Política que se aprende em casa e na escola

Se queremos pensar no futuro que vamos deixar para nossos filhos, temos que pensar em política e devemos exercer o voto consciente e responsável. Devemos estudar nossos candidatos, conhecer seus currículos, ver se têm a ficha limpa, analisar a postura na campanha (ele é ético, suja as ruas com suas propagandas, tem projetos com metas e prazos a serem cumpridos, qual seu histórico político?). Mas podemos (e devemos) ir além.

Me pergunto se diante do – triste e vergonhoso -  atual cenário político brasileiro, não é hora de começarmos também a educar nossos filhos politicamente? Será que nossa dificuldade em votar vem justamente na falta de base educacional política? Não seria hora de ensinar política às crianças já na escola? Qual a importância dos cargos políticos? Como devemos atuar, cobrar e acompanhar o desempenho do eleito durante o mandato? Não deveríamos/poderíamos aprender isso no colégio?

Sei que a grade escolar já está sobrecarregada. O mundo está tão diversificado que cada dia mais precisamos de uma base mais ampla de ensino (vide na grade escolar de muitas escolas a inclusão de filosofia, educação financeira, educação sexual, etc.). Acredito que, com o passar do tempo, haverá uma necessidade incontestável de aumentar o turno escolar diante de tantas matérias a se cumprir. Mas, no caso da política, o que fazer? Podemos continuar votando tão mal? Podemos continuar nos dando ao luxo, ou dando luxo aos maus políticos de continuarem fazendo a bandalheira que fazem sem o menor pudor? E nós, os pais, o que podemos fazer para falar de política dentro da nossa casa?

Sei que meu texto tem mais perguntas do que respostas. Eu mesma tenho mais perguntas do que respostas na minha, sempre surpreendente, missão de educar os filhos que coloquei nesse Brasil. Mas é das perguntas que surgem as mudanças e quem sabe, não aparecem um profissional que entenda de política e um pedagogo para nos ajudar com um ‘Pequeno manual de política para crianças, em casa e na escola’. Pronto, já sugeri até o título. ;-)

Mas, são apenas crianças e jovens que precisam ser ensinados sobre política? E os políticos? Qual a qualificação que eles precisam ter para exercerem funções de tamanha responsabilidade? Os políticos deveriam ser mais bem preparados?

Se você é médico, teve que estudar para exercer sua profissão. O mesmo se é jornalista, engenheiro, químico. Mas e o político? Ele apenas foi eleito com um determinado número de votos e pronto. Não significa que ele esteja apto a exercer um cargo político. Será que também não é hora de ter a obrigatoriedade de se fazer um curso para exercer o mandato?

Não, não acho e nem falo de um curso de política que crie políticos profissionais. Até porque, muitos políticos conseguem seus votos não pela capacidade intelectual, mas pelo trabalho que desenvolvem em uma comunidade ou com a participação atuante em entidades que representam alguma classe social ou profissional. O que falo é de um curso, como para tirar a carteira de motorista, como uma prova de Conselho Profissional (como CRM, CREA, etc.). Foi eleito, então agora ele tem que fazer o curso e prestar exame para exercer o cargo. ESTUDAR. Aí, muitos defenderão que alguns representantes do povo não têm base educacional, e são sim, figuras de representatividade onde foram eleitas. Ok. Então agora, amigo, se essa figura representativa quer ir além da sua comunidade e fazer algo de relevante  vai precisar sim se esforçar e passar no exame admissional . Entender do riscado, como se diz.

Pode parecer uma ideia estapafúrdia, mas esses eleitos pelo povo vão fazer e votar leis de interesse público. Essas leis precisam ser viáveis e coerentes, caso contrário, além de não serem aplicáveis, ficam tomando um tempo precioso de avaliações e votações que poderia estar sendo ocupado com providências que realmente fossem mudar nosso país para melhor.

Quem faz as leis? Tem conhecimento para isso? São leis aplicáveis? Adianta o judiciário ser sobrecarregado de leis que não funcionam? Adianta termos direitos que não nos atendem? Adianta existirem ações que não tornam o Brasil um país melhor?

