Animação: Publicidade pega pesado com as crianças

Excelente animação da Revista Galileu!

Fórum Criança e Consumo – Dia 2 – parte 3

Consumo Infantil, capitalismo e o papel da família

Somos contemporâneos da crise. A modernidade não está respondendo os grandes problemas da humanidade. O capitalismo fracassou para 2/3 da população do planeta. A maior parte das coisas na vida é difícil mas o capitalismo nos faz preferir as coisas fáceis. “Direitos Humanos” é luxo num mundo onde não temos direitos básicos como alimentação, por exemplo. O setor administrativo é seletivo, enquanto o repressivo é absoluto.O Estado só responde pela camadas privilegiadas da sociedade.

O Mercado, que é uma entidade abstrata, é tratado como um Deus a ponto de vermos atletas fazendo propaganda de cerveja na televisão. Tem coisa que não comungue mais do que bebida alcoólica e esporte?

A publicidade cria o desejo pelo não-necessário. A publicidade infantil é um tipo de pedofilia vertical. A erotização infantil precoce, nada mais é que a adultização num ser biologicamente infantil. E os produtos que ostentamos nos agregam valor. Não é interessante perceber que as roupas de grife passaram a colocar as etiquetas do lado de fora?
90% do aprendizado acontece entre 0 – 6 anos de idade que é considerada a fase em que temos maior capacidade de aprendizado, justamente a fase onde aprendemos a ser seres humanos independentes. Nem tudo pode ser permitido, as crianças têm necessidade de controle e censura.

Como criar uma sociedade que não viole o direito da criança a uma infância sadia?
ATV causa uma certa hipnose visto que prende nossa atenção por horas a fio sem que consigamos dar atenção a outra atividade. No Brasil, a criança fica, em média, 5 horas na frente da TV, mais tempo do que permanece na escola. A criança não tem discernimento para entender as mensagens publicitárias enviadas em sua direção: para elas, uma bicicleta e um copo d’água tem o mesmo valor. Uma forma de tirar as crianças dessa hipnose da televisão é incentivá-los a criar seus próprios brinquedos. Isso demanda tempo, atenção, concentração e exercita a criatividade. Tudo começa na imaginação, precisamos estimulá-la.

O que é preciso para uma pessoa ser feliz?
Como ensinar as crianças a serem felizes sem se comparar com os colegas? É preciso ensinar às crianças que a felicidade é uma realidade interior. Valores infinitos e valores de subjetividade. Generosidade, solidariedade e a prática de serviços desinteressados.]

Como os pais podem desestimular o consumo nos filhos sem que estes se sintam excluídos do seu círculo social já que maioria esmagadora dos outros pais (e sociedade em geral incluindo família e escolas) estão absolutamente passivos ou envolvidos diante do apelo consumista? Fiz esta pergunta à mesa e a resposta foi surpreendente pela simplicidade e pela constatação da dificuldade que os pais encontram em educar.

Como educar a criança diante da pressão consumista? Dando o exemplo. O que os pais querem quando levam o filho para passear num shopping a não ser dar a eles um referencial de consumo? Shopping é um templo de consumo, uma droga virtual baseado num mundo perfeito construído para encantar. Uma super proteção (shoppings, condomínios) que acaba por nos tornar inseguros e torna esses bens como mínimos referenciais.

“Estou apenas observando quanta coisa existe que eu não preciso para ser feliz” (Sócrates)

Em contra partida, os pais não encontram aliados quando querem fazer diferente e remar contra a maré de consumo imposta pela sociedade e sofrem pressão por todos os lados: escola, mídia, Estado. Os cidadãos precisam se ajudar, os cidadãos precisam ajudar os pais.

A Escola não está preparada. Cantinas reforçam a aversão das crianças aos alimentos saudáveis. Falta de orientações claras permitem competição entre materiais, brinquedos, roupas. A escola que deveria ser de igualdade (todos iguais juntos para aprender, usando uniforme e materiais iguais) se torna um local de competitividade por melhores brinquedos , presentes, roupas, marcas – mais um local onde eles aprendem a exibir o materialismo como valor essencial.

FREI BETTO [Palestrante] Frade dominicano e escritor, assessor de movimentos sociais. Estudou jornalismo, antropologia, filosofia e teologia. Com 51 livros publicados, escreve para vários jornais e revistas e profere palestras no Brasil e no exterior.
Benjamin Barber [Palestrante] : Teórico político de renome internacional. Foi Professor de Ciências Políticas (Walt Whitman) da Universidade de Rutgers por 32 anos, e em seguida, Professor de Sociedade Civil (Gershon e Carol Kekst) na Universidade de Maryland e durante cinco anos trabalhou como consultor informal do Presidente Bill Clinton. Os 17 livros de Benjamin Barber incluem o clássico Strong Democracy (1984), McWorld (1995 com uma edição pós 9/11 em 2001, traduzido para vinte e sete línguas) e Consumido: Como o Mercado Corrompe Crianças, Infantiliza Adultos e Engole Cidadãos , publicado em 2007 por W.W. Norton nos Estados Unidos e em sete edições estrangeiras.

Crianças como cidadãos ou como consumidores?

com Taís Vinha do blog Ombudsmae.blogspot.com

Fórum Criança e Consumo – dia 2 – parte 2

Antes de começarmos, quero dizer que este foi um dos palestrantes que mais gostei, tanto pela qualidade do que foi dito (no sentido do tema) quanto pela qualidade do palestrante que inclusive pediu para que as luzes da platéia fossem aumentadas para que ele se sentisse interagindo com a mesma.

O  que há de errado com o Capitalismo? Ele,  indiscutivelmente, triunfou perto de outros sistemas e muitos países triunfaram quando adotaram o capitalismo.
Claro que depende do ângulo, afinal não se pode dizer que um sistema é triunfante quando levamos em consideração que maior parte absoluta da população do mundo vive na miséria.

