Classe A vacina menos seus filhos

A reportagem é do jornal O Estado de S. Paulo, foi publicada sexta-feira, dia 03/10/2008 e participei dando um depoimento sobre o assunto.

No Sudeste, somente 68,9% dos bebês receberam todas as doses, diz estudo inédito; meta era atingir 95%
Fabiane Leite

Levantamento inédito realizado em todas as capitais revelou que na Região Sudeste do País menos de 70% das crianças com 18 meses de famílias da classe A receberam todas as doses de vacinas do calendário oficial, que combatem doenças como tuberculose, meningite, hepatite B, paralisia infantil e sarampo.

O índice de 68,9% de cobertura vacinal verificado no estrato mais rico e escolarizado da população dessa região ficou muito abaixo da meta de 95% de cobertura, segundo o Inquérito de Cobertura Vacinal, coordenado por pesquisadores do Centro de Estudos Augusto Leopoldo Ayrosa Galvão, da Santa Casa de São Paulo, e financiado pelo Ministério da Saúde e pela Organização Pan-Americana. O trabalho iniciado em 2007 foi apresentado na semana passada, durante o Congresso Brasileiro de Epidemiologia, em Porto Alegre (RS), e é resultado da avaliação das carteiras de vacinação de 17.749 crianças no País.

O estudo, obtido com exclusividade pelo Estado, é considerado por especialistas uma das iniciativas mais importantes para o Programa Nacional de Imunização, por trazer dados reais das carteirinhas, considerados menos sujeitos a erros do que as estatísticas sobre vacinas feitas pelos governos e por clínicas privadas.

No geral, a cobertura das vacinas do calendário básico da criança foi de 81% no País. O estudo revelou ainda que Curitiba (PR) teve a melhor cobertura vacinal para crianças de todas as classes, 98%, situação oposta à de Macapá (AP) e do Recife (PE), que registraram as piores coberturas, no patamar dos 60%.

São Paulo e Rio também registraram coberturas que não são satisfatórias, segundo os pesquisadores: 83% e 75%, respectivamente. A margem de erro da pesquisa é de 2 a 3 pontos porcentuais.

Outro dado de destaque foram os baixos índices de cobertura da vacina contra a hepatite B, que registrou os piores resultados no País.

Coberturas heterogêneas de vacinas prejudicam o controle de doenças infecciosas e trazem o risco de reintrodução de males erradicados, como a poliomielite. O estudo, no entanto, comprovou a importância do Programa Nacional de Imunização, pois a maioria das crianças vacinadas recebeu os imunizantes pela rede pública.

DADOS INTRIGANTES
A parte qualitativa da pesquisa, que está em andamento, servirá para a busca de explicações para dados que intrigam os pesquisadores, como as baixas taxas de cobertura nas classes mais abastadas do Sudeste, onde as diferenças em relação a outros estratos sociais são mais significativas. No conjunto do País, a cobertura dos mais ricos e escolarizados também foi a pior.
Entre as explicações, cogitam os pesquisadores, estariam o medo dos pais de que as crianças sofram as raras reações adversas às vacinas.

“Uma das lições que já tiramos disso é que não podemos ter um discurso homogêneo ao falar da necessidade das vacinas. A grande massa é atingida nas campanhas, só que há setores da população que não atingimos e necessitam de uma divulgação mais técnica. É preciso montar uma estratégia para isso”, disse o epidemiologista José Cássio de Moraes, que coordenou o estudo.

Outra hipótese aventada pelos pesquisadores são as restrições à vacinação recomendadas por médicos que seguem especialidades médicas não hegemônicas, como a homeopatia. Representantes dos homeopatas negam.

Segundo Moraes, o estrato A do Sudeste corresponde às crianças de famílias cujos chefes possuem renda mensal de 20 salários mínimos ou mais, e 17 anos ou mais de escolaridade. Os pesquisadores chegaram até as crianças com base em dados do Censo 2000. Os setores censitários de cada capital foram estratificados segundo as condições socioeconômicas, e depois os pesquisadores foram às casas verificar as carteiras.

O problema da irregularidade das coberturas nas capitais já vinha sendo apontado nos dados colhidos pelo próprio ministério, mas novos números foram trazidos pela pesquisa.

Para o especialista, os resultados de capitais que tiveram coberturas ruins mostram a necessidade de os prefeitos, responsáveis pela execução de estratégias e programas de imunização, melhorarem seus serviços. “Mas é um momento complicado, de eleição, e os prefeitos talvez não estejam interessados nisso”, diz o pesquisador.

O levantamento também destaca que a vacina contra a poliomielite (paralisia infantil) foi a que registrou as melhores coberturas, situação oposta à da vacina contra a hepatite B.

“A vacina contra a hepatite B registrou a menor cobertura e as maiores taxas de abandono, ou seja, a criança não recebeu a 3ª dose.” Segundo Moraes, já há estudos em curso para que a vacina contra a hepatite B seja administrada junto com a tetravalente (contra difteria, tétano, coqueluche e meningite). “Seria uma vacina pentavalente.” O ministério informou que não comentaria os resultados apresentados. Já a Prefeitura de São Paulo disse desconhecer a avaliação. Procurada, a prefeitura do Recife não se manifestou.

Ana Claudia e Nereide fazem parte do grupo de melhor escolaridade e renda que questiona a necessidade das vacinas do calendário infantil.
“Não acredito em um mundo sem doenças. Não me deixo levar pelo pânico”, diz Ana Claudia Bessa, química de 34 anos que vive em Niterói e optou por não dar vacina contra o rotavírus aos filhos – incluída recentemente no calendário. “Já mandei e-mails aos órgãos de saúde perguntando sobre riscos e nunca obtive resposta. Não há esclarecimentos, a não ser os de praxe, feitos pelos próprios laboratórios. Eles, por interesses óbvios, recomendam a vacina.”
A publicitária Nereide Aparecida Tavares, de 65 anos, também optou, há mais de 40 anos, por não dar parte das vacinas aos seus filhos, como a de sarampo, quando descobriu a homeopatia. O epidemiologista José Cássio de Moraes defende que haja mais informação sobre a segurança das vacinas.


Presidente da Sociedade Brasileira de Imunização, o infectologista Vicente Amato Neto destaca que os benefícios das vacinas do calendário infantil oficial – comprovados pela queda e eliminação de doenças infecciosas, como a paralisia infantil – são muito maiores do que possíveis riscos.
“O Brasil tem cada vez mais se preocupado também com com os efeitos adversos, há mais atenção, mas se considerarmos todas as estratégias de prevenção, em diferentes áreas, a vacinação é a de maior sucesso”, disse. “O inquérito de cobertura é de extrema importância por levar em consideração os

dados das carteiras, e não os administrativos.”
O presidente da Associação Paulista de Homeopatia, Ariovaldo Ribeiro Filho, ressaltou que a especialidade médica recomenda a vacinação definida pelo calendário oficial e que não questiona as vacinas.
No entanto, lembra Ribeiro Filho, homeopatas e alopatas têm autonomia para – com o paciente, e avaliando riscos e benefícios – decidir sobre a administração ou não de determinadas vacinas segundo as condições clínicas do paciente.
O Ministério da Saúde decidiu revisar a cobertura de vacinas do calendário básico da criança por causa de possíveis falhas no Programa Nacional de Imunizações, que completou 35 anos neste ano, sob elogios da Organização Mundial da Saúde (OMS). O último relatório sobre coberturas vacinais, divulgado em maio do ano passado, antes do início da avaliação, dizia que, apesar de o País, em geral, ter índices satisfatórios de cobertura vacinal, havia déficits localizados que poderiam trazer riscos.

