Carta aberta às mães e pais

Diante de uma semana tão complicada e difícil, um grupo de mães escreveu uma carta. Não temos a intenção ou pretensão de saber ou entender ou resolver a gravidade de tudo o que aconteceu. A dor nos levou a pensar em plantar uma semente de amor. Porque só o amor salva e precisamos ter uma fé inabalável nesta verdade absoluta.

O presente, um dia foi uma criança.

As crianças são o futuro.

Que futuro terão nossos filhos?

Aproveitamos o sentimento de indignação e tristeza que nos abalou nos últimos dias para convoca-los para uma mobilização pelo futuro das nossas crianças. A tragédia absurda ocorrida na escola em Realengo (Rio de Janeiro) é resultado de uma estrutura complexa que tem regido nossa vida em sociedade. O problema vai muito além de um sujeito qualquer decidir invadir uma escola e atirar em crianças. Armas não nascem em árvores.

A coisa está feia: choramos por essas crianças, mas não podemos nos deixar abater pelo medo, nem nos submeter aos valores deturpados que têm regido nossa sociedade propiciando esse tipo de crime. Não vamos apenas chorar e reclamar: vamos assumir nossa responsabilidade, refletir, trocar ideias e compartilhar planos de ação por um futuro melhor. Então, mães e pais, como realizar uma revolução que seja capaz de mudar esses valores sociais inadequados?

Vamos agir, fazer barulho, promover mudanças! Acreditamos na mudança a longo prazo. Precisamos começar a investir nas novas gerações: a esperança está na infância. Vamos fazer nossa parte: ensinar nossos filhos pra que façam a deles.

Se desejamos alcançar uma paz real no mundo,

temos de começar pelas crianças. Gandhi

O que estamos fazendo com a infância de nossas crianças?

Com frequência pais e mães passam o dia longe dos filhos porque precisam trabalhar para manter a dinâmica do consumo desenfreado. Terceirizam os cuidados e a educação deles a pessoas cujos valores pessoais pensam conhecer e que não são os valores familiares. Acabamos dedicando pouco tempo de qualidade, quando eles mais precisam da convivência familiar. Assim, como é possível orientar, entender, detectar e reverter tanta influência externa a que estão expostos na nossa longa ausência? Estamos educando ou estamos nos enganando?

O que vemos hoje são crianças massacradas e hiperestimuladas a serem adultos competitivos desde a pré-escola. Estão constantemente expostos à padronização, competição, preconceito, discriminação, humilhação, bullying, violência, erotização precoce, consumo desenfreado, culto ao corpo, etc.

O estímulo ao consumo desenfreado é uma das maiores causas da insatisfação compulsiva de nossa sociedade e de tantos casos de depressão e episódios de violência. Daí o desejo de consumo ser a maior causa de crime entre jovens. O ter superou o ser. Isso porque a aparência é mais importante do que o caráter. Precisamos ensinar nossos filhos que a felicidade não está no que possuímos, mas no que somos. Afinal, somos o exemplo e eles repetem tudo o que fazemos e o modo como nos comportamos. E o que ensinamos a nossos filhos sobre o consumo? Como nos comportamos como consumidores? Onde levamos nossos filhos para passear com mais frequência? Em shoppings?

Quanto tempo nossos filhos passam na frente da TV? 10 desenhos por dia são 5 horas em frente à TV sentados, sem se movimentar, sem se exercitar, sendo bombardeados por mensagens nem sempre educativas e por publicidade mentirosa que incentiva o consumo desde cedo, inclusive de alimentos nada saudáveis. Mais tempo do que passam na escola ou mesmo conosco que somos seus pais!

Porque os brinquedos voltados para os meninos são geralmente incentivadores do comportamento violento como armas, guerras, monstros, luta? A masculinidade devia ser representada pela violência? Será que isso não contribui para a banalização da violência desde a infância? Quando o atirador entrou na escola com armas em punho, as crianças acharam que ele estava brincando.

Nós cidadãos precisamos apoiar ações em que acreditamos e cobrar do Estado sua implementação, como o controle de armas, segurança nas escolas, mudança na legislação penal, etc. Mas acima de qualquer coisa precisamos de pessoas melhores. Isso inclui educação formal e apoio emocional desde a infância. É hora de pensar nos filhos que queremos deixar para o mundo, para que eles possam começar a vida fazendo seu melhor. Criança precisa brincar para se desenvolver de forma sadia. É na brincadeira que elas se descobrem como indivíduos e aprendem a se relacionar com o mundo.

Nós pais precisamos dedicar mais tempo de convivência com nossos filhos e estar atentos aos sinais que mostram se estão indo bem ou não. Colocamos os filhos no mundo e somos responsáveis por eles! Eles precisam se sentir amados e amparados. Vamos orientá-los para que eles sejam médicos por amor não por status, que sejam políticos para melhorar a sociedade não por poder, funcionários públicos por competência e não pela estabilidade, juízes justos, advogados e jornalistas comprometidos com a verdade e a ética, enfim!

Precisamos cobrar mais responsabilidade das escolas que precisam se preocupar mais em educar de verdade e para um futuro de paz. Chega de escolas que tratam alunos como clientes.

Não temos mais tempo a perder. Ou todos nós, cedo ou tarde, faremos parte da estatística da violência. Convidamos todos a começar hoje. Sabemos que não é fácil. E alguma coisa nessa vida é?

Vamos olhar com mais atenção para nossos filhos, vamos ser pais mais presentes, vamos cobrar mais da sociedade que nos ajude a preparar crianças melhores para um mundo melhor!