Quem sabe assim, não deixa de ser tão fácil ser político. Quem sabe assim, quem entra lá pensando em tirar vantagem da máquina administrativa possa entender o significado dos votos que recebeu e respeitar melhor o cargo que irá ocupar.

O que penso é que precisamos mudar tudo na política que temos hoje em nosso país e talvez, as soluções importantes, mais uma vez, recaiam sobre a EDUCAÇÃO: seja dentro de casa, seja na escola, seja para assumir um cargo político.

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Texto publicado também: Ciclo Comunicar Política

[imagem: http://www.umsabadoqualquer.com/]

XV DE NOVEMBRO!

Como estamos no mês de Novembro, achei muito apropriado republicar este texto do nosso amigo Ivo Fontan publicado em nosso blog, publicado originariamente em 15 de Novembro de 2007. Uma boa reflexão e leitura sobre a Proclamação da República.

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Recebi uma “encomenda” curiosa de nossa blogueira-mãe (ou mãe-blogueira como ela prefere): Criar um post para o dia 15 de novembro.

A curiosidade fica por conta da data, aniversário da “Proclamação da República”, e, sendo eu um MONARQUISTA (cada vez mais) convicto!
Esta revelação deve chocar a maioria de vocês. Eu entendo.
E explico.
Tudo começou na longínqua década de 50, lá no subúrbio pacato (naquela época!) de Vila Kosmos, no Rio. Uma casa, na rua Alecrim, mexia com a imaginação de todos nós, moleques do bairro. Era a sede do “Movimento Monarquista Brasileiro”. Não conhecíamos seus moradores nem frequentadores, mas chamava-nos a atenção as paredes e o muro pintados em verde-e-amarelo e os desenhos de brasões em estandartes e galhardetes espalhados pelo jardim.
A casa verde-amarela povoou a minha imaginação de garoto mas também plantou
uma sementinha na minha alma. Semente de curiosidade. Já adulto, e sem
relacionar isso com a casa, passei a buscar leituras e informações sobre a
monarquia e, principalmente, sobre o imperador deposto.
Descobri um homem extraordinário. Um ESTADISTA, assim mesmo, com todas as
letras maiúsculas. Um homem sábio, justo, idôneo, como NENHUM de nossos homens públicos desde então. Um incentivador das artes, ciências, do progresso e da justiça social. Tão extraordinário era este monarca que, pasmem, ele próprio tinha planos REPUBLICANOS para o país. E o teria levado a efeito não fosse atropelado pela história.
Pedro II despertava o respeito e admiração de seus contemporâneos chefes de estado e governo. Para o argentino Bartolomeu Mitre era simplesmente o maior governante de seu tempo. Amante de todas as formas de liberdade Pedro II permitiu que fosse criada, no seu próprio “quintal”, a serpente que o picaria, não cerceando nem perseguindo a imprensa “republicana” que se multiplicava na Corte veiculando notícias tendenciosas sobre seu governo, sua família e sua pessoa. Sua integridade como ser humano não lhe permitia aquilatar o grau de letalidade daquela peçonha.
Diferente das monarquias parlamentaristas de hoje e ainda muito mais diferente das absolutistas de ontem, Pedro II exercia, de fato, o “quarto poder”, o Moderador. Não era figura decorativa nem déspota. Governava um país com instituições sólidas e independentes. Tão independentes que o descartaram. Sua integridade certamente atrapalhava muitos “planos”.
O Brasil trocou seu Imperador maiúsculo por um punhado de imperadorezinhos de m… que implantaram suas cortes pelos quatro cantos do país. Seus descendentes estão aí até hoje!
Tão grande era o receio de que o povo “percebesse” o que havia perdido que, por muitos anos, décadas mesmo, após a tal “proclamação”, a monarquia era ridicularizada em manifestações “artísticas”; satanizada na mídia e, tudo o que a “ela” pudesse ser ligado (ainda que apenas na imaginação doentia dos novos “imperadores”), era perseguido e, se (e quando) necessário,
massacrado. Antônio Conselheiro e seus miseráveis jagunços sentiram o peso dessa mão assassina no arraial de Canudos.
Não tenho como resumir aqui tudo o mais que já li e refleti sobre este
assunto, mas afirmo que é suficiente para que eu não comemore a data de
hoje.
Apenas, melancolicamente, tento imaginar o que poderia ser hoje esse
gigantesco país caso a história tivesse sido diferente…
Também melancolicamente tenho que reconhecer: Na verdade não sou
propriamente monarquista. Sou PEDRISTA.
De nada adiantaria o regime sem seu ícone!
E, sinceramente(?), não há mais Pedro II por aí nos dias de hoje. Não entre
políticos. Com certeza!
Leia mais:

