XV DE NOVEMBRO!

Como estamos no mês de Novembro, achei muito apropriado republicar este texto do nosso amigo Ivo Fontan publicado em nosso blog, publicado originariamente em 15 de Novembro de 2007. Uma boa reflexão e leitura sobre a Proclamação da República.

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Recebi uma “encomenda” curiosa de nossa blogueira-mãe (ou mãe-blogueira como ela prefere): Criar um post para o dia 15 de novembro.

A curiosidade fica por conta da data, aniversário da “Proclamação da República”, e, sendo eu um MONARQUISTA (cada vez mais) convicto!
Esta revelação deve chocar a maioria de vocês. Eu entendo.
E explico.
Tudo começou na longínqua década de 50, lá no subúrbio pacato (naquela época!) de Vila Kosmos, no Rio. Uma casa, na rua Alecrim, mexia com a imaginação de todos nós, moleques do bairro. Era a sede do “Movimento Monarquista Brasileiro”. Não conhecíamos seus moradores nem frequentadores, mas chamava-nos a atenção as paredes e o muro pintados em verde-e-amarelo e os desenhos de brasões em estandartes e galhardetes espalhados pelo jardim.
A casa verde-amarela povoou a minha imaginação de garoto mas também plantou
uma sementinha na minha alma. Semente de curiosidade. Já adulto, e sem
relacionar isso com a casa, passei a buscar leituras e informações sobre a
monarquia e, principalmente, sobre o imperador deposto.
Descobri um homem extraordinário. Um ESTADISTA, assim mesmo, com todas as
letras maiúsculas. Um homem sábio, justo, idôneo, como NENHUM de nossos homens públicos desde então. Um incentivador das artes, ciências, do progresso e da justiça social. Tão extraordinário era este monarca que, pasmem, ele próprio tinha planos REPUBLICANOS para o país. E o teria levado a efeito não fosse atropelado pela história.
Pedro II despertava o respeito e admiração de seus contemporâneos chefes de estado e governo. Para o argentino Bartolomeu Mitre era simplesmente o maior governante de seu tempo. Amante de todas as formas de liberdade Pedro II permitiu que fosse criada, no seu próprio “quintal”, a serpente que o picaria, não cerceando nem perseguindo a imprensa “republicana” que se multiplicava na Corte veiculando notícias tendenciosas sobre seu governo, sua família e sua pessoa. Sua integridade como ser humano não lhe permitia aquilatar o grau de letalidade daquela peçonha.
Diferente das monarquias parlamentaristas de hoje e ainda muito mais diferente das absolutistas de ontem, Pedro II exercia, de fato, o “quarto poder”, o Moderador. Não era figura decorativa nem déspota. Governava um país com instituições sólidas e independentes. Tão independentes que o descartaram. Sua integridade certamente atrapalhava muitos “planos”.
O Brasil trocou seu Imperador maiúsculo por um punhado de imperadorezinhos de m… que implantaram suas cortes pelos quatro cantos do país. Seus descendentes estão aí até hoje!
Tão grande era o receio de que o povo “percebesse” o que havia perdido que, por muitos anos, décadas mesmo, após a tal “proclamação”, a monarquia era ridicularizada em manifestações “artísticas”; satanizada na mídia e, tudo o que a “ela” pudesse ser ligado (ainda que apenas na imaginação doentia dos novos “imperadores”), era perseguido e, se (e quando) necessário,
massacrado. Antônio Conselheiro e seus miseráveis jagunços sentiram o peso dessa mão assassina no arraial de Canudos.
Não tenho como resumir aqui tudo o mais que já li e refleti sobre este
assunto, mas afirmo que é suficiente para que eu não comemore a data de
hoje.
Apenas, melancolicamente, tento imaginar o que poderia ser hoje esse
gigantesco país caso a história tivesse sido diferente…
Também melancolicamente tenho que reconhecer: Na verdade não sou
propriamente monarquista. Sou PEDRISTA.
De nada adiantaria o regime sem seu ícone!
E, sinceramente(?), não há mais Pedro II por aí nos dias de hoje. Não entre
políticos. Com certeza!
Leia mais:

Foto: wikipedia (D. Teresa Cristina, D. Antônio, D. Isabel, D. Pedro II, D. Pedro Augusto de Saxe-Coburgo, Conde d’Eu, e os príncipes Luís e Pedro de Alcântara na Casa da Princesa Isabel e do Conde D’Eu (1888).)

