Desenho para crianças?

Os Simpsons é um desenho americano que satiriza inteligentemente a vida da sociedade moderna e da família. Justamente por ser uma sátira, suas piadas são voltadas, na maior parte do tempo, para o público adulto. Encontrei algumas imagens deste desenho e achei interessante mostrar os tipos de situações que passam diariamente na TV aberta, em horário e programa voltados para o público infantil.

Eu pergunto: isso é coisa de crianças ou para crianças?

Filho enganando e roubando o pai

Pai bebendo e ensinando que a cerveja é a solução dos problemas. (oi?)

Legal?

Agressão violenta entre pai e filho

 

Opa, de novo.

Armas nas mãos do Pai. E a figura paterna é um exemplo importante para as crianças.

Violência extrema again…. ou pai tentando esganar o filho é algo aceitável?

Filho ridicularizando o pai.

Cerveja, again….Exagero ao pensar que é quase uma apologia ao consumo de álcool? Alcoolismo na juventude é um dos problemas mais graves em nossa sociedade.

Ué? No Brasil não é proibido para menores? Não é lei?

É o adulto que está consumindo no desenho, mas além de ser o personagem “pai”/exemplo, estamos falando de um desenho que passa em horário e programa infantis.

Sei que muitos dos que nos lêem não deixam seus filhos assisitirem. Sei que muitos assistem canais pagos, com programas mais educativos e selecionados. Mas uma maioria absoluta da população assiste a TV aberta, que em muitos casos é o único entretenimento da família.

Mesmo que não nos diga respeito diretamente, indiretamente diz respeito á vida de todos nós, já que vivemos na mesma sociedade e o que afeta a sociedade, sempre, chega um momento que nos afeta.

O que afeta diretamente uma pessoa, afeta a todos indiretamente. – Martin Luther King

O que você acha?

Criança não precisa só de comida

Sempre que a gente fala em filhos, tem alguém que lembra da quantidade de bocas a se alimentar. Muitos, muitos mesmo, se esquecem de que este não é único alimento de que uma pessoa precisa. Pelo contrário. Quando pensamos em ter filhos, precisamos pensar que ele precisará de muitas coisas mais além de comer. Pensar no futuro como algo distante e intangível ou limitar o futuro de uma criança na profissão rentável que queremos que ela exerça, é muito restritivo às próprias capacidades dessa criança.

Mas eu não falo como educadora. Falo como mãe.

Prover cultura hoje a uma criança é fundamental porque criança é criatividade e cultura também. Ela deve ter contato com a cultura o quanto antes. Além disso, com o mundo digital cada dia mais amplo e presente em nossas vidas, a quantidade e acesso à informação e cultura faz com que precisemos ter esse valor agregado em nossa formação desde cedo. E isso significa dar mais do que TV, mesmo que você só dê TV paga para seus filhos. Poder oferecer uma programação mais seleta do que a fraca TV aberta brasileira tem a oferecer, é uma vantagem. Mas ainda assim, a TV é baseada no marketing de consumo. Para a TV ser viável, ela precisa de publicidade e a publicidade,na maioria das vezes, simplesmente ignora as reais necessidades da faixa etária infantil e sobrecarrega as crianças,  estimulando uma das principais causas de criminalidade entre os jovens: a necessidade e o desejo de consumir.

E como podemos incentivar as crianças a desenvolver o gosto pela cultura e qual a idade para se começar? Para mim a resposta é simples: a hora é agora.

Como pais, podemos aproveitar a presença da criança em nossa vida para mostrar à ela o mundo que nós mesmos esquecemos que existe além da nossa necessidade de prover o básico à nossa existência. Nós, adultos, nos perdemos na necessidade de trabalhar e prover. E acabamos por não dedicar tempo a prover outras coisas importantes que nossos filhos precisam. Aprender sobre informática e tecnologia é importante mas ela terá tempo para aprender tudo isso. Precisamos levantar do sofá, desligar a TV, abrir o jornal ou a internet e ver o que está acontecendo de bacana me nossa cidade ou nas cidades vizinhas. Precisamos cultivar desde cedo o hábito de visitar museus, exposições, assistir apresentações musicais, freqüentar livrarias.

