Cachaça para crianças?

Nos meses de setembro e outubro, recebemos mitos convites de festas de aniversário. Uma minoria aconteceu em casa e a maioria foi em casas de festas infantis especializadas. Mas no último final de semana aconteceu uma coisa que serve de alerta a todos.

A maioria de quem nos lê deve conhecer aquele brinquedo eletrônico com setas onde crianças e adolescentes pisam simulando passos de dança.

Eu que nunca consegui acompanhar esse brinquedo, aproveitei para fazer companhia a uma menina que queria brincar e não tinha parceira. Ela tinha em torno de 10 anos e também não sabia como operar a máquina e juntas conseguimos ligar.

Para minha absoluta surpresa, apareceu a propaganda de uma cachaça no meio da tela!

Isso mesmo, cachaça! Num brinquedo destinado a menores de idade, dentro de uma casa de festas INFANTIL.

Mas não parou por aí.

Ela, sem saber que música escolher, colocou no randomizador, e quando ela apertou o botão parou numa música, aleatoriamente. Qual o nome da música?

SUPERPUTA

Isso, mesmo, superputa. A música, eu não consegui ouvir, acredito que nem ela mas o clipe que ficou passando na tela dava a dica do que rolava: duas mulheres se acariciando e se insinuando para um homem.

Pelo que percebi, a menina nem entendeu ou prestou atenção em nada do que eu percebi. Ela queria era pular nas setas iluminadas no chão mas eu ainda estou indignada. Como ninguém nunca viu isso? Como ninguém nunca se indignou com isso?

Abordamos os responsáveis pela casa de festas, e eles disseram que nunca perceberam. Disseram que vão tomar providências. Por isso, que nós pais temos que ficar muito atentos às crianças pequenas, para que quando forem maiores, tenham condições de fazer o filtro, elas mesmas. Um grande desafio.Mas a indignação continua engasgada e pensando nas milhares de máquinas que tem por aí fazendo este tipo de marketing e tocando este tipo de música para crianças.

Amarelinha em casa

Novos usos para velhos amigos!

Fórum Criança e Consumo – dia 1 – continuação

Honrar a Infância

Achei no laptop mais conteúdo relacionado ao primeiro dia do  3º Fórum Internacional Criança e Consumo promovido pelo Instituto Alana , que aconteceu de 16 a 18 de março em SP onde estivemos, através de uma PAM –  parceria de apoio mútuo (modalidade que acabo de inventar…rs) com o blog Desabafo de Mãe (http://blogdodesabafodemae.blogspot.com/ ) e da ANEP Brasil – Associação Nacional para Educação Pré Natal (http://anepbrasil.wordpress.com/ ).
Como o conteúdo é muito interessante, vou publicar uma pequena continuação do primeiro dia.

Crianças e o mundo

As histórias contam que a infância é igual em qualquer lugar do mundo. As necessidades são as mesmas: tem desejos, é preciso separar os desejos que vem de dentro dela e os que botamos dentro delas. Honrar a criança, preservar o direito fundamental das crianças. É direito da criança poder opinar e se expressar.

Brincar vem do latim, vínculo. Brincar é se vincular com o mundo.

Quando existe democracia existe conflito de interesses mas na área de consumo e propaganda prima pela violência como os conceitos são colocados. Usar o brincar como fórmula de propaganda  é perverso por ser este o meio como a criança se comunica com o mundo.

Preservar e respeitar o pleno desenvolvimento da criança é fundamental e o Estado, a familia, a comunidade e a sociedade são responsáveis pela criança.

Pais e a propaganda

Pesquisa revelou que 73% dos pais entrevistados não querem propagandas voltadas para seus filhos.

O grande problema da propaganda infantil é que  querem vender ao invés de formar. O consumo de produtos alimentícios sem qualidade, por exemplo, está levanto ao aumento da obesidade infantil. E a ausência necessária dos pais no mundo atual trava uma luta desigual com as propagandas infantis.

Empresas e publicidade infantil

Em breve as boas empresas não anunciarão mais para as crianças. Será uma questão ética para elas. Antes, as empresas devastavam, hoje constroem florestas. O mundo corporativo está em mudança no sentido de ver o planeta como um todo e se pensarmos mais das crianças, o mundo sai ganhando pois é preciso apreciar a contribuição da criança para a evolução do mundo.

Pais e as Empresas

Aos pais, cabe tornarem-se consumidores conscientes, serem exemplo.

Deixar de comprar produtos que fazem propagadas para crianças é fundamental.

E falar isso para as crianças, pode ser um bom caminho para aquelas comecem a entender o que significa a publicidade nociva e dar à elas ferramentas para serem seus próprios críticos.

Qualquer ação para regulamentar o abuso da publicidade é mascarada como cerceamento da liberdade de expressão.

Quando na verdade, não é a propaganda que será cerceada e sim, estaremos garantindo o direito à criança à sua integridade.

Integridade = liberdade, respeito, dignidade

Palestrantes:
Ilan Brenman [Abertura] Mestre e Doutor pela Faculdade de Educação da Universidade de São Paulo (USP), bacharel em psicologia pela Pontifícia Universidade de São Paulo (PUC-SP), autor de mais 25 livros (muitos premiados). Atualmente, é considerado um dos mais importantes e renomados contadores de história do país.
Corinna Hawkes [Palestrante] É atualmente professora convidada do Departamento de Nutrição da Escola de Saúde Pública da Universidade de São Paulo e pesquisadora visitante do Centro de Políticas de Alimentação da City University, em Londres. Foi presidente do Grupo de Especialistas em Marketing de Alimentos para Crianças, da OMS.

Guilherme Canela [Palestrante] Bacharel em Relações Internacionais pela Universidade de Brasília (UnB) e mestre em Ciência Política pela Universidade de São Paulo (USP). Coordena a área de Comunicação e Informação do Escritório da Unesco no Brasil.

Cenise Monte Vicente[Palestrante] Mestre em Psicologia Social, foi coordenadora executiva da Comissão Teotônio Vilela de Direitos Humanos, Secretária Municipal de Promoção Social de Campinas e co-autora de vários livros. É consultora em direitos da criança e em responsabilidade social.

Inês Vitorino Sampaio [Mediadora] Graduada em Ciências Sociais pela Universidade Federal do Ceará (UFC). Mestre em Sociologia pela UFC e doutora em Ciências Sociais pela Universidade Estadual de Campinas (Unicamp). É professora do Mestrado em Comunicação da UFC e autora do livro “Televisão, publicidade e infância”.