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Ivo Fontan

Sacos reciclados para presente!

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Já conhece nossas embalagens para presente?


Atendendo a pedidos, agora temos embalagens para presente!

O bacana é que elas são reutilizáveis e feitas de feitas de retalhos de tecido PET.

Tamanhos P, M, G e GG

As medidas de cada tamanho podem ter alguma variação para mais ou para menos devido ao tamanhos dos retalhos utilizados.

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E cada peça é única pois são feitas artesanalmente, uma a uma, usando os retalhos disponíveis e que não teriam utilidade.

Mais uma forma de reaproveitar e de presentear nossos amigos com uma embalagem ecológica e diferente!

Dê um presente ecológico e reciclado até na embalagem do presente!

www.futurodopresente.com.br

Recuse!

blogmmagovbrhtm-saco-a-um-sacohtmRecebi o convite do Vinicius Mont Serrat do Blog Sucesso News para participar da campanha Saco é um saco do Ministério do Meio ambiente e não poderíamos ficar de fora! Mas, ao invés de falar de números, vou contar um pouquinho da nossa experiência pessoal.

Aqui em casa a gente usa sacola retornável.

p8273064pTudo começou com a @cristianefetter do blog Tô Doida, que mora nos Estados Unidos e escreveu um texto aqui pro Futuro do Presente contando sobre As Sacolas Plásticas nos Estados Unidos . Logo depois disso, ela me mandou  de presente uma sacola que vende nos mercados de lá. Aliás, uma sacola excelente e que está como nova até hoje…quase 2 anos depois. Foi essa bolsa a nossa primeira sacola retornável.

No começo, eu esquecia sempre de levar a bolsa, mas a consciência de que eu esquecia, me fez passar a deixar a bolsa dentro da mala do carro. Continuei esquecendo…mas com ela na mala, eu me obrigava a voltar ao estacionamento e pegar. E foi assim que com o tempo, eu fui passando a lembrar automaticamente de sempre levar a bolsa para dentro do mercado.

Como eu moro num local um pouco afastado dos grandes centros, os mercados aqui são menores e a gente acaba ficando mais conhecido no comércio local. E no começo me tratavam como um ET, com aquela cara de : “Como assim, a Sra. não quer levar a sacola? A Sra. traz uma sacola?”. Num dos mercados da região, certa vez, o empacotador quis me obrigar a levar a sacola! “A Sra. é obrigada a levar” e eu respondia “a compra é minha e eu não quero levar a sacola plástica, quero levar na minha sacola”

Eu já respondia rindo porque a cena foi realmente patética. Afinal, de fato, minha única obrigação ali era pagar pelas minhas compras. Se eu quisesse levar item por item na cabeça, era problema meu…rs.. Mas com o tempo, vieram os elogios, todo mundo comentava e eu virei a “moça da sacola”.

Claro que no meio dessa história, tivemos uma outra descoberta: uma bolsa só para compras de mercado semanais, era pouco. E meus sogros, vendo nosso engajamento, de repente, assim do nada, chegaram com uma sacolona enorme feita de sacos reciclados. Ou seja, nosso comportamento já estava inspirando e atingindo nossos familiares. Sentimos muito orgulho!

ist1_4325888-dark-blue-plastic-containerMas duas sacolas ainda era pouco e passamos também a usar uma caixa de plástico desmontável para garrafas, caixas de leite e itens mais pesados. p1030764pEsta por ser desmontável, também “mora” dentro do carro e é muito prática de carregar dentro do carrinho do mercado.

Foi daí que tivemos a idéia de fazer sacolas reutilizáveis feitas de tecido PET e colocar à venda no nosso site. Mas como a gente queria ter um diferencial para facilitar as pessoas a lembrarem de levar suas bolsas ao mercado, optamos pela bolsa dobrável, com fecho para que ela esteja dentro das nossas bolsas do dia-a-dia ou dentro do porta-luvas dos carros. Porque a bolsa precisa estar disponível na hora que a gente precisa. Não adianta nada a gente estar no mercado e a bolsa em casa.