O capitalismo infantiliza os adultos, usa as crianças e transforma cidadãos em consumidores. O adulto passa a se comportar como criança  – eu quero consumir – e compra sem critério e necessidade criando pessoas viciadas em comprar (compralismo). É a insatisfação compulsiva , que citamos no nosso debate de mães, leia aqui. Capitalismo parou de produzir bens para produzir/fabricar necessidades. E isso está criando uma geração de compradores que aos 18 anos já se tornaram compradores compulsivos – com  muita disposição e nenhuma responsabilidade.

Comprar = prazer = drogas
”Não economize, gaste”
“Não se preocupe com a produção, consuma.”
“Não se preocupe com o seu descanso = lojas 24h”
“Não precisa sair de casa = internet”

O adulto pode escolher não consumir o que não precisa enquanto a criança precisa do adulto para fazer esta escolha. Começamos a violentar a infância e as crianças deixam de ser crianças para serem potenciais consumidores. A erotização nada mais é do que criar produtos para crianças como se fossem adultos. Corrompemos as crianças.
Há shoppings que já separam filhos de seus pais com o intuito de deixar as crianças mais vulneráveis. Vivemos hoje um momento de totalitarismo comercial e publicitário e não de liberdade de expressão e escolha.
Internet pode ser usada por crianças mas não para publicidade e sim para o aprendizado.

Capitalismo está dando fim à democracia e ao pluralismo e vem privatizando a sociedade. O mundo está igual em todas as partes do mundo.  O grande problema é o capitalismo preguiçoso. Interesses sociais são públicos e as escolas não podem ser privadas. Nossas escolhas privadas têm conseqüências públicas, como por exemplo, o carro que escolhemos (consumo de combustível, óleo, etc). E até a água engarrafada compramos que consome plástico, transporte, etc.  Não podemos ser apenas consumidores, precisamos ser cidadãos.
Precisamos produzir nossas necessidades reais ou continuaremos a ser o velho capitalismo que inventa necessidades ao invés de produzir bens necessários.
Um exemplo é o i-phone: câmera ruim, games ruins, telefone ruim, navegador ruim e um monte de gente diz que precisa de um.
Meu trabalho produz reais necessidades? Cidadãos que escolhem onde trabalhar de forma a contribuir com a melhoria do mundo. Princípios éticos que vão além das nossas palavras e daquilo que julgamos ser certo que O OUTRO faça. E nós, o que fazemos?
Criar cidadãos sem fronteiras depende de nós, não do Lula ou do Obama.

Benjamin Barber [Palestrante] : Teórico político de renome internacional. Foi Professor de Ciências Políticas (Walt Whitman) da Universidade de Rutgers por 32 anos, e em seguida, Professor de Sociedade Civil (Gershon e Carol Kekst) na Universidade de Maryland e durante cinco anos trabalhou como consultor informal do Presidente Bill Clinton. Os 17 livros de Benjamin Barber incluem o clássico Strong Democracy (1984), reeditado em 2004 em uma edição de vigésimo aniversário; o atual best seller internacional Jihad vs. McWorld (1995 com uma edição pós 9/11 em 2001, traduzido para vinte e sete línguas) e Consumido: Como o Mercado Corrompe Crianças, Infantiliza Adultos e Engole Cidadãos (Consumed: How Markets Corrupt Children, Infantilize Adults, and Swallow Citizens Whole), publicado em 2007 por W.W. Norton nos Estados Unidos e em sete edições estrangeiras.

Fórum Criança e Consumo – dia 2 – Refletir o Consumo

A visão do consumo na ótica das Mudanças Climáticas

Falar de Consumo Infantil pode parecer estranho num primeiro momento e algo com o que não temos com que nos preocupar, mas é importante lembrar que a ecologia era tratada como algo sem fundamento e hoje é tratada por chefes de Estado pois ecologia é uma questão social, econômica e de desenvolvimento industrial. Copenhagen embora não tenha refletido resultados práticos significativos, representou um grande progresso no sentido de ter conseguido reunir 120 chefes de Estado e isso se deve à pressão da sociedade.

Qual a nossa responsabilidade neste processo? Qual a nossa ação concreta?

O cidadão pode mudar a realidade quando diz que não votará no candidato novamente se determinada questão não for resolvida. E talvez assim, tivéssemos saído com resultados mais importantes de Copenhagen.

Precisamos sair da zona de conforto. Vamos deixar tudo para a próxima geração? Crianças e futuras gerações estão sendo usadas como desculpas para que a gente não faça a nossa parte.

E o que o consumo tem a ver com as mudanças clmáticas? Não somente a produção mas o consumo também fomenta o desmatamento. A maior parte de nossa água vem da Amazônia e a desmatam porque há quem consuma. Seus grandes predadores são os madeireiros, a soja, carne e couro.

A empresas distribuidoras precisam dizer que não querem mais fazer parte do problema.

Os consumidores precisam começar a se manifestar dizendo que não consomem produtos produzidos em área de desmatamento. O poder de compra dá ao consumidor o poder de transformar as empresas. O pior tribunal para uma empresa é sua imagem junto ao público.

Uma sociedade calada é uma sociedade ausente e culpada.

Queremos que os governos e empresas mudem mas nós também precisamos mudar para que consigamos mudar este modelo predatório de desenvolvimento.

Marcelo Furtado [Palestrante] : Engenheiro Químico com especialização em Administração e mestrando em Engenharia Elétrica na Escola Politécnica da Universidade de São Paulo (USP). Atua junto ao Greenpeace na área ambiental há 19 anos. Atualmente é o Diretor Executivo da organização no Brasil.

Fórum Criança e Consumo – dia 1 – continuação

Honrar a Infância

Achei no laptop mais conteúdo relacionado ao primeiro dia do  3º Fórum Internacional Criança e Consumo promovido pelo Instituto Alana , que aconteceu de 16 a 18 de março em SP onde estivemos, através de uma PAM –  parceria de apoio mútuo (modalidade que acabo de inventar…rs) com o blog Desabafo de Mãe (http://blogdodesabafodemae.blogspot.com/ ) e da ANEP Brasil – Associação Nacional para Educação Pré Natal (http://anepbrasil.wordpress.com/ ).
Como o conteúdo é muito interessante, vou publicar uma pequena continuação do primeiro dia.