Nossa proposta aqui é de união e ação para promover uma verdadeira mudança social. A mudança do medo para o AMOR, do individualismo para a FRATERNIDADE e para a EMPATIA, da violência para a GENTILEZA e a PAZ.

Ana Cláudia Bessa www.futurodopresente.com.br

Cristiane Iannacconi www.ciclicca.blogspot.com

Letícia Dawahri http://sorrisosdaalma.blogspot.com

Monique Futscher www.mimirabolantes.blogspot.com

Renata Matteoni www.rematteoni.wordpress.com

Se você gostou do conteúdo e quer se juntar à nós, publique esta carta agora em seu blog e vamos todos juntos mostrar que queremos uma sociedade melhor e que estamos prontos para o desafio de criar pessoas melhores.

Não tem blog? Mande a carta por e-mail aos amigos, dissemine esta idéia.

Além disso, vamos imprimir e levar para a escola de nossos filhos para conseguir que ela seja distribuída nas agendas  aos outros pais. Vamos agir, vamos movimentar a sociedade. Vamos mostrar a importância que a presença dos pais tem na vida das crianças, futuros cidadãos.

Vieram nos chamar, nós estamos aqui, o que é que há!

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Quem já publicou:

  1. http://ombudsmae.blogspot.com/2011/04/o-que-podemos-fazer.html
  2. http://sorrisosdaalma.blogspot.com/2011/04/carta-aberta-as-maes-e-pais.html
  3. http://futurodopresente.com.br/blog/index.php/2011/04/carta-aberta-as-maes-e-pais/
  4. http://www.possoamamentar.com.br/blog/carta-aberta-as-maes-e-pais-blogagem-coletiva/
  5. http://www.sitecristao.com/carta-aberta-as-maes-e-pais/
  6. http://www.conscienciacoletiva.com.br/2011/04/que-futuro-terao-nossos-filhos.html
  7. http://futurodopresente.com.br/ana/2011/04/cartaabertamaespais/
  8. http://www.saudedamulher.net/2011/04/carta-aberta-as-maes-e-pais-blogagem.html
  9. http://www.trezentos.blog.br/?p=5776
  10. http://claudiasimas.blogspot.com/2011/04/que-futuro-terao-nossos-filhos.html
  11. http://www.grupocria.com.br/index.php/2011/04/carta-aberta-as-maes-e-pais/
  12. http://poetrixica.blogspot.com/2011/04/divulgando-uma-carta-para-pais-e-maes.html
  13. http://drang.com.br/blog/2011/04/que-futuro-terao-nossos-filhos/
  14. http://mamaeantenada.blogspot.com/2011/04/sejamos-mudanca.html
  15. http://dricacrfviagens.blogspot.com/2011/04/carta-aberta-as-maes-e-pais-blogagem.html
  16. http://rematteoni.wordpress.com/2011/04/13/precisamos-de-seres-humanos-melhores-2/
  17. http://mimirabolantes.blogspot.com/2011/04/blogagem-coletiva-que-futuro-terao.html
  18. http://duasxmarias.blogspot.com/2011/04/carta-aberta-maes-e-pais.html
  19. http://www.ladybugbrazil.com/2011/04/14/que-futuro-terao-nossos-filhos
  20. http://mariabarriga.com.br/blog/geral/maria-barriga-na-blogagem-coletiva.html
  21. http://meumundoenadamaisevellyn.wordpress.com/2011/04/14/carta-aberta-as-maes-e-pais/
  22. http://www.pastorclaybom.com.br/pessoal/o-choro-de-um-amigo
  23. http://www.jujubalandia.org/2011/04/que-futuro-terao-nossos-filhos.html
  24. http://mamaecaprichosa.blogspot.com/2011/04/que-futuro-terao-nossos-filhos.html
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  30. http://www.ladybugbrazil.com/2011/04/14/que-futuro-terao-nossos-filhos/
  31. http://blogdati.com/2011/04/14/carta-aberta-a-todas-as-maes-e-pais-sosfilhos-filhosdobrasil/
  32. http://bleffepoprock.blogspot.com/2011/04/carta-aberta-as-maes-e-pais-que-futuro.html
  33. http://www.samshiraishi.com/semana-desarmamento-infantil/
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  36. http://filhosematernidade.com.br/comportamento/o-que-estamos-fazendo-com-a-infancia-de-nossas-criancas-cartaaberta/
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  38. http://www.blogmamiferas.com.br/2011/04/nossa-prece-por-um-mundo-melhor.html
  39. http://lilibollero.com/?p=580
  40. http://umblogdemae.blogspot.com/2011/04/carta-aberta-as-maes-e-pais-blogagem.html
  41. http://brazucasnomundo.com.br/franca/2011/carta-aberta-as-maes-e-pais/
  42. http://www.facebook.com/notes/eu-tenho-um-filho-especial/carta-aberta-%C3%A0s-m%C3%A3es-e-pais-que-futuro-ter%C3%A3o-nossos-filhos-blogagem-coletiva/10150168518895017
  43. http://umapitadadecadacoisa.blogspot.com/2011/04/familia-berco-da-educacao-cartaaberta.html
  44. http://luzdeluma.blogspot.com/2011/04/minha-infancia-fragmentos.html
  45. http://www.whatmommyneeds.net/2011/04/mudancas-vista.html
  46. http://jardimflorescer.wordpress.com/2011/04/18/que-futuro-terao-nossos-filhos/
  47. http://www.maeetudoigual.com.br/2011/04/cartaaberta-que-futuro-terao-nossos.html
  48. http://kikaaqui.blogspot.com/2011/04/carta-aberta-as-maes-e-pais-que-futuro.html
  49. http://www.zevaldoemaragogipe.com/2011/04/que-futuro-terao-nossos-filhos.html
  50. http://www.cr15.net/post/4597017143/cartaaberta
  51. http://blogdodesabafodemae.blogspot.com/2011/04/recebi-uma-carta-e-voce.html
  52. http://nossaalegria.blogspot.com/2011/04/que-futuro-terao-nossos-filhos.html
  53. http://vilamulher.terra.com.br/emilia73/que-futuro-terao-nossos-filhos-9-4742321-146049-pfi.php
  54. http://www.gbclassico.net/15746_-cartaaberta-Que-futuro-ter–o-nossos-filhos-.html
  55. http://www.aleitamento.com/a_artigos.asp?id=3&id_artigo=2481&id_subcategoria=4