E o melhor da história vem agora: o mercado, vendo nossas bolsas, perguntou onde p1060189p500a gente compra e a gente passou a fornecer para o mercado que revende a bolsa feita de tecido 100% reciclado para seus clientes!

Então, as lições que aprendemos com toda essa história é que:

-é possível mudar nossos velhos hábitos;

-as pessoas se inspiram (o mercado se inspirou por nós, que nos inspiramos na Cris e assim, sucessivamente, se cria uma corrente de conscientização);

-para reduzir, precisamos RECUSAR.

RECUSE, REDUZA, REUTILIZE!

Como incrementar seu blog

Links bacanas para incrementar seu blog:

•Como personalizar seu cabeçalho do blog no blogger

http://blosque.com/2007/05/como-personalizar-seu-blogger-blogspot_25.htm

•Liste de onde vem os visitantes do seu blog:

http://www.e-referrer.com/

•Retire a Navbar do seu blog no blogger ou blogspot

http://todoyda.blogspot.com/2009/01/sabe-aquela-barra-que-aparece-l-em-cima.html?showComment=1232717400000#c2145162490783548416

•Como divulgar seu blog

http://queroterumblog.com/como-se-espalhar-pela-blogosfera/

•Traduza suas páginas para vários idiomas (meia-boca como todo tradutor online… mas dá uma noção do que estamos falando, em outro idioma…):

http://www.worldlingo.com/

•Contadores cheios de informações

http://www.histats.com/

•Saiba quem já te linkou

http://technorati.com/

Sempre postaremos mais dicas por aqui!

Beijos!

Meus filhos "foram embora". Que bom!!!

Essa semana, revisando alguns textos do blog, achei este texto do Ivo de 24/03/07 e vou postá-lo em homanagem às tantas pessoas com filhos já crescidos e que conseguimos saber, pela nossa enquete, frequentam nosso blog. Obrigada a todos!

Meus filhos “foram embora”. Que bom!!!