Foto: wikipedia (D. Teresa Cristina, D. Antônio, D. Isabel, D. Pedro II, D. Pedro Augusto de Saxe-Coburgo, Conde d’Eu, e os príncipes Luís e Pedro de Alcântara na Casa da Princesa Isabel e do Conde D’Eu (1888).)

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Ivo Fontan

Blog Day 2010 e a internet livre

Blog Day 2010

Hoje é o Blog Day. Este movimento foi criado para movimentar os blogs de forma a que uns indiquem outros e se conheçam e divulguem. Eu gosto dessas campanhas e apoio porque quando conhecemos novas pessoas e o que elas estão fazendo, podemos encontrar outras com interesses semelhantes aos nossos e isso, claro, provoca uma união, uma coletividade e abre mil e uma janelas de novas possibilidades.

Por isso, eu não poderia de deixar de indicar o meu amigo João Caribé (@caribe) que nos mantém sempre alertas para lutar contra o AI-5 digital e nos convocou para uma blogagem coletiva, hoje, em repúdio a políticos que querem aproveitar que nossas atenções estão voltadas para as eleições para fazer tramitar o voto de uma lei em caráter de urgência com intenção de criminalizar o uso da internet.

A intenção destes políticos é clara: censurar a internet sob o pretexto da pedofilia e os cibercrimes. Não podemos deixar que calem a nossa voz, a mais democrática e transformadora , nunca antes vista na história do mundo, que é a internet.

O interesse deles é esse: impedir que nos expressemos e nos mobilizemos. E o mundo, principalmente o Brasil, continua exatamente como está. Não podemos deixar. Participe da blogagem coletiva e mostre que VOCÊ  está atento.

E que já foi o tempo em que eles faziam as coisas na surdina, sem ninguém saber em benefício próprio, promovendo sempre o atraso e a estagnação do nosso país e dos nossos direitos como cidadãos.

Crianças e Política

Nossa participação no Ciclo Comunicar Política, mais uma excelente iniciativa da Rede Nós da Comunicação .

Política que se aprende em casa e na escola

Prêmio Óleo de Peroba

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@marcelotas conta em seu blog que o Sarney, presidente do Senado Federal, empregava ilegalmente, seu neto no Senado. Para encobrir o fato, o mesmo foi exonerado de forma totalmente discreta para ninguém perceber (sociedade que paga seu salário e dos parentes que emprega ilegalmente). Não bastando isso, a mãe do rapaz, mulher do filho do Sarney, foi imediatamente contratada para seu lugar!

Enquanto tudo isso acontece, no mesmo texto, Tas conta que ele almoça num dia da mesma semana com o Boni, aquele mesmo que era Globo, regado a um vinho que custa em torno de US$5 mil por garrafa!

Me pergunto: o que podemos fazer contra isso? Até quando vamos aguentar sem reagir?

O que fazer contra uma situação que vai muito além do voto consciente?

O que fazer quando nem o voto consciente basta porque a grande massa é inconsciente? Quando a maioria que eleje escroques para os cargos de comando de nosso país são manipulados pelos velhos e abomináveis “currais eleitorais” em troca de uma cesta básica, um par de sapatos ou uma dentadura?

Leia +
Ato secreto no Senado beneficiou neto de Sarney
Depois de exonerar neto de Sarney, senador petebista nomeia para o cargo a mãe do rapaz http://www.correiobraziliense.com.br/html/sessao_3/2009/06/11/noticia_interna/id_sessao=3&id_noticia=117816/noticia_interna.shtml
Mãe de neto de Sarney teria assumido vaga do filho Senado http://noticias.terra.com.br/brasil/interna/0,,OI3818763-EI7896,00.html
Senado acumula mais de 300 atos secretos para criar cargos e nomear http://www.estadao.com.br/estadaodehoje/20090610/not_imp385153,0.php

Somos trouxas !