 

*Lista de posts com atualização esporádica, pedimos que aguarde.

(se você poublicou a carta e seu post não está aqui, nos escreva falecom@futurodopresente.com.br e envie seu link específico -no caso de postagem-  pois pode ser que não o tenhamos encontrado e ele passará a constar aqui).

Pode ser que não haja resposta ao seu e-mail em virtude do volume de mensagens (somos mães de múltiplas jornadas!) , apenas atualizamos a lista de links. Pedimos que acompanhe. Conto com a compreensão de todos. Obrigada.

Realengo e o mal absoluto

O texto abaixo foi o grande inspirador de todo este trabalho que é o  o Futuro do Presente. Começamos tudo a partir da tragédia do menino João Hélio e este texto de autoria do Paulo Coelho , mais uma vez, atende às reflexões que precisamos fazer sempre que tragédias como essas acontecem. 

Por quem os sinos dobram?

 


Então estamos nos aproximando cada vez mais do Mal Absoluto.

Quando rapazes, em pleno controle de suas faculdades mentais, são capazes de arrastar um menino pelas ruas de uma cidade, isso não é apenas um ato isolado: todos nós, em maior ou menor escala, somos culpados.

Somos culpados pelo silêncio que permitiu que a situação em nossa cidade chegasse a este ponto. Somos culpados porque vivemos em uma época de “tolerância”, e perdemos a capacidade de dizer NÃO.

Somos culpados porque nos horrorizamos hoje, mas nos esquecemos amanhã, quando há outras coisas mais importantes para fazer e para pensar. Somos os olhos que viram o carro passar, o medo que nos impediu de telefonar para a polícia. Somos a polícia, que recebeu alguns telefonemas através do número 190, e demorou para reagir, porque o Mal Absoluto parece já não pedir urgência para nada.

Somos o asfalto por onde se espalharam os pedaços de corpo e os restos de sonhos do menino preso ao cinto de segurança. A cada dia uma nova barbárie, em maior ou menor escala. A cada dia algum protesto, mas o resto é silêncio.

Estamos acostumados, não é verdade?

Muitos séculos atrás, John Donner escreveu: “nenhum homem é uma ilha, que se basta a si mesma. Somos parte de um continente; se um simples pedaço de terra é levado pelo mar, a Europa inteira fica menor. A morte de cada ser humano me diminui, porque sou parte da humanidade. Portanto, não me perguntem por quem os sinos dobram: eles dobram por ti.”

Na verdade, podemos pensar que os sinos estão tocando porque o menino morreu, mas eles dobram mesmo é por nós. Tentam nos acordar deste cansaço e torpor, desta capacidade de aceitar conviver com o Mal Absoluto, sem reclamar muito – desde que ele não nos toque. Mas não somos uma ilha, e a cada momento perdemos um pouco mais de nossa capacidade de reagir. Ficamos chocados, assistimos às entrevistas, olhamos para nossos filhos, pedimos a Deus que nada aconteça conosco. Saímos para o trabalho ou para a escola olhando para os lados, com medo de crianças, jovens, adultos. Entra ano, sai ano, mudam-se governos, e tudo apenas piora.

O que dizer? Que palavra de esperança posso colocar aqui nesta coluna? Nenhuma.

Talvez apenas pedir que os sinos continuem tocando por nós. Dia e noite, noite e dia, até que já não consigamos mais fingir que não estamos escutando, que não é conosco, que estas coisas se passam apenas com os outros. Que estes sinos continuem dobrando, sem nos deixar dormir, nos obrigando a ir até a rua, parar o trânsito, fechar as lojas, desligar as televisões, e dizer: “basta. Não agüento mais estes sinos. Preciso fazer alguma coisa, porque quero de volta a minha paz”.

Neste momento, entenderemos que embora culpemos a polícia, os assaltantes, o silêncio, os políticos, o hábito, apenas nós podemos parar estes sinos. Nosso poder é muito maior do que pensamos – trata-se de entender que não somos uma ilha, e precisamos usá-lo. Enquanto isso não acontecer, o Mal Absoluto continuará ampliando seu reinado, e um belo dia corremos o risco de acreditar que ele é a nossa única alternativa, não existe outra maneira de viver, melhor ficar escutando os sinos e não correr riscos. Não podemos deixar que chegue este dia.

Não tenho fórmulas para resolver a situação, mas sou consciente de que não sou uma ilha, e que a morte de cada ser humano me diminui. Preciso parar minha cidade. Não apenas por uma hora, um dia, mas pelo tempo que for necessário. E recomeçar tudo de novo. E, se não der certo, tentar não apenas mais uma vez, mas setenta vezes.