Há tanta coisa que podemos começar a fazer hoje!

Podemos substituir os brinquedos que sempre damos em todas as datas, por livros, por exemplo. Podemos passar a dar livros de presente nas festas de aniversário que comparecemos. Podemos fazer uma lista de livros para receber de presente. Podemos levar nossos filhos aos museus ao invés de ir aos shoppings, podemos matriculá-los em cursos de música ao invés de só praticarem lutas. Podemos ir ao teatro, ao invés de só ir ao cinema. Podemos substituir as frenéticas animações de festas infantis por contação de histórias, teatro de fantoches, etc.. Podemos dar brinquedos educativos ao invés de bonecos e armas de plástico que somente estimulam e banalizam a violência.

Em geral, priorizamos aquilo que todo mundo prioriza: esporte, consumo, escolas caras, brinquedos caros, TV, vídeo-game e computador. Precisamos pensar além do nosso restrito horizonte. A escola mais cara, nem sempre é a melhor ou a mais adequada. O brinquedo mais caro, nem sempre é o que a criança deseja. E precisa.

Toda essa forma de ver o mundo, faz com que nós adultos percamos o que temos de mais valioso e já nasce conosco: a curiosidade. E somente a cultura real pode nos manter essa chama acesa. É a base e os bons hábitos que cultivamos na essência de uma criança que vai dar a ela as ferramentas para que ela seja o que ela quiser de sua vida e para que desempenhe com primor tudo aquilo que ela quiser desempenhar, pois com cultura e criatividade, podemos tudo e muito mais. É com a base de uma experiência rica em vivências que elas se tornarão aptas a usar com plenitude e eficiência as ferramentas que o futuro oferece.

Assim, daremos mais que comida. Ofereceremos a base, que além de ter a cultura como um item de valor inestimável na formação de uma criança, ainda estaremos dando à elas a nossa presença. E isso, é algo valiosíssimo que a vida moderna vem tirando compulsivamente da vida das famílias: convivência. Cultura é plural. Por isso precisamos dela, para ajudar a ensinar nossas crianças a mudar esse mundo individualista em que nos encontramos.

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Texto originalmente publicado no http://www.nosdacomunicacao.com/panorama_interna.asp?panorama=198&tipo=G
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Mãenifesto

Por uma nova formação familiar, focada no bem estar integral dos seres humanos e não somente no bem estar material.Por pais que valorizam a tomada de consciência materna, dando sua participação necessária para que ela floresça. Mesmo sem entendê-la completamente.Manifestamos pela conciliação de uma maternidade moderna com uma maternidade mais plena.

Assine!!

http://www.grupocria.com.br/

Mãe Consciente

TV: Angélica não será protagonista de novela global
Da Redação: http://estrelando.uol.com.br/interna/interna_30271.htm

Angélica foi convidada para ser protagonista de Negócio da China, lembra? Pois bem, de acordo com a assessoria de imprensa da loira, ela não aceitou a proposta. O motivo? Não teria como conciliar o folhetim com sua vida pessoal.A mulher de Luciano Huck tomou a decisão por causa de seu filho caçula, Benício, que tem apenas sete meses. Para ela não teria como assumir esse compromisso com uma criança tão pequena em casa para cuidar.
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Aplausos pra ela!

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Não gostou? Desliga! Simples assim? – Parte 2

Relembrando as premissas com as quais encerramos a primeira parte:

- A televisão de penetração maciça, no Brasil, é a TV aberta, comercial e com predominância das chamadas redes – quatro ou cinco grandes conglomerados de emissoras que “distribuem” uma programação, em grande parte comum, por todo o país.