A vacina e a Hepatite B

Essa vacina é uma das recomendadas logo ao nascer.
Contudo ao procurar informações a respeito dessa vacina passei a me perguntar se não é um exagero dar uma vacina dessas a um bebê visto que hepatite B somente se contrai em transfusão, relação sexual, troca de fluídos, etc…

Uma das explicações para essa administração precoce, cujo esquema é completo aos seis meses (a primeira ao nascer, a segunda com um mês de vida e a terceira aos seis meses de vida), é que é nessa fase da vida que estamos produzindo a maioria de nossos anti-corpos contra muitas doenças e alguns imunobiológicos agem com mais eficácia em determinada faixa etária, principalmente na infância. E essa produção de anticorpos, quando administrados na fase adulta, pode não possuir a mesma eficácia.

Deve-se também ao risco da transmissão da hepatite B de muitas mães para seus bebês durante a gestação ou durante o parto. Mas ainda assim fiquei com uma dúvida a respeito da transmissão mãe-bebê:
Se essa vacina é tomada depois do nascimento, ela cura depois da transmissão, caso aconteça durante o parto ou a gestação?
Se a mãe já tiver Hepatite b, adianta vacinar?
Ela previne essa transmissão, ou cura depois de transmitida durante a gestação ou parto?

Aí, recebi o texto abaixo extraído do livro “Vacinar – Sim ou Não?”, de Ulrich Koch, ed. Paulus, (2004):”A hepatite B é uma infecção do fígado que pode ser transmitida pelo sangue ou outro líquido do organismo. Isto deveria reduzir sensivelmente o grupo de risco e é totalmente incompreensível que a vacina contra hepatite B tenha sido incorporada às vacinas universalmente recomendadas. Antes do ano de 1995, na Alemanha, apenas um grupo reduzido era vacinado (pessoal da saúde, doentes que freqüentemente recebem uma transfusão, dependentes de drogas e pessoas que viajam para região de alto risco) sem produzir algum efeito sobre a pequena quantidade de doentes. Talvez esse fosse o motivo para aconselhar uma vacinação ampla, que também não terá um efeito sobre a incidência da doença, frente ao risco reduzido de contágio para o indivíduo normal ou a criança. Quando essa infecção do fígado ocorre, existe o risco de que para uma pequena porcentagem de doentes a infecção evolua para uma hepatite crônica, que pode causar a destruição total do fígado e levar à morte. Quanto mais jovem o paciente, maior a probabilidade de uma destruição do fígado. Por isso temos um grupo que certamente deveria ser vacinado; os recém-nascidos de mães que sofrem dessa doença e ainda podem transmiti-la. Nesse caso, o risco de uma infecção crônica letal do fígado é de 90% e vacinação representa claramente o menor risco. Entretanto, a defesa imunológica dessa criança muitas vezes é tão fraca que não haverá uma reação suficiente à vacinação. Vacinar-se também faz sentido para as pessoas que recebem freqüentes transfusões, para hemofílicos ou pessoas dependentes de diálise (quando os rins não trabalham mais e o sangue precisa ser purificado artificialmente), para dependentes de drogas e pessoas com muitos parceiros sexuais. Diante desses fatos, não deverá ser difícil decidir se a criança ou adulto está enfrentando esse risco e precisa realmente proteger-se.
Desde 1990 os EUA começaram esse esquema de vacinação desde recém-nascido porque é uma forma praticamente certa de que quando crescerem, estarão imunizados (é mais fácil fazer uma criança pequena tomar 3 doses de vacina que um adulto). E adultos sim, estão em grupo de risco por causa da atividade sexual (nem sempre protegida), uso de drogas intra-venosas, etc.
No entanto, apesar de ser compreensível, não parece ser um argumento válido para justificar a vacinação dos recém-nascidos que estão fora do grupo de risco. A vacina poderia acontecer mais tarde, mesmo que ainda na infância.”

Bem…depois de ler isso podemos entender(não concluir) que a maioria das crianças não está no grupo de risco da hepatite B e segundo o texto do livro, crianças muito pequenas não tem resposta imunológica suficiente. O que transformaria a chance de imunização numa provável ilusão. Perigosa, inclusive, visto que estaríamos confiantes e tranquilos de sua eficácia ao ministra-las seguindo o calendário recomendado pelo Ministério da Saúde. Ou seja, se a vacina não teve resposta na infância…chega a ser criminoso fazer a população acreditar que está imunizada.

O que vai em desencontro a informação que recebi que é nesta fase de recém-nascido que estamos desenvolvendo a maioria dos imunobiológicos. E terminando com uma citação feita durante um debate no orkut: “Vacinar deve ser uma decisão informada, o problema é que as pessoas ou não tem acesso à informação ou tem preguiça de pensar e contestar … e quem acaba pagando o pato nem sempre teve opção de escolha …”

Não quero com isso que encarem meu post como uma apologia a não-vacinação. Meu texto é uma forma de questionar, de mostrar que as informações são contraditórias e necessitam de nossa avaliação. Até porque :
-pudemos ver que vacinar não é incondicionalmente sinônimo de imunização pois não conseguimos ter certeza de que o organismo vai responder adequadamente;

-e em segundo lugar, eu tentei receber informações via e-mail sobre vacina com os órgãos competentes e não obtive nenhuma resposta. Ou seja, não há esclarecimento quando nossos questionamentos são feitos.

A quem interessa essa falta de informação?
________________________________________________________________________________ Ana Cláudia Bessa

Na dúvida, sempre pergunte.

Com relação a vacinação eu sempre me coloco numa posição científica, vejo que mesmo o participando de grupos que discutem a respeito, não se tem dados concretos sobre os benefícios da não-vacinação. E eu me coloco mesmo numa posição de advogada do diabo, analisando a argumentação das pessoas que defendem a vacinação e a não-vacinação.
Quanto à vacinação, o que eu levantei é uma série de interesses burocráticos (do Ministério da Saúde), que aliam a praticidade e conveniência, deles, e não nossos, óbvio. Um deles é que é mais fácil pegar pais “fresquinhos” e lascar a sequência de vacinações. Pois com o passar do tempo, nós pais, ficamos mais relaxados em seguir tudinho à risca.
Obviamente até os 6 meses, as vacinas têm efeito transitório, ou seja, precisam ser aplicadas de novo, pois o bebê ainda não possui imunidade própria e isso representa um lucro imenso para a indústria farmacêutica. É como vender a mesma coisa 3 vezes. E a pergunta óbvia é: porque não aplicar 1 vez só depois dos 6 meses? Vide conveniência acima. E do lado da não-vacinação, existe sim uma “forçação de barra”, pois quando não há metodologia científica, dá muita margem para manipulação de números. A erradicação da poliomelite, por exemplo, se deu com extensas campanhas de vacinação. Os números estão aí, não podem ser negados. A dúvida que surge é que da forma como a polio é transmitida, será que saneamento básico não ajudou? É claro que sim.
A argumentação é que se houvesse saneamento básico, não haveria polio. Sim, é verdade. Mas isso foi um processo que andou de mãos juntas: saneamento básico e “aumentar” a resistência das pessoas à polio (que foi isso que representou este tipo de vacinação). Colocando-me na posição do Ministério da Saúde, foi uma decisão correta. Contudo, hoje, se eu fosse o Ministério da Saúde, eu repensaria os investimentos. Pois o dinheiro das campanhas de vacinação poderiam ser aplicados em outros lugares. Para que continuar investindo numa doença que já foi erradicada?
O problema é que como vacinação é um direito assegurado no Estatuto da Criança e Adolescente, se alguém inventar de não vacinar, e se 1 única criança vier a contrair pólio, cabeças rolarão. Tornou-se um imbróglio legal e administrativo. Extrapolando a esfera da saúde e do necessário. Por isso para a gente entender um pouco, devemos procurar estudar o mecanismo das doenças (transmissão e profilaxia) em livros médicos. Eu busquei informações sobre as doenças em 2 livros de pediatria: A Vida do Bebê (do Rinaldo De Lamare) e no livro britânico The Great Ormond Street Baby and Child Care.