Crianças e o mundo

As histórias contam que a infância é igual em qualquer lugar do mundo. As necessidades são as mesmas: tem desejos, é preciso separar os desejos que vem de dentro dela e os que botamos dentro delas. Honrar a criança, preservar o direito fundamental das crianças. É direito da criança poder opinar e se expressar.

Brincar vem do latim, vínculo. Brincar é se vincular com o mundo.

Quando existe democracia existe conflito de interesses mas na área de consumo e propaganda prima pela violência como os conceitos são colocados. Usar o brincar como fórmula de propaganda  é perverso por ser este o meio como a criança se comunica com o mundo.

Preservar e respeitar o pleno desenvolvimento da criança é fundamental e o Estado, a familia, a comunidade e a sociedade são responsáveis pela criança.

Pais e a propaganda

Pesquisa revelou que 73% dos pais entrevistados não querem propagandas voltadas para seus filhos.

O grande problema da propaganda infantil é que  querem vender ao invés de formar. O consumo de produtos alimentícios sem qualidade, por exemplo, está levanto ao aumento da obesidade infantil. E a ausência necessária dos pais no mundo atual trava uma luta desigual com as propagandas infantis.

Empresas e publicidade infantil

Em breve as boas empresas não anunciarão mais para as crianças. Será uma questão ética para elas. Antes, as empresas devastavam, hoje constroem florestas. O mundo corporativo está em mudança no sentido de ver o planeta como um todo e se pensarmos mais das crianças, o mundo sai ganhando pois é preciso apreciar a contribuição da criança para a evolução do mundo.

Pais e as Empresas

Aos pais, cabe tornarem-se consumidores conscientes, serem exemplo.

Deixar de comprar produtos que fazem propagadas para crianças é fundamental.

E falar isso para as crianças, pode ser um bom caminho para aquelas comecem a entender o que significa a publicidade nociva e dar à elas ferramentas para serem seus próprios críticos.

Qualquer ação para regulamentar o abuso da publicidade é mascarada como cerceamento da liberdade de expressão.

Quando na verdade, não é a propaganda que será cerceada e sim, estaremos garantindo o direito à criança à sua integridade.

Integridade = liberdade, respeito, dignidade

Palestrantes:
Ilan Brenman [Abertura] Mestre e Doutor pela Faculdade de Educação da Universidade de São Paulo (USP), bacharel em psicologia pela Pontifícia Universidade de São Paulo (PUC-SP), autor de mais 25 livros (muitos premiados). Atualmente, é considerado um dos mais importantes e renomados contadores de história do país.
Corinna Hawkes [Palestrante] É atualmente professora convidada do Departamento de Nutrição da Escola de Saúde Pública da Universidade de São Paulo e pesquisadora visitante do Centro de Políticas de Alimentação da City University, em Londres. Foi presidente do Grupo de Especialistas em Marketing de Alimentos para Crianças, da OMS.

Guilherme Canela [Palestrante] Bacharel em Relações Internacionais pela Universidade de Brasília (UnB) e mestre em Ciência Política pela Universidade de São Paulo (USP). Coordena a área de Comunicação e Informação do Escritório da Unesco no Brasil.

Cenise Monte Vicente[Palestrante] Mestre em Psicologia Social, foi coordenadora executiva da Comissão Teotônio Vilela de Direitos Humanos, Secretária Municipal de Promoção Social de Campinas e co-autora de vários livros. É consultora em direitos da criança e em responsabilidade social.

Inês Vitorino Sampaio [Mediadora] Graduada em Ciências Sociais pela Universidade Federal do Ceará (UFC). Mestre em Sociologia pela UFC e doutora em Ciências Sociais pela Universidade Estadual de Campinas (Unicamp). É professora do Mestrado em Comunicação da UFC e autora do livro “Televisão, publicidade e infância”.

Fórum Criança e Consumo – Dia 1:Honrar a Infância

Como todos sabem, estivemos no 3º Fórum Internacional Criança e Consumo promovido pelo Instituto Alana , que aconteceu de 16 a 18 de março em SP através de uma PAM –  parceria de apoio mútuo (modalidade que acabo de inventar…rs) com o blog Desabafo de Mãe (http://blogdodesabafodemae.blogspot.com/ ) e da ANEP Brasil – Associação Nacional para Educação Pré Natal (http://anepbrasil.wordpress.com/ ) estarei esta semana em SP.
Estar presente neste evento é muito importante para nós por ser uma bandeira que sempre defendemos: criança não pode ser tratada como mero potencial consumidor.
Criança tem que ser respeitada.


A realização de eventos como este são importantes para conscientizar. Afinal, não mudaremos a realidade sem participação, e críticas sem participação, não protagonizam mudanças. Por isso, é importante aceitarmos o convite para debater, pensar e trocar impressões a respeito do tema Publicidade Infantil que é um desrespeito ao universo da criança.
SÓ EXISTE O PRESENTE – PRESENTE DO PASSADO, PRESENTE DO PRESENTE, PRESENTE DO FUTURO. (SANTO AGOSTINHO)
Uma nova história sempre pode ser construída quando uma criança nasce. Não podemos simplesmente ignorar e desprezar essa magia e esse leque imenso de possibilidades incríveis que são as crianças.
As crianças brasileiras ficam em torno de 5 horas na frente da TV, mais do que na escola em horário regular. Isso é muito tempo de exposição da criança à mídia e a exposição excessiva gera hiperatividade, distúrbios de saúde e violência na infância. Um bom exemplo, é o fumo. Ele não aumenta a chance de câncer? A exposição da criança à violência aumenta os casos de violência na infância e a violência tira a criança do convívio social. Além disso, a privação ao direito de imaginar está impedindo que as crianças consigam se ver no futuro e continuar a repetir o modelo atual de mídia que atinge as crianças – promoção de consumo a qualquer custo – , será um grande desastre.
O mundo adulto é a maior dificuldade pois repetimos conceitos prejudiciais já instituídos no mundo em que vivemos. Depressão e os modelos inatingíveis de beleza (e magreza), por exemplo, estão aí para todos verem todos os dias na tela da TV. No mundo corporativo, por exemplo, é comum tratar os profissionais como executivos. O que são os executivos? São aqueles que matam. Nada mais que um reflexo da realidade competitiva do atual mercado de trabalho: um executando o outro. E as crianças repetem os nossos modelos.
No caso dos alimentos, a coisa fica mais séria de forma comprovada através de estudos. Alimentos dominam a publicidade voltada para crianças e a maioria esmagadora desses alimentos não são recomendados para as crianças.
MARKETING CRIA VONTADE DE CONSUMIR – CRIA DEMANDA