Chega de culpar a polícia, os assaltantes, as diferenças sociais, as condições econômicas, as milícias, os traficantes, os políticos. Eu sou a minha cidade, e só eu posso mudá-la. Mesmo com o coração sem esperança, mesmo sem saber exatamente como dar o primeiro passo, mesmo achando que um esforço individual não serve para nada, preciso colocar mãos à obra. O caminho irá se mostrar por si mesmo, se eu vencer meus medos e aceitar um fato muito simples: cada um de nós faz uma grande diferença no mundo.

Paulo Coelho
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Postado para nos lembrar sempre que essa tragédia não pode ser esquecida e que temos o dever de lutar contra a violência em nossa sociedade. E que foi este texto que definitivamente nos inspirou a começar a Futuro do Presente. Postado em 2007, originalmente.

Assassino de João Hélio protegido. Vamos questionar?

andiceO menor infrator que participou do crime hediondo que levou o menino João Hélio a ser arrastado vivo por 7 quilômetros até a morte na frente da própria mãe em 7  fevereiro de 2007 foi solto e será enviado para outro país sob proteção da Justiça através de uma ONG (http://www.projetolegal.org.br/) voltada para os direitos Humanos.

Sabemos da importância de se recuperar e retirar os jovens do crime. Isso é tão fundamental quanto a educação infantil para mudar os futuros cidadãos  e a cara do nosso país. Por isso, antes de criticar a ação, enviei um e-mail pedindo esclarecimentos.

Foi a morte do menino João Hélio que motivou a criação do blog e que promoveu profundas mudanças na nossa vida pessoal. Diante disso e da fé de que se queremos um futuro melhor para todos e para nossos filhos,mandamos o e-mail, pois precisamos não nos omitir e questionar, reclamar e nos mobilizar. Veja nosso depoimento sobre a passeata, 1 mês após o crime.

O texto do e-mail (enviado para projetolegal@projetolegal.org.br)segue abaixo e está liberado para ser copiado, com ou sem créditos, por quem se interessar e concordar com o que está escrito e para quem quiser se manifestar e pedir explicações para a ONG que deve ter seu direito a esclarecer seu trabalho.

Que, sinceramente, esperamos que seja um trabalho sério e estruturado.

Vamos aguardar a resposta.

Boa tarde.

Meu nome é Ana Cláudia Bessa, sou carioca, tenho 38 anos e 2 filhos pequenos.
Como mãe, a morte de João Hélio me chocou a ponto de fazer  com que eu me mudasse com minha família do Rio de Janeiro.

Fiquei sabendo sobre a inclusão – através desta ONG-  do menor infrator que participou do crime hediondo cometido contra o João Hélio em 7 de fevereiro de 2007, onde ele foi arrastado vivo preso ao cinto de segurança por 7 km até morrer, em um programa de proteção.

Gostaria muito de receber maiores explicações sobre o programa onde o menor criminoso é protegido e levado para morar em outro país.
Vocês hão de convir que os cidadãos não tem o “privilégio” à proteção, nem do governo, nem de ninguém.
Se esta proteção é dada a um criminoso de um ato hediondo, no mínimo, temos o direito a saber todos os detalhes do programa já que o que se espera é uma ação estruturada e que, de fato, acompanhe e promova a recuperação desse jovem.

Queremos garantias de que ele não será apenas levado para fora do país e abandonado lá, sendo protegido de vivenciar a revolta e a punição merecida  pelos crimes que cometeu aqui e ainda apto e solto para cometer os mesmos crime lá fora.

Não me importa onde ele esteja, nem quero que ele sofra nenhuma violência, mas também não o quero solto para cometer mais crimes (seja aqui ou lá fora), tranqüilo com a vivência da impunidade e da proteção que recebeu.

Quero realmente saber os detalhes do programa e espero que não me enviem as explicações contidas no site.
Para se levar um infrator para outro país, imagino que o programa tenha estrutura, prazos e metas a serem cumpridas.

Ficarei no aguardo,

Ana Cláudia Bessa.

Quem poupa o lobo sacrifica as ovelhas….. de novo

Como falamos num post de 6 de dezembro, copiando um post do blog da Gloria Perez é essa a frase que repetimos quando mais uma criança, vítima da violência que impera em nosso país tem sua morte marcada pela impunidade de seu algoz. Neste caso, um policial.

Revoltada é uma palavra que já até fica com sentido repetitivo se eu disser que é isso que sinto.

Não consigo entender, um juiz, um jurado, um ser humano, absolver um profissional da polícia que mata uma criança, porque diz cometeu um engano. Um engano?
É…
Engano é colocar mais um lobo nas ruas. Logo matará outra pessoa, infelizmente. Matar está se tornando banal. POR ISSO EU SAI DO RIO. Corro riscos estando em qualquer lugar, corro risco quando vou para lá mas ficando lá me sentia num lugar sem lei. Mas continuo sofrendo porque nossa família e amigos continuam no meio deste cidade sem estado de direito.

Não consigo imaginar o que se passa no sentimento dessa família, da mãe que viveu todo este terror.

Sinto revolta.

Se você deixa de pagar uma conta é punido, se deixa de pagar um financiamento, é punido, achincalhado, humilhado, perturbardo dia e noite. Mas se você mata uma criança e tem todo um corporativismo para te defender, você está livre para matar novamente.