A “Vida do Bebê” até a edição de 2004, não segue as orientações da OMS no que se refere à amamentação, sendo altamente repreensível que um livro de pediatria não endosse o que é melhor para a saúde do bebê. Ele segue a linha da Academia Americana de Pediatria, que comprovadamente causou uma tragédia para a saúde americana. O problema da obesidade nos Estados Unidos começa no berço, com a falta de incentivo e proteção à amamentação e utiliza tabelas de peso e altura baseadas na Academia Americana de Pediatria, ou seja, uma furada. Na última edição de 2004, fala para tirar o peito a partir de 9 meses, que a partir de 18 meses não é mais para o bebê mamar no peito, tem um monte de receitas para a mulher que não consegue amamentar, recomenda seguir todas as vacinações à risca, e a tabela de peso e altura é uma tabela completamente fora dos padrões de bebês saudáveis, uma vez que prega o padrão de bebês obesos como “normal”. Mas, pelo menos, é preciso na descrição das doenças infantis.

The Great Ormond é realmente um livro de respeito, pois a Inglaterra é a pátria do Parto Ativo. Descreve e recomenda o Parto Ativo, apóia e recomenda a amamentação. O mínimo para um livro de pediatria. Essa discussão dá pano para manga. Na dúvida, sempre se pergunte: como, quando, onde e porquê?
________________________________________________________________________________ Juty Chen

Notícia

Ator americano, Jim Carrey (c), sua filha Jane (e), e a atriz americana, Jenny McCarthy, seguram fotos do filho de McCarthy, Evan, que foi diagnosticado com autismo, durante a marcha ‘Green Our Vaccines’ (Torne verde nossas vacinas, em tradução livre), em Washington, DC. A marcha foi organizada por grupos que querem a eliminação das toxinas de vacinas para crianças.

Remédios

Como falei em um dos meus últimos posts, eu não gosto de remédios. Não gosto de tomar, nem de dar às crianças. Eu não sou doida, pelo contrário. Infelizmente, não podemos confiar plenamente nos produtos que teóricamente são desenvolvidos para preservar nossa saúde.

Um exemplo é a história com a vacina Sabin + Tríplice viral. Menina contraiu doença com vacina. Os pais conseguiram indenização.

Recentemente, um ex-executivo da Pfizer, que foi demitido ao denunciar o que sabia, afirmou: “Não confiem nos laboratórios” pois as mesmas usam de práticas ilegais e anti-éticas para promover medicamentos e usam também de práticas de vendas que colocam em risco a vida das pessoas como é o caso do medicamento Vioxx, antiinflamatório da Merck Sharp & Dohme retirado do mercado em 2004 por causar ataque cardíaco em milhares de pessoas pelo mundo. E ele vai ais longe: não podemos confiar nem nos médicos pois muitos receitam medicamentos dos laboratórios que lhes oferecem maiores vantagens que vão de presentes a viagens (!!!). A melhor forma de tentar escapar é buscar mais de uma opinião a respeito da mesma doença.

Eu mesma posso comprovar isso: minha irmã estava com problemas na visão e quatro médicos recomendaram cirurgias que não davam nenhuma garantia de solução com grandes chances de haver mais 3 ou 4 cirurgias. Pois o quinto médico, depois de muita busca, recomendou o uso de um lente de contato que poderia ajudá-la sem precisar fazer nenhuma cirurgia. E assim foi: uma lente de contato simples, usada apenas durante a noite, deu o alívio que minha irmã tanto precisava. Seu o tratamento sendo observada quanto à resposta do tratamento para evitar as cirurgias que forma tão facilmente recomendadas.
O que era mais caro? Um parte de lentes ou 3 a 4 cirurgias? Nem preciso responder.

E ele revela muito mais: O Brasil é um mercado pequeno que nada importa pois somente 10% têm condições de pagar pelos medicamentos e cada dia eles criam mais e mais doenças como é o caso da Menopausa, que nunca foi doença mas que eles pegam sintomas normais e transformam em sintomas graves. Com isso, mulheres estão usando remédios que tem o infarto como efeito coleteral.

E por fim, Aditivos em remédios para crianças ‘podem causar hiperatividade’ um estudo conduzido na Grã-Bretanha apontou que 40% dos medicamentos infantis comercializados no país contêm aditivos que podem provocar hiperatividade em crianças. Os pesquisadores descobriram que dos 50 medicamentos, 28 continham substâncias químicas associadas à falta de concentração e impulsividade.

Bom, depois de tudo isso, confesso, gosto cada dia menos de dar ou tomar remédio.

Mas ainda assim, me impressiona ver que na minha região tem uma farmácia em cada esquina. Um comércio que raramente fecha, mesmo com uma absurda concorrência. Sinal de que tem clientes, muitos clientes.

O vídeo a seguir está em inglês mas vale a pena tentar ver pois fala sobre a contaminação da vacina com virus de cancer, disseminação da Aids etc. Revoltante.
________________________________________________________________________________
Ana Cláudia Bessa

Merck Confesses that Cancer Virus is found in Vaccines

As novas vacinas

Eu tenho o maior pé atrás com medicamento novo. Vacina, a mesma coisa.
Quanto mais nova a vacina ou medicamento, mais criteriosos devemos ser.
Eu vou encontrar um artigo que li onde ficou claro que os medicamentos são testados até certo ponto e depois são lançados no mercado, sem a plena certeza das reações e da segurança do uso dos mesmos. Ou seja, nós, usuários, provavelmente, somos feitos de cobaias e se você tiver qualquer problema, deixará de ser um ser humano para virar um número na estatística. Quem mandou a gente ser desinformado e acreditar em tudo o que falam sem questionar?

Por isso, me sinto exatamente como muitas pessoas : COM O PÉ ATRÁS e uma pulgona atrás da orelha.

Numa das oportunidades, em uma clínica particular, me foi oferecida uma novíssima vacina e eu não aceitei. Tempos depois, recebi a notícia que a “novíssima” vacina estava sendo retirada do mercado porque não estava “cobrindo” uma das doenças a que se propunha. Ou seja, a criança foi usada como cobaia, os pais pagaram mais pela vacina à toa e ainda estão pensando que o filho está imunizado, quando não está.

E eu não vi essa informação importante no intervalo da novela das nove em rede nacional!!! Quando deveria estar!

Não sou contra vacinas mas também me sinto mais tranqüila por saber que estou sendo mais criteriosa e questionadora quanto as informações que, provavelmente maquiadas, que chegam à mídia a respeito dos “benefícios” da vacinação.