A cultura geral do consumo prega a capacidade e a vontade de consumir como sendo uma ESCOLHA e, sendo assim, isso é uma coisa boa para a sua vida pois ter direito à escolha é sinônimo de boa vida. E isso é estendido á infância como sendo um direito da criança.
Mas é realmente uma escolha?

Os adultos têm o dever de contestar. Que criança queremos ter?
A mídia dentro do programa infantil, muitas vezes, não permite à criança diferenciar o marketing em si do programa que ela está assistindo. E a associação de um produto ou alimento ao seu herói ou personagem de TV favorito, é imediata. As embalagens feitas para atrair as crianças e a associação de alimentos com poucos nutrientes a brinquedos, também são armadilhas que afetam a preferência da criança e elas importunam os pais para conseguir o que querem.

A publicidade sabe disso.

A imagem é poderosa e a TV aberta é gratuita e de fácil acesso, está dentro da casa da gente. Sem contar que os responsáveis pelas crianças também são influenciados pela mídia.
Crianças levam hábitos adquiridos durante a infância até a idade adulta, assim como o peso excessivo é levado ao mundo adulto. A obesidade será uma das principais causas de morte no futuro.
Mais de 20 países tem política de marketing de alimentos para crianças mas o conteúdo deixa a desejar, não são claras e são contestáveis, o que realmente as impede de serem eficazes no seu propósito.
O que deve conter essas políticas?

Proteção à saúde da criança. Ponto. E não podemos pensar nisso somente para o futuro, porque na realidade o futuro nunca chega. Precisamos defender a criança, agora, no presente, através de uma sociedade civil organizada onde a legislação seja apoiada por profissionais (como pediatras, pedagogos, psicólogos, professores, etc.) que entendam e respeitem a infância.
A Lei de Proteção aos animais antecede as leis de proteção às Crianças e, no passado, muitos advogados usavam as leis de proteção aos animais para defender as crianças.
1883 – Congresso internacional de Proteção à Criança (Paris)
1924 – Declaração de Genebra
1959 – Declaração dos Direitos da Criança
1989 – Convenção dos Direitos das Crianças (ONU)


A Lei Brasileira representa um grande avanço pois o ECA – Estatuto da Criança e do Adolescente derruba por terra o argumento normalmente usado como: “melhor interesse da criança”, pois define que a criança tem que ter prioridade absoluta.
O respeito aos direitos das crianças é uma questão social. A TV Cultura, após denúncia, parou de veicular publicidade em sua programação infantil e viu-se diante de um enorme rombo em seu orçamento e isso os levou a buscar outras alternativas.
É importante incentivar estudos para nos basear em fatos concretos e não em “achismos” ou preferências. Ressaltar pontos positivos da mídia e regulamentar pontos negativos. Merchandising social, por exemplo, é positivo quando promove inclusão de crianças com Síndrome de Down como personagem de novela, pois sucinta debates e permite objetivar discussões a respeito de um tema importante para o desenvolvimento de uma sociedade sadia.
O diálogo na família também é importante e as crianças são aptas a entender os argumentos em prol do planeta pois esta é uma questão atual em seu universo e vem de encontro direto ao consumo consciente.
A escola ainda ignora a mídia como assunto e não se vê conversas dentro do ambiente escolar sobre propaganda, marketing e companhia. Os pais e a escola devem incentivar a criança a construir a brincadeira ao invés de serem meras espectadoras (através de rádio comunitária, montagens teatrais, elaboração de jornais, etc) passando-as a atores ao invés de platéia. Transformando-as em seres auto-crítico (“isso eu não quero assistir.”).
Compartilhar responsabilidades entre escolas, pais, empresas e sociedade é fundamental para avançarmos e respeitarmos a infância.

Palestrantes:
Ilan Brenman [Abertura] Mestre e Doutor pela Faculdade de Educação da Universidade de São Paulo (USP), bacharel em psicologia pela Pontifícia Universidade de São Paulo (PUC-SP), autor de mais 25 livros (muitos premiados). Atualmente, é considerado um dos mais importantes e renomados contadores de história do país.
Corinna Hawkes [Palestrante] É atualmente professora convidada do Departamento de Nutrição da Escola de Saúde Pública da Universidade de São Paulo e pesquisadora visitante do Centro de Políticas de Alimentação da City University, em Londres. Foi presidente do Grupo de Especialistas em Marketing de Alimentos para Crianças, da OMS.

Guilherme Canela [Palestrante] Bacharel em Relações Internacionais pela Universidade de Brasília (UnB) e mestre em Ciência Política pela Universidade de São Paulo (USP). Coordena a área de Comunicação e Informação do Escritório da Unesco no Brasil.

Cenise Monte Vicente[Palestrante] Mestre em Psicologia Social, foi coordenadora executiva da Comissão Teotônio Vilela de Direitos Humanos, Secretária Municipal de Promoção Social de Campinas e co-autora de vários livros. É consultora em direitos da criança e em responsabilidade social.