“Neste momento, agora, empresários, lojistas, operários, trouxas,TROUXAS estão pagando o imposto de renda. Estão pagando imposto de renda para gente que não tem vergonha na cara mandar amigos sirigaitear em Miami, Paris, Roma, aonde quer que seja. E não vai lhes acontecer nada, porque este é um povo estúpido que não reage.”

(Luiz Carlos Prates, comentarista do Jornal do Almoço, exibido na RBS de Santa Catarina, que fala sobre o recente escândalo no Congresso Nacional referente ao abuso no uso das cotas de passagens aéreas para os parlamentares.)

 

Achei este vídeo no blog Pensar Enlouquece do Alexandre Inagaki. Recomendo a leitura do post completo. Vale!

Prêmio Óleo de Peroba

Eu queria muito escrever sobre esse escândalo que é o uso indevido dos CARTÕES CORPORATIVOS do governo. Aí, veio o Zuenir Ventura, na sua coluna diária , mencionar o PRÊMIO ÓLEO DE PEROBA narrando o festival de desculpas esfarradas que somos obrigados a ouvir nos últimos tempos, motivado pelas justificativas risíveis dadas pelo reitor da UnB ao justificar os gastos de 465 mil reais na decoração de seu apartamento em Brasília com dinheiro público.

Sensacional, perfeita a criação do PRÊMIO.

Espero que ele não brigue com a gente mas vamos introduzir aqui o nosso Prêmio Óleo de Peroba para a ex-Ministra da Igualdade Racial, que a meu ver, por uma questão até filosófica, jamais poderia encabeçar a lista de valores gastos indevidamente com um dinheiro que não é dela. Logo ela, que estava ali para defender e preservar os direitos das minorias. Como pode ter a CARA DE PAU de gastar tanto dinheiro público de forma tão vergonhosa com tanta gente passando fome, sem escola, professor sem salário, sem médico, sem hospital, E COM UMA MAIORIA DE VÍTIMAS DO SISTEMA, SENDO NEGROS!.

PRÊMIO ÓLEO DE PEROBA pra MATILDE RIBEIRO

Também no jornal está o gasto da obra faraônica da CIDADE DA MÚSICA ROBERTO MARINHO na Barra, no Rio de Janeiro. A obra já superou em 5 vezes o gasto estimado e com o valor já daria para construir outra Linha Amarela, outro Engenhão, ou ainda 5 novos Hospitais. A cidade do Rio de Janeiro está abandonada à desordem e à violência e nosso prefeito está construindo uma sala de concertos, numa cidade que mal usa plenamente o Teatro Municipal e a Sala Cecília Meirelles. Qualquer projeto da iniciativa privada é estudado á exaustão para ver se há viabilidade e demanda, OS DA PREFEITURA SÃO FEITOS POR VAIDADE, AFINAL, UM MONSTRO DESSES NO CORAÇÃO DA Barra, jamais será esquecido.

PRÊMIO ÓLEO DE PEROBA pra CÉSAR MAIA

Eu, leiga que sou, não vejo demanda no Rio de Janeiro que justifique uma Sala de concertos dessa magnitude num local distante como a Barra. Se ele fizesse uma, cinco vezes menor, já seria bem grande, ainda daria para construir mais 4 hospitais, ou quem sabe dois hospitais + 6 escolas ou 3 hospitais + 2 escolas + sistema para impedir uso de celulares na Polinter ou 1 hospital + 5 escolas + 2 creches públicas ou 1 hospital + 3 escolas + x casas populares, ou ….

__________________________________________________________________________________ Ana Cláudia Bessa

Não gostou? Desliga! Simples assim? – Parte 2

Relembrando as premissas com as quais encerramos a primeira parte:

- A televisão de penetração maciça, no Brasil, é a TV aberta, comercial e com predominância das chamadas redes – quatro ou cinco grandes conglomerados de emissoras que “distribuem” uma programação, em grande parte comum, por todo o país.