Não podemos esquecer que a indústria farmacêutica lucra com a doença , não com a saúde. Vacinas são medicamentos vendidos, seja particular, seja para o governo. Quanto mais pânico na população, melhor. Remédio é produto e produto é marketing. Não podemos ser ingênuos de achar que nosso bem-estar e nossa saúde estão acima dos lucros dos acionistas. É o mesmo que dizer que os banqueiros nos emprestam dinheiro para “dar” aos pobres…

Já existem casos mostrando que as doenças estão ficando mais difíceis de ser tratadas porque bactérias e vírus estão ficando mais resistentes por causa do excesso de medicação. E isso inclui vacinas e antibióticos cada vez mais fortes sendo receitados indiscriminadamente pelos médicos.

Nós temos, sim, condições de questionar e definir com bom senso e seriedade o que é melhor para nossos filhos. No mínimo, temos condições de questionar previamente, mesmo que venhamos a concordar. Mas vacinar com consciência e informação. Nós somos os maiores culpados porque simplesmente acatamos tudo sem questionar.
Eu estou aprendendo!

Leia mais:
Mortes associadas à vacina de HPV sobem para 11 com 3779 reações adversas reportadas
http://www.freerepublic.com/focus/f-news/1907188/posts?page=23
Vacina contra a tuberculose – BCG
http://cva.ufrj.br/vacinas/tb-v.html
Tuberculose mata mesmo tendo tratamento desde a década de 40.
http://noticias.terra.com.br/ciencia/interna/0,,OI1505125-EI298,00.html
Epidemia de tuberculose recua, mas bacilo resiste
http://noticias.terra.com.br/ciencia/interna/0,,OI1500998-EI298,00.html
Quebrando o hábito de usar antibióticos
http://www.taps.org.br/Paginas/medartigo20.html
Bactérias (resistentes ou não a antibióticos) são a quinta maior causa de infecção hospitalar no Brasil
http://www.unifesp.br/comunicacao/jpta/ed142/pesqui1.htm
Superbactéria já resiste ao mais avançado antibiótico, o Linezolid
http://listas.cev.org.br/arquivos/html/cevgenetica/2003-04/msg00028.html
Suspensão da Hexavac pela Anvisa:
http://www7.anvisa.gov.br/divulga/noticias/2005/200905_nota.pdf
Notícia da suspensão da Vacina Hexavalente em Portugal
http://www.rtp.pt/index.php?article=197749&visual=16

A “terrível” CATAPORA

Acredito que a grande maioria de nós, aqui presentes, teve catapora. Eu tive.

Claro que eu era pequena para poder hoje relatar os detalhes, mas sei que passei por ela como a maioria: coceira, alguma febre, algumas pústulas inflamadas, e uma marquinha no rosto (no meu caso) de uma “unhada” mais desesperada. Minha “vacina” contra a catapora, foi a própria catapora.

E vim falar disso porque me chamou atenção uma fortíssima propaganda que vi na rua falando que o pior da catapora é ela se agravar…(qualquer doença é assim…)

Aí, fui pesquisar e descobri uma entrevista de um determinado médico, a informação de que a catapora embora seja comumente benigna, é impossível prever se realmente assim o será. E ainda dizia que uma boa nutrição, boa higiene e bons cuidados em geral não são garantia, chamando isso de mito e ledo engano.

Mas peraí? Mito? Ledo engano? Pode até ser que isso não seja garantia, mas daí a ser mito vai uma distância muito grande. Afinal, boa nutrição, boa alimentação, boa higiene são , sim, parte dos mais importantes passos para se ter boa saúde, inclusive são, uma das mais importantes formas de se evitar doenças. Antigamente, muitas doenças apenas matavam por falta de higiene, por exemplo. É fato, não mito.  Achei o maior terrorrismo para aqueles pais e mães mais apavorados. Já os vi, descabelados, correndo para dar a vacina contra a catapora numa clínica particular (já que essa vacina é paga e não é dada -gratuitamente- no posto de saúde). Não te parece uma grande propaganda interessada num pânico que vende vacinas particulares? E aí, veio mais uma estatística: 40 mortes por varicela (ou catapora) em 2 anos. Leiga como sou, acredito que a recente notícia de que o trânsito representa 4% das mortes no Brasil, já me dão o seguinte recado: mais fácil morrer andando de carro do que de catapora.

Além disso: essas 40 mortes se deram em que circunstâncias? Onde viviam, como estavam nutridas e medicadas, estavam sob cuidados adequados e acesso a condições higiênicas básicas? Infelizmente, o artigo não entrou nestes méritos. Apenas citou o alarde e as complicações: hepáticas, neurológicas e respiratórias que “podem” estar associadas a essa doença. “Além disso, as feridinhas banais da catapora podem ser infectadas por bactérias agressivas e produzir uma infecção generalizada gravíssima conhecida por septicemia.”

Cruz credo! Que pai e mãe quer isso?

É claro que eu não estou falando aqui que isso não pode ocorrer. Pode. Mas há que se ponderar que são casos específicos. Ainda é menos seguro andar de carro. E eu continuo andando com meus dois filhos.

Assim como algumas experiências fazem parte da formação do nosso caráter, acredito que algumas doenças fazem parte do nosso amadurecimento imunológico. E tudo na vida pode complicar. Não sou a favor e não acredito na “segurança” de um mundo inerte e livre de doenças.
Não quero e nem estou defendendo a não-vacinação. Eu defendo, e muito, a autocrítica, o questionamento. Por que devemos aceitar todas as informações que nos chegam sem questionar? Por que o nosso bom senso é posto de lado mesmo em detrimento de afirmações questionáveis? Estamos nós, sem condições básicas de higiene, educação e alimentação para nos submeter a essa vacinação indiscriminada? Pior, sem poder questionar?

Os médicos antigamente defendiam o raio x para gestantes, hoje sabe-se que não é indicado…
E agora se promove um festival de ultrassonografias durante a gravidez que talvez no futuro, serão trocadas por outro procedimento porque sempre foram maléficas e ninguém “sabia”, ou falava…

Eu mesma sentia  meus bebês sempre agitados no momento do ultrassom. Coincidência? Acho que não.

Sei…sei…misturei os assuntos, mas é tudo ingrediente da mesma sopa!

Tudo, inclusive a tecnologia médica deve ser usada com critério e bom senso.

Leia mais:
“Existe, também, o perigo de que as vacinas mudem a forma de como as infecções afetam o corpo humano. A idade com que as crianças costumam contrair caxumba aumentou desde que a vacina contra caxumba foi introduzida. E a caxumba atípica (uma forma da doença muito perigosa e difícil de tratar) está se tornando mais comum. Que novas cepas de doenças estamos introduzindo ao usar vacinas de forma tão imprudente?”

Fonte: Vernon Coleman’s Health Letter, vol. 5 nº 3, outubro 2000

http://www.taps.org.br/Paginas/vacinart09.html
Apesar de recomendadas, vacinas causam dúvidas

Ah…o texto abaixo foi publicado na Revista SuperInteressante. É longo mas é muito bom!

__________________________________________________________________________________

Ana Cláudia Bessa

Vacinas fazem bem ou mal?

Vacina: Heroína ou vilã ?

