minimamente humanizados: liberar a dieta durante o trabalho de parto; oferecer analgesia natural como bola, banho, posiçoes alternativas; abandonar a episiotomia de rotina; indução de parto, incentivar alojamento conjunto e mamada logo após o parto…

Isso tudo parece muito simples, mas poucas maternidade tem todas estas atitudes.

E mesmo nestas, há normalmente varias pessoas na sala, os partos acontecem numa mesa ginecologica, fazem aspiração de rotina no bebê, vacinam logo que nascem…

Eu queria ser dona do meu parto. Poder gritar se desse vontade (e não deu), ter pessoas da familia perto ou até mesmo ninguém, trocar carícias com meu marido e viver um evento familiar, não médico.

-Como eram as histórias de parto que voce escutava?

Eu carregava um estigma muito forte familiar, em especial de minha mãe, que sofreu demais em seus partos institucionais altamente medicalizados, cheios de intervenção, com privacidade, segurança e conforto zero.

Praticaram todas as intervençoes possiveis e imaginaveis só para ensinar aos estudantes “como fazer partos”. Soro, kristeller (empurrar a barriga), deitada, episiotomia (corte na vagina), forceps, dieta zero (incluindo sede), varios academicos na sala de parto, afastamento dos bebês por dias e quando tudo terminou, não davam nada para comer porque já era tarde. Sozinha, exausta, com fome e sem bebê. Seus dois partos foram tristes assim.

Fora isso, minha avó tinha uma historia muito legal em seus 5 partos, alguns domiciliares, e o último, uma cesárea, ficou 4 meses internada em coma por reação a anestesia.

Quando eu era adolescente, imaginava que cesárea fosse uma libertação para todo o sofrimento do parto.

Tive que descobrir por mim mesma que parto, mesmo quando dói, pode ser bom, porque traz como nada mais na vida, uma vivência que jamais tive a oportunidade de ter de outra forma.

Mas falta aos profissionais, de maneira geral, esta percepção de que o parto não é legal só fisicamente. Aliás esta a menor das vantagens. O parto aproxima mãe e filho, por causa dos hormônios liberados, e amadurece espiritualmente de uma maneira rápida e forte.

-Como foram seus partos?

O primeiro foi difícil por vários motivos. Estava num momento complicado da minha vida. Além das histórias de parto de minha mãe, vieram à tona muitas questões pessoais que prejudicaram a evolução do parto, tornando-o o mais longo da história de minha parteira.

Acredito piamente que meu emocional contribuiu de maneira negativa para meu parto, mas o parto contribuiu de maneira incisivamente positiva para minha vida.Dormi menina e acordei mulher, como costumo dizer.

Tive rachaduras muito dolorosas no seio, mas aguentei firme, porque via que, se tinha passado pelo parto, poderia aguentar qualquer coisa. E o amamentei por quase 5 anos. Isto me uniu muito ao meu filho, Klauss, hoje com quase 7 anos. Ele nasceu na água, após quase um dia de trabalho de parto e com uma circular de cordão, na presença do pai dele e de minha mãe, Helo e Marilanda, no apartamento onde morava em Macaé. O segundo aconteceu há 14 meses, após uma gravidez planejada, extremamente saudável, quando eu já cursava especializaçao em obstetricia. Hoje brinco que ela fazia partos comigo desde antes de nascer. Eu não sabia o sexo, mas acreditavamos que fosse menina e só conseguiamos escolher nomes femininos e ele veio rapido, Aglaia, uma deusa grega, bela e gloriosa. Perfeito.

Só me dei conta que estava em Trabalho de parto menos de 2 horas antes dela nascer. Liguei pra Helô e achei um exagero quando ela disse que viria. Logo a bolsa rompeu e fomos pra casa. Queria que o klauss assistisse, mas ele dormiu. Tomei banho, vomitei, bebi muita agua. A enfermeira chegou quando faltavam uns 40 minutos para o nascimento, eu estava com menos de 5 de dilatação. Meu marido dizia que iria tira-la do mesmo jeito que a havia colocado dentro de mim. Em meia hora dilatei completamente, ela me deu um copo de vinho pra relaxar e logo minha princesa veio. Meu marido a trouxe para meus braços e, como estava escuro, coloquei a mão na vagina dela “É uma menina!”

Acordamos o irmão para conhecer a ” Bochechinha”, como ele a chamava. Foi muito importante ver minhas duas, alias, três jóias ali, juntas. Sem regras, sem ninguém para criticar nada.

Fiquei muito mais ligada ao meu marido depois disso.

-Voce vai continuar fazendo partos?

Não, eu só fiz meus dois partos, os outros eu só ajudo as mulheres a fazerem o que já sabem fazer.

Me sinto cada vez mais realizada toda vez que posso ajudar uma mulher a parir sem sofrimento, sem cortes, sem imposições.