- Vocês não sentem saudades dos filhos?
- A vida de vocês não ficou vazia?
- Vocês não ficam com medo de que algo ruim aconteça a eles?
Estas eram perguntas recorrentes feitas por quase todos nossos amigos diante do fato de que nossos três filhos (dois e uma) foram “estudar fora”. Poucos acreditavam quando respondíamos que: – A felicidade de vê-los (melhor dizendo, sabê-los) crescendo e se preparando solidamente para a vida superava, com folga, as saudades que (claro) sentíamos; ou – Nossa vida não ficou vazia pois nada havia “saído” dela. Ao contrário, um novo mundo havia a ela se incorporado; ou – O que de ruim poderia acontecer que não fosse possível aqui mesmo “debaixo de nossas asas”? Entendemos a estranheza. Afinal, o que fizemos foi, de fato, a “contra-mão” de uma tendência atual: filhos permanecendo nas casas dos pais até mesmo após o casamento (ou qualquer uma das modalidades de união pós-moderna!) Felizmente eu e minha esposa (Ana Paula) sempre tivemos pensamentos muito semelhantes em relação a filhos (criação, educação, emancipação etc). Estudar fora era um desses pontos sobre os quais convergíamos, embora nenhum de nós dois tenha vivido esta experiência. Aprender que as contas precisam ser pagas; que o lixo não vai embora da lata sozinho; que a geladeira não se auto-abastece; que o fogão não funciona sem gás… São pequenas e importantes lições que, na maioria das vezes, não transmitimos a nossos filhos até mesmo por acharmos que são óbvias. E não são! Deixá-los viver suas próprias experiências (boas e ruins); descobrir os caminhos; identificar e saber evitar os descaminhos; exercitar a cooperação e solidariedade do seu próprio jeito e na sua própria linguagem… Isso é crescer. Isso é se preparar para a vida! (E, porque não, aprender, por conta própria os limites entre a esbórnia e a responsabilidade!!) Claro que há alguns pré-requisitos que precisam ser cumpridos. Ter confiança de que os valores e as referências que passamos para eles são fortes e corretos o suficiente para lhes dar suporte nas dificuldades, por exemplo, é um deles. Acreditar que eles são pessoas capazes de enfrentar e resolver seus próprios problemas é fundamental. Claro que estar disponível para entrar em ação a qualquer momento que eles precisem também o é. Mas é preciso também estar preparado para “enfrentar” o fato de que eles podem não precisar de você tanto quanto você pensa ou gostaria! Sob este aspecto, por paradoxal que possa parecer, muitas vezes os filhos estudarem fora serve como fator de “emancipação dos próprios pais”!! Quanto à “vida vazia”, querem saber? há muito tempo nossa vida não é tão “cheia” quanto agora. Nove anos já se passaram desde que o primeiro deles “se foi”. Este, mestre em Engenharia de Alimentos, casado, desbrava os caminhos da vida acadêmica lecionando e pesquisando na Universidade Estadual da Bahia (brevemente ingressará no doutorado, possivelmente no exterior). Sete anos é o tempo decorrido desde que nosso amado “segundinho” seguiu os passos do irmão. Hoje Engenheiro Florestal (a dias de se tornar mestre) atua profissionalmente no Instituto Estadual de Florestas de MG pelas bandas do Rio Doce. Há cinco saía de casa nossa “caçulinha” que, por força de interrupções e mudança de curso continua estudando. Em tempo: Todos estudaram na Universidade Federal de Viçosa havendo um período em que constituíram uma saudável, divertida e memorável “República Familiar”, com a incorporação de um primo-irmão e amigos que, com o tempo tornaram-se também irmãos. Eu falava de “vida vazia”? Pois é, hoje o que não nos falta é “casa para visitar”, “locais para ir”, “pretexto para viajar”. E logo nós, que já não achávamos “muita graça” em viajar. Já estávamos nos tornando meio preguiçosos e acomodados!
Querem saber sobre nosso “relacionamento” familiar?
É só alegria! Nos falamos frequentemente (Ana e eles mais do que eu, que geralmente me contento em ter notícias e saber que estão bem). Quando nos vemos é SÓ AMOR! Não dá tempo de “estressar”!!! Quanto a nós dois, em casa sozinhos… Bem, já estão querendo saber demais!
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IVO FONTAN

Reagir ou não Reagir?

Perdi a conta das vezes em que ouvi, das mais variadas hierarquias da Segurança Pública, a recomendação de JAMAIS REAGIR a situações de agressão como roubos, assaltos, sequestros…

Além de autoridades, frequentemente as vítimas (que tem a graça de poder falar após o evento) fazem a mesma recomendação.Eu me pergunto: O que diriam aqueles que não sairam vivos (e que não são poucos)? será que eles, sabendo que “morreriam no final” não teriam tentado alguma reação que poderia ter acarretado um desfecho diferente? Quantos perderam (e perdem) a vida por seguir direitinho as recomendações dos “especialistas”?

Médiuns de plantão, por favor, psicografem mensagens desses que se foram para que eles digam se fariam de novo! Fico me perguntando o que acham os bandidos disso? Imaginem o que eles acham? Acho que esse tipo de recomendação, de forma generalizada, é uma canalhice, dado o estado de descontrole social e violência gratuita em que vivemos. Será que a recomendação mais honesta ( e eficaz ) não seria a de “avaliar” a situação e, consequentemente, a viabilidade e as chances de sucesso de uma reação?

Por exemplo:

“Procure manter-se o mais calmo possível; observe, avalie, tente certificar-se de que o agressor está mesmo com “cobertura” ou está sozinho e blefando;

Tente analisar se há mesmo uma arma, se ela é real Considere que, em grande parte dos eventos o agressor está tão ou mais nervoso do que você.

Considere que, por mais violento que ele seja ou queira aparentar que é, ele, provavelmente não é inteligente. Se fosse, certamente não estaria nessa vida que, quase seguramente será encerrada (também violentamente) muito antes dos trinta anos!