Efeitos colaterais graves e anomalias causadas no sistema imunológico põem as vacinas na berlinda e levantam uma questão crucial: até que ponto elas são benéficas?
Por Jomar Morais

Há 204 anos, o inglês Edward Jenner descobriu a primeira vacina. Conseguiu, para surpresa geral, imunizar um garoto de 8 anos contra varíola inoculando-lhe soro de varíola bovina. Dois séculos depois, a pergunta que dá título a esta matéria caiu como uma bomba sobre a mais difundida das ferramentas de saúde pública: a vacinação que se propõe imunizar o corpo humano contra doenças infecciosas já a partir dos primeiros dias de vida. Não é de hoje que há debates acalorados sobre vacinas no meio científico. Mas a questão ressurgiu com mais força há três anos, nos Estados Unidos e na Europa. Desde então, a dúvida vem se espalhando entre pais e profissionais da área médica ao redor do mundo.

A crítica às vacinas apóia-se em pelo menos três pontos polêmicos.Nos últimos tempos parece ter aumentado – ou pelo menos se tornado mais visível – a ocorrência de efeitos adversos de certas vacinas, como a tríplice contra difteria, coqueluche e tétano. Os efeitos variam da simples irritabilidade ao desenvolvimento da doença que se pretendia evitar. Há registro de casos extremos em que a vacinação resultou em morte.

Enquanto as chamadas doenças da infância, como o sarampo e a rubéola, declinam, aparentemente como conseqüência das campanhas de vacinação, observa-se um súbito aumento de males crônicos como o diabetes, a artrite, a asma e outros tipos de alergias. Para os antivacinistas, estudos recentes, realizados em vários países, não deixam dúvidas sobre a relação causal entre a sobrecarga de vacinas recebida pelas crianças e as doenças autoimunes – males provocados por respostas anormais do sistema imunológico contra o próprio organismo.

Apesar do salto tecnológico que sinaliza a utilização, em futuro próximo, de sofisticadas vacinas de DNA, que se diferenciam das outras por ter ação mais forte e prolongada (em ratos, atuam por toda a vida), os cientistas passaram a admitir recentemente que pouco sabem sobre a ação das vacinas no corpo humano. O diretor do Instituto Pasteur de Paris, Philippe Kourilsky, guardião das teorias do químico francês Louis Pasteur, pai da microbiologia, reconhece essa relativa ignorância da medicina. Em maio do ano passado, ao confessar seu espanto com a escassez de informações científicas básicas nesse campo, ele afirmou: “Cada vez que uma vacina se mostra eficaz, os cientistas simplesmente a entregam para o pessoal da saúde pública e vão estudar outra coisa”.

Num país onde a quase totalidade das doenças infecciosas foi controlada, como é o caso dos Estados Unidos, o questionamento das vacinas começa a ser traduzido em números que expressam a repercussão social do problema. Um quarto das famílias americanas, segundo pesquisa do Centro Nacional de Informações sobre Vacinas, uma organização não-governamental baseada em Vienna, no Estado da Virgínia, já se pergunta se o sistema de defesa das crianças não fica enfraquecido por conta de tantas vacinações. Afinal, são quase dez doses apenas nos primeiros seis meses de vida e 22 tipos de vacinas aplicadas antes da idade escolar. Outros 19% dos americanos põem em dúvida a própria eficácia das vacinas na prevenção de doenças.O governo dos Estados Unidos, que, desde 1986, é legalmente obrigado a indenizar possíveis vítimas das imunizações, também está atento.

Seu site de Relatos sobre Efeitos Adversos das Vacinas recebeu 108 000 queixas entre janeiro e outubro do ano passado, todas encaminhadas para averiguação técnica. A maioria dos relatos diz respeito a desconfortos leves, como febres e indisposição passageiras, que os cientistas costumam desconsiderar. Mesmo assim, as referências a complicações colaterais graves – inclusive mortes – em 14% das denúncias levou o Serviço de Saúde dos Estados Unidos a redobrar a vigilância sobre os fabricantes de vacinas e a interferir nas normas de produção. Foi proibida, por exemplo, a utilização do conservante timerosal, substância à base de mercúrio, usado na maioria das vacinas que, segundo os antivacinistas, é responsável por vários dos efeitos adversos em vacinados. (No Brasil, a maioria dos fabricantes vêm eliminando, gradualmente, o timerosal das fórmulas das vacinas.)

Por solicitação da Academia Americana de Pediatria, foi suspenso o uso da vacina Sabin, fabricada com vírus vivos da poliomielite, que, segundo dados oficiais, vinha apresentando a média anual de oito casos de contágio vacinal. Isto é, a cada ano cerca de oito crianças contraíam paralisia provocada justamente pelo vírus atenuado da pólio usado na Sabin. Agora os americanos utilizam apenas a vacina Salk, anterior à Sabin e preparada com vírus mortos, tida como menos eficaz pelos cientistas. (A vacina Sabin era utilizada nos Estados Unidos desde 1962. No Brasil, onde foi adotada na década de 60, ela ainda é empregada.)

Outros países também apertaram o cerco às vacinas nos últimos anos, baixando medidas preventivas. A Suécia substituiu a vacina tríplice DPT contra difteria, coqueluche e tétano (outra que continua sendo utilizada no Brasil), por uma variedade que exclui o componente pertussis (coqueluche em inglês), o P da sigla. É que esse componente costuma ser associado à maioria dos casos fatais e das lesões permanentes em crianças atribuídos às vacinas.

No Japão, as autoridades de saúde entraram em alerta depois que pesquisadores do Instituto Nacional de Doenças Infecciosas daquele país encontraram em rios e esgotos, no ano passado, exemplares de vírus selvagens da pólio cujo exame genético comprovou serem mutantes de vírus atenuados usados na vacina Sabin.

Segundo o virologista Hiromu Yoshida, chefe da equipe de pesquisadores que investiga o caso, o achado não representa uma ameaça à saúde pública dos japoneses, mas confirma uma suspeita antiga: a de que o vírus atenuado da pólio sofre mutação no organismo do vacinado, recobrando a virulência original. Esse é, a propósito, um dos cavalos de batalha dos antivacinistas.O que dá para depreender disso? Pelo menos uma coisa: em se tratando de vacinas, um dos pilares dos programas de saúde pública em quase todos os países, será necessário mais tempo até que todas as dúvidas sejam esclarecidas e as opiniões hoje antagônicas e exaltadas convirjam para um novo entendimento. Não há resposta fácil. Mas o ponto é que há dúvidas e desconfiança onde antes parecia só haver certezas e tranqüilidade. E o debate está apenas começando.

Inclusive no Brasil, país onde, nos últimos 14 meses, três mortes foram associadas ao uso de vacinas (veja quadro).As ressalvas às imunizações são tema tabu na maioria dos círculos médicos. De um lado, não são raros os casos de pediatras que, de forma quase clandestina, aconselham pais a moderar a vacinação dos filhos ou a simplesmente evitá-la. De outro, as divergências com o pensamento médico hegemônico que manda vacinar a qualquer custo acontece sempre de forma discreta e subterrânea. O receio dos profissionais tem um pilar na rejeição que podem sofrer entre os seus pares, seja no ambiente médico seja no meio acadêmico. E outro na po

ssibilidade de que criticar abertamente as vacinas possa, de alguma forma, conduzir a um problema maior de saúde pública.