Como bem disse nosso amigo João Carlos do blog Chi vó, non pó! , que sempre participa dos comentários do blog, essa impunidade e libertação de assassinos só vai parar o dia que os juízes começarem a ser presos por seus atos, por seus “enganos”. E aí, o juiz que libertou o assassino da menina Raquel, estaria preso, afinal, foi ele que mandou um assassino condenado icapacitado do convívio com a sociedade de volta ás ruas. Homicídio doloso! Inclusive do advogado que o defendeu, como cúmplice! Vamos parar com esse negócio que todo mundo tem direitos iguais! como um assassino tem direitos iguais oas meus e aos seus que nunca matamos, roubamos, violentamos ninguém?

Sinceramente! Eu sou um ser humano muito melhor que uma pessoa que mata, esquarteja, taca fogo em crianças! A maioria da população é! E ser tratado de igual para igual em relação a estes psicopatas, é demais! Que justiça tacanha a nossa! Que justiça medíocre! Que justiça inoperante quando coloca estes assassinos numa prisão sem nenhuma ocupação e com celulares à vontade para ficar comandando o crime de dentro da cadeia!

E o Cansei? Lembram do movimento da classe artística e empresarial? Cadê o Cansei? Cansaram? Seriam tão importante que a disposição deles não acabasse tão rápido….

________________________________________________________________________________ Ana Cláudia Bessa

11/12/2008 – 00h35
PM acusado pela morte do menino João Roberto é inocentado
Juliana CastroDo UOL NotíciasNo Rio de Janeiro (RJ)
Depois de mais de três horas reunidos na sala secreta do 2º Tribunal do Júri da capital fluminense, quatro dos sete jurados votaram pela absolvição do cabo da Polícia Militar do Rio de Janeiro, William de Paula, acusado de homicídio duplamente qualificado pela morte de João Roberto Amorim Soares, de 3 anos.O menino teve morte cerebral após levar um tiro na cabeça durante uma perseguição policial na Tijuca, zona norte do Rio de Janeiro, em julho deste ano. Ao receber a sentença de absolvição do juiz Paulo de Oliveira Lanzellotti Baldez, o PM começou a chorar. Apesar de ter sido inocentado do crime de homicídio, Paula recebeu uma pena de sete meses por lesão corporal leve contra a mãe de João Roberto, Alessandra Amorim Soares e o irmão Vinicius Amorim, na época com 9 meses.

"Quem poupa o lobo sacrifica as ovelhas!"

A polícia identificou o assassino da menina Raquel: Jorge Luiz Pedroso Cunha, pedófilo militante, devia estar preso, condenado que foi por crimes de homicídio e estupro.Mas nossa justiça, sempre tão condescendente com o crime, aprovou por unanimidade um pedido de comutação de pena, e devolveu o predador às ruas! A “graça” custou a vida da menina Raquel!

***
Como puderam ver, peguei este post no blog da Glória Perez e confesso que não escrevi na época da descoberta do assassino porque não consegui colocar em palavras o tamanho da minha revolta.
Glória, com a voz de quem sabe a dor que uma violência dessa causa na vida de uma família, conseguiu exprimir em poucas palavras o que sinto, pela violência sofrida pela Raquel, pela revolta pelo nosso judiciário permissivo com o crime e implacável com o trabalhador honesto, pelo medo que sinto de que ao nos calar estejamos sendo coniventes com essas barbáries e trazendo todos os nossos filhos para que sejam vítimas de uma violência desta natureza.
Não podemos pedir proteção a Deus, devemos pedir proteção a nós mesmos que nos acovardamos diante da (in)justiça, que nos calamos diante do desrespeito à cidadania.
E essa omissão só nos leva a um caminho: a linha de fogo.
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Endurecimento de pena para quem cometeu crimes hediondos

Aos moradores do Rio que puderem divulgar e comparecer. Acredito piamente que somente a mobilização da sociedade civil poderá mudar este quadro de violência e impunidade do qual a cidade do Rio de Janeiro é grande vítima. E se as coisas não começarem a mudar logo, estarão todos os cidadãos vivendo numa cidade onde o poder paralelo do crime se tornará, de fato, o único poder. (ana cláudia bessa)


Audiência pública debate o PL 7053/2006 que prevê endurecimento de pena para quem cometeu crimes hediondos

A Comissão de Legislação Participativa aprovou, a Sugestão 80/2007, da Associação Gabriela Sou da Paz, que “sugere audiência pública para debater o Projeto de Lei n° 7.053, de 2006, que “altera dispositivos do Código Penal e Processual Penal – Retira o benefício relativo a fixação de pena para crime continuado quando se tratar de crime hediondo, tortura, genocídio; proíbe a apelação em liberdade para o condenado por esses crimes e por tráfico de drogas e o indulto para o crime de tortura; revoga o protesto por novo júri.

O referido projeto foi uma tentativa de se fazê-lo por iniciativa popular, contudo não conseguindo número de assinaturas suficientes este foi entregue ao Deputado Antônio Carlos Biscaia, as assinaturas colhidas pelo “Movimento Gabriela Sou da Paz” com o objetivo de tramitar como projeto de Lei formal. A audiência será uma oportunidade do debate com diferentes setores da sociedade civil, bem como a utilidade da participação de profissionais da área jurídica, para trazerem sua experiência como aplicadores do direito, como é o caso do desembargador Muiños Piñeiro, do RJ. Além disso, participará como palestrantes representando a sociedade civil o atual Presidente da Associação Gabriela Sou da Paz, o senhor Carlos Santiago, entidade autora da já mencionada sugestão e de representante da Pastoral Carcerária. Estarão ainda na mesa os Deputados Antonio Carlos Biscaia autor do projeto e Chico Alencar relator da sugestão de audiência pública que deu entrada via Comissão de Legislação Participativa da Câmara dos Deputados – CLP.