“Porque eles (as autoridades) não nos dizem que quanto mais no início do processo reagirmos maiores serão as chances de nos sairmos bem. Quanto mais o tempo passa mais os agressores se assenhoram da situação. Por exemplo, numa abordagem em local público, ao primeiro movimento no sentido de dominá-lo(a), GRITE. Tenha uma reação HISTÉRICA. Isso desconcertará o desgraçado. Não é certo que alguém vá acudi-lo(a), mas é possível. Pode haver algum policial ou alguém mais destemido ou treinado por perto. Vai saber? O bandido também não sabe!

Ouvi isso de um policial novaiorquino que atuou nas áreas mais violentas antes da aplicação da “tolerância zero”.
Ele explicava que o momento inicial da agressão, a abordagem, é o momento crucial para o bandido. Ele sabe que tem que “paralisar” a vítima, e o faz utilizando a vantagem do terror que sabe estar causando. Ele sabe também que a partir deste domínio você estará totalmente sob seu controle. Então esta é a melhor hora de “escapar”. Porque eles não nos dizem isso?

É claro que há situações em que o domínio é inevitável e a reação, suicídio. O fato é que nem todas as situações tem essa característica, e você não é alertado para isso, mas sim, orientado, como gado, para NÃO REAGIR em nenhuma circunstância. É claro também que se você não tiver auto controle suficiente para uma mínima avaliação, não deve fazer loteria com a sua vida.

Mas o diabo é a generalização! NÃO REAGIR em nenhuma circunstância é o cacete.

Muitos que reagiram morreram!? Sim, mas destes quantos de fato reagiram? (ou causaram esta impressão por um movimento involuntário diante de um desgraçado tão apavorado quanto ele?) Quantos não iriam mesmo ser “apagados” de qualquer forma, de maneira ainda mais cruel?

Estatísticas? onde estão? Quantos dos que não reagiram e morreram teriam sobrevivido? (essa estatística só com os médiuns). Se começarmos a reagir “eles” vão se tornar mais violentos ainda!!! Mais? Será? Ou vão se acovardar? Afinal é isso que eles são COVARDES. De fato há situações e situações. Não sei como eu mesmo agiria, mas o que não consigo engolir é a generalização: NÃO REAGIR em nenhuma circunstância! Não consigo aceitar isso! Não consigo entender (ou não quero acreditar) o que eles pretendem com isso!

Mas não posso deixar de pensar que eles já tentaram até nos desarmar!!!
__________________________________________________________________________________ Ivo Fontan

A INDÚSTRIA AUTOMOBILÍSTICA E O FIM DO MUNDO

Se é verdade que caminhamos para uma grande hecatombe planetária provocada pela ação humana, uma grande parcela (a maior) de responsabilidade pode ser creditada à indústria automobilística.

Nada é mais danoso, mais ambientalmente agressivo, mais devastador, do que o AUTOMÓVEL, no contexto em que nós, humanos, o colocamos no mundo de hoje.Maior fonte de emissão de dióxido de carbono entre todas as decorrentes da atividade humana:

Maior responsável pela exaustão de uma série de Recursos Não-Renováveis;
Maior responsável pela “desumanização” das cidades, dentre outras pragas, o AUTOMÓVEL segue reinando soberano sobre todos os “objetos de desejo” do ser humano.

Não há no mundo NENHUMA instituição SÉRIA que empreenda uma luta em prol da DIMINUIÇÃO gradual do número de veículos produzidos no planeta. Não há nenhuma iniciativa, de ordem governamental ou não, no sentido de por um freio neste desastre anunciado. Em todos os países cidades agonizam, se desfiguram arquitetonicamente para abrir cada vez mais “vias” para circulação de veículos em detrimento da tão decantada ( e mal compreendida ) “qualidade de vida”.