Ás vezes eu gostaria de simplesmente parar com isso, largar tudo, porque é uma carga emocional e uma pressão muito grandes. Há varias pessoas torcendo para esses partos darem errado para criticarem minha profissão e esta autonomia feminina.

Falam em escolhas na obstetricia, mas elas so valem quando é para escolher cesárea ou escolher o hospital onde parir. Acho que o direito de escolha vai muito além.

-Mas dentro desta lógica, para que servem os hospitais?

Até o inicio do último século, praticamente não existiam partos institucionais. Eram parteiras e médicos de familia. Há menos de 40 anos, o modelo atual conseguiu espaço. Em muitos lugares do mundo, inclusive do Brasil, os partos são conduzidos por parteiras, com muito sucesso. Tanto que há varias iniciativas até internacionais para valorização do trabalho e profissionalização destas mulheres, verdadeiras guerreiras, que acabam dando jeito em varias situações que, por aqui, resolvemos com cortes simples e arriscados na barriga, as vezes sem qualquer critério.

O fato é que temos hospitais e tecnologia e eles são muito bem vindos, quando necessários.

Mas o que vemos hoje é uma inversão de valores: usamos tenologias para tudo e pecamos pelo excesso e o excesso também tem consequencias. Alias, infelizmente as cesáreas, criadas para salvar cerca de 10% das parturientes com dificuldades, tem prejudicado mais do que ajudado e não sou eu que estou dizendo, mas qualquer estatística de órgaos confiáveis nacionais e internacionais, inclusive OMS.

As maternidades são necessárias para estes casos em que o parto é complicado ou mesmo impossível. Estes casos são raros, ao contrário de tantas desculpas para operar como bebê passando do tempo, cordão enrolado, “não tenho passagem”, etc.

Se as instituições fossem procuradas nos casos em que há necessidade real, evitaríamos muitas intervençoes e complicações de parto.

-A mulher pode escolher seu parto?

Esta é uma pergunta muito difícil para mim. A principio sim, desde que a mulher fosse realmente informada e bucasse por si mesma saber dos riscos de uma cesárea desnecessária.

Algumas optam por medo da dor, mas cesárea dói infinitamente mais, tanto que a anestesia é obrigatoria, fora o pós-operatorio; Quanto ás complicações, ela traz muito mais internações, infecções, necessidades de UTIs, aumento do período e gastos hospitalares e intervenções em cascata; Quanto a novas gravidezes, limita o numero de filhos, pode complicar novos partos e trazer outras morbidades; para o bebê, normalmente o distância da mãe nos primeiros instantes, pois os cuidados são maiores e mais demorados, a mãe fica sem uma posição confortável para amamentar, então o bico pode rachar mais facilmente e a criança não pode receber os primeiros cuidados por sua mãe…

Sinceramente, não vejo porquê escolher a opção que traz mais transtornos e riscos. Não compreendo como os profissionais podem aceitar esta “opção” tão facilmente, já que conhecem ainda mais de perto os perigos.

Ninguém vai ao cirurgião e diz “Quero tirar o apendice, porque já venho sentido umas dorezinhas na barriga e todo mundo na minha família tem apendicite, e como não quero sentir dor, vamos marcar a operação?”

E se alguem fizer isto, o cirurgião não aceitará. Ele fará recomendações para evitar apendicite e só operará se tiver indicação devido aos riscos de qualquer cirurgia> Por que na obstetricia deveria ser diferente?

Então vendo de uma maneira superficial, é facil ser a favor da escolha feminina, mas como escolher por um procedimento mais arriscado e que é exclusivamente médico?

-Onde as mulheres e os casais pode buscar mais informações e auxílio sobre o assunto?

Faço parte de duas ONGs que apóiam e acreditam no parto natural, constituída de mulheres de todo o país, dispostas a ajudar,de alguma forma, outras mulheres a terem direito de parirem. Da parte dos profissionais, existem eventos anualmente para o público afim e tem vários profissionais que têm esta pratica em várias partes do Brasil.

Além disso, há muitas informações na internet, inclusive científicas, como a biblioteca Cocrhaine e outros.

-Você pretender ter mais filhos?

Ser mãe foi uma experiencia tão importante em minha vida que quero ter pelo menos mais dois, além das centenas que quero ajudar a nascer como os meus: seguros e em paz.

-Para terminar, que mensagem você daria ás mulheres que desejam profundamente ter um parto natural?

Eu diria, aliás, digo: confiem em si mesmas. Não esperem milagres, façam seus partos acontecerem. Profissionais oferecem serviços e não adianta entrar numa churrascaria sendo vegetariano. Busque, se informe, não perca esta oportunidade de crecimento que é o parto. Isto não é besteira, não é um desejo pequeno. Se seu coração está pedindo, procure quem possa realmente ajudar e faça sua vida valer a pena. Não só no parto, mas onde quer que vá.