Inês Vitorino Sampaio [Mediadora] Graduada em Ciências Sociais pela Universidade Federal do Ceará (UFC). Mestre em Sociologia pela UFC e doutora em Ciências Sociais pela Universidade Estadual de Campinas (Unicamp). É professora do Mestrado em Comunicação da UFC e autora do livro “Televisão, publicidade e infância”.

Outros links:
Encontro internacional discute marketing infantil – Conferência Internacional de Marketing Infantil reúne publicitários, pesquisadores, empresários, representantes da área de marketing para discutir o cenário da publicidade infanto-juvenil


Tv Cultura – Instituto Alana notifica canal educativo por considerar inadequada publicidade dirigida às crianças

Convido as amigas blogueiras abaixo a postar suas opiniões sobre o assunto e convido-as a convidarem também blogueiras amigas para postarem :

Lucia Malla http://www.interney.net/blogs/malla/

Lúcia Freitas  http://www.ladybugbrazil.com/

Thaís Saíto  http://blogvidaverde.blogspot.com/

Nosso debate – publicidade Infantil, proibir ou não:

Parte 1: http://futurodopresente.com.br/blog/index.php/2010/03/forum-crianca-e-consumo-dia-1honrar-a-infancia/

Parte 2: http://futurodopresente.com.br/blog/index.php/2010/03/publicidade-infantil-proibir-ou-nao-parte-ii/

Parte 3:  http://futurodopresente.com.br/blog/index.php/2010/03/3217/

Mais posts :

Fórum Criança e Consumo:

http://futurodopresente.com.br/blog/index.php/2010/04/forum-crianca-e-consumo-dia2parte3/

http://futurodopresente.com.br/blog/index.php/2010/04/criancas-como-cidadaos-ou-criancas-como-consumidores/

http://futurodopresente.com.br/blog/index.php/2010/04/forumcriancaeconsumodia2refletiroconsumo/

http://futurodopresente.com.br/blog/index.php/2010/03/forum-crianca-e-consumo-dia-1-continuacao/

http://futurodopresente.com.br/blog/index.php/2010/03/forum-crianca-e-consumo-dia-1honrar-a-infancia/

Publicidade infantil, proibir ou não? (Parte III-final)

Hoje começa o 3o. Fórum Internacional Criança e Consumo e como nós estaremos presentes neste evento, vamos continuar debatendo este importante tema nas criação dos nossos filhos e dos cidadãos do futuro, contando diretamente do Fórum, o máximo possível do que for conversado por lá.

Sendo assim, vamos à terceira parte do nosso debate:

O que podemos concluir de tudo isso?


Consumir menos e com mais qualidade é ecológico.

A infância é uma responsabilidade global: família, sociedade e Estado.

E o que perdemos se proibirmos a propaganda infantil?

O que perdemos com a proibição da propaganda de cigarros? NADA! Só ganhamos. Era um absurdo aquele monte de propagandas com associação de cigarro à esportes. Cigarro e vida saudável, definitivamente uma grande MENTIRA.

O que vamos perder com a proibição de propagandas de bebidas alcoólicas? Nada.

Neste mesmo caminho vai a publicidade infantil?

A propaganda existe porque há consumismo e o consumismo é alimentado pela propaganda, logo temos uma bola de neve. Se o consumismo de adultos merece toda a atenção – afinal se continuarmos produzindo o lixo que produzimos hoje na mesma proporção por mais alguns anos já sabemos onde (não) chegaremos – o consumismo na infância é uma preocupação ainda maior e merece ainda mais atenção.

A questão não é proibir, mas proteger a infância. Criança vive nesse mundo e precisa conhecer a realidade, mas existem várias outras formas mais saudáveis e nutridoras pra que a criança vá chegando. Até os sete anos ela é muito imatura. Ela precisa ser protegida pra que, quando chegar a hora de encarar a realidade e o mundo, ela esteja segura e fortalecida. Crianças que não crescem moldadas, que são educadas com mais criatividade e liberdade, quando adultas tomarão decisões por conta própria com muito mais sabedoria e segurança do que aquelas que cresceram expostas a uma realidade doutrinadora e limitadora.

Precisamos criar humanos capazes de encontrar a felicidade dentro deles, e pra isso precisamos nutrí-los de afeto e atenção. Precisamos criar humanos que não apenas respeitem e preservem, mas que venerem a terra e os alimentos. precisamos criar humanos empáticos. Se conseguirmos fazer uma mudança dentro de nossa casa, ela vai pro mundo. Assim nossos filhos, os adultos do futuro, serão capazes de nutrir seus filhos de afeto e não de presentes.

Nosso papel fundamental e urgente é evitar que nossas crianças cresçam consumistas, manipuláveis e desvinculadas da realidade, em favor desse sistema capitalista do consumo exagerado e desnecessário imposto e empurrado goela abaixo diariamente! Precisamos fazê-los refletir junto, precisamos disso? Por que estamos comprando isso? Não há melhor maneira de educar crianças (e adultos!) do que através do questionamento! Ainda mais se queremos educar seres proativos, pensantes e questionadores (e não “foma-atados”), ao invés de uma massa de futuros adultos passivos e receptivos de todo e qualquer lixo jogado na sociedade através das propagandas. E isso vale para tudo: de propaganda política às discussões que temos em nossos círculos sociais.

Temos que criar seres que não fiquem sentados, aceitando passivamente um sistema em que damos nosso sangue para sustentá-lo, trabalhando horas para receber os recursos necessários para consumir o que quer que querem que compremos, inclusive o que não precisamos! Como será o futuro com um planeta lotado de lixo? Nosso consumo compromete diretamente a natureza pois a fabricação do que consumimos a polui e degrada.

Além de tudo que se aplica à publicidade e ao consumismo adulto, a propaganda voltada pra criança é covarde, é uma falta de compromisso com o futuro, com o coletivo, com a humanidade e com o planeta. Pais, sociedade e Estado precisam assumir sua responsabilidade diante da infância e do futuro do planeta.