Intrinsecamente relacionada com a vaidade humana na sua vertente mais egoísta, a posse de um automóvel (novo, sempre mais e mais e mais novo!) é o senhor absoluto entre os muitos “objetos de desejo” (repito o termo por não encontrar outro mais apropriado) forjados pela nossa civilização consumista. Cidades do porte de S. Paulo e Rio (para ficarmos “em casa”) recebem em torno de VINTE MIL novos veículos por mês (cada) em suas já saturadas vias, contra menos de MIL que saem de circulação. Não importa o tipo de combustível, TODOS despejam gás carbônico na atmosfera! Criamos mil ONGs, mil BLOGs, mil SITES e sei lá mais o que, para combater o PET, o Fumo, o Álcool (bebível), os alimentos transgênicos, os defensivos agrícolas, as drogas ilícitas, a fome, a violência, a corrupção, o preconceito,o escambau! Contra a escalada absurda, irracional, catastrófica, da indústria automobilística NADA. Completamente seduzidos, (quase) todos nós, sob as mais variadas desculpas e pretextos, nos dirigimos, uma vez por ano (ou a cada dois, ou três…), a um desses “templos” (concessionárias), para a consubstanciação do “grande desejo”: O carro novo! Quantas pessoas você conhece que já permaneceram quinze anos com o mesmo carro? Eu só conheço uma, EU! Mas não quero me colocar de fora dessa não. Mesmo eu sucumbi! Sucumbi aos olhares de desdém, às críticas dos amigos, e, por que não? à sedução!

P.S. Aposto que este post baterá o recorde negativo de comentários do blog. É que o assunto é incômodo!
__________________________________________________________________________________ Ivo Fontan

TADINHO, TÁ TRABALHANDO!

Já comentei aqui neste espaço sobre a minha indignação contra o comércio escancarado e livre de produtos pirateados em todas as cidades do país. Para quem não leu ou não lembra, vou recordar duas situações surrealistas:

1) Estive em uma cidade de Minas onde não existe nenhuma loja que venda CDs (eu disse nenhuma! a última fechou por falência ). Só se compra CD PIRATA nas ruas! ;
2) Em Cabo Frio, na feirinha oficial da cidade existem barracas (legalizadas pela prefeitura, com numerinho de licença e crachazinho. Em Teresópolis também) vendendo… CDs e DVDs piratas!
Junte-se a isso os inúmeros vendedores de produtos ROUBADOS, CONTRABANDEADOS etc. e teremos um quadro aproximado do “ilegalismo” que tomou conta de nossas ruas, e com o qual nos acostumamos e, pior ainda, nos tornamos CÚMPLICES.
Somos cúmplices “ativos” quando, “espertamente”, adquirimos esses produtos. Cúmplices “passivos” quando nos colocamos contra a repressão sob a alegação de que “o coitadinho está trabalhando!”.
Esta atitude faz parte da mesma “complacência social” que leva a maioria das pessoas a considerar TODOS os moradores de favelas como sendo “pobres coitados”, “vítimas sociais” que “só estão lá porque não tem outra opção”!
Falar sobre isso (como estou fazendo) é politicamente incorreto, fascista, preconceituoso…Então tá! Me qualifiquem como bem entenderem, mas eu não tenho nenhuma “peninha” e me recuso a ser CÚMPLICE de quem vende ROUBO, CONTRABANDO ou produto de PIRATARIA. Meu conceito de TRABALHO é outro, e disso eu entendo, pois o faço desde os quatorze anos de idade!
__________________________________________________________________________________ Ivo Fontan

Uma estorinha real

“Reciclando Textos”- 20/11/2006

Faz aproximadamente vinte anos. Por contingências profissionais estava me dirigindo a uma empresa (Uma grande indústria de alimentos) localizada no bairro de Acari, no Rio. No caminho, passando por uma estrada de pouco movimento, na altura dos fundos do Ceasa, um carro acidentado ladeado por uma viatura policial e outra de uma equipe de reportagem de um jornal chamou minha atenção e me fez reduzir a marcha. Ao chegar perto senti o forte cheiro nauseante de sangue (sim, sangue tem cheiro) e percebi um dos policiais se esforçando para espantar as moscas varejeiras que, em nuvem, voejavam em torno do rosto desfigurado, sem vida, ao volante do carro acidentado.

