Como estamos no mês de Novembro, achei muito apropriado republicar este texto do nosso amigo Ivo Fontan publicado em nosso blog, publicado originariamente em 15 de Novembro de 2007. Uma boa reflexão e leitura sobre a Proclamação da República.
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Recebi uma “encomenda” curiosa de nossa blogueira-mãe (ou mãe-blogueira como ela prefere): Criar um post para o dia 15 de novembro.
A curiosidade fica por conta da data, aniversário da “Proclamação da República”, e, sendo eu um MONARQUISTA (cada vez mais) convicto!
Esta revelação deve chocar a maioria de vocês. Eu entendo.
E explico.
Tudo começou na longínqua década de 50, lá no subúrbio pacato (naquela época!) de Vila Kosmos, no Rio. Uma casa, na rua Alecrim, mexia com a imaginação de todos nós, moleques do bairro. Era a sede do “Movimento Monarquista Brasileiro”. Não conhecíamos seus moradores nem frequentadores, mas chamava-nos a atenção as paredes e o muro pintados em verde-e-amarelo e os desenhos de brasões em estandartes e galhardetes espalhados pelo jardim.
A casa verde-amarela povoou a minha imaginação de garoto mas também plantou
uma sementinha na minha alma. Semente de curiosidade. Já adulto, e sem
relacionar isso com a casa, passei a buscar leituras e informações sobre a
monarquia e, principalmente, sobre o imperador deposto.
Descobri um homem extraordinário. Um ESTADISTA, assim mesmo, com todas as
letras maiúsculas. Um homem sábio, justo, idôneo, como NENHUM de nossos homens públicos desde então. Um incentivador das artes, ciências, do progresso e da justiça social. Tão extraordinário era este monarca que, pasmem, ele próprio tinha planos REPUBLICANOS para o país. E o teria levado a efeito não fosse atropelado pela história.
Pedro II despertava o respeito e admiração de seus contemporâneos chefes de estado e governo. Para o argentino Bartolomeu Mitre era simplesmente o maior governante de seu tempo. Amante de todas as formas de liberdade Pedro II permitiu que fosse criada, no seu próprio “quintal”, a serpente que o picaria, não cerceando nem perseguindo a imprensa “republicana” que se multiplicava na Corte veiculando notícias tendenciosas sobre seu governo, sua família e sua pessoa. Sua integridade como ser humano não lhe permitia aquilatar o grau de letalidade daquela peçonha.
Diferente das monarquias parlamentaristas de hoje e ainda muito mais diferente das absolutistas de ontem, Pedro II exercia, de fato, o “quarto poder”, o Moderador. Não era figura decorativa nem déspota. Governava um país com instituições sólidas e independentes. Tão independentes que o descartaram. Sua integridade certamente atrapalhava muitos “planos”.
O Brasil trocou seu Imperador maiúsculo por um punhado de imperadorezinhos de m… que implantaram suas cortes pelos quatro cantos do país. Seus descendentes estão aí até hoje!
Tão grande era o receio de que o povo “percebesse” o que havia perdido que, por muitos anos, décadas mesmo, após a tal “proclamação”, a monarquia era ridicularizada em manifestações “artísticas”; satanizada na mídia e, tudo o que a “ela” pudesse ser ligado (ainda que apenas na imaginação doentia dos novos “imperadores”), era perseguido e, se (e quando) necessário,
massacrado. Antônio Conselheiro e seus miseráveis jagunços sentiram o peso dessa mão assassina no arraial de Canudos.
Não tenho como resumir aqui tudo o mais que já li e refleti sobre este
assunto, mas afirmo que é suficiente para que eu não comemore a data de
hoje.
Apenas, melancolicamente, tento imaginar o que poderia ser hoje esse
gigantesco país caso a história tivesse sido diferente…
Também melancolicamente tenho que reconhecer: Na verdade não sou
propriamente monarquista. Sou PEDRISTA.
De nada adiantaria o regime sem seu ícone!
E, sinceramente(?), não há mais Pedro II por aí nos dias de hoje. Não entre
políticos. Com certeza!
Leia mais:
Foto: wikipedia (D. Teresa Cristina, D. Antônio, D. Isabel, D. Pedro II, D. Pedro Augusto de Saxe-Coburgo, Conde d’Eu, e os príncipes Luís e Pedro de Alcântara na Casa da Princesa Isabel e do Conde D’Eu (1888).)
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Ivo Fontan
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