- Sendo comercial a TV norteia sua programação em função da maior captação possível de telespectadores (audiência)

- As programações das TVs, quase que totalmente, são produzidas nos grandes centros – principais cidades do país – por pessoas (técnicos, artistas e profissionais em geral) pertencentes a grupos sociais típicos desses grandes centros.

Sendo verdadeiras (e até que me provem o contrário o são) essas premissas, uma enorme quantidade de questionamentos são pertinentes, como: O mesmo programa que é visto por uma família de classe média de uma grande cidade, cujos componentes possuem alto grau de escolaridade, cultura e informação, é visto pelos moradores das favelas dessa mesma cidade, pelos habitantes de uma pequena vila rural a centenas ou milhares de quilômetros dos grandes centros e ainda pela população miserável de um município perdido nos grotões (muitas vezes através de um único aparelho situado na praça do vilarejo). Cabem as perguntas? Os idealizadores, produtores, diretores, etc. desses programas estão cientes e levam em conta essa realidade? Cada um desses telespectadores “recebe” da mesma forma, ou, pelo menos, da forma concebida pelos realizadores, o que está assistindo?

Ainda com base nas premissas: A aferição da audiência pressupõe a pesquisa. Para isso, empresas especializadas desenvolvem técnicas e metodologias. Se a audiência é o que determina o “valor” do espaço publicitário, ou seja, quanto maior a audiência maior o potencial de venda do produto anunciado, é lícito deduzir que as tais pesquisas são realizadas entre “consumidores” em potencial. Ora, qual o verdadeiro tamanho da massa populacional não-consumidora? lembrando que aí não se incluem apenas aqueles que não possuem poder aquisitivo, mas também os que não se enquadram no “perfil de consumidor” dos produtos que a TV veicula. Eles também assistem TV!

Quanto à geração dos programas, talvez esteja aí a mais rica fonte de teses envolvendo a influência da televisão. Com destaque especial para os programas chamados genericamente de “shows” e para as novelas, por serem os que alcançam maior audiência nas grades de programação, cabe a indagação: Até que ponto uma produção televisiva retrata e, consequentemente, transmite e dissemina realidades, códigos, valores, linguagem etc inerentes aos grupos sociais de seus realizadores ou autores?

Aqui cabe uma pequena viagem no tempo. Voltemos, não muito longe, à época pré-televisiva ou mesmo à dos primórdios da TV. Como evoluía culturalmente um grupo social? Como se tomava conhecimento de “novidades”, em todos os setores da atividade humana? Como se assimilavam novos valores, comportamentos etc? É claro que a velocidade dessa evolução era proporcional ao acesso do grupo a informações, isso equivale a dizer que, nos grandes centros se dava de forma mais significativa do que nas pequenas ou mais afastadas comunidades. “Tudo no seu devido tempo”, diziam, sabiamente, nossos avós. As novidades chegavam via meios de comunicação (rádio, imprensa escrita, telefone), cinema etc. As próprias pessoas promoviam “trocas” através, por exemplo, de relatos e impressões de viagens. Enfim: sem saudosismo, podemos dizer que havia tempo para se absorver e assimilar as novidades.

A televisão mudou radicalmente essa realidade. É ela a principal responsável pela quebra das barreiras geográficas no caminho da informação. É ela (e não, ainda, a internet!) que, ignorando distâncias, leva os fatos, em tempo real, a qualquer lugar. O quanto isso é ruim? O quanto isso é bom?

Na realidade, mais do que veicular informações em tempo muito curto, a TV adquiriu um papel ainda mais preocupante: ela tornou-se de certa forma “avalista da realidade”, isto é, os fatos tornam-se reais se e porque “deu na TV” (aqui está outro diferencial importante da TV em relação à internet). Consequentemente, as coisas que não aparecem na TV são desimportantes ou simplesmente não existem!?

Muito se tem que pesquisar, observar e debater ainda para se chegar às respostas de, pelo menos, parte dessas perguntas. Não tenho dúvidas, entretanto, de que estão enganados os defensores da tese de que a TV é “meramente” um instrumento de entretenimento, fabuloso pelo seu alcance e penetração, e essencialmente “democrático” pela existência de um seletor de canais e um botão de desligar!

