As confissões de Maria Mariana continuam a rondar minha cabeça. Depois de alguns comentários trocados neste post aqui, chegamos a um ponto: Maria Mariana aparentemente culpabiliza as mulheres quando faz suas declarações já que aparentemente (não posso afirmar, afinal, não li o livro) coloca em nossos ombros a responsabilidade por criar os filhos, cuidar da casa, abrir mão da carreira, etc… A sociedade infringe muitas culpas às mulheres . Precisamos desencanar um pouco. A Maria Mariana é fruto dessa mesma sociedade. Mais importante do que criticar é refletir sobre isso.
A sociedade já é um poço de culpa. Seja para homens ou mulheres, a cobrança é cruel. A própria busca da felicidade é ingrata. Para mim, a felicidade é um conceito apenas, ela simplesmente não existe. Não a felicidade plena.
Explico: Ninguém é completamente feliz o tempo todo ou mesmo que por um período da vida. Felicidade é um apanhado de acontecimentos ou momentos pontuais, referentes a um determinado estágio de nossa vida. Por exemplo: Se neste momento nossa vida em família está feliz, pode ser que o trabalho não esteja. E sendo assim, não estamos completamente felizes já que , mesmo a família sendo algo muito importante, o trabalho também é. Ás vezes, está tudo bem no trabalho e na família, mas brigamos seriamente com um amigo muito querido ou mesmo nossa vida tem aquele momento de vazio inexplicável, onde aparentemente temos tudo mas ainda sentimos falta de algo que não sabemos exatamente o que é, mas que nos aflige enormemente.
E isso na vida da mulher acontece muito porque as mulheres se cobram demais: somos educadas e crescemos numa sociedade que prega que devemos ser boas filhas, boas mães, boas profissionais, boas esposas e excelentes donas-de-casa. Além disso, temos que ser lindas, esbeltas, alegres, inteligentes e espirituosas.
Eu confesso que adoraria ser tudo isso. E sempre que a gente olha para a grama do vizinho se pergunta como a mulher dele consegue fazer tudo e ainda deixar a grama verdinha..rs..
Penso que devemos começar a nos culpar menos e viver mais. Primeiramente, porque a felicidade plena não existe, a impossibilidade de encontrá-la só gera frustração e tristeza. Seguindo este princípio, já podemos concluir que não vamos desempenhar todos os papéis de nossa vida com maestria e perfeição, tem sempre algum ponto que vamos falhar, às vezes , pelo simples motivo de que não estamos inspirados para fazer um determinado trabalho ou ter uma determinada atitude num momento específico. Uma hora estamos inspirados no trato com nossos pais, outra com nossos filhos, em outro deixamos a casa um pouco de lado mas nosso cabelo está belíssimo, quanta diferença!
Aqui em casa, vivemos uma situação marcante com relação a culpa. Eu e meu marido, como já contei aqui, estamos, ambos, no segundo casamento. A diferença é que eu não tive filhos, mesmo depois de 10 anos. Foi uma opção, já que me casei muito cedo. Ele, teve um filho e quando começamos a namorar, um pouco antes de nossos divórcios saírem, a culpa por viver afastado do filho ainda era algo muito presente em sua vida. Contudo, apesar de eu não ter tido filhos, sou filha de pais separados desde meus 4 anos de idade e foi muito fácil para mim, ajudá-lo a entender que ser filho de pais separados não é o fim do mundo e tem , como tudo, suas vantagens. O importante de se frisar é que enquanto a culpa foi presente em sua vida, tudo era mais difícil em todos os aspectos: na vida do filho que percebia isso, na vida dele que o entristecia enormemente e na nossa relação. E não é fácil mesmo. Meu marido é um ótimo pai mas tinha consciência de que não poderia dar felicidade ao filho se ele mesmo não fosse feliz. Mas quem disse que isso adiantava? Foi a minha experiência com esse aspecto da vida que ajudou todos nós porque eu, um dos vértices dessa história, não me via como vítima do descaso dos meus pais. Pelo contrário, eles se casaram novamente tiveram outros filhos (irmãos queridos e muitos presentes em minha vida). Confesso que a carga ficou bastante em cima de mim por conta de acabar sendo o fiel da balança, tanto para apaziguar, quanto para conflitar, já que tinha hora que eu mesma soltava meus cachorros…rs…
Mas o fato é que o fim da culpa na cabeça de todos foi o final de todos os conflitos, internos e coletivos, a respeito.
Então, nós mulheres, principalmente, que tendemos a querer carregar o mundo nas costas, podemos fazer nossas escolhas sem precisarmos ser perfeitas o tempo todo. Tem hora que é dos filhos, tem hora que é do marido, tem hora que é do trabalho, tem hora que é sua. Vamos encontrar nosso equilíbrio.
Agora, por exemplo, está todo mundo com fome e sem tomar café da manhã. Mas eu gosto de escrever e acordei mais cedo cheia de vontade de escrever sobre isso. Logo, estão todos esperando eu terminar, porque escrever é assim, tem que ser na hora que as idéias estão em nossa mente. Se deixar passar, as idéias se perdem. Então este é o meu momento, sem culpa. Ninguém vai morrer de fome, literalmente.
Mas nem sempre fui assim, é algo que vamos conquistando.
Adoro sabedoria popular e os ditados expressam muito bem isso. Então, como se diz:
“A vida não é um mar de rosas.”
Desculpe-se , acostume-se e seja feliz nos seus momentos felizes.
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