Existe um Manifesto circulando pela internet e num de seus trechos ele menciona: “A publicidade voltada à criança contribui para a disseminação de valores materialistas e para o aumento de problemas sociais como a obesidade infantil, erotização precoce, estresse familiar, violência pela apropriação indevida de produtos caros e alcoolismo precoce. Acreditamos que o fim da publicidade dirigida ao público infantil será um marco importante na história de um país que quer honrar suas crianças.”

E você, o que pensa de tudo isso?

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Texto escrito a 16 mãos por: Ana Cláudia Bessa, Ceila Santos, Maria Rê Carriero, Renata Gonçalves, Renata Matteoni, Rita de Cássia Couto, Silvia Schiros e Taís Vinha.

Posts e continuações deste debate:

Parte 1:  http://futurodopresente.com.br/blog/index.php/2010/03/publicidade-infantil-proibir-ou-nao/

Parte 2:  http://futurodopresente.com.br/blog/index.php/2010/03/publicidade-infantil-proibir-ou-nao-parte-ii/

Parte 3:  http://futurodopresente.com.br/blog/index.php/2010/03/publicidade-infantil-proibir-ou-nao-parte-iii/

E convido as amigas blogueiras abaixo a postar suas opiniões sobre o assunto e convido-as a convidarem também blogueiras amigas para postarem :

Samantha http://www.samshiraishi.com/

Cristiane http://ciclicca.blogspot.com/

Vera http://foradomanual.blogspot.com/

Mais posts :

http://futurodopresente.com.br/ana/2010/02/televisao-por-assinatura-e-transparencia-das-relacoes-de-consumo/

http://blogdodesabafodemae.blogspot.com/2010/04/voce-e-favor-da-lei-contra-publicidade.html

http://graflor.blogspot.com/2010/03/publicidade-infantil.html

Fórum Criança e Consumo:

http://futurodopresente.com.br/blog/index.php/2010/04/forum-crianca-e-consumo-dia2parte3/

http://futurodopresente.com.br/blog/index.php/2010/04/criancas-como-cidadaos-ou-criancas-como-consumidores/

http://futurodopresente.com.br/blog/index.php/2010/04/forumcriancaeconsumodia2refletiroconsumo/

http://futurodopresente.com.br/blog/index.php/2010/03/forum-crianca-e-consumo-dia-1-continuacao/

http://futurodopresente.com.br/blog/index.php/2010/03/forum-crianca-e-consumo-dia-1honrar-a-infancia/

Publicidade Infantil, proibir ou não? (parte II)

O risco da proibição e a capacidade da sociedade de se tornar imune


Considerando todo o prejuízo que a publicidade voltada para crianças acarreta e que a criança não tem condições para discernir e decidir sobre seu próprio consumo, propaganda direta, pra crianças, de todo e qualquer produto, não deveria ser proibida e ponto?

Quanto as regras nos prejudicam e quanto nos beneficiam? Quando proibimos, colocamos um controle que pode reverter em cegueira. E por isso é preciso ter muito cuidado.

Nos Estados Unidos, onde o capitalismo já ultrapassou todos os limites de respeito ao individuo, há publicidade de doenças, laboratórios farmacêuticos, hospitais; de advogados incentivando o cidadão a processar sua mãe, seu pai, seu médico, sua escola, seu vizinho. A publicidade do consumo de serviços e de tudo e qualquer coisa é fortíssima e já fez uma “lavagem cerebral” na massa. Lá, apesar de a publicidade infantil ser melhor regulamentada (não é comum ver comerciais durante a apresentação de programas infantis, por exemplo), se levamos uma criança ao cinema encontraremos propagandas embutidas em filmes e animações. É comum ver produtos e marcas em todos os filmes, para adultos e crianças - às vezes são flashes, muito rápidos, que só observamos se estivermos prestando atenção, mas que nosso inconsciente capta. A propaganda, portanto, sempre encontra um meio de atingir seu alvo: nós e nossos filhos. Com regulamentação ou sem.

Sabe-se também que a exposição compulsiva pode treinar nossos olhos a filtrar as mensagens publicitárias, ou seja, o próprio organismo da “sociedade” trata de criar suas próprias defesas. Como cresceram super expostos, os jovens de hoje aprenderam a ler nas sublinhas das mensagens publicitárias, o que de certa forma os protege. A criança que não cresce exposta à propaganda, por sua vez, não adquire esse tipo de “imunidade”, portanto poderá ter outros desafios a enfrentar quando tiver que encarar o mundo como ele é.

Outras possibilidades além da proibição

Há outras formas de proteger as crianças além da proibição da publicidade infantil pura e simples ou mesmo sua regulamentação por lei: ação por parte dos cidadãos, exigindo e fazendo valer os direitos da criança, para os quais existe lei: o Estatuto da Criança e do Adolescente; auto-regulamentação da publicidade infantil pelo CONAR, busca pelo avanço da publicidade e da forma de se fazer negócios, com mais responsabilidade social e ambiental. Somos, portanto, responsáveis pela evolução que almejamos.

A responsabilidade dos pais

Assumir nosso papel integralmente exige muito de nós: reclamar, gritar e recorrer aos órgãos responsáveis sempre, ainda que enfrentemos dificuldades, buriocracia e corrupção.

As propagandas podem induzir a criança e isso ocorre na maioria das vezes. Mas por outro lado, as atitudes dos pais têm um peso ainda maior. Nós somos o exemplo! Se os pais são consumistas, os filhos também serão! Os publicitários estão no papel deles, e os pais? Qual o papel dos pais? Até que ponto nosso hábito de consumo, mesmo que comedido, influencia nossos filhos?

Como podemos tornar o consumo comedido um exemplo claro para eles já que o consumo é algo inevitável e até necessário? Além da verdade em nossa conduta, muita conversa. E, enquanto eles ainda não entendem tão bem quanto a gente gostaria, evitar levar junto na hora de fazer compras pode ser uma saída. Não é nada fácil educar os filhos para o consumo consciente no mundo de hoje, até porque, na grande maioria das vezes, isso exige que reeduquemos a nós mesmos.