Em outubro passado, finalmente, a discussão veio à tona com um artigo do biogenista Fernando Travi, publicado na seção “Superpolêmica”, da Super. O artigo foi um dos mais comentados do ano pelos leitores, vários deles profissionais da área de saúde e pacientes com casos pessoais a relatar sobre o uso de vacinas. “As vacinas são a mais eficiente intervenção médica que a humanidade já produziu”, afirma Aguinaldo Roberto Pinto, doutor em microbiologia e pesquisador do Instituto Adolpho Lutz, de São Paulo. “Desconhecer os seus benefícios é uma estupidez sem limites”, diz Cláudio Pannuti, especialista do Instituto de Medicina Tropical da Universidade de São Paulo. Aguinaldo e Cláudio admitem que não existem vacinas 100% seguras. Mas acham que usar os efeitos adversos dos preventivos para clamar contra as campanhas de vacinação fere o bom senso.

Primeiro, argumenta Cláudio, porque tais efeitos seriam tão raros que se tornariam insignificantes diante do benefício proporcionado pelas vacinas. Isso equivaleria a dizer que as três mortes associadas às vacinas no Brasil, não justificariam acabar com a vacinação que evita epidemias que, no passado, dizimavam milhões de pessoas.O segundo argumento pró-vacina é que o suposto aumento dos danos decorrentes da vacinação não passaria de uma falsa dedução.

O que estaria acontecendo é que, com o fim ou o controle de muitas moléstias infecciosas, os casos de contágio vacinal, lesões e outros efeitos colaterais das vacinas – antes diluídos entre multidões de doentes – ganharam naturalmente maior visibilidade, transformando-se num problema de primeira grandeza em sociedades liberadas de ameaças maiores. “Suspender as campanhas de imunização traria muitos prejuízos à população, com o retorno das epidemias do passado”, diz Cláudio.Nos últimos três anos dezenas de livros foram escritos sobre o lado escuro das vacinas – nenhum em português. E muitos fóruns, realizados principalmente nos países desenvolvidos, ecoaram os argumentos antivacinistas. Em quase todos os casos, os círculos oficiais da ciência, os governos e os técnicos em saúde pública optaram por desconhecer a polêmica, no pressuposto de que o atual modelo de imunização é inquestionável.

Que fique claro: nem todos os que fazem restrições às vacinas querem abolir o seu uso. “É possível utilizá-las de modo mais criterioso até que se encontre um jeito melhor de prevenir doenças”, afirma o médico Romeu Carrillo Júnior, presidente da Associação Brasileira de Reciclagem e Assistência em Homeopatia. O ponto consensual é o de que está na hora de os centros tradicionais de pesquisa se disporem a investigar os problemas relacionados às vacinas e reavaliar as práticas atuais nessa área. E é aí que se encontra um dos nós mais intrincados da discussão.

Desde a experiência pioneira de Edward Jenner, inspirada numa crença popular do interior da Inglaterra, as vacinas são poções destinadas a estimular o sistema de defesa do homem a desenvolver anticorpos contra determinados vírus ou bactérias, tornando o organismo imune às doenças causadas por esses agentes. Para tanto, utiliza-se o próprio micróbio causador da doença, morto ou atenuado em sua virulência, em composições que foram sendo aperfeiçoadas ao longo dos anos. “Vacinar é adoecer, só que brandamente, sob controle”, afirma Cláudio. A questão é que, como admite o pesquisador do Instituto Adolpho Lutz, muitas vacinas apresentam uma zona de penumbra em que os cientistas não conseguem penetrar: o processo como atuam no interior do corpo.Nascem dessa lacuna as razões para declarações inusitadas, como a de Philippe Kourilsky, do Instituto Pasteur, que reconheceu que as vacinas são mal-estudadas. E para o quadro patético descrito por Neal Nathason, diretor do Centro para Pesquisa da Aids, do governo americano, em nota recentemente publicada pela revista inglesa New Scientist. Segundo Neal, vacinas como as da hepatite B, poliomielite, sarampo e mesmo a veterana varíola são aplicadas em escala mundial sem que os cientistas conheçam até hoje seus mecanismos de ação. Aguinaldo acrescenta à lista a vacina anticoqueluche, um dos alvos preferidos dos antivacinistas pelo número expressivo de efeitos colaterais que apresenta.

Ruth Ruprecht, médica e pesquisadora da Escola de Medicina da Universidade Harvard, nos Estados Unidos, oferece uma explicação de por que isso ainda acontece: “É difícil obter recursos para pesquisar vacinas que já existem”. Os habituais financiadores de estudos científicos, entre os quais a grande indústria farmacêutica, costumam alegar que não há razão para investigar o que já foi descoberto, preferindo apostar em estudos que levem a novos produtos. “Isso é só meia-verdade”, afirma Marcos Oliveira, diretor do Instituto de Tecnologia em Imunobiológicos Bio-Manguinhos, do Rio de Janeiro, de onde sai a maioria das vacinas em uso no Brasil. “Há esforços para otimizar vacinas existentes, como é o caso da vacina contra meningite, cuja fórmula não funcionava em crianças abaixo de dois anos, e dos estudos atuais para dar mais eficácia à BCG, diante do aumento da resistência do bacilo da tuberculose”, diz Marcos.

Esse aparente descaso acirra a crítica de adversários radicais das imunizações, para os quais vacinas são fórmulas destituídas de fundamento científico. Ao mesmo tempo limita a argumentação antivacinista pela escassez de testes laboratoriais que comprovem as alegadas relações causais entre o uso de vacinas e algumas doenças.Em depoimento na Subcomissão de Trabalho e Saúde do Congresso americano, em 1997, o médico Harris Coulter, presidente do Centro de Medicina Empírica, de Washington, apresentou um rol de casos sugestivos de que, entre outros males, as vacinas estão por trás do aumento exorbitante dos casos de diabetes nos Estados Unidos nas últimas décadas. Desde 1950, o número de diabéticos naquele país cresceu mais de 1 000% – há 13 milhões de americanos diabéticos atualmente –, um incremento dez vezes maior do que o aumento da população. Coincidência ou não, a curva ascendente da doença avançou junto com a descoberta de novas vacinas e o avanço das campanhas de imunização.

Coulter, co-autor com Barbara Fisher de um livro clássico do moderno pensamento antivacinista, DPT: A Shot In the Dark (DPT: Um tiro no escuro), ainda inédito no Brasil, apontou suas baterias para três componentes de vacinas múltiplas – coqueluche, rubéola e cachumba – e para as vacinas contra hepatite B e gripe (Haemophilus influenza). “Desde a década de 70 a vacina contra coqueluche tem sido usada em experimentos com animais para estimular a superprodução de insulina pelo pâncreas”, diz Coulter. “Mas o seguimento desse processo é a exaustão e a destruição das ilhotas de Langerhans (que geram a insulina), fato que resulta num quadro de hipoglicemia e, depois, diabetes.” Como a produção de insulina no homem se dá de maneira semelhante à dos animais, o médico acredita ter encontrado aí a explicação para as estatísticas que sinalizam o aumento dos casos de diabetes após as campanhas de vacinação com a DPT nos Estados Unidos e em outros países. Não há estudos que rebatam de modo conclusivo a tese de Coulter e Fischer.No caso da vacina anti-rubeóla, ainda segundo Coulter, o efeito do vírus atenuado no organismo seria tão nocivo e persistente quanto nos casos de rubéola congênita, contraída por bebês cujas mães tiveram a doença durante a gravidez. No organismo de quem tem a doença congênita forma-se um “complexo imune”, constituído do vírus e do anticorpo correspondente, que pode perdurar por até 20 anos. Pelo men

os 20% desses indivíduos acabam desenvolvendo diabetes Tipo I, o diabetes melitus.