Nauseado e arrependido de ter parado e olhado, segui para a empresa. Lá chegando, em conversa com funcionários (moradores dos arredores) soube o que acontecera. A vítima era um policial (à paisana), que havia sido seguido e abordado por bandidos que, simplesmente, o executaram. A razão? Ele era policial!

Versão dos jornais no dia seguinte: Assalto seguido de assassinato por provável reação da vítima!Vinte anos depois, a empresa não mais existe, “engolida” que foi pela favelização do local. De lá para cá contam-se às centenas os policiais civis e militares, além de bombeiros e militares das forças armadas, executados sumariamente por bandidos no Rio de Janeiro POR ANO, pelo simples fato de serem agentes da lei! Policiais fora de serviço, em geral, escondem seus fardamentos e documentos funcionais.

Muitos deles foram assassinados em seus postos ou viaturas de trabalho!

Quantos tombaram nesses vinte anos?

Este tipo de crime só passou a ser “admitido” e veiculado pelos meios de comunicação há muito menos de vinte anos, quando já não era possível tampar o sol com a peneira.
__________________________________________________________________________________ Ivo Fontan

PRECONCEITO X RACISMO. PONTO FINAL

Ontem eu assistia num canal de tv a cabo, uma entrevista com o ex-boxeador Eder Jofre. Para quem não conhece, um dos maiores ídolos esportivos do Brasil. Bicampeão mundial em duas categorias e, sobretudo, um homem reconhecido e respeitado pelo bom caráter e extrema gentileza (qualidade, para muitos, não compatível com um boxeador). Num certo momento, ao recordar um episódio em que alguém furtara a luva de um de seus triunfos que ele havia depositado no túmulo da mãe, como homenagem, Eder, com os olhos cheios d’água e expressão de extrema mágoa, deixou escapar: …”Um morfético desgraçado roubou a luva que dediquei à minha mãe”.

Garanto que a maioria dos espectadores não entendeu. Os que entenderam devem ter sentido um mal estar, como eu.

Eder tem 73 anos. Usou uma expressão (preconceituosa) de seu tempo. Morfético era um termo pejorativo para os portadores da doença de Hansen (lepra, este também um termo hoje em desuso). Vem do tempo em que a morféia ou lepra era considerada uma espécie de maldição divina. Vem lá da antiguidade, e a igreja ajudou a cultivar essa idéia absurda até o século XX.
Assim como Eder, essa expressão também fez parte do meu repertório de ofensas na meninice. Hoje, felizmente, o termo sequer é conhecido dos mais jovens, assim como o estigma da maldição deixou de pesar nas costas dos portadores da doença. O esclarecimento fez cessar a causa e com ela o preconceito. É assim que funciona.

A propósito, Eder não é preconceituoso por ter falado isso. Sua memória simplesmente resgatou do arquivo uma “ofensa pesada”, que era uma necessidade dele naquele momento. É humano!
Ainda na minha meninice os portadores de síndrome de Down eram chamados de mongolóides ou ainda mais simploriamente, de “bobos”. Este segundo termo, aliás, englobava ainda portadores de PC e, até mesmo vítimas de poliomielite, dependendo do tipo de sequela. Mais um preconceito que se foi, na proporção direta em que os esclarecimentos chegaram e foram difundidos.

Os que já passaram de meio século de vida, como eu, hão de enumerar diversos outros exemplos de preconceitos já devidamente despachados (ou em curso) para a lixeira da história por força, pura e simplesmente, da extirpação de suas causas. É assim que funciona.
- Doentes mentais (“malucos”). Hoje o termo tem outra conotação entre os jovens.
- Homossexuais. Muitos dirão que ainda há muito a ser conquistado para o fim deste preconceito. Concordo, mas voltem a trinta anos atrás e vejam o quanto se avançou!
- Portadores de deficiências motoras (“aleijões”); da fala; da audição; da visão
- “Feios”; Obesos etc etc etc

Preconceitos entram e saem de nossas vidas ao sabor dos fatos, dos estereótipos, da história civilizatória e social de cada povo. Eles fazem e farão parte da “aventura humana” até o seu desfecho, se e quando houver. Há (e haverá) para todos os gostos. Dos pequenos, inofensivos, pitorescos mesmo, até os mais graves e danosos (os envolvendo etnias, religiões etc, entre estes). Há (e haverá) também os intrinsecamente relacionados aos instintos SIM, sobretudo de preservação e sobrevivência. Estes últimos, queiramos ou não, indissociáveis (quem não os tem é ingênuo, vulnerável ou mentiroso – eu os tenho!) dos hábitos do dia-a-dia em contextos sociológicos limítrofes ao rompimento do “estado de ordem”, como ocorre hoje em cidades como o Rio de Janeiro.