A audiência acontecerá dia 4 de dezembro de 2008 às 10h da manhã no plenário 4 do Anexo 2 da Câmara dos Deputados

Carlos Santiago – pai de Gabriela

Professor defende punição severa a aluno, diz pesquisa

25/09/2008 – 08h38
http://www1.folha.uol.com.br/folha/educacao/ult305u448687.shtml
FÁBIO TAKAHASHI
da Folha de S.Paulo

Os professores brasileiros querem punições mais duras aos alunos, na busca por disciplina, aponta um pesquisa nacional feita pela Organização dos Estados Ibero-americanos e pela Fundação SM. Chegam, inclusive, a defender a expulsão de estudantes.

As conclusões estão presentes no estudo “A Qualidade da Educação Sob o Olhar dos Professores”, que entrevistou 8.773 docentes da educação básica no país e que será apresentado hoje, em São Paulo.

Do total, 83% defenderam medidas mais duras em relação ao comportamento dos alunos, índice que chega a 94% se analisada apenas a rede pública.

O estudo não detalha o que são “medidas mais duras”, mas outra questão apresentada indica uma possibilidade: 67,4% disseram que deveria chegar a haver expulsão de alunos.

“As escolas brasileiras são espaços desorganizados, pouco propiciadores de um ambiente facilitador para estudo e reflexão. Isso se deve a problemas de comportamento dos alunos e a problemas de gestão e organização [das escolas]“, disse Maria Malta Campos, que coordenou o trabalho, ao citar o que pode influenciar na posição dos docentes.

Campos afirma que é contra a expulsão de alunos. “Muitos fatores precisam ser superados, mais abrangentes do que simples medidas punitivas.”

Educadores afirmam que um dos principais problemas nas escolas, principalmente das públicas, é a falta de regras claras. Nos regimentos, por exemplo, existe a possibilidade de expulsão, mas ela é pouco aplicada.

“Somos agredidos verbalmente pelos alunos diariamente. Não há mecanismo para impedir indisciplina. O professor e a supervisão conversam com alunos e pais, mas não adianta”, disse Ricardo Pinto, 41, que leciona história na rede estadual e municipal de São Paulo.

“Em tese, sou contra a expulsão, mas não tem outro jeito. Um aluno indisciplinado prejudica outros 40″, completou.

O presidente da CNTE (confederação que representa os profissionais da educação), Roberto Franklin de Leão, diz que a pesquisa mostra “um pedido de socorro” dos professores.

“Estamos abandonados pelo Estado, sem condições adequadas de trabalho. Não há, por exemplo, ajuda psicológica para os alunos e os educadores.”

Presidente do Consed (conselho de secretários estaduais de Educação), Dorinha Seabra Rezende diz que, para tentar atenuar o problema da indisciplina, o conselho tem feito capacitação de diretores para melhorar a gestão das escolas.

“Vivemos uma época em que não há limites para nada”, disse o pesquisador da Universidade de Brasília, Wanderley Codo. “A expulsão é necessária em alguns casos, como exemplo.”

Já a presidente da Apaesp (associação de pais e alunos da rede estadual de SP), Hebe Tolosa, diz que “não se pode expulsar essas crianças, elas também precisam de socorro, de ajuda psicológica do Estado”.

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"Não haverá mudanças sem nós."

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03/09/2008
Mexicana captura sozinha os seqüestradores de seu filho
Maite Rico
Em Madri

O pesadelo de Isabel Miranda começou em 12 de julho de 2005, quando seu filho, Hugo Wallace, de 30 anos, não compareceu a um encontro familiar. As ligações para seu celular não tinham resposta. Sua casa estava vazia e em ordem. Na noite anterior, Hugo havia dito a uma amiga que ia ao cinema com uma “nova namorada”. Ali foram em busca de pistas. O estacionamento estava vazio. Percorreram sem sucesso hospitais e centros de emergência. “Então fiquei louca”, diz Isabel.

A Cidade do México encabeça os seqüestros no mundo, e Hugo era um próspero empresário: a família temeu o pior.Isabel conseguiu que a companhia telefônica lhe desse a lista de chamadas para o celular de seu filho. A última havia chegado às 21h20 de 11 de julho. Localizaram a antena e sobre um mapa dividiram os bairros em um raio de 6 km, a área de cobertura. “Meu sobrinho encontrou o carro de Hugo no bairro Insurgentes. Estava mal estacionado. Ao vê-lo, comecei a chorar.”Um vigilante lhe disse que “uma mulher alta, bonita, de seios grandes” tinha estacionado ali. Morava em frente, na rua Perugino, 6, apartamento 4. Tocaram a campainha quando um menino saiu na portaria. “Agora não vão querer abrir, porque houve um problema, desceram com um rapaz ferido”, disse. Espantada, Isabel chamou a polícia. “Em vez de ajudar, não nos deixaram entrar no edifício. Colocavam obstáculos para tudo, como se protegessem alguém.