- Sendo comercial a TV norteia sua programação em função da maior captação possível de telespectadores (audiência)

- As programações das TVs, quase que totalmente, são produzidas nos grandes centros – principais cidades do país – por pessoas (técnicos, artistas e profissionais em geral) pertencentes a grupos sociais típicos desses grandes centros.

Sendo verdadeiras (e até que me provem o contrário o são) essas premissas, uma enorme quantidade de questionamentos são pertinentes, como: O mesmo programa que é visto por uma família de classe média de uma grande cidade, cujos componentes possuem alto grau de escolaridade, cultura e informação, é visto pelos moradores das favelas dessa mesma cidade, pelos habitantes de uma pequena vila rural a centenas ou milhares de quilômetros dos grandes centros e ainda pela população miserável de um município perdido nos grotões (muitas vezes através de um único aparelho situado na praça do vilarejo). Cabem as perguntas? Os idealizadores, produtores, diretores, etc. desses programas estão cientes e levam em conta essa realidade? Cada um desses telespectadores “recebe” da mesma forma, ou, pelo menos, da forma concebida pelos realizadores, o que está assistindo?

Ainda com base nas premissas: A aferição da audiência pressupõe a pesquisa. Para isso, empresas especializadas desenvolvem técnicas e metodologias. Se a audiência é o que determina o “valor” do espaço publicitário, ou seja, quanto maior a audiência maior o potencial de venda do produto anunciado, é lícito deduzir que as tais pesquisas são realizadas entre “consumidores” em potencial. Ora, qual o verdadeiro tamanho da massa populacional não-consumidora? lembrando que aí não se incluem apenas aqueles que não possuem poder aquisitivo, mas também os que não se enquadram no “perfil de consumidor” dos produtos que a TV veicula. Eles também assistem TV!

Quanto à geração dos programas, talvez esteja aí a mais rica fonte de teses envolvendo a influência da televisão. Com destaque especial para os programas chamados genericamente de “shows” e para as novelas, por serem os que alcançam maior audiência nas grades de programação, cabe a indagação: Até que ponto uma produção televisiva retrata e, consequentemente, transmite e dissemina realidades, códigos, valores, linguagem etc inerentes aos grupos sociais de seus realizadores ou autores?

Aqui cabe uma pequena viagem no tempo. Voltemos, não muito longe, à época pré-televisiva ou mesmo à dos primórdios da TV. Como evoluía culturalmente um grupo social? Como se tomava conhecimento de “novidades”, em todos os setores da atividade humana? Como se assimilavam novos valores, comportamentos etc? É claro que a velocidade dessa evolução era proporcional ao acesso do grupo a informações, isso equivale a dizer que, nos grandes centros se dava de forma mais significativa do que nas pequenas ou mais afastadas comunidades. “Tudo no seu devido tempo”, diziam, sabiamente, nossos avós. As novidades chegavam via meios de comunicação (rádio, imprensa escrita, telefone), cinema etc. As próprias pessoas promoviam “trocas” através, por exemplo, de relatos e impressões de viagens. Enfim: sem saudosismo, podemos dizer que havia tempo para se absorver e assimilar as novidades.

A televisão mudou radicalmente essa realidade. É ela a principal responsável pela quebra das barreiras geográficas no caminho da informação. É ela (e não, ainda, a internet!) que, ignorando distâncias, leva os fatos, em tempo real, a qualquer lugar. O quanto isso é ruim? O quanto isso é bom?

Na realidade, mais do que veicular informações em tempo muito curto, a TV adquiriu um papel ainda mais preocupante: ela tornou-se de certa forma “avalista da realidade”, isto é, os fatos tornam-se reais se e porque “deu na TV” (aqui está outro diferencial importante da TV em relação à internet). Consequentemente, as coisas que não aparecem na TV são desimportantes ou simplesmente não existem!?