Uma coisa em comum a todos os tipos de preconceito é o fato de que desaparecem, naturalmente, com o fim do fato gerador (pode demorar um pouco mais ou um pouco menos, mas desaparecem).

Há que se ter muita disposição e perseverança para a interminável (literalmente) luta contra os preconceitos, mas, sobretudo, há que se ter extremo cuidado em não confundi-lo com outras “síndromes sociológicas” muito mais graves e perniciosas como, por exemplo, o RACISMO ou o ÓDIO RELIGIOSO. Estes sim, objetos de “combate” permanente e inexorável, pois originários não de um fato concreto e nem ligados a nenhum instinto que os tornem, se não aceitáveis, compreensíveis. São fruto unica e exclusivamente do ódio e da intolerância.

Preconceito e racismo se misturam e se assemelham perigosamente, como “gripe” e “resfriado”, mas, como essas doenças, são coisas distintas. O racismo (bem como a intolerância, o sectarismo, a xenofobia) “gosta” de ser confundido com preconceito, e via de regra consegue! Pessoas bem intencionadas contribuem para esse maldito mimetismo.

Meu texto teve a intenção de chamar a atenção para isto. Falhei.
Teve também a intenção de alertar para o fato de que esta sutil confusão leva a outra ainda maior e mais explosiva: a falsa conclusão de que o Brasil é um país RACISTA. Mentira. Não é, não PODE ser, pela sua própria gênese étnica. O que não anula o fato de que “existem racistas no Brasil”.

Repito: Existem racistas no Brasil! Mas… O Brasil não é racista!
Existe ódio racial no Brasil! Mas… O Brasil não é sectário nem fundamentalista no plano religioso!
É sutil. Tão sutil que eu mesmo não consegui transmitir.

Talvez por falha minha, talvez pelo fato de que muitas mentes não queiram, de verdade, admitir esta distinção pois já incorporaram ao seu “discurso” (pois a seus atos eu duvido) “politicamente correto” esta confusão.

De fato, achei (erroneamente) que um blog poderia ser um foro para debates desta natureza. Não é. Não porque o blog, sua criadora e demais colaboradores não o queiram. Não porque tenha sofrido qualquer tipo de censura ou qualquer recomendação para falar ou não falar, disso ou daquilo, desta ou daquela forma. Ao contrário, sempre tive liberdade total de escrever sobre o que bem entendesse, da maneira que bem entendesse. Meu rompimento é tão somente uma reafirmação pessoal do meu direito de expressão, do meu direito de NÃO ser (arghhhh!) “politicamente correto” sem ser, sumariamente, julgado e condenado por pessoas a quem não posso, sequer, olhar-no-olho.

Podem também considerar como inadequação (minha) a este universo (dos blogs), cuja dinâmica confesso que não domino, acostumado que estou a debater com argumentos, contra-argumentos, réplicas e tréplicas, sempre a respeito do TEMA, e, como eu disse, olhando-no-olho. Eu não preciso e não aceito, muito menos de anônimos, julgamentos sobre MINHA PESSOA e meu caráter com base em interpretações tendenciosas (ou eivadas de pré-conceitos!!!) do que escrevo.
Por isso, mesmo sob protestos da Ana, “quem está no lugar errado sou eu”. Vida que segue.

Desejo, do fundo do coração, que o Futuro do Presente siga no seu caminho e nos seus objetivos.
Foi muito bom ter participado.
__________________________________________________________________________________ Ivo Fontan

P.S. Atendendo a pedidos da Ana alguns posts meus, previamente enviados, ainda serão publicados.