E boa hora pra você!

www.partolandia.blogspot.com

www.amaezona.blogspot.com

Nosso Blog no BLOG DO PLANETA !

O Alexandre Mansur ( Revista Época) falou que adorou nosso blog
E POSTOU HOJE UMA ENTREVISTA sobre o Blog O Futuro do Presente !

http://colunas.epoca.globo.com/planeta/?s=ana+claudia+bessa
(Se não conseguir visualizar, clique aqui)

Ao Alexandre Mansur só temos agradecimentos porque somos fãs também do Blog do Planeta.
Estamos muito honrados!

E deixo aqui registrado também meus agradecimentos à todos que fazem o blog junto comigo :
dos colaboradores (grandes amigos de verdade!) aos que sempre nos visitam e prestigiam (Obrigada!).

Convido vocês a visitarem o blog, não só sobre O Futuro do Presente, mas todo o Blog do Planeta que é excelente.

O futuro da Ana Cláudia

20/05/2007

O Futuro do Presente, blog inspirador da Ana Cláudia Bessa, nasceu da sensação de revolta que essa química de alimentos sentiu diante da morte bárbara do menino João Hélio, no Rio de Janeiro. O blog é um ponto de encontro de pessoas comuns motivadas e empenhadas em propor soluções para os problemas da nossa sociedade. Boa parte disso passa por questões ambientais.

Segundo Ana Cláudia, sua fonte de inspiração são os filhos. “Nós, pais e mães, temos essa responsabilidade e esse compromisso”, diz. “Quando colocamos uma criança no mundo,temos de dar o melhor futuro que pudermos aos nossos filhos. Do direito de andar nas ruas com segurança, ao direito de usufruir das matas, das praias e ter ar puro para respirar e água limpa para beber.”

Época: Por que você decidiu criar o Futuro do Presente?
Ana Cláudia: Na época da morte hedionda do menino João Hélio, fiquei muito chocada porque já tinha esse medo: ser abordada por bandidos com 2 crianças menores de 3 anos no banco de trás presas a cintos de segurança. Eu participava de uma lista de discussão de mães na internet e depois de ler o texto do Paulo Coelho (cujo trecho citamos logo na apresentação do blog) não conseguia mais parar de pensar em como somos coniventes com todas as coisas que interferem no nosso futuro e como seria o futuro que hoje estamos deixando para nossos filhos. Tentei mobilizar essas mães mas não foi de interesse da maioria do grupo falar desses assuntos (o que me deixou bastante triste e frustrada) e fui “convidada” a sair do grupo e fazer algo por conta própria em outro lugar. Então saí. Eu já vinha pensando em fazer o blog.

Época: Mas seu blog vai além das questões de violência urbana.
Ana Cláudia: Não queria fazer algo somente sobre violência porque vejo a construção de um futuro melhor para nossos filhos como algo muito mais abrangente, como a questão do lixo, do consumo, da política, da educação…Uma amiga (hoje colaboradora) me ajudou com algumas dicas (porque eu não entendia quase nada de blog) e fui montando o mesmo me juntando a outros amigos que têm as mesmas preocupações que eu e assim O Futuro do Presente nasceu .

Época: O que você mais gostou de ter publicado no seu blog?
Ana Cláudia: Essa pergunta é muito difícil de responder. Gosto de tudo. Tenho achado meus amigos colaboradores sensacionais nos temas que abordam e espero que o blog colha bons frutos como, por exemplo, no caso do texto que fala do tratamento dado às sacolas plásticas nos Estados Unidos. Temos escrito para várias redes de supermercados e já recebemos resposta de duas redes prometendo avaliar nossa sugestão. Mas simbolicamente, vou citar a primeira postagem que é um texto do Charles Chaplin que termina dizendo: “Bom mesmo é ir à luta com determinação, abraçar a vida e viver com paixão, perder com classe e vencer com ousadia. O mundo pertence a quem se atreve. E a vida é muito curta para ser insignificante…”

Época: Como está a repercussão do seu blog?
Ana Cláudia: Eu tenho sentido uma resposta muito positiva e sempre recebemos sugestões e elogios. As visitações têm aumentado a cada dia mas ainda temos um longo caminho a trilhar e aprender. Ainda temos muito a melhorar. Procuramos sempre diversificar os temas e os enfoques. Atualmente temos, por exemplo, o texto Cortina de Fumaça que nos convida a pensar com seriedade e critério sobre assuntos diversos como política, reciclagem, aquecimento global. E o que dizemos não é uma verdade absoluta. São opiniões de cidadãos comuns, mães e pais, de áreas diversas. Nossa intenção é fazer as pessoas pensarem: o que eu estou fazendo? O que posso fazer? Como posso mudar? (Alexandre Mansur)

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