“Nesse momento a vida dessa pedagoga de 58 anos mudou. Apresentou uma denúncia por seqüestro, deixou seu trabalho e se dedicou somente à busca do filho, com a ajuda de irmãos, sobrinhos e cunhados. Durante duas semanas vigiavam a casa em turnos de 12 horas. “Não sabíamos quem estávamos procurando. Pedi em vão uma ordem de busca. Um dia trocaram o carpete. Chamamos a polícia. Nunca veio.”Nesse tempo falaram com os moradores, os coletores de lixo, a mulher da barraca de tortilhas… Conseguiram saber que nesse lugar vivia uma jovem e seu namorado, um sujeito mal-encarado que se gabava de ser da polícia. Ela era dançarina do grupo Clímax, do estado de Vera Cruz. Fazendo-se passar por secretária de uma empresa interessada em contratar o grupo, Isabel conseguiu os dados e a foto de seu alvo, Hilda González. E a localizou no outro lado do país, em Jalisco.

Isabel não largou mais sua presa, que pouco depois voltou à capital. Então a família Wallace tinha recebido uma foto de Hugo, jogado no chão e com os olhos vendados. Os seqüestradores exigiam 950 mil pesos.Isabel decidiu enviar para fora do México seu marido, um contador aposentado com problemas cardíacos, e sua outra filha. Não queria mais preocupações. A partir de Hilda, seguiu a meada e foi armando o quebra-cabeça. Disfarçada com perucas e enchimentos, rastreando, comprando vontades. “Aprendemos no ato, com criatividade”, diz. Seu irmão e um advogado amigo foram seus escudeiros. Na semana seguinte identificaram o namorado de Hilda: César Freyre, policial do estado de Morelos.

Em novembro se interrompeu o contato com os seqüestradores. Em 10 de janeiro de 2006, depois de algumas tentativas fracassadas, a Polícia Federal finalmente deteve Hilda. Freyre caiu duas semanas depois. A própria Isabel o capturou. “Meu irmão e eu nos colocamos perto do restaurante onde trabalhava sua amante. Uma noite, ao acabar a jornada, ela pegou um táxi. A seguimos até onde César Freyre a esperava.” Ao vê-los, Freyre sacou uma pistola, mas Isabel e seu irmão se jogaram em cima dele e o derrubaram. “Foi uma inconsciência. Não nos matou porque Deus é grande.

“A trama seria novelesca se não fosse pelo fato de que o corpo esquartejado de Hugo Wallace jaz hoje em algum lugar da cidade. “O mataram na mesma noite do seqüestro. Hilda confessou tudo. Meu filho ficou violento e o golpearam. Exageraram nos golpes.” Lavaram o corpo e tiraram fotos para pedir o resgate. Depois o cortaram com uma serra elétrica e desceram os pedaços em sacos de lixo.Então, sim, a polícia revistou o apartamento da rua Perugino. Nele encontraram a carteira de motorista de Hugo e manchas de sangue do jovem. “Sete meses depois do seqüestro? Nós tínhamos encontrado a casa no dia seguinte!”, suspira a mãe.

Tão aterrorizante quanto o panorama que oferecem as estatísticas de seqüestros no México: 564 em 2005; 608 em 2006, 789 em 2007, mais de 500 este ano. Esses são só os denunciados. Em termos reais, o número triplica. O México é hoje o primeiro país em seqüestros, acima do Iraque. Um país onde há 1.600 corpos policiais diferentes e descoordenados, e legislações diferentes nos estados. Onde 98% dos crimes ficam impunes e no qual morreram este ano 3 mil pessoas nas mãos do narcotráfico.A rotina de violência oferece tais episódios de brutalidade que ainda é capaz de horrorizar a sociedade mexicana, como a descoberta na última quinta-feira de 12 corpos decapitados em Yucatán. As autoridades informaram sobre a detenção de três suspeitos.

Com a descoberta das manchas de sangue de seu filho, o caso apenas começou para Isabel. Hilda deu os nomes dos cúmplices: Jacobo Tagle, Brenda Quevedo, os irmãos Alberto e Tony Castillo Cruz.Nessa época a capital mexicana ficou cheia de anúncios gigantes com os rostos dos membros do bando, sob a legenda de “seqüestrador e assassino” e uma recompensa em troca de informação. No verão de 2006, os rostos dos criminosos dividiam espaço com os retratos sorridentes dos candidatos presidenciais, em plena campanha eleitoral.Todos foram caindo, um a um. A pista de Brenda foi seguida até os EUA. O FBI a deteve em novembro passado no Kentucky. Agora está à espera da extradição. Só falta Jacobo Tagle. “Deve estar em Israel. Sua família é de lá e não há acordo de extradição.”

“Nós fizemos todo o trabalho. Alguns funcionários me ajudaram, é verdade. A promotoria nos apoiou. Mas a polícia não fez nada”, conta Isabel. Pelo caminho localizaram outras quatro vítimas de Freyre, que se somaram ao processo. Descobriu o cadáver de um comparsa do bando, assassinado por seus cúmplices. E revelou as conexões entre o grupo e agentes policiais de Morelos e da capital.Isabel enfrenta uma denúncia por tentativa de seqüestro e outra por “sujar o bom nome” de Freyre em anúncios espetaculares. Nada importante, comparado com a tentativa de atentado que sofreu há apenas dois meses, quando homens dispararam contra seu carro.”Não vou parar até encontrar os restos de Hugo. E até ver Jacobo Tagle entre as grades.” Hoje ela ajuda outras pessoas e dá conferências. E promoveu com outras organizações a grande marcha de ontem na capital, com dezenas de milhares de participantes. “Não é uma marcha a mais. É o início das mudanças de que precisamos. O que acontece conosco não é só problema das autoridades. Também tem a ver conosco como cidadãos.