Considerando que entre os vacinados contra rubeóla foi constatada a existência do mesmo complexo imune até sete anos após a imunização, Coulter deduz que se tem aí um claro fator desencadeador do diabetes. Pessoas que nunca tiveram rubéola ou contraíram a doença naturalmente não exibem o complexo imune. A lista de doenças graves associadas à imunização pelos antivacinistas é longa. Inclui moléstias como o autismo, esclerose cerebral, distúrbios de comportamento e alergias como a asma, doença que mata 5 000 pessoas por ano só nos Estados Unidos.Nessa relação ocupa lugar de destaque o chamado “Mal do Golfo”, a síndrome manifestada por militares americanos que lutaram na Guerra do Golfo, há dez anos. Algum tempo após o fim da guerra, cerca de 300 000 dos 700 000 soldados enviados ao campo de batalha passaram a apresentar manifestações que vão de enxaquecas a fadiga crônica, diabetes, distúrbios cerebrais e até câncer. Para os antivacinistas, o problema foi causado pela carga de 17 vacinas que os militares tomaram antes de seguir para a guerra, entre elas a vacina anthrax, contra a bactéria utilizada em armas biológicas dos iraquianos.

As incertezas são muitas. Um dos estudos mais abrangentes foi realizado no início dos anos 90 por uma comissão interdisciplinar do Instituto de Medicina americano (IOM) e, por determinação do Congresso dos Estados Unidos, envolveu apenas queixas contra a vacina anticoqueluche. O grupo investigou 18 tipos de efeitos adversos associados à vacina, entre os quais agitação e espasmos infantis, encefalite, meningite, autismo, morte súbita de bebês, anafilaxia (choque alérgico que pode ser fatal) e diabetes. Após 20 meses avaliando estudos de casos, estatísticas epidemiológicas, experiências com animais e estudos laboratoriais, a comissão descartou toda e qualquer relação causal entre a vacina e o autismo, reconheceu evidências de que ela pode provocar agitação, encefalite e choque anafilático e deixou sem resposta o resto das perguntas alegando insuficiência de dados.

Outro estudo recente do IOM descartou a associação entre a síndrome do Golfo e a vacina anthrax. Mas não conseguiu encerrar o assunto. O epidemiologista Robert Haley, do Centro Médico da Universidade do Sudoeste do Texas, em Dallas, Estados Unidos, adverte que é preciso levar em conta outros fatores, como a exposição dos militares a armas químicas e a munição fabricada com urânio empobrecido. Também recentemente outra tese polêmica, defendida pelo jornalista Edward Hooper em seu livro The River: A Journey To The Source of HIV and Aids (O Rio: Uma jornada à origem do HIV e da Aids), ainda inédito no Brasil, foi contestada por cientistas reunidos pela Sociedade Real de Londres. Segundo Hooper, o HIV surgiu da mutação do vírus da pólio usado em vacinações no Congo, entre 1957 e 1960. A alteração teria acontecido durante o processo de atenuação da virulência do vírus através de sucessivas reproduções em chimpanzés (a técnica moderna de atenuação não envolve mais animais: consiste em submeter culturas do micróbio a alta pressão e calor). Do macaco o novo vírus mutante teria saltado para a espécie humana. Os cientistas alegam que a seqüência genética do vírus da imunodeficência em chimpanzés não confirma a tese de Hooper.

Outra face do debate expõe a questão da eficácia das vacinas na prevenção das doenças que se propõem a combater. Segundo os antivacinistas, a ineficiência é comprovada pelas estatísticas epidemiológicas. “É certo que a varíola desapareceu do mundo e a pólio foi virtualmente eliminada do Ocidente pela vacinação. Mas é exagero supor que as vacinas são responsáveis pelo controle de todas as epidemias do passado”, diz Harold Buttram, membro da Academia Americana de Medicina Ambiental, sediada em Wichita, no Kansas, Estados Unidos.

Os antivacinistas afirmam que as vacinas começaram a ser usadas quando as principais doenças infecciosas já estavam em declínio, vencidas pelas defesas naturais do organismo. Ou seja: a erradicação das doenças seria resultado de fatores como a redução da pobreza, a melhoria da alimentação e das condições de higiene e de saneamento a partir da segunda metade do século XIX. Não seria conseqüência direta da vacinação. Nos Estados Unidos, afirma Harold, o índice de mortes provocadas pelo sarampo declinou 95% entre 1915 e 1958. A vacina contra a doença só foi criada em 1964. O mesmo se deu com a coqueluche na Inglaterra, cuja incidência diminuiu 82% de 1900 a 1935. Antes do início da imunização em massa naquele país, que só foi acontecer na década de 40.A polêmica sobre as vacinas deriva de um conflito conceitual na área médica que marcou o século XIX e agora ressurge, impulsionado por novas descobertas e pelo avanço da medicina holística. São célebres os debates travados entre Louis Pasteur e Claude Bernard naquela época. Pasteur, pioneiro no estudo dos microorganismos, formulou a teoria segundo a qual cada doença possui uma causa única, um vírus ou bactéria que invade o organismo e ali produz um tipo específico de devastação. Para Bernard, a causa estava em elementos ambientais, externos e internos, e a doença não passava de uma perda de equilíbrio do organismo provocada por muitos fatores. Vem daí a noção do corpo como um “terreno” onde os microorganismos podem ou não agir de forma nociva, dependendo das condições que encontram ali. O que chamamos de doença seria mero sintoma de um mal subjacente e sistêmico, um sinal do esforço do próprio organismo para reequilibrar-se.Pasteur ganhou a parada. Além de cientista notável, o químico francês era também um polemista habilidoso que soube aproveitar a eclosão de várias epidemias, na época, para demonstrar a lógica de seu conceito de causação específica. A partir daí, todo um modelo biomédico centrado na microbiologia e, mais recentemente, na biologia molecular, deu base aos procedimentos médicos modernos – inclusive às vacinações em massa.

No livro O Ponto de Mutação, no qual discute, entre outros temas, o atual modelo médico, o físico americano Fritjof Capra afirma que, mais tarde, Pasteur reconheceu a importância do “terreno” para as enfermidades, tendo ressaltado a influência dos fatores ambientais e dos estados mentais na resistência às infecções. O químico, porém, segundo Capra, não teve tempo para empreender novas pesquisas e seus seguidores persistiram na trilha original.

Os holísticos e os antivacinistas respondem em uníssono quando a pergunta é o que fazer para evitar doenças sem vacinas: cuidar bem do “terreno”. Ou seja, manter as condições que garantiriam o bom funcionamento do sistema de defesa do organismo. Além de alimentação adequada, compõe a receita a exigência de praticar exercícios, dormir bem e evitar hábitos agressivos à saúde (álcool, fumo, drogas), a poluição ambiental e as situações estressantes. Não é fácil, mas vem crescendo o número de pessoas interessadas num caminho que evoca uma melhor qualidade de vida. A dúvida é se isso basta. “Gostaria de saber se um desses críticos das vacinações se recusaria a tomar a vacina anti-rábica se fosse mordido por um cão raivoso”, diz Cláudio. Quem vencerá o debate do século XXI – Pasteur ou Bernard?

Numa época agraciada com recursos de tecnologia impensáveis há 120 anos pode-se imaginar que ficou mais fácil dirimir velhas incertezas. Ao que tudo indica, no entanto, isso não acontecerá logo. A complexidade e os muitos interesses que envolvem a questão prometem gerar mais perguntas e farpas antes que se chegue a algum consenso.