Muito se tem que pesquisar, observar e debater ainda para se chegar às respostas de, pelo menos, parte dessas perguntas. Não tenho dúvidas, entretanto, de que estão enganados os defensores da tese de que a TV é “meramente” um instrumento de entretenimento, fabuloso pelo seu alcance e penetração, e essencialmente “democrático” pela existência de um seletor de canais e um botão de desligar!

Antes fosse! Antes fosse!!

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Texto de Ivo Fontan

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Não gostou? Desliga! Simples assim? – Parte  1


http://futurodopresente.com.br/blog/index.php/2007/06/nao-gostou-desliga-simples-assim-parte-1/

Não gostou? desliga! Simples assim? – Parte 1

Pode parecer, à primeira vista, que o tema que vou abordar nesta série de textos não tem muita relação com o propósito deste blog. Eu penso que tem e muito. Se tratamos de assuntos que dizem respeito ao futuro que pretendemos construir para nossos filhos, não podemos deixar de lado nada que faça parte integrante e relevante deste mundo. Sobretudo aquelas que tem influência direta na formação de nossa capacidade de ver e pensar o mundo. Neste rol, a TELEVISÃO ocupa um papel que não pode e não deve ser subestimado.

Muito tempo ainda transcorrerá até que a verdadeira importância da televisão como elemento de transformação social seja compreendida. Entre nós são pouco mais de cinco décadas (apenas) de existência, das quais somente as duas últimas de efetiva massificação, ou seja, “penetração” em, praticamente, todos os segmentos da sociedade.

“A televisão é integradora, instrumento de evolução e insubstituível como veículo de comunicação e informação”;

“A televisão é o principal instrumento de desagregação social e familiar. Perniciosa e disseminadora de comportamentos e opiniões inadequados para a maioria da população”;

“A televisão não passa de um grande e democrático meio de entretenimento. Não induz nem estimula comportamentos ou idéias incompatíveis com os verdadeiros valores de quem a assiste”

As três teses encontram defensores convictos em todos os níveis da sociedade. Não se duvide que, até mesmo a segunda encontra adeptos dentro da própria “comunidade televisiva”.

A questão, no entanto, é muito mais complexa do que qualquer das teses possa contemplar. Além de faltar, como dissemos no início, “tempo de observação” (e não há nada que se possa fazer para acelerar o tempo!) falta também fechar o foco e definir melhor o que chamamos de televisão. Estamos falando de programação? Falamos de linguagem? do preparo ou competência ( ou despreparo e incompetência ) das pessoas e/ou empresas que operam o veículo? É adequado o sistema de concessão de canais e sua exploração com fins comerciais? Ou falamos do aparelho em si, ou seja, defendemos uma ou outra tese com relação, simplesmente, à entrada indiscriminada de imagens, informações e opiniões, casa-a-dentro das pessoas via essa “maravilha tecnológica” cada vez mais acessível.

Definido o que estamos chamando de “televisão” é preciso ainda particularizar os “grupos” ou segmentos sociais alvo da análise, já que, em um país tão vasto e com os contrastes sócio-culturais como os encontrados no Brasil, falar em população como mero coletivo de cidadão, sem levar em conta as abissais diferenças que separam grupos (às vezes até geograficamente próximos) é garantia de erro em qualquer estudo de ordem sociológica.

Com essas considerações quero dizer que as três teses são defensáveis e reprováveis ao mesmo tempo! É uma questão de “misturar”e combinar parâmetros: o que estamos chamando de televisão e de população?

Vamos partir de três premissas:

- A televisão de penetração maciça, no Brasil, é a TV aberta, comercial e com predominância das chamadas redes – quatro ou cinco grandes conglomerados de emissoras que “distribuem” uma programação, em grande parte comum, por todo o país.

- Sendo comercial a TV norteia sua programação em função da maior captação possível de telespectadores (audiência)

- As programações das TVs, quase que totalmente, são produzidas nos grandes centros – principais cidades do país – por pessoas (técnicos, artistas e profissionais em geral) pertencentes a grupos sociais típicos desses grandes centros.

Continua na próxima postagem

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Texto de Ivo Fontan

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Não gostou? Desliga! Simples assim? – Parte  2 http://futurodopresente.com.br/blog/index.php/2007/06/nao-gostou-desliga-simples-assim-parte-2/