” Outras 70 cidades do país e oito do exterior, entre elas Madri, também tiveram manifestações.Isabel mostra-se cética diante do recente Acordo pela Segurança assinado por todos os poderes do Estado. “Não creio no discurso político. Há oito anos dizem a mesma coisa. Não haverá mudanças sem nós.” Tradução: Luiz Roberto Mendes Gonçalves

El País

Uma perda irreparável para a nossa sociedade

Infelizmente, nós que sempre divulgamos as muitas atividades realizadas pelo MOVIMENTO GABRIELA SOU DA PAZ, informamos o falecimento na manhã de 05/09 de CLEYDE PRADO MAIA, mãe de Gabriela. Gabriela foi assassinada durante um assalto à estação do metrô no Rio e desde então, Cleyde foi incansável na luta pela condenação dos acusados pelo crime, combate ao crime organizado e na luta pela restauração da paz na cidade do Rio e em nossa sociedade como um todo. Cleyde não resistiu a um acidente vascular cerebral sofrido na manhã de quinta-feira. Cleyde encontrava-se em casa, quando sentiu-se mal, sendo levada por familiares a uma clínica próxima a sua casa e removida posteriormente para a Ênio Serra. Realizando o desejo de Cleyde (que encontrou muita dificuldade em doar os órgãos da filha) , vários órgãos foram doados. Ela com isso nos deixa mas um lindo exemplo de solidariedade e amor ao próximo.

Cleyde era uma pessoa sensacional e nos e-mails que troquei com ela, encontrei nela uma mulher forte, obstinada, educada e atenciosa. E meu último e-mail trocado com ela, não chegou a ser respondido, como ela sempre fazia. É uma perda que não podemos medir. Estou muito triste e não posso deixar de pensar no quâo próximo foi seu falecimento após a condenação dos assassinos de sua filha…….em Junho passado, menos de 3 meses atrás. Agora a incansável Cleyde, descansa.

O velório e cremação aconteceram ontem (06/09) no Cemitério Memorial do Carmo e suas cinzas serão jogadas na praia da Barra da Tijuca, como de sua filha Gabriela.

Ao Carlos Santiago – pai Gabriela e ex-marido de Cleyde e companheiro de luta no Movimento Gabriela Sou da Paz, deixamos nosso abraço, nosso pesar e nossa eterna admiração por essa sensacional mulher, ser humano e acima de tudo MÃE que foi Cleyde Prado Maia. Com certeza, ela está deixando um futuro melhor para todos nós e para nossos filhos!

Uma motociata estava sendo organizada por ela para dia 21 de setembro. Acredito que o evento acontecerá mesmo assim e será feita uma grande homenagem à Cleyde. Se você tem moto e dseja participar, procure maiores informações a respeito pela internet.

Visite: http://www.gabrielasoudapaz.org/ e www.gabrielasoudapaz.org/blog

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Policial ou bandido ?

Barba por fazer, óculos escuros, cabelos compridos, escondido num bairro da zona norte do RJ depois de diversas tentativas de “queima de arquivo”.
Após uma infância difícil, filho mais velho de três irmãos que perderam o pai quando tinha apenas 15 anos; viveu com a mãe e a avó até se casar e ainda carregava a responsabilidade de “criar” seus irmãos mais novos.

Certa vez me disse: “… já fui de tantas as formas e maneiras para sobreviver, que o que eu sou, já morreu…”

Apesar de adorar armas, fez de tudo para nunca precisar ter uma. Mas foi inevitável. Tinha que andar armado, fazia parte de sua escolha. Tentou fugir da cidade grande, indo para o interior do estado do RJ. Lêdo engano: o sistema é mais corrompido que na capital. Era “matar” ou “morrer”. Terra de ninguém.

Hoje tem 40 anos como eu. Rezo por ele todos os dias. É como um irmão pra mim. Estudamos nos mesmos colégios e até trabalhamos juntos na iniciativa privada.
Hoje, vive como se fosse um “foragido”.
Policial Civil, formação técnica e nível superior, profissional capacitado e gabaritado.
Pai de família, bem casado e com belos filhos.
Que saudade da liberdade !!!
O que é isso ?
…policial ou bandido ?

Pois bem, esse é um Policial. Certamente existem outros tantos por aí, bons como ele.
Como diferenciá-los dos demais ?
Como saber se não estamos caindo nas mãos de um “bandido” uniformizado ?
É freqüente em nossos noticiários, vermos “bandidos” dentro das corporações utilizando suas patentes como um passe livre (“carteirada”) em prol de privilégios, na grande maioria, financeiros. Não preciso nem dizer que atiram covardemente (comumente avaliado como inexperiência e/ou despreparo) sob nossos olhos da forma mais natural do mundo.

Inexperiência e despreparo DELES ? Ou de nossos POLÍTICOS que sequer ficam indignados.
É lamentável dizer que o despreparo e a inexperiência é: NOSSA !!!
Temos que nos mobilizar e participar mais do mundo em que vivemos. E não, assistirmos à tudo, como se os acontecimentos passassem numa cidade ou país visinho ao nosso. Os acontecimentos estão ao nosso redor e por vezes dentro de nossa própria casa.
Como educamos nossos filhos ?
Como “educamos” os que estão ao redor de nossos filhos ?

Recordo de minha infância quando éramos repreendidos por uma mãe vizinha que não hesitava em advertir quem quer que fosse diante de uma atitude “indevida”.
Temos que lançar mão das “armas” que realmente transformarão o mundo de nosso filhos; a Educação, o Esporte, a Coletividade, a Estrutura Familiar fortalecida, o Patriotismo, a Saúde e o Trabalho verdadeiramente honesto .

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Fabio Tôrres