Antídoto controversoEmpregada no país há quase 60 anos, a vacina contra a febre amar

ela assusta por seus fortes efeitos colaterais. O hábito de vacinar populações no Brasil começou com uma enorme confusão – a chamada “guerra da vacina”. Em 1904, assustados com o boato de que a injeção transmitia sífilis, milhares de cariocas montaram barricadas nas ruas do Rio de Janeiro para evitar a vacinação obrigatória contra a varíola. A casa do bacteriologista Oswaldo Cruz, que dirigia o programa sanitário, chegou a ser alvo de tiros e, temendo o agravamento dos protestos, o governo recuou. Desde então, nenhum outro fato grave tinha abalado as campanhas de imunização no país até dezembro de 1999. Naquele mês, a Fundação Nacional de Saúde (Funasa) anunciou a morte da menina Andrielly Lacerda dos Santos, de 5 anos, em Goiânia, vítima de febre amarela causada pela própria vacina contra a doença.Foi o primeiro caso no mundo, informou a Funasa. Não seria, contudo, o único transtorno recente envolvendo a vacina, obrigatória em áreas silvestres do Norte e do Centro-Oeste. Em janeiro do ano passado, Anizete Alves de Lima, de 28 anos, morreu em São Desidério, na Bahia, cinco dias após ser vacinada. Ela apresentava todos os sintomas da febre amarela. E, em 27 de fevereiro, outra jovem, Katy Cristina Ramos, de 22 anos, também faleceu em Campinas, no interior paulista, devido a insuficiência hepática e respiratória surgida no dia seguinte à vacinação. Oficialmente, só a morte da menina goiana foi associada à vacina, com base em laudo do Instituto Adolpho Lutz, de São Paulo.Na região de Campinas, outro fato chamou a atenção do Centro de Vigilância Sanitária de São Paulo na mesma época: o aumento desproporcional de casos de meningite viral após a vacinação de dois milhões de pessoas contra a febre amarela. Foram contabilizados 403 casos em dois meses. Desde 1942, há registros estatísticos que sugerem a relação entre a vacina e surtos de meningite no Brasil.Dois séculos de imunizaçãoGrandes momentos da saga das vacinas, do pus da vaca ao DNA1796Edward Jenner injeta a secreção das fístulas de uma vaca com varíola – ou seja, pus – em um menino. Semanas depois inocula a criança com varíola humana e ela não adoece. Daí o nome vacina, derivado da expressão latina materia vaccinia (“substância que vem da vaca”)

1885Louis Pasteur cria a vacina anti-rábica, após descobrir que a raiva ataca o sistema nervoso central de mamíferos e é transmitida pela saliva
1911 Começa a imunização contra a febre tifóide, doença mortal causada por bactérias e caracterizada por febre alta, diarréia e alterações cutâneas
1921 Surge a vacina BCG, contra a tuberculose. Estudo realizado na França, na década passada, sugere que, em crianças, ela é pouco eficaz na prevenção da tuberculose, mas funciona bem contra meningite tuberculosa
1925 A difteria e o tétano ganham suas vacinas. Na época, a difteria matava anualmente milhares de crianças entre 1 e 4 anos de idade, devido à obstrução da laringe e da traquéia
1926 Adotada nos Estados Unidos a vacina contra coqueluche, doença que provoca tosse convulsiva em crianças. Até hoje é o maior alvo da polêmica, por causa de seus fortes efeitos colaterais
1935 A vacina contra febre amarela, doença típica de áreas silvestres, é introduzida nos Estados Unidos. Sete anos depois passa a ser usada no Brasil, então um dos grandes focos do mal
1955 Inventada a vacina injetável contra a poliomielite, produzida com vírus inativos. Sua eficácia ficou aquém das expectativas dos cientistas
1960 Após 30 anos de pesquisas, o polonês naturalizado americano Albert Sabin fabrica uma vacina com vírus vivos da pólio, a famosa gotinha que ajudou a erradicar a doença das Américas
1964 A primeira geração de vacinas contra sarampo é produzida.
De 1967 a 1970, o preventivo ajudou a erradicar o sarampo em Gâmbia, na África. Segundo a OMS (Organização Mundial de Saúde), a doença voltou dois anos depois devido à suspensão da vacinação
1970 Surge a vacina contra rubéola, mal que ataca principalmente crianças. Em mulheres grávidas pode provocar malformação do bebê
1981A vacina contra hepatite B é fabricada com a nova técnica de proteínas recombinantes – genes do vírus são mergulhados em culturas de células, que passam a produzir antígenos. Inoculados no organismo, eles estimulam a produção de anticorpos
1993Começam os testes, em ratos, das primeiras vacinas gênicas (ou de DNA), contra Influenza tipo B, malária e Aids. A meta é chegar à vacina polivalente, de dose única e ação permanente, com a transferência de genes de agentes patológicos para células do homem
1999Têm início os testes de vacinas de DNA em humanos.

No Brasil, o experimento é feito com a vacina contra Haemophilus influenza (gripe)

Para saber mais
Na livraria:

- Childhood Immunization -Jamie Murphy, Earth Healing Products, Estados Unidos, 1998
- Vaccination – L’Overdose – Sylvie Simon, Déjà, França, 1999
- A Shot In The Dark – Harris Coulter e Barbara Fisher Avery, Estados Unidos, 1985

Na Internet:
Texto originalmente publicado na revista “Super Interessante” da Editora Abril

SOBRE A FEBRE AMARELA

Trechos da Entrevista concedida por Dráuzio Varella à Folha

FOLHA – O senhor não vê esses casos como um alerta?

DRAUZIO – Não vejo mesmo. O problema dessas fases de pânico é que muita gente que não precisa vai tomar a vacina. O sujeito está em São Paulo e vai ao Guarujá e quer se vacinar. Aí cria-se um problema social, engrossam-se as filas (…)

FOLHA – Então há subnotificação…

DRAUZIO – Fui cuidado por médicos da melhor competência, todos professores da USP, gente com muita experiência. Nenhum deles tinha visto sequer um caso de febre amarela.
FOLHA – Qual a possibilidade real da urbanização da doença?

DRAUZIO – Sempre existe, porque persistem as condições. A doença não desapareceu.
FOLHA – Qual a dificuldade de achar a cura para febre amarela?

DRAUZIO – É uma doença de pobre, que atinge um número muito pequeno de pessoas.
FOLHA – Não foi descaso do senhor de não tomar a vacina sabendo que viajava a regiões endêmicas?

DRAUZIO – É a história de não ter mais a preocupação. Ninguém fala em febre amarela.

FOLHA – O senhor é maratonista, tem preparo físico, não fuma. Isso ajudou na recuperação da doença?

DRAUZIO – Sim. Se eu fosse despreparado, obeso, cardíaco, se tivesse um problema de base não teria sobrevivido.

FOLHA – O senhor foi atendido num dos melhores hospitais do Brasil. E ainda assim diz ter sofrido. E um doente numa região pobre?

DRAUZIO – Morre. Morre.

FOLHA – A vacina é um pouco controversa. Desde 1999 quatro pessoas morreram depois da imunização. O risco compensa?

DRAUZIO – Não existe vacina segura. É tudo uma questão de analisar o risco e o benefício. Por isso não tem sentido sair vacinando as pessoas na cidade.

FOLHA – O senhor é contra a vacinação coletiva?

DRAUZIO – Está errado. Não é a medida mais inteligente.