Antes fosse! Antes fosse!!

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Texto de Ivo Fontan

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Não gostou? Desliga! Simples assim? – Parte  1


http://futurodopresente.com.br/blog/index.php/2007/06/nao-gostou-desliga-simples-assim-parte-1/

Não gostou? desliga! Simples assim? – Parte 1

Pode parecer, à primeira vista, que o tema que vou abordar nesta série de textos não tem muita relação com o propósito deste blog. Eu penso que tem e muito. Se tratamos de assuntos que dizem respeito ao futuro que pretendemos construir para nossos filhos, não podemos deixar de lado nada que faça parte integrante e relevante deste mundo. Sobretudo aquelas que tem influência direta na formação de nossa capacidade de ver e pensar o mundo. Neste rol, a TELEVISÃO ocupa um papel que não pode e não deve ser subestimado.

Muito tempo ainda transcorrerá até que a verdadeira importância da televisão como elemento de transformação social seja compreendida. Entre nós são pouco mais de cinco décadas (apenas) de existência, das quais somente as duas últimas de efetiva massificação, ou seja, “penetração” em, praticamente, todos os segmentos da sociedade.

“A televisão é integradora, instrumento de evolução e insubstituível como veículo de comunicação e informação”;

“A televisão é o principal instrumento de desagregação social e familiar. Perniciosa e disseminadora de comportamentos e opiniões inadequados para a maioria da população”;

“A televisão não passa de um grande e democrático meio de entretenimento. Não induz nem estimula comportamentos ou idéias incompatíveis com os verdadeiros valores de quem a assiste”

As três teses encontram defensores convictos em todos os níveis da sociedade. Não se duvide que, até mesmo a segunda encontra adeptos dentro da própria “comunidade televisiva”.

A questão, no entanto, é muito mais complexa do que qualquer das teses possa contemplar. Além de faltar, como dissemos no início, “tempo de observação” (e não há nada que se possa fazer para acelerar o tempo!) falta também fechar o foco e definir melhor o que chamamos de televisão. Estamos falando de programação? Falamos de linguagem? do preparo ou competência ( ou despreparo e incompetência ) das pessoas e/ou empresas que operam o veículo? É adequado o sistema de concessão de canais e sua exploração com fins comerciais? Ou falamos do aparelho em si, ou seja, defendemos uma ou outra tese com relação, simplesmente, à entrada indiscriminada de imagens, informações e opiniões, casa-a-dentro das pessoas via essa “maravilha tecnológica” cada vez mais acessível.

Definido o que estamos chamando de “televisão” é preciso ainda particularizar os “grupos” ou segmentos sociais alvo da análise, já que, em um país tão vasto e com os contrastes sócio-culturais como os encontrados no Brasil, falar em população como mero coletivo de cidadão, sem levar em conta as abissais diferenças que separam grupos (às vezes até geograficamente próximos) é garantia de erro em qualquer estudo de ordem sociológica.

Com essas considerações quero dizer que as três teses são defensáveis e reprováveis ao mesmo tempo! É uma questão de “misturar”e combinar parâmetros: o que estamos chamando de televisão e de população?

Vamos partir de três premissas:

- A televisão de penetração maciça, no Brasil, é a TV aberta, comercial e com predominância das chamadas redes – quatro ou cinco grandes conglomerados de emissoras que “distribuem” uma programação, em grande parte comum, por todo o país.

- Sendo comercial a TV norteia sua programação em função da maior captação possível de telespectadores (audiência)

- As programações das TVs, quase que totalmente, são produzidas nos grandes centros – principais cidades do país – por pessoas (técnicos, artistas e profissionais em geral) pertencentes a grupos sociais típicos desses grandes centros.

Continua na próxima postagem

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Texto de Ivo Fontan

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