É na escola onde também as crianças podem estar recebendo a maior carga de publicidade. Através dos amiguinhos que aparecem cheios de aparatos tecnológicos e os mais novos lançamentos da Disney e afins comprados pelos seus pais enlouquecidos. Não podemos deixar de considerar um desserviço à educação que os pais mandem brinquedos tão acintosos num ambiente comunitário e pior, educacional. As crianças realmente valorizam esses brinquedos ou eles apenas representam sinais de status? E quem realmente valoriza isso: as crianças ou os próprios pais? Esse tipo de coisa precisa ser controlada pela escola. O papel da escola é socializar, desestimular o consumismo e estimular o companheirismo, o senso de comunidade. A escola não deveria ter medo de exercer o seu papel e impor regras, o que ocorre porque muitas vezes ao agir dessa forma a escola desagrada justamente quem a financia: os pais. E diante disso o papel dos pais que tem um mínimo de consciência e espiríto questionador é exigir que as escolas ajam como educadores, numa parceria conosco na tarefa de educar de verdade.

Acreditamos que, qualquer que seja a escolha da família – assistir ou não TV – é nos elementos e vivências que a rotina nos fornece que aencontramos as melhores oportunidades de educar – através do exemplo e da conscientização. Quando nossos filhos assistem TV, temos que ficar com o controle remoto na mão o tempo todo para controlar o que eles assistem? É claro que precisamos assistir pra saber do que se trata, mas a partir de uma certa idade precisamos também procurar construir uma relação de confiança com as crianças. Definir regras com clareza em relação aos programas que eles podem e o que não podem assistir, e confiar que eles obedecerão. Se desobedecerem, devem arcar com as consequências, como ficar sem ver TV por um tempo.

(continua na próxima semana)

Texto escrito a 16 mãos por: Ana Cláudia Bessa, Ceila Santos, Maria Rê Carriero, Renata Gonçalves, Renata Matteoni,  Rita de Cássia Couto, Silvia Schiros e Taís Vinha.

Posts e continuações deste debate:

Parte 1:  http://futurodopresente.com.br/blog/index.php/2010/03/publicidade-infantil-proibir-ou-nao/

Parte 2: http://futurodopresente.com.br/blog/index.php/2010/03/publicidade-infantil-proibir-ou-nao-parte-ii/

Parte 3:  http://futurodopresente.com.br/blog/index.php/2010/03/publicidade-infantil-proibir-ou-nao-parte-iii/

E convido as amigas blogueiras abaixo a postar suas opiniões sobre o assunto e convido-as a convidarem também blogueiras amigas para postarem :

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Publicidade infantil: proibir ou não?

top_interna_tvSaímos da época das festas, shoppings lotados de adultos e crianças ávidos por comprar seus presentes e artigos de Natal, ano novo, material escolar e carnaval, e não pudemos deixar de refletir sobre esse tema tão importante: consumo infantil.

Alguns defendem veementemente a proibição da publicidade infantil. De outro lado, alguns discordam, acham que estão querendo passar para a publicidade uma responsabilidade dos pais.

O que é importante afinal levarmos em consideração nesta questão?

Em primeiro lugar, que são debates como esses que fizeram com que a publicidade e a sociedade como um todo evoluísse. Somos a favor das diferenças, das possibilidades e do debate.

Mas por que é necessário regulamentar?

Não temos dúvida de que, no mínimo dos mínimos, é urgente uma regulamentação muito, mas muito rígida para a publicidade infantil. Quer dizer, nem todos têm a absoluta certeza de que serão as regras que vão melhorar o estímulo exarcebado ao consumo infantil, mas todos nós acreditamos que é necessário nos mover em busca de proteção à nossa infância.

A publicidade como vemos é um cerceamento à liberdade da criança de imaginar. A criança aprende através da TV e da publicidade a gostar de tudo que a mídia quer que ela goste.

O incentivo ao consumo é tão grande que as crianças não se satisfazem com nada: se é um, é pouco. Se são muitos mas menos que os outros, é pouco. Se são muitos mas o dos outros é maior, é pouco. Se temos muito mas não temos aquilo que o outro tem, é pouco. Se temos um sorriso, um abraço, mas não temos presente, é pouco. É a insatisfação compulsiva.

De quebra, boa parte das propagandas voltadas para crianças são mentirosas e desonestas. Nossos filhos devem e precisam saber: propaganda mente. É um jogo que não se trata do bonzinho e do maldoso, mas de interesses. Conscientizar as crianças já é algo proativo que nós pais podemos fazer independente de qualquer coisa: começar a ser mais enfáticos neste sentido com as crianças em casa.

O objetivo da publicidade voltada para crianças é atingir os pais via filhos. O que torna tudo ainda mais covarde, pois as crianças estão sendo usadas. Aquelas marcas que não dizem nada mais aos adultos, pelo simples fato de não terem nada a mais a oferecer (nenhum diferencial), se disfarçam com personagens infantis e vão pra cima dos pequenos. Os publicitários sabem que os pais, cheios de culpas, acabam comprando quando a meninada pede ou faz pressão. Então vira um non sense: criança não tem maturidade pra votar, pra casar, pra namorar, pra dirigir, para escolher a hora de dormir, para sair de casa sozinha. Mas é tratada como se tivesse maturidade pra tomar decisões de consumo. O que TODOS nós – pais, governo e publicitários – sabemos que elas não têm.

Preocupa muito, também, a abordagem dos anúncios de alimentos infantis. E aí, além da questão do consumo, entra um ponto também muito importante: a saúde. As mães de origem mais humilde, que tiveram seu poder de consumo aumentado nos últimos anos, estão claramente tentando satisfazer todos os desejos dos filhos – desejos que muitas vezes foram delas quando crianças. Isso não seria nem de longe um problema, exceto pelo fato de aquela criança estar sendo entupida de açúcar, farinha e gordura vegetal hidrogenada. O que é um problema que atinge, por diferentes motivos, as demais classes sociais e compromete gravemente a saúde das crianças. Gasta-se horrores em potinhos de “bebida láctea tipo iogurte com aroma artifical de qualquer coisa” quando é possível fazer em casa um litro de iogurte com R$ 2,00 e depois bater com frutas. Esse consumo não é fruto do desconhecimento, mas da propaganda do iogurte-super-divertido-e-colorido-do-super-herói-da-moda-que-dá-super-poderes.

E o risco da proibição? A sociedade pode se tornar imune?

(continua na próxima semana)

Texto escrito a 16 mãos por: Ana Cláudia Bessa, Ceila Santos, Maria Rê Carriero, Renata Gonçalves, Renata Matteoni,  Rita de Cássia Couto, Silvia Schiros e Taís Vinha.

Posts e continuações deste debate:

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Parte 3:  http://futurodopresente.com.br/blog/index.php/2010/03/publicidade-infantil-proibir-ou-nao-parte-iii/

E convido as amigas blogueiras abaixo a postar suas opiniões sobre o assunto e convido-as a convidarem também blogueiras amigas para postarem :
Cristiane Fetter http://todoyda.blogspot.com/

Vanessa http://fio-de-ariadne.blogspot.com/

Cybele Meyer http://cybelemeyer.com.br/

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Não gostou? Desliga! Simples assim? – Parte 2

Relembrando as premissas com as quais encerramos a primeira parte:

- A televisão de penetração maciça, no Brasil, é a TV aberta, comercial e com predominância das chamadas redes – quatro ou cinco grandes conglomerados de emissoras que “distribuem” uma programação, em grande parte comum, por todo o país.

- Sendo comercial a TV norteia sua programação em função da maior captação possível de telespectadores (audiência)

- As programações das TVs, quase que totalmente, são produzidas nos grandes centros – principais cidades do país – por pessoas (técnicos, artistas e profissionais em geral) pertencentes a grupos sociais típicos desses grandes centros.

Sendo verdadeiras (e até que me provem o contrário o são) essas premissas, uma enorme quantidade de questionamentos são pertinentes, como: O mesmo programa que é visto por uma família de classe média de uma grande cidade, cujos componentes possuem alto grau de escolaridade, cultura e informação, é visto pelos moradores das favelas dessa mesma cidade, pelos habitantes de uma pequena vila rural a centenas ou milhares de quilômetros dos grandes centros e ainda pela população miserável de um município perdido nos grotões (muitas vezes através de um único aparelho situado na praça do vilarejo). Cabem as perguntas? Os idealizadores, produtores, diretores, etc. desses programas estão cientes e levam em conta essa realidade? Cada um desses telespectadores “recebe” da mesma forma, ou, pelo menos, da forma concebida pelos realizadores, o que está assistindo?

Ainda com base nas premissas: A aferição da audiência pressupõe a pesquisa. Para isso, empresas especializadas desenvolvem técnicas e metodologias. Se a audiência é o que determina o “valor” do espaço publicitário, ou seja, quanto maior a audiência maior o potencial de venda do produto anunciado, é lícito deduzir que as tais pesquisas são realizadas entre “consumidores” em potencial. Ora, qual o verdadeiro tamanho da massa populacional não-consumidora? lembrando que aí não se incluem apenas aqueles que não possuem poder aquisitivo, mas também os que não se enquadram no “perfil de consumidor” dos produtos que a TV veicula. Eles também assistem TV!

Quanto à geração dos programas, talvez esteja aí a mais rica fonte de teses envolvendo a influência da televisão. Com destaque especial para os programas chamados genericamente de “shows” e para as novelas, por serem os que alcançam maior audiência nas grades de programação, cabe a indagação: Até que ponto uma produção televisiva retrata e, consequentemente, transmite e dissemina realidades, códigos, valores, linguagem etc inerentes aos grupos sociais de seus realizadores ou autores?

Aqui cabe uma pequena viagem no tempo. Voltemos, não muito longe, à época pré-televisiva ou mesmo à dos primórdios da TV. Como evoluía culturalmente um grupo social? Como se tomava conhecimento de “novidades”, em todos os setores da atividade humana? Como se assimilavam novos valores, comportamentos etc? É claro que a velocidade dessa evolução era proporcional ao acesso do grupo a informações, isso equivale a dizer que, nos grandes centros se dava de forma mais significativa do que nas pequenas ou mais afastadas comunidades. “Tudo no seu devido tempo”, diziam, sabiamente, nossos avós. As novidades chegavam via meios de comunicação (rádio, imprensa escrita, telefone), cinema etc. As próprias pessoas promoviam “trocas” através, por exemplo, de relatos e impressões de viagens. Enfim: sem saudosismo, podemos dizer que havia tempo para se absorver e assimilar as novidades.

A televisão mudou radicalmente essa realidade. É ela a principal responsável pela quebra das barreiras geográficas no caminho da informação. É ela (e não, ainda, a internet!) que, ignorando distâncias, leva os fatos, em tempo real, a qualquer lugar. O quanto isso é ruim? O quanto isso é bom?

Na realidade, mais do que veicular informações em tempo muito curto, a TV adquiriu um papel ainda mais preocupante: ela tornou-se de certa forma “avalista da realidade”, isto é, os fatos tornam-se reais se e porque “deu na TV” (aqui está outro diferencial importante da TV em relação à internet). Consequentemente, as coisas que não aparecem na TV são desimportantes ou simplesmente não existem!?

Muito se tem que pesquisar, observar e debater ainda para se chegar às respostas de, pelo menos, parte dessas perguntas. Não tenho dúvidas, entretanto, de que estão enganados os defensores da tese de que a TV é “meramente” um instrumento de entretenimento, fabuloso pelo seu alcance e penetração, e essencialmente “democrático” pela existência de um seletor de canais e um botão de desligar!

Antes fosse! Antes fosse!!

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Texto de Ivo Fontan

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Não gostou? Desliga! Simples assim